Publicado por: Alena Cairo em: 4 Junho, 2006
Primeiro lugar: eu me irrito com esta mania de eufemismos para tudo quanto é coisa! Depois e antes da cartilha do politicamente correto (juro que eu queria ter uma para ler as idiossincrasias escritas), o povo tem mania de "tucanizar" tudo, como diz o Simão.
Eufemismos hipócritas. Alguém aí assina a carteira da empregada doméstica como secretária do lar ou como assistente do lar? Talvez registrem na CTPS auxiliar do lar. E na hora de procurar o sindicato, qual procurarão? Recuso-me a dizer secretária: a minha doméstica não é bilíngue, não digita nada no pc, não me assessora e mal atende telefone. Nem recado direito anota. Faz o serviço doméstico muito bem, mas não é secretária.
Estou inaugurando hoje a série da teoria conspiratória: um curso sobre como irritar a "patroa" (Ô palavrinha feia) em 15 minutos. Falar nisto, detesto aquele programelho A Diarista. Péssimo exemplo de desrespeito a quem contrata. Cada episódio que eu vejo a população comentar que me desestimula enquanto "brasileira e cidadã".
Uns amigos meus acharam graça e futilidade eu reparar nisso, mas meu senso estético é um tanto quanto ativo e eu me irrito todas as vezes que entro no quarto e vejo que ELA não coloca o edredon na direção certa. O caule das flores fica de cabeça para baixo e eu tenho a impressão de que estão caindo do céu. No psicoteste, ela perderia. Carteira de motorista? Nem pensar. Ou seria surrealismo avançado e eu é que não a compreendo?
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Outra boa aqui em casa e freqüente:
- Ligaram para você e disseram que era importante.
- Quem ligou?
- Ah, esqueci.
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Outra, depois de eu a instruir para anotar os recados:
- Ligaram para você e disseram que era importante.
- Quem ligou?
- Ah, esqueci, mas anotei ali.
Pego o papel e descubro que anotou seis números e não os oito necessários para retornar a ligação. Ah, o nome nunca vem escrito. Erra todos.
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Da série soluções anti-enfarto do miocárdio (todas testadas e aprovadas):
1. Para o edredon: entre em casa, ache sua cama linda, retire o edredon e coloque-o na posição certa.
2. Para o telefone: um bina resolve metade do problema. Você liga, diz seu nome e pergunta quem foi que ligou para você hoje no horário x.
Ufa!
[...] Eu não falei? [...]
Eu tb me irrito com essa idéia de Secretária. Até pq estudei 4 anos para me formar em secretariado. Eu me senti extramamente irritada quando vc falou do edredon de cabeça pra baixo… Lá em casa ela insiste em deixar o sofá meio atravessado. Ela pensa que arrumar a casa é mudar os móveis do lugar. Mesmo que fique numa posição totalment inviável para vê TV.
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Ô, nem me fale… É dose. Tem hora que eu penso que é limitação cerebral.
Para evitar problemas como os do recado, contrato apenas empregadas alfabetizadas. Aqui em casa elas fazem teste de redação para serem contratadas. Se eu resolver contratar uma semi-alfabetizada pelo menos não vou poder reclamar depois.
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A minha está no segundo grau! O difícil é balisar o ensino no Brasil. Menina, aqui no NE então, é péssimo entre as classes mais pobres.
Isso mesmo, secretária é o fim, nunca pensei em discordar com ninguém, mas não gosto de me referir à minha empregada como secretária, secretária sou EU: E tenho que redigir, fazer atas, assessorar Diretores e dar conta de uma diretoria administrativa 8 horas por dia. Não desprezando a empregada, mas precisei aprender a profissão, estudar e empregada doméstica tem que saber fazer o que todas mulheres ( ou pelo menos a maioria)sabem.Cuidar de uma casa. Quanto ao edredon, em casa é a mesma coisa com as colchas,as costuras nunca estão na linha do colchão e algumas vezes tenho que arrumar até o lençol que fica mais cumprido que a colcha. É o fim, acredito que não precisamos ensinar uma empregada doméstica a arrumar uma cama, é como tivessem que nos ensinar a liga o PC não é mesmo. Me desculpem pela extensão do texto, mas hoje estou muito irritada com a minha.
Meninas, vocês me fizeram rir muito com os comentários que enviaram sobre a questão da “secretária”! Acho que estâo todas bastante estressadas. Relaxem…
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Que nada, o diabo é vc chegar em casa, o freezer cheio, o armário lotado das compras de ontem e a figura não fez comida porque pensou… Pensou o quê? Eu tenho um amigo que diz: ‘não pense, não, filha, que vc não é paga para pensar’.
Queridas patroas, gostei muito do desabafo mas sinto infomar-lhes que domesticas somos todas nós mulheres e secretarias ao mesmo tempo,
porem me sinto mais que isso sou tamben mãe de seus filhos, esposa de seus maridos(não mulher)mas esposa aquela que cuida da casa, da roupa deles, da comida e que está sempre lá até que vocês cheguem, tão satisfeitas por mais um dia de trabalho que ignoram a mulher(como vocês)que bem ou mau subistitui vocês em casa. Deixo claro aqui que, tem mais quem paga mais e é óbvio que secretárias, professoras e algumas categorias não estão assim aquela maravilha. Sou domestica,sou muito grata as minhas patroas que me instruiram, hoje sou muito solicitada devo isso a elas estou satisfeIta com o que faço porque o faço muito bem, obrigada.
Então meninas? colaborem, afinal elas serão vocês nas suas casas, suas subistitutas, não é melhor as terem do que as perderem.
4 Junho, 2006 às 11:11 pm
Sabe, Alena, essa história de secretária acho que é só aqui na BA, ou Salvador, morei no CE e lá era empregada e no RS, meu estado natal, é empregada, qdo vim morar aqui, aconteceu uma coisa mta engraçada, falava eu com alguém e a pessoa disse alguma coisa do tipo "minha secretária não sei o q" e eu td surpresa perguntei, tu tem secretária????nossa como tu é chique, pq pra mim secretária É secretária, empregada doméstica é outra coisa, professora é professora, médico é medico, pq empregada não é empregada? qual o problema, é uma profissão menos digna será?
Beijos e boa semana.
Mauricéia, como eu considero dignas as profissões todas, não vejo problema nos nomes. O eufemismo vai chegando em váreas áreas… Puta virou garota de programa, depois que as filhinhas de classe média aderiram, Pedagoga virou Consultora, Professor está virando Facilitador (antes que vire eu me mando – sou P-R-O-F-E-S-S-O-R-A e não facilito nada). É cada uma! Toda vez que eu vejo alguém falar minha secretária e tal eu pergunto o que você perguntou. A pessoa fica sem graça e arranja mais uns três eufemismos até chegar à palavra. E eu pergunto-lhe : qual o problema?
Alena