Arquivos Mensais:junho 2006

O curió nunca mais cantou

O curió nunca mais cantou

Trilha sonora do post: Aquarela 

“Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo… num  instante imagino uma linda gaivota a voar no céu.”

O tempo muitas vezes nos passa desapercebido. Ontem à tardinha, com o pôr-do-sol e a T.P.M. chegando, calculei-o. Faz já 11 anos. Então a sensação exata de um terço da minha vida caiu de forma bombástica sobre mim. 

Ele era o galã. Bonitão. Todas as histórias falam disso. De um homem de 1,86 de altura, loiro, olhos cor de azeitona, braços fortes, peito largo, carro bonito. É, é a cara dele falar de carro bonito. Impossível esquecer a camisa aberta e o correntão de ouro contrastando com a loirice de seu peito. E o cabelo fino voando ao vento. Se eu fosse menino, seria o seu companheirão. Só que nasci mulher. E virei a sua princesinha.

Foram só dois anos em que fui filha única, mas os mimos me estragaram para todo-o-sempre-amém. “O que você quiser, eu faço por você, minha filha”. “Qualquer coisa, pode pedir a seu pai”. Frases mágicas. “Não peça nada a ninguém, seu pai faz tudo por você”. E fez.

Bebezinha, com dois anos ou três, eu já queria que ele tirasse todas as pessoas da praia, para ela ser só minha. Imagina! O mar era todo meu, porque Deus fizera ele “só para mim”. Assim ele dizia de todas as coisas. Íamos, então, às praias desertas. Minha mãe ajeitava a feijoada ou a farofa e cia para o churrasco e nós viajávamos para longíííínquas enseadas, afastadas do centro urbano, onde eles pescavam em paz e a gente aproveitava para se sentir o centro do universo. Pai, mãe e filha. Depois, mais duas meninas. Itacimirim, Guarajuba, Barra do Jacuípe, a própria Praia do Flamengo, há 30 anos, era deserta. Lembro de irmos a Stella Maris pescar atrás do velho hotel abandonado. E não pensem que ele ficava absorto, não: cuidava da minha varinha de bambu também, que era grande (talvez por isso eu tenha esta megalomania – risos).

“Pinto um barco a vela branco, navegando, é tanto céu e mar num beijo azul”

Amava muito o mar. Os barcos. Os trens. O avião. Os discos voadores. E a pipa colorida no céu, que eu também empinei com ele.

“Tudo em volta colorindo com suas luzes a piscar. Basta imaginar e ele está partindo, sereno indo, e, se a gente quiser, ele vai pousar.”

Livre arbítrio. Com ele aprendi que muitos caminhos diferentes levam ao mesmo lugar, que a rotina pode ser diferente todo dia.  E que há também muitos diferentes lugares, porque o mundo é grande e pode caber num círculo de um compasso.

Lá em casa, era uma sinfonia de curiós, seu passarinho preferido. E as gaiolas eram lindas, todas douradas. Me lembro do som sony e do gosto por eletrônica que dele herdei. Havia um tal de um lp chamado O canto do curió que, segundo ele, servia para os bichinhos aprenderem a cantar. E a gente ouvia isso no finde a manhã inteira, quando parávamos em casa – coisa rara. Sua máquina Olivetti era só nossa. Só nós dois datilografávamos. Ganhei Atari e a criatura superou o criador: eu, moleca, vencia todas as partidas de Pitfal e River Raid. No Enduro, ele era melhor.

Ensinou-me o nome de todos os carros e brincávamos de adivinhar qual seria o próximo a passar: chevette, fiat, caravan, puma, brasília, fusca, parati, dodge… eu sabia todos. Eu gostava, por isso, era de brincar de carrinhos com meu primo da mesma idade, mas também me lembro do dia em que ele me pegou dando de mamar à feijãozinho verdinha de mão rosa e touca na fila do ferry-boat e se enterneceu. “Que bunitinho…Olhe, Ane, ela tá dando de mamar à bonequinha” . Senti tanta vergonha do peito que precisei virar mulher para deixar de senti-la.

Nós íamos à Fonte Nova torcer para o Bahia, o meu time por herança, mesmo que eu não assista hoje a um jogo sequer nem ligue para futebol. “Somos da turma campeã… somos da turma tricolor…” No meu carro, há no pára-brisa o adesivo do Baêa, pelo lado de dentro, porque só eu preciso ter as minhas recordações, não é?

Lembro que ele gostava de biquíne curto e nos ensinou que não havia imoralidade nestas coisas nem no namoro nem no sexo. Na adolescência, me levava sem ciúmes para ver meu namorado trinta vezes que eu quisesse. Festas? Fomos a todas. Ia levar e buscava sem reclamar uma vezinha sequer em qualquer madrugada e a qualquer hora. Dava carona a todas as minhas amigas, não importava onde morassem.

Imoral para ele era a mentira. “Nunca minta para seu pai.” “A pior coisa do mundo é a mentira”. Aprendi a lição, embora soubesse quando a cara descarada dele estava rindo por mentir. E que cara! Ensinou-me as malandragens da vida: sabíamos como ‘roubar’ no jogo de baralho, sabíamos que a bolinha na forminha de empada no meio da rua era um truque desonesto para pegar dinheiro dos bestas. Mas colávamos moedas com superbonder no chão de bares ou restaurantes para rir do pessoal que se abaixava (ô crueldade!)

Nunca chegava em casa de mãos vazias. A gente descia as escadas correndo e perguntava : “trouxe o que para mim, meu pai?”. Umbu, seriguela, bombom, tamarindo, um pintinho de dar corda, lápis de cor (adorava desenhar), uma tranqueira vendida por camelô… o que fosse. 

Comíamos sonhos na padaria e pão doce, algodão doce e maçã do amor nos circos. Os parques… fui a todos. A roda gigante era a nossa preferida. E o carrinho bate e volta me fez chorar, fazendo que ele entendesse que eu era mesmo menina. Para ele, o palhaço era o melhor, ria sempre de todos eles e dos programas bestas da tv. E se auto-intitulava o PAI-AÇO. Nestas horas, inchava o peito, fazia muque e careta, dizendo que era o Incrível Hulk. Juro que eu tinha medo dele ficar verde e saía correndo, acreditando mesmo que isso fosse possível.

Pintava, brincava, dançava. Rebolava se a música da moda era Requebra (Olodum). Chamava minhas amigas de macacas… e ria e ria e ria. Agora parece que eu estou vendo a gente chegando da praia, as três meninas de biquíne, mainha entrando em casa e a torneira do jardim sendo aberta. Ele lavava o carro e a gente ajudava. Nesta maluquice, daqui a pouco já estávamos todos brincando de abominável homem das neves, branquelos da espuma do sabonete. E eu aprendi com ele a fazer bolha de sabão com a boca. Até hoje faço isso!

Quantas vezes saímos de carro pelo mundo, 3, 30, 300 ou 3000km livres? Viajar era lei, curtir a vida um prazer. As coisas funcionavam assim: “vamos ali” – e as malas sempre estavam prontas lá em casa porque, de repente, o passeio virava uma viagem. “Nunca fique sem fazer xixi, peça sempre que seu pai pára o carro.” 

Bom, que mais dele herdei? O nariz, o cabelo mais claro (o de minha mãe era quase negro), o porte, a alegria, o falatório, o gosto por papéis e curiosidades. O gosto também pelas pessoas e pelos lugares.  Dou carona a quem precisa sempre, não tenho preguiça de dirigir, faço favores. E ralho com voz de trovão, como ele bem sabia fazer. Nunca me bateu. Sequer um tapa na mão. 

Com 11 anos, eu caí da escada de casa e quebrei o braço. Aquele homem gigante, em poucos minutos arrastou-se até a escada. Recém operado, sentado e impotente diante do meu braço quebrado, chorava e perguntava: “meu Deus, por que isso não aconteceu comigo? Por quê?” Foi assim que eu descobri o que é amor. E que só um pai é capaz do incondicional.    

“ E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar. Não tem tempo nem piedade nem tem hora de chegar. Sem pedir licença muda nossa vida e depois convida a rir ou chorar. Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá… numa linda passarela que um dia enfim… descolorirá”. 

Te amo e o tempo não varreu isso de mim.”

Mais uma da T. Pós M.

Mais uma da T. Pós M.

Quem lê o A vida em palavras sabe… tenho tensão pós e não pré.

Pois é : agüentem o auge aí!

Vinho francês, queijos mil, lembrando minha mãe que dizia que ” o melhor: para mim!”. Boa música e …

… de repente eu tenho cinco anos de idade, choro compulsivamente, bebo a taça, brindo a mim. E quero o colo daquele que, daqui a seis dias, fará 11 anos que nos deixou. Ah, às favas tudo o mais. Hoje eu sou a filha e choro. E sou pequenininha do tamanho de um botão.

Amanhã eu acordo outra. Os otimistas não se irritem. Os educados me permitam. Estou chata, estou grossa, estou eu…sei lá o quê: o espaço é meu e eu posso. Estou grandinha, mas se fosse mesmo pequena, hoje eu chuparia o dedo. Pra dormir.

Eu, meus queijos, meu vinho

Eu, meus queijos, meu vinho

É quinta à noite e me acostumei a celebrá-la. Antes, tempo farto de amor, era dia de comida árabe ou italiana, homem chegando às seis em casa, música romântica escolhida por ele na sala.

Havia tempo para uma dança. Havia uma cerveja partilhada ou um vinho a dois. Havia uma varanda e uma Lua no céu. E o mar, mar , distante mar…

Hoje há a doçura, há o vinho, há o sonho, há a mulher. Há queijo Gruyère, Gouda, Brie e Gorgonzola.

Há boa música e quatro travesseiros me esperando.

Leio Crime e Castigo de Fiódor Mikhailovich Dostoiévski. E curto a minha Felicidade transitória e Clandestina, não é Clarice?

Tim, tim.

Se… parte II

Se… parte II

… o pecado bate na porta, a gente sorri. Se traz sorvete, os orgasmos são múltiplos!

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Aproveito aqui para lançar a minha mais escandalosa revelação (risos). Desde que eu descobri isso, quando conto a um namorado, o olho dele fica miudinho, com aquela cara de impotência do tipo: e agora? O que é que eu vou fazer com uma mulher destas? Eu brinco e digo: nem se preocupe, jamais reclamarei. Existe sorvete! 

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Vamos ao post:

Quando éramos crianças, o pai e a mãe eram vivos e os domingos eram cheios. Saíamos ao clube, banho de piscina, coxinhas, acarajés, refrigerantes, etc. Almoço na churrascaria etc etc etc . Nada disso interessa agora, porque o grand finale do dia era a coroação : depois do passeio no Farol da Barra, na Avenida Sete (sim, fazíamos city tour em Salvador no Monza dourado aos domingos) ou na Ribeira, as três meninas alegres desciam do carro alvoroçadas, não menos que a menina-mor ( minha mãe) e que o menino-mor (meu pai).

Parávamos na Cubana ou na Sorveteria Amaralina ou na Sorveteria da Ribeira naqueles doces domingos hoje da memória. Então minha mãe, autoritária que só ela, fazia questão de escolher o melhor para as três filhas e para si mesma : quatro sorvetes de coco e manga, por favor,  e um de ameixa com coco ou com amendoim (esse era o de meu pai,  que sujava a cara larga todinha e lambia os cantinhos das suas próprias bochechas até  limpá-las com a língua.). Por isso, a gente aprendeu a tomar dois sorvetes, para ter o direito de escolher uma bola do segundo, que uma sempre tinha de ser o de coco porque ELA determinava e porque era, realmente, o melhor.

Minha gula megalomaníaca infantil sonhava com o dia em que eu namoraria um dono de sorveteria – tipo a Magali desejando o Quinzinho apenas por causa dos sonhos e doces – só para poder comer de colher todos os sorvetes que eu bem entendesse, retirando as porções sem cerimônia daquele pote de 20 litros que fica exposto nas vitrines.

E a palavra convida:  sorvete. Sorve-te. Sorver-te. Sorver… Eu sorvo o sabor, o teu divino sabor…  Te sorvo assim… huuummm… a pazinha raspando o cremoso gelato, a língua entrando em contato com o frio que vai se derretendo em mim… A minha nuca se arrepia então… Se tiver uma colher, eu viro-a do avesso e lambo a forma côncava pelo lado de dentro, roçando a língua com uma precisão  quase científica a ponto de nada lhe sobrar do creme precioso… faço isso até hoje, como só as crianças sapecas sabem fazer!

Então aquele gelo gostoso, derretido, frio ainda, mistura-se à saliva que já me inunda a boca e  desce lenta e prazerosamente pela garganta. Sinto as curvas do frio em mim, invadindo-me o início do sistema digestivo até desaparecer de minha ainda quase nula sã consciência do processo alimentar.

A essa altura, as ondas de prazer já me tomaram o corpo e o arrepio subiu de novo à nuca, espalhou-se pelas costas e, juro(!) aqueceu-me o sexo. Como o movimento se repete ainda muitas vezes, sinto, realmente, um prazer orgásmico ao sorver-te, sorvete.

Como  respeito o sexo e muito, não tomo sorvetes à toa. Uso-os como válvula de escape para minhas tensões cotidianas ou como recompensa por tarefas exaustivas que cumpro. Ou para os dias em que a Liberdade realmente se faz para mim. Nestes momentos, caminho lépida e faceira, quase saltitante, com uma leveza de mulher e uma pureza de menina, absorta em meu sorvete como estaria ao partilhar a intimidade com outro alguém.

Assim termina minha noite: ganhei um pote de sorvete e um beijo inocente.

Deu para tirar uma casquinha?

Todos os dias são meus

Todos os dias são meus

Há dois dias, publiquei um post sobre um delicioso dia que tive. Hoje, acordei preguiçosa, às 7 da matina, depois de ter rolado na cama algumas horas com o pensamento em desalinho.  O ato de calçar a meia, o ritual de amarrar os cadarços do tênis, a delícia de sentir o cotton justo na pele, a trança indisciplinada no cabelo … e, especialmente, a possibilidade de deixar o carro na garagem de casa, descer as escadas andando e abrir o portão do prédio para ganhar a orla, a pé, me deram a exata sensação da delícia de ser o que se é.

Amo a liberdade, gosto de sorrir… Hoje corei pelo sol tímido de inverno. E pelas recordações. O céu azul enganava, entretanto a névoa no mar me confirmava que não era verão ainda. Caminhei oito quilômetros, livre, sem tempo para voltar, sem telefone para atender, sem desculpas para apresentar.  Na volta, o dinheiro trocado, tão pouco, não parecia fazer jus ao prazer indelével que a água de coco é capaz de proporcionar.

Voltar para casa devagar, divagando, sorrindo sozinha…

E, então, ligar o pc, receber uma mensagem esperada, reencontrar via skype uma grande amiga paulista e  sentar à mesa para degustar o tabule, o quibe de forno e a saladinha árabe…  Esse é o tom da vida, esse degustar infinito que minha mãe me ensinou. Delícia.

Indico

Indico

Forneria Quintana no Rio Vermelho.

Delícia de lugar, gente descolada, bonita e alto astral. O canapé de carpaccio é uma boa pedida, o coco espumante e o creme de papaia valem a academia no dia seguinte. O vinho da casa consegue ser decente e, em se tratando de Salvador, é uma ótima recomendação. Dos mais acessíveis vinhos aos mais refinados, incluindo champagne Moet & Chandon, chops e cervejas geladíssimas, dá para fazer uma ótima tarde ou noite etílica.

Paquera, bom papo e boa cozinha. Excelente!

Pequei

Pequei

Estudei em colégio de freiras, o que me rendeu um bom conhecimento bíblico. Mas não foi suficiente para me cegar. Não, ao contrário, depois de ter lido, criança, toda a obra de Lobato, eu só poderia ter o inconformismo da Emília. E pensei muito durante muito tempo se eu não estava querendo trocar abóboras de lugar com jabuticabas.

No Ensino Médio, que antes era segundo grau, conheci a obra do Boca do Inferno, pela qual passaram voando, voando, devido aos fundamentos religiosos, e do qual os professores disseram ser um poeta menor, um louco desbocado, acreditem.

Meus pais, entretanto, me disseram que a educação era o que de mais importante havia na vida e eu os amava tanto que acreditei sem hesitações. Sempre ia a fundo e, como eu já conhecia a Biblioteca Central naquele tempo, fui um sábado vadio passar a tarde lá. Encontrei o que queria: mais sobre Gregório. Depois disso, descobri, na casa de meu avô, homem culto do sertão nordestino, um exemplar da obra gregoriana. E me fascinei com a linguagem que tentaram me fazer crer descabida. Sozinha, entendi o que vinha a ser conceptismo e cultismo.

Depois das incursões gregorianas, virei professora e fui à luta. Ter que dar com 20 anos aulas no cursinho me fez estudar muito. E mais conheci de Gregório. A formação religiosa dará outro post, breve. Vamos ao que interessa: a culpa.

Minha mãe era extremamente rigorosa, de boa família e pautada pela decência, moral e pelos bons costumes. Por outro lado, viveu a geração paz e amor e lia demais, portanto não deixou de nos criar com o cerne da inquietação. Casa de tês filhas, bebemos a revolução e a anarquia que ela mesma cuidava de podar para que não desvairasse em galhos muito acintosos. Seus olhos reprovadores eram o super ego de qualquer uma de nós.

Livrei-me da cegueira religiosa, da cegueira de família latifundiária interiorana casada-para-todo-o-sempre-amém, da cegueira do que-é-que-os-outros-vão-pensar… Li O Anticristo, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Ensaio sobre a Cegueira, Para Além do Bem e do Mal, e mais: poesia, contos machadianos, literatura universal etc etc etc… Se aquele que tinha Guerra no nome me influenciou em idade perigosa, aos 14, e mais tantos outros, como é que o Ministério de Educação diz que ler não faz mal (risos)?

Assim pude me libertar também dos olhos incriminadores dela, da luta entre o anjo e o diabo na minha consciência que se percebeu, simplesmente, humana e animal.

Deste modo, extirpo qualquer sombra de culpa e, ao meu pecado, brindo na Boca do Inferno onde talvez eu vá me aquecer do frio soteropolitano, bebendo o vinho de Baco:

A Jesus Cristo Nosso Senhor

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história,

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

Gregório de Matos Guerra ____________________________________________________________________

Genial, não? Pequem, ovelhas, Deus que nos venha salvar então!

Ah, nessa mesma escola, APRENDI o silogismo: Deus é amor. Quem ama perdoa. Então…

:) Ó divina desculpa !

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Evil o pecado veio à porta. E agora bate na aorta.

Hoje o dia foi meu

Hoje o dia foi meu

Hum, sabor de férias e as coisas todas dando certo. Hoje pude fazer um fútil passeio no shopping que me rendeu uma linda saia nova. Também aproveitei o din din para , finalmente revelar minha megalomaníaca quantidade de filmes da viagem à Grécia e à Croácia: 22. Estão todos aqui, enfileiradinhos no chão, arrumadinhos por ordem, aguardando que eu compre o álbum para escrever as legendas e contar as histórias.

Vai ter muita foto nova no fotoblog neste mês.  Estou querendo fazer por partes. Hum, o que a Nalu me pediu já era plano antigo: um blog de viagens com dicas e histórias. Em julho sairá, em parceria com uma grande e competente amiga.

Fora isso, meu coração ‘doeu’ hoje, ouvi música romântica, resolvi voltar, finalmente, à ginástica, tomei um gelatto di fragolle, comprei meu chocolate preferido, dispensei minha empregada amanhã só para curtir o 100% sozinha, minha  avó me deu um presente, ri com minha afilhada no telefone, fui à faculdade, ouvi que eu parecia ter 22 anos, cara de menina sapeca e um aluno que eu adoro me convidou para a feijoada dele amanhã.  Ah, além disso, ainda estou comendo aimpim com manteiguinha. Delícia.

A vida é isso aí. Estou feliz. Que bom!

Receita certa

Receita certa

Fico a observar os parâmetros de cada um para ser feliz. Alguém quer casar-se, a qualquer custo, com o tal do príncipe encantado que nunca chega; alguém deseja um harém infindável e a esposa que lhe sirva de governanta e ama da prole; acolá outro alguém deseja liberdade, mas cerceia o arbítrio alheio…Conheço aquele que é feliz com seus quatro filhos, o que foi infeliz por 35 anos ao lado da bruxa algoz, o solteirão convicto e o marido exemplar. Sou amiga da solteira "porra-louca", da esposa fiel e dedicada, da solteira encalhada e infeliz e da mulher moderna independente.

Conheço a amante realizada em seus prazeres roubados, a amante frustrada por sê-lo, a virgem que ainda espera o casamento e a mulher comum, que vive como todas. Há o garanhão desvairado, trepa com a que aparece; o celibatário sedutor que não dorme com ninguém, talvez um mané, embora sádico em suas conquistas não consumadas; o casado-com-vontade-de-não-ser; o solteiro-com-vontade de nunca deixa de ser, assim como aquele que aguarda o dia em que não mais o será…

Há o meu amigo gay, que nunca se assume; o que se revelou e é feliz e também o que se revelou e não bancou… Já vi também uma freira saltitante  e serelepe e uma outra amarga e infeliz.

Etcétera, etcétera, etcétera…etc.

Agora, fico a pensar, vim na estrada viajando na questão: como pode tanta gente diferente querer dar palpite ou conselho para a vida alheia? Uma vez eu li que a gente pede conselho a quem já sabemos o que nos vai dizer, meio que sabotando a influência da alteridade em nossas egocêntricas questões.

Por isso, há muito tempo, ouço, ouço, ouço. Às vezes, perco a paciência. Noutras, retruco. Alguns momentos, calo-me fingindo acreditar naquela receita prontinha que o vizinho me apresenta para resolver a MINHA VIDA. Há momentos em que nem espaço dou. Horas outras em que proclamo minhas felicidades aos quatro ventos, outras em que eu choro pelos quatro cantos. Há também as horas em que calo e, muda, sinto o que tenho a sentir.

Mas o que me pauta sempre, desde que me descobri Alena, é o que eu quero, o que eu penso, em que eu acredito e o que me faz mal, bem como o que me deixa feliz. Porque é muito bom comermos na rua de vez em quando, mas, para todo dia, a minha receita é que é a boa!

Linda princesa luiva

Linda princesa luiva

Era uma vez uma princesa…

Um dia, a gente se conheceu pessoalmente. Depois, nos encontramos no mundo desVirtuoso da internet. Blogada de cá, blogada de lá… a vida ia acontecendo. Crônicas do cotidiano comezinho, crônicas das questões que realmente importam… e-mails dos segredos inconfessáveis ao grande público.

Eu vi um post dela e me deu saudade da manteiguita presidént. Adicionei-a à minha lista de compras e já estou provida para estes dias de hibernação. Outro dia, eu li que ela falou de uma tal de cicerone que era eu. Em outro, eu ri quando ela disse que havia coisas de dar gritinhos! Não é que ela tem uma fofura pela qual me apaixonei perdidamente? 

Quando eu crescer, eu também quero um bunker pro meu gato(que pode ser este ou então este aqui) (o nome deles é o mesmo, então não importa – risos).

Menina luiva, plincesa candanga, aguarda que eu conto. Nem tem mais tanta graça, mas no dia foi dez!

Preciso de um curso

Preciso de um curso

Estou precisando virar megera:

Ói eu aqui depois do curso!

Meus quatro mais importantes ex-namorados me ligaram no dia 11 e 12 de junho. Achei estranho e fiquei a pensar – até um pouco envaidecida – na mulher que devo ter sido para eles.

Hoje, feriadão no Nordeste, atendo ao telefone da minha casa de solteira (número novo que poucos têm) e me surpreendo  com a voz da minha ex-sogra. Tratei-a bem e papo vai, papo vem… ela me perguntou se não há chance de eu voltar a ser a namorada, quiçá a esposa do filho DELA. Acreditam?

Eu, hein! 

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Não, não é pegadinha; não, não é 1 de abril; não, não explodiram o Cristo Redentor…

Este pretendente eu não pretendo! Ou Antes só…

Este pretendente eu não pretendo! Ou Antes só…

A crônica da vida real anda evoluindo para nosso mais puro desespero! A parte III da série Este pretendente eu não pretendo acabou de acontecer há dois dias com uma amiga. A categoria Que pretensos! vai render…

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Cenário: barzinho moderninho de Salvador.

Ele: Músico, 38 anos, livre, hetero e desimpedido

Ela: Bailarina profissional, mãe de uma garota, 37 anos, divorciada, livre, independente e desimpedida

Ação? (levanta e vai embora, não?):

Conversarm a noite toda as amenidades que configuram uma paquera. Ela, slim, bebeu apenas uma cerveja long neck. Ele tomou várias. O papo rolou, a hora de irem embora chegou.

- Garçon, traz a conta.

Durante uns minutos constrangedores, ele olhou o papelzinho do bar estupefacto com o preço que iria pagar (aff). Ela, já constrangida pelas olhadelas indiscretas dele para a conta e para ela e vice-versa, deduziu logo:

- Olha, eu tomei uma cerveja, custa R$ 2,40, mais dez por cento, devo R$2,70.

- Não, que é isso, basta você me  dar dois reais.

- …

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Check list: rrrrrrrriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiisssssssssssssssssscccccccccccccccccccc!

Brasil X Japão: melhores momentos

Brasil X Japão: melhores momentos

Joguim chinfrim : difícil mesmo ver a emoção que o Chatão Bueno queria forçar para que acreditássemos existir. O primeiro gol me deixou felicíssima. Juro. Acho burro todo mundo que subestima o adversário.  Meio  aquela história da corrida entre o coelho e a tartaruga.

Ui! Comemos 15 litros de amendoim e tomamos todas as cervejas do freezer. Excelente ! Aqui tinha pastéis também…

Bom dar risada ao perceber mais uma vez que nós  temos um coach Parreira:http://adsl.sapo.pt/images/acesso/dialup/prepago/acesso/sapo_bk_tr.gif 

Outra da copa maravilhosa: minha afilhada de sete anos perceber que sempre o Ronaldinho passa a língua na boca na hora de cantar o Índio do Brasil: Ouviram do Ipiranga…

Mais uma: o nome dos jogadores da seleção japonesa: Takahara e Doi.

Outra: o comentário do Chatão Bueno sobre o cabelo pintado do jogador japonês loiro…

Pensar que eu gostaria de estar na Alemanha e que quando eu visse os Alimões eu faria uma bela caipiroska com eles!

Mais uma: Zico é técnico do Japão e estava comemorando o gol do nosso adversário, felicíssimo… hum , a  gente torce é para o dinheiro. Em qual país eu na$ci me$mo?

Outra: minha amiga me perguntou o que é que fazia os Ronaldinhos na tv parecerem até bonitos? Eu lhe respondi: o dinheiro $$$

Ainda tem: aos trinta e seis minutos, a Globo publicou os "Shots" a Gol : 1 Japão e 5 Brasil. Chorei de rir. O único chute do Japão já tinha rendido um Gol.

Mais: Na rádio, um concurso. Um país cuja sílaba seja comestível. Resposta do ouvinte: Cuba! Ao que o locutor diz: é , tá certo, tá certo… mas era para ser Japão.

Mas mesmo diante de tanta matéria para escrever, nada , mas nada mesmo, foi melhor do que ver minha afilhada entrar aqui em casa de anteninha verde e amarela. Impagável.

Estou perdida!

Estou perdida!

 Amendoim. Foto do uol.com.br

Acabei de descobrir que o celular é o melhor invento que existe na modernidade embora eu não lhe seja lá muito afeiçoada. O vendedor de amendoim de um barzinho que eu freqüento há 12 anos aqui em Salvador ontem me comunicou:

- Ô, madame, eu acordo às 4 da manhã (tom orgulhoso) para cozinhar amendoim. Quando a senhora quiser, basta me ligar que eu entrego na sua casa. E ainda faço mais barato, que a senhora já é freguesa.

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Resultado : estou perdiiiiiiiiiiiida!!! Adoro amendoim cozido. Encomendei já 15 latinhas para hoje.

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Seria demais exigir que ele me tratasse por senhorita, não? ;)

Mas que hORAs sÃO?

Mas que hORAs sÃO?

Pacote nosso que estás no chão,

listados sejam todos os nomes

eu já não agüento mais o treino

estou parecendo uma mulher em castidade

queria estar agora na Terra ao léu.

O pão nosso de cada dia tu me dás hoje

Perdoai, ó caneta vermelha, todas as ofensas à língua

assim como eu perdoarei a quem me tem ofendido ao receber a nota.

Me deixes cair em tentação:

namorar, beber, sair, curtir… nada faz mal

Amém.

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Alena Cairo

12h10 19/06/2006

Peruca loira

Peruca loira

Juro que eu não queria ser uma mosquinha, mas arranjar uma peruca loira. Colocaria uns óculos Chanel bem grandes e uma roupa diferente. Pintaria as unhas de vermelho sangue e sentar-me-ia para assistir a um evento que eu esperei por cinco anos. Não vai dar.

Haverá reunião. Tudo o mais é fácil, mas a droga da reunião… essa eu não posso faltar.

Mata Hari Foto da Wikipédia

Se alguém pudesse filmá-lo, eu veria a fita/o dvd tomando Moët & Chandon, juro. Repetidas vezes. 

Pandora, Pandora, aquieta-te!

Confesso que ri

Confesso que ri

Dá para derramar em palavras gritos, lamentos, tristezas, lágrimas, dores… etc. etc. etc. e tudo o mais que está dito aí ao lado/acima . A vida aqui no blog está sempre em palavras, vez ou outra, uma imagem:

Gatinho do Shrek

Esta do gatinho foi retirada do busca google imagem

Então é isso : se a vida está muitas vezes em palavras, também está em imagens. Não deu para não me lembrar do link que eu leio sempre: http://blogdoscassetas.globolog.com.br/

Agora confesso que chorei também, embora tenha dado gargalhadas nas terças dos últimos anos quando estava em casa.

Já chega!

Já chega!

Não sou nenhuma católica apostólica romana, sou soteropolitana, sou baiana , sou de Salvador. Afff! Como se diz…

Não estou para defender a "santa igreja", mas essa conversa já extrapolou. Vi anteontem o vídeo do Pinto na boate Gay de Salvador, OFF. Hoje, recebi via e-mail três fotos do dito cujo dançando e esbaldando-se. Nada contra, acho ótimo, na verdade, que bom que é curtir  e também escandalizar, ser livre, feliz, gargalhar, sambar e rodopiar.

A pessoa Pinto, contudo, talvez não fosse sequer um pouquinho interessante e me parece que soube usar bema condição de estar na igreja como padre para celebrizar-se. Vejo a fantasiosa síndrome de Darlene, para os mais intelectuais, o darlenismo. 

O homem Pinto era padre, foi padre, exerceu a sua "padrinitude" . Daí a persistirem em dizer que o tal que esteve no Jô, na OFF e etc, é Padre Pinto, me economizem. Já chega. Se ele foi padre, deixou de sê-lo. O que faz hoje não se relaciona ao sacerdócio, então não mais é padre.

O prazer que muitos têm demonstrado em dizer de boca cheia Padre Pinto parece revelar a vontade de açoitar a igreja que tanto oprimiu ao longo da história. Se há padres pedófilos, se há padres atores, se há padres pintos… não significa que todos o sejam. Abaixo o estereótipo, inclusive o de padre santo. Há fatos que merecem profunda análise na gestão mundial do catolicismo, merecem críticas severas, merecem que repensemos os papéis, principalmente os dos religiosos na vida do povo, mas daí a açoitar a igreja por aquele Pinto ser padre, é uma outra questão.

E se o homem é Pinto, que seja. Mas padre ele não é. Ou não está sendo agora.

Se o Pinto dominou o homem que era padre, que seja Pinto, não seja o padre Pinto.

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P.S.: Por que eu tenho lido Padre Pinto ? Se padre é um substantivo comum, não deve ser grafado com letra minúscula? Ou estou mais uma vez alienada e o nome próprio dele, o que consta no R.G., é Padre Pinto de tal?

Manhã mais triste

Manhã mais triste

Não pude deixar de dar a nota.

Sim , eu estou cansada, eu estou estressada, eu estou sobrecarregada de trabalho. Sim, eu marquei aula no Pelourinho hoje com quase 30 alunos; sim, eu cheguei tarde de madrugada; sim, eu acordei cedo e fui.

Ouvia a Band News quase automaticamente no rádio enquanto pensava que diacho eu invento tanto coisa… Aí fui surpreendida pelo resumo das notícias matinais. Entre vários índices e coisas importantes e tal, só uma eu realmente ouvi… Bussunda, humorista do Casseta & Planeta Urgente, morreu hoje na Alemanha, em Munique, de um ataque cardíaco fulminante.

Confesso que fiquei esperando a piada

Estacionei o carro, ouvi atenta 20 minutos mais… desci do carro, fui trabalhar, mas não achei graça nenhuma.

Prova de matemática

Prova de matemática

Hoje eu tomava conta da prova de matemática na escola. Fiscalizava uma turminha de 5a e 6a séries.  Uma das questões da 5a série pedia aos alunos que resolvessem:

2 + { [ 58 - ( 52 + √64 - 120 : 60) ] : √81 } =

Vamos à resolução :

2 + { [ 58 - ( 25 + 8 - 120 : 60) ] : 9 } =

2 + { [ 58 - ( 33 - 120 : 60) ] : 9 } =

2 + { [ 58 - ( 33  - 2 ) ] : 9 } =

2 + { [ 58 - 31 ] : 9 } =

2 + { 27 : 9 } =

2 + 3 =

5

O melhor do dia ficou por conta do comentário da aluna de 12 anos ao entregar a prova: 

- Já viu, pró? Pedem à gente para fazer uma conta destas só para achar o número 5…

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Tô rindo até agora. :D

No inverno em Salvador…

No inverno em Salvador…

Parece mentira, muitos estarão perguntando se ele existe realmente… SALVADOR??? TROPICAL???

Pois é… junho chegou e o frio também. Creiam, há dias em que chove tanto que penso estar em São Paulo… Noutros dias, o frio está - para a gente 18 a 20 graus é frio – tão grande, que me recordo de andanças no inverno europeu, especialmente quando vejo o céu cinza, cinza, cinza… as nuvens carregadas…

Nestes dias, banho tomado, quietinha em casa, agasalhada, de meias, adoro ficar no pc acompanhada de chá e biscoitos. Os meus preferidos para a tarde:

Campetti al miele    Passion Fruit, Mango & Orange 

E o homem dançou.

E o homem dançou.

Este pretendente eu não pretendo. Que pretenso! PARTE II

Minha amiga me contou a conversa em que tentou seduzir o pretenso professor que a paquera:

- E aí, professor, você gosta de dança do ventre?(tom sensual, quase sussurrando )

- ô! (espanto) E  dança do ventre é para homem?

-  …

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Check list: RIIIIIIIIIIIIIIISSSSSSSSSSSSSSSSSSSCCCCCCCCCCCCCCC!

Novos técnicos

Novos técnicos

Fui acordada pelo novo técnico da seleção brasileira… Sim, já são muitos, já estão nas ruas… O técnico em questão é uma garota de 14 anos:

- Olha, Alena, o jogo foi 1X0 …também…com aquele Ronaldinho estrela que não joga nada…  Uma seleção que não se conhece, não entende que "a união faz a força"… se eles continuarem a jogar assim desencontrados, o Brasil vai ver só… humpft, acho que vamos é perder desse jeito…

Risos e paciência : receita para amanhã quando os técnicos invadirem as ruas. 

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Não, eu não torço contra.

Croácia

Croácia

Ano passado, estive em Dubrovnik, Croácia. Gente, em primeiro lugar, adolescente que eu fui na década de 80/90, só de ouvir falar em croatas eu – burramente – pensava apenas em guerra, conflito, confusão e tal, como se nada de maravilhoso, rico, positivo ou bom pudesse haver nestes sítios.. Aí fico pensando, quando vi QUE PAÍS LINDO QUE É A CROÁCIA, no quanto a escola e a imprensa às vezes contribuem para nossa ignorância cultural e nossa cegueira que acredita em estereótipos ( na vida adulta, consegui escapar destes famigerados estereótipos). Tudo bem que eu não estudei na era do PC, mas hoje dou aulas e percebo que, infelizmente, não são todos os professores que investem em ampliar o universo da sala de aula, explorando, ao menos inicialmente, as outras ferramentas de que dispomos.

Ensino a meus alunos, sempre, mais do que conteúdos, a assumirem uma postura de curiosidade e questionamento diante da vida, das coisas, do conhecimento. Amo os livros e ensino a turminha a respeitá-los, a gostar deles, a manuseá-los. Mas não limito minha aula a um livro didático ou um módulo de apostilas. Na faculdade, turmas, que não liam, leram dois livros neste semestre, até três, a depender do curso. Na 5a série, conseguimos ler 24 contos de fada nesta unidade e mais 28 lendas, fora os textos de outro gênero que circularam em classe e em casa. Estou vendo a minha turma de terceiro ano começando a saber o quanto literatura é gostoso, o quanto do homem transmite… e,  principalmente, o quanto eles podem aprofundar, visitar, descobrir, perceber através de outras fontes que não o livro didático e o prof. Quando a gente ama CONHECER, dá o maior barato estudar, é fantástico navegar na net, folhear e ler revistas, jornais… para não falar do quanto precisamos conhecer da arte. 

Hoje, fui dar aula com o mapa da Croácia, convidei os alunos a pesquisar sobre este outro país, que hoje é adversário na Copa. Contei o que vi por lá, o quanto é bom conhecer outra cultura. Ah, de quebra, ainda descobri que um garoto havia visitado outras cidades croatas e pedi-lhe que contasse à turma a experiência.

Dubrovnik. Foto de Pierre Sousa Lima. Site : http://pierre.inazores.com/fotos2005_mais.htm 

 Foto de Pierre Sousa Lima: http://pierre.inazores.com/fotos2005_mais.htm

Se a Copa é competição, que seja um ensejo para mais descobrir.

Agora, por exemplo, convoco um brinde à Croácia.

 Copinhos que eu trouxe de Dubrovnik

A primeira vez a gente nunca esquece

A primeira vez a gente nunca esquece

O primeiro beijo, o primeiro coração batendo forte, a primeira paixão, o primeiro amor de adolescência… o primeiro carro, a primeira vez no avião ou no trem, a primeira viagem ao exterior… a primeira transa, o primeiro filho, a primeira morte… o primeiro salário,  o primeiro copo de bebida,  o primeiro celular, o primeiro pc… a primeira noite em que dormimos fora… a primeira conta-corrente, o primeiro talão de cheques, o primeiro cartão ou o primeiro dia na faculdade, a primeira formatura, o primeiro emprego… o primeiro orgasmo… o primeiro livro, a primeira escola, a primeira amiga, o primeiro fora… pouco importam depois o segundo ou o terceiro ( o 'quarto' sempre importa!) .

Na linha do inesquecível – embora hoje eu jure quase insignificante :

desde os 14 anos, este é o MEU PRIMEIRO DIA DOS NAMORADOS SEM NAMORADO!

Be happy! Don't Worry.

Ócio do ofício

Ócio do ofício

Estava aqui, no dia em que fui olhar a  minha despensa  para fazer supermercado e acabei descobrindo que minha casa estava repleta de verde-amarelo. Tem azul também. Nada de decorações ufanistas, acaba que o meu inconsciente se identificou e pronto. Gosto de cores alegres. Agora, entretanto, vou iniciar nova fase, romântica : rosa-shocking, pink, lilás, fúcsia… (risos)

Mas o osso do meu ofício me faz precisar ficar em ócio de vez em quando. Então, vamos ao post:

CAMPANHA : Nova bandeira do Brasil !

Descobri meus pratinhos na cozinha como são azuis e com flores amarelinhas

Então, a gente pode agora começar as peças :

Peça 1

Não esqueçam na copa que a comida deve estar no prato.

Placar na copa do brasileiro: fome zero!

Outros estandartes precisam ser levantados.

Brasil

Prato para musicar: a gente não quer só comida.

Prato para almoçar: a gente também quer comida.

Cantem todos, mas também caminhem!

Pra não dizer que não falei das flores…

O prato está vazio. A sua barriga está cheia? E a paciência, como vai?

O Mastercard leva à Alemanha, mas quem é mesmo que paga a sua lasanha?

Aqui cabem mais do que seis estrelas.

Se seus pratos andam limpos, o que é mesmo que andam lavando no paí$?

E você? Tem fome de quê? O que o seu prato vai dizer?

Aos diabos!

Aos diabos!

Ai… o que é o relógio diante das sensações? Pouco importa o relógio, pouco importam erros. Christopher Reeve estava lindo, ele era o super homem no outro filme, toda menina sonhava com um Clark bobinho e frágil para pôr no colo, mas que virasse Super nas horas do perigo. Ui, talvez tenha sintetizado o que queríamos dos homens.

Olha ele aqui ! Arquivo Uol Folhacrédito:(http://www1.folha.uol.com.br/folha/galeria/album/images/20041011-christopher_reeve-01.jpg)

Quando eu vi Em algum lugar do passado, tinha exatos 13 anos e disse a hiperbólica frase adolescente: foi o melhor filme que eu vi na vida. Há que se considerar minhas experiências aos 13. Cheguei à minha casa do cinema tão adolescentemente encantada que fui conversar com minha avó. Falei-lhe que queria de presente o livro, meu aniversário seria no mês seguinte. Ela retrucou porque achou que eu deveria querer qualquer coisa mais mocinha. Acabei assim descobrindo a diferença entre a linguagem do cinema e do livro.

Tudo passa, mas há  coisas doces. Se o filme hoje é boboca, paciência. Àquele tempo , não o era. Deixou marcas nas bocozices de nós, mulheres…

Ãã… Agora vem cá, por que diabos é que a gente tem que ficar explicando por que gosta do que gosta? Gosta e pronto, uai. Nenhum homem tem que palestrar ao confessar torcer para um time ou dizer que adora dominó, fórmula 1 ou baralho. Talvez sejam ecos da submissão feminina, de uma época em que tudo de que a gente gostava era inferior ou "tolices" para os machos-patriarcas-imperadores da sociedade, da vida, do mundo e da nossa história.

Vi lá nas Fridas a confissão primeira, este post começou ao comentar o que a Helê escreveu. Aí resolvi oferecer-lhes (aos que confessam gostar), blogueiros e leitores, uma prenda:

Eu tenho! Gostei tanto do filme que pedi a minha avó de aniversário aos 14 anos.

 E, de brinde, a epígrafe do livro:

Oh, chama de volta o passado,

ordena que o tempo retorne.                      

-  Ricardo II, 3o ato, 2a Cena

Ao ver tanta gente se explicando sobre as bobagens que curte, como eu mesma me expliquei durante muito tempo, penso em quantos se irmanam nestas doces idiossincrasias… Se a minha vida está em palavras, que agora possa estar também em filmes. Sim, confesso que os vi!

- Dirty Dancing (13 vezes no cinema com 14 anos, mais umas vinte no vídeo, comprei os dois lps e depois os dois cds. Ah, e tenho hoje  o 'devedê', ao qual assisto com minha afilhada nas jovens tardes de domingo);

- Capitão Coreli (Yes, faz quatro anos que vi no cinema e depois comprei o 'devedê');

- De volta para o futuro (vi todos e basta passar na sessão da tarde para eu repetir);

- Top Gang (para rir muito da imbecilidade: vi todos, todos);

- Corra que a polícia vem aí (toda a série);

- e ainda mais Romeu e Julieta, A Odisséia, Sociedade dos poetas mortos e tantos outros.

Só para dizer que eu não me envergonho, eu rio, eu curto, choro, sofro, me apaixono… Sabe a expressão de assombro do cara da locadora : De novo!?!?!?

A propósito do tema, às almas amantes da literatura e das artes, eu ofereço uma crônica deste livrinho aqui:

Eu leio muitas vezes este livro

A segunda primeira vez (página 175/176)*. Vale a leitura pela oportunidade de se repensar enquanto gente , humana, com sentimentos, memórias e recordações. Pessoas que vêem um passado em algum lugar, e que sabem que  "Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão." ( C. D. de Andrade)

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*(Procurei link na net, não achei. Eu a digitei agorinha. Quem quiser, mande um e-mail ou deixe um recado.)

Grécia

Grécia

Fico aqui trabalhando até mais tarde. Há horas em que sinto vontade de desistir. De repente,  o wmp toca a zorba. Meu Deus, juro que gosto desta música. Imediatamente sou transportada para a Grécia e penso no azul intenso do mar Egeu, na expressão alegre do povo helênico, na beleza dos senhores gregos. Lembro a dignidade que enxerguei no seu semblante, típica de pessoas que parecem realmente vir de um berço especial.

Lembro o ar de Atenas, a chegada ao porto de Pireus, parece que tudo ocorrendo como eu sempre sonhei, desde os 8 anos de idade, quando descobri através de Monteiro Lobato que a Grécia existia. Então me sento no chão de Olímpia, passo a mão nas pedras divinas e seculares. Na mesma hora, estou extasiada em Santorini e subo a montanha escarpada para ter a glória de enxergar aquele pôr-do-sol… ai, ai.

Eu vi o mar de Santorini na Grécia

Em poucos instantes, estou numa igreja bizantina, e olho maravilhada a pintura no teto em Corfú ou Tira.

Eu brincando com a foto de Santorini

Ai, vou trabalhar mais que quero voltar lá. Toca Zorba, toca… Enlaça-me na melodia e me conduz a Morfeu.