Arquivos Mensais:julho 2006

Não me inveje, trabalhe!

Não me inveje, trabalhe!

Frases de caminhão sempre me seduziram. E me recordo desta literatura que sorvi nas estradas, inspirada pela brisa matinal das curvas mineiras ou das retas nordestinas quando eu era adolescente e viajava com meus pais. Eu carregava no colo uma agenda creme com os símbolos do Bic Banco impressos na capa, cortesia paterna. Anotava com minha bic azul (caneta que eu adoro até hoje), as frases de caminhão que ia lendo pelos caminhos do país. E eu e meu pai ríamos e filosofávamos naquela intimidade que só pai e filha podem ter. Vez ou outra, saia justa para ele: explicar à menina que eu era as metáforas sexuais que um ou outro caminhoneiro ousado imprimira em seu pára-choque.

Um dia me deparei com a frase-título, útil para este texto. Não entendi logo e perguntei o que todas as meninas perguntam: como assim, meu pai? Eu não conseguia entender que alguém pudesse invejar um caminhoneiro, homem cansado que carregava para lá e para cá as mercadorias do país. Sem casa, sem família, sem porto. Então meu pai começou a me mostrar um outro mundo, diferente da redoma com que me protegera. Nos postos de abastecimento em que parávamos, descíamos do carro e ele tagarelava com os caminhoneiros sobre as estradas. Assim pude subir numa boléia e, maravilhada, ver a cama que eles carregam no luxo de transporte que podem ter. No amanhecer de uma curva mineira, viajando desde às 4 da matina, quando o galo cantou numa fazenda de beira de estrada e o sol fez o favor de amanhecer lindo, eu pude entender porque Sula Miranda era a musa deles. A graça daquela mulher que cantava para a população flutuante dos caminhos (mal) asfaltados do país, precisava encontrar as almas sedentas de majestade, ainda que sabiás. Roberta Miranda, os chitãozinhos, os xororós… todos eles enchem de poesia a manhã de quem vê o sol nascer nas estradas, pássaros livres que são, amantes de mulheres que os esperam e de outras que deixam pelos caminhos. Música requer ocasião, não se revoltem os amantes do jazz.

Assim conheci uns caras legais, que viviam na boléia com esposa e filhos e, como tartarugas, carregavam a casa no baú de lentos e vagarosos caminhões.

Fascinada pela itinerância destes homens, pela sua liberdade, ainda que na minha cabeça poética, descobri o prazer das estradas. Meu pai parava em TODAS as cachoeiras do caminho para que tomássemos banho no melhor estilo “fugere urbem” ”in natura” que pudemos ter. E foi assim que aprendemos rapidinho a trocar de roupa no automóvel, com ou sem toalha a cubrir os pudores. Ah, com licença, não posso deixar de falar que comemos jaca doce de uma velhinha que as vendia no sul da Bahia durante mais de sete anos seguidos, quando íamos de carro ao Espíritio Santo. E também provamos todos os pastéis de beira de estrada que encontramos. Farra pura.

Voltando aos caminhoneiros, não os invejei. Que nada! A gente fez do Monza um caminhão de sonhos. E para lá e para cá, quando viajávamos, nós ríamos das maluquices molecas de meu pai, do tipo viajar com quatro calcinhas penduradas no fundo do chevrolet de luxo sem um pingo de pudor… E ele ria, com a cara descarada dele, porque era ele mesmo, pai e marido, que nos fazia o favor de lavá-las todas com sabão de coco nas pedras dos rios Doce, Jequitinhonha, São Francisco ou dos riachos da beira do caminho, todo orgulhoso de suas quatro mulheres.

Parecíamos ciganos, com fogareiro, botijas de água, sabonete, shampoo, talheres e o que mais imaginarem dentro do carro. Certamente é por isso que até hoje eu sou muito carregadora de coisas… Meio kit para tudo, em todos os lugares. Vai que a gente precisa, né? ;)

Por que é que eu estou escrevendo isso hoje? Não sei precisar se é o inconsciente me avisando que o dia dos pais está próximo. Mas sei que hoje, quando eu dirigia (coisa que amo fazer por herança dele) bem cedinho, às 6h50 da matina, para o primeiro dia de aula do semestre na faculdade, me peguei feliz e sorrindo… Uma música indefinida no rádio e mais a alegria de guiar (que é metáfora para mim de dirigir minhas estradas pessoais). Pensei no carro que era segunda-feira, que as férias tinham acabado, que o dia começara e que virão novos alunos, novas pessoas, novos desafios. Sorri largo então. Porque eu amo a minha profissão.

Por isso, não me inveje, trabalhe (risos). Mas descubra o trabalho que o completa, que o anima, que o faz pensar que a vida vale a pena e que o resgata dos vales obscuros do existir. Saber-se-á, então, feliz.

Love is in the air

Love is in the air

Dei aula sobre romantismo agora. Relembrei minhas histórias de amor. Havia adolescentes na sala. Li Gonçalves Dias. Li José de Alencar. Li Casimiro de Abreu. Li Gonçalves de Magalhães.

Falei de amor na sala. Meus alunos me enquadraram na segunda geração, a dos ultra românticos. A aula passou e nem percebemos. Foi uma delícia.  

Cheguei à casa. Recebi uma carta de amor, ops, carta é coisa antiga, recebi um e-mail de amor (acho que prefiro falar carta de amor, não?). Ouvi uma canção. Também de amor.

A vida é bela sim.

Pra não dizer que não falei das flores

Pra não dizer que não falei das flores

“Se tens dois pães, vende um e compra um lírio”. Demorei na adolescência a entender. Nada ipse litteris. Adentrar o ciclo das rosas leva tempo, exige experiência e alma predisposta… A subjetividade desenvolve-se, a emoção aguça-se, o olhar aprimora-se, o lirismo lapida-se e sente-se até que, finalmente, irrompe em espasmos de êxtase e beleza…

Há que se entender a unicidade da rosa em Saint- Exupèry, depois não esquecer a anti-rosa de Vinícius e espantar-se com a flor de Drummond, aquela que nasceu na rua, furando tudo: o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio… 

Há que se ler a rosa de Eco e ver o filme. Também é preciso assistir à Daniela cantando a rosa do Olodum com o público inteiro emocionado, com lágrimas nos olhos. Deve-se também deitar na cama e ouvir a rosa de Pixinguinha na voz de Marisa… Cantar alto como um mantra Pra não dizer que não falei das flores em momentos de fraqueza, de solidão, de busca ou de ’suspiros poéticos e saudades’… Ainda é preciso andar cantarolando ao descobrir que “eu sou eu e você é você”, que ainda assim se pode dizer que “eu vejo flores em você”… Também se deve entender a efemeridade de todas as coisas (que justifica o carpe diem tão proclamado pelos ventos no mundo) depois de chorar no espelho até ficar cansada por constatar pasma a descoberta de que só “as flores de plástico não morrem”…

É necessário que muitas primaveras passem até que a compreensão exata das flores nos chegue e nos arrebate em jardins… assim conseguimos entender a majestade dos lírios do campo e contemplar a riqueza dos Canteiros.

Que bom então perceber que, de todos os aniversários, este foi o mais primaveril :

 

 Um aluno querido me enfeitou a alma com suas margaridinhas matizadas…

As meninas da 5a série me abraçaram com as margaridinhas amarelas. Oraieiê!

Uma aluna e minha avó entenderam que mulheres precisam de rosas…

E eu, um relicário de sonhos e romantismos, me dei estas orquídeas tão doces…

… e, como Érico me impressionou desde o passado adolescente, aquele Veríssimo, eu me lembrei de trazer  para a minha sala também os lírios do campo…

…porque, finalmente, aprendi que há aves no céu.

Tanti auguri a me!

Tanti auguri a me!

Tanti auguri a me!

Hoje é dia de 5S! Dia de jogar fora o que passou e não serve mais.

Dia de traçar novas metas.

Dia de pensar no que vale a pena. Reafirmar convicções.

Ainda que seja para que elas desmoronem ano que vem…

Dia de planejar o bolo e o brigadeiro para repartir com quem realmente importa e está perto. Dia de lembrar saudosamente dos amigos que andam aí pela vida, uns tão longe, tão distantes… mas a quem o tempo ou o espaço não importa.

A chuva de Oxum já me abençoou como é sempre seu costume. Já tomei o meu banho de chuva hoje, ainda que pela janela, molhando as mãos.

Vou ali, com licença, aliás, sem licença também, que hoje, com certeza, é dia de ser feliz!

Arranjei um casamento

Arranjei um casamento

(Pausa para eu dar risada)

Sabe aquelas festas, tipo formatura de prima? Pois é. A partir de hoje, eu já poderia ser noiva, não fosse este daqueles pretendentes que eu não pretendo. (parte V)

Estava eu lá, na reunião da faculdade, com minha compenetradíssima coordenadora, ansiosa para ser logo liberada para encontrar a família dos primos dos primos dos primos de minha mãe. Mais ou menos isso. Vá lá que moças ainda não “desposadas” precisam ir aos bailes para ver se encontram um cavalheiro ( nos tempos modernos, está rolando cavaleiro também!). E tudo em plena terça-feira, que hoje a gente não pode dispensar oportunidade.

De uma faculdade, rumei de salto alto, maquiagem e cabelo arrumado uns 26 km para a reitoria de outra. Consegui me atrapalhar no estacionamento e chegar a tempo de ver todos dando parabéns na formanda (oba!). Perdi todos os trâmites da cerimônia. Mas entrei faceira, do alto dos meus 15 centímetros de salto agulha, sorrindo para todos. A tempo de ouvir os gritinhos das primas, eufóricas no que bom que você veio. Tratei de ver a nova odontóloga, dar-lhe aqueles dois abraços apertadíssimos (ah, cria minha: eu dava aula de português a ela quando ia fazer vestibular) e mais uns mil beijinhos típicos de mulheres nestas circunstâncias.

Aí chegou a melhor parte da festa: a parentada. Risada de cá, risada de lá, veneno daqui, veneno dali. Titititi ti-ti-ti-ti tátátá… Tomara que não falem mal de mim na próxima esquina, mas depois dos trezentos elogios também típicos destas ocasiões, fui apresentada à prima de minha mãe que eu nem sei se ela própria conhecia(risos).

Pois a figura estava doida para arranjar um partido para a outra figura: o filho. E parece que urgente. O ‘miserárviu’ do primo que eu adoro foi dizer em alto e bom som: solteirííííssima (assim, encompridando os iiiiiiii). A mulher enlouqueceu. O menino nem era feio nem nada, mas me economize! Jardim de infância em decadência franca. Como diz aquela oração que eu rezo todos os dias: ô meu deus, me ajude para eu ser pobre um dia… porque ser todo dia é f#da!

Aí veio a graça da história: fim de festa, a tal da prima que eu nem decorei o nome tratou de fazer o rapaz ficar me galanteando, me dar a mão e o braço para eu me equilibrar no meu salto – e eu adorando escandalizar as madames com o agulha 15 e com o perfeito equilíbrio com que eu ando. O pobre do pretendente sequer sorriu, o coitado. Ficou com aquela cara meio deslumbrada de quem gostou, mas também de quem não parava de pensar: minha mãe me faz pagar cada mico… E ela, a minha já-ex-futura-sogra, queria me trazer em casa, me dar carona, marcar para sair, esticar a noite…”Apareça lá em casa”… Ahahaha, acho que vou inaugurar a série esta sogra eu não pretendo.

E eu? Fugi com a Banda Podre da família: fui comer pizza com os primos que eu mais adoro e … gargalhar até agora, lógico, fuxicando de toda a festa e das pessoas. Para encerrar a noite, ainda ouvi as piadinhas do meu primo preferido: Alena cada festa sai casada. Uma vez, foi o gago; já houve o casado e também o tarado; naquela vez, o galante; em outra, o troglodita… e nesta, o infante. Eu mandei ele ir parando por aí, ou ampliando logo o leque de oportunidades! Melhorando, se possível. “Que eu sou pobre, mas sou limpinha”. (risos, muitos risos).

Covardia

Covardia

Fui conhecer um blog  hoje e achei um texto de que ouso transcrever trechos:

Tenho uma relutância figadal aos fins.
Recuso-me a pôr uma pedra no mal-resolvido.
Adio as decisões na esperança de que se revelem injustas.

(…) 

Já todos tivémos despedidas inglórias – sentimo-nos uma peça de contrafacção em forma de gente.
Mas o que eu não sabia é que há despedidas por e-mail, messenger e até sms.
É a ‘p—” da tecnologia a canabalizar os sentimentos.
Dá vontade de fugir daqui. “

Isso estava lá, no post do Woman Like You. 

Debalde eu já tentei me comunicar com uma figura que ia ser o meu amor para sempre e que , depois de resolver não querer mais, não se deu ao trabalho sequer de olhar-me nos olhos ao se despedir.

Assim, a última grande mágoa com que tive que aprender a lidar foi um adeus pelo telefone, um e-mail escrito “delete-me”, um eterno eu não atendo mais você. É muito absurdo o imperativo tecnológico: engoliu as pessoas. 

À época, escrevi ao fulano um e-mail gigante que começava assim: “Não se deletam pessoas.”

Reli agora o tal do e-mail que mandei e … nossa, acho que vou participar do Mulheres que Amam Demais (risos). Em breve, vou inaugurar de verdade a categoria Love End no blog. Os amores idos e bem vividos. E as lágrimas choradas. E bem sentidas.

De novo, posso confessar que vivi.

Quinta-feira

Quinta-feira

Crédito da imagem: http://fmwww.bc.edu/jenson/safari/Cats/Lioness.jpg

31 anos chegando e muita coisa já realizada.

Muita lágrima chorada, muita dor sentida, mas também muita risada e muita gargalhada.

Já tive perdas que poucos tiveram na mesma idade em que eu as tive: pai e mãe.

Já realizei sonhos que muitos mantêm utópicos: adotei uma menina.

Fiz muito do que quis até hoje, quase nada deixei de realizar. O que dependeu de mim, batalhei e consegui. O que não pude ter, deixou de me importar. Assim minha avó me disse uma vez: ô, filha, você vai ser sempre feliz… não é porque tem tudo que ama, não. É porque ama tudo que tem.

Uma amiga me diz: me salve, Al, que eu confio em seu bom senso. Outra diz assim: Al, te liguei porque queria rir, queria me divertir, você tem bom astral e tenho certeza de que vai me fazer sorrir. Um pequenino garoto de três anos, eufórico, diz ao pai e à mãe: eu gosto de essa, eu gosto de essa…

Vendo estas manifestações, continuo pensando em sempre manter o mesmo jeito de ser: e a receita é simples. Misturo a gentileza ao sorriso de sempre estampado no rosto, o bom humor à vontade de partilhar as coisas boas que tenho ou que vivi, a sinceridade sempre, a vontade de ajudar e o respeito às idiossincrasias alheias. Bem como o respeito a mim mesma, que esse há anos eu aprendi e não largo, não.

Ah, entendam todos a leoa, leonina: felina dócil, com este olhar meigo, mas que sabe muito bem mostrar as garras e os dentes, bem como rugir trovões em casos de injustiças ou de pisadas nos calos dela. Ahahah, ninguém se engane.

Posso confessar que vivi, mas confesso que quero viver muito mais!

Para o futuro, quero:

colo, atenção e carinho,

amigos de sempre e uns poucos mais para ampliar os horizontes continuamente,

continuar viajando, fotografando e escrevendo,

salas de aula cada vez mais ávidas em aprender,

din din, que eu não sou besta e sei que, se a vida é boa, com dinheiro ela pode ser bem melhor,

saúde para gozar de tudo.

E o que mais de bom vier, que o de ruim, espero já ter passado o pior. Chega, não?

Domingão

Domingão

Todas conversavam na mesa de bar. Tagarelices femininas. Da bolsa entupida de inutilidades ao preço do euro, da casquinhagem inaceitável ao leite em pó infantil. Do novo disco daquele cantor canadense ao preço da diversão. Do gato da mesa ao lado ao dentista do filho. Do salário da babá ao traidor do sétimo andar. Aleatórios diálogos, divertidas conversas, polêmicas inférteis ou tititis de comadres.

Se

Se

As condicionais bem que poderiam ser extintas da gramática, varridas do dicionário, extirpadas da língua! O carpe diem tão proclamado funciona na hora da farra, na hora da alegria, mas nestas segundas de volta ao cotidiano, à rotina dos anseios que querem sempre a eternidade do dia-a-dia… Assim retrocedemos e caimos nas circunstâncias condicionais do se e do caso (com permissão para os trocadilhos).

Scarpellini

Scarpellini

Vincenzo Scarpellini

Vincenzo Scarpellini faleceu semana passada, dia 16/09. Não li o jornal semana passada, não vi nem on-line nem impresso no dia. Por isso falo hoje. Uma amiga me contou. Trouxe más notícias. O pior: lembrei-me dos amigos que devem estar arrasados. E fiquei triste também.

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crédito da imagem :

http://www1.folha.uol.com.br/folha/turismo/images/20040502-patagonia-01.jpg

Intimidade

Intimidade

Muita gente confunde intimidade…  com sexo.

Intimidade não é nada disso, mas também pode ser isso. Intimidade acontece para um casal quando ambos conseguem chorar de rir por causa das besteiras faladas, porque entendem o riso como partilha. Quando há intimidade, se pode rir de tudo: do que é sério e do que não é, do que é fútil e do que é útil. Intimidade é rir da sopa ruim que a empregada fez e não se chatear de ter que providenciar uma macarronada de última hora. Mas intimidade também acontece quando não nos importamos com o rímel borrado nem o nariz inchado e vermelho, quando o outro nos oferece colo e choramos copiosamente. Intimidade faz a gente não ter vergonha de ligar e pedir para trazer ob no fim da noite, nem de nos dar banho quando estamos bêbadas. Intimidade não é somente ter filhos juntos, mas rir com todas as crianças com que se encontra, entretanto achando-as chatas quando realmente o são. Intimidade não se restringe a não ter vergonha do próprio corpo, nem a apenas ter coragem de se dar na cama. Intimidade prescinde protocolos, faz-de-conta, jogos de conquista mesquinhos. 

Intimidade se faz de cotidianos, mas não precisa de tempo. A intimidade nasce espontânea em certos casais. Outros jamais a terão. Intimidade enlaça os parceiros numa cumplicidade tão grande que só eles cabem neste espaço do mundo que é a relação.

Receita para a sexta-feira

Receita para a sexta-feira

Uma casa na praia

Três amigas de verdade e mais os convidados

Churrasqueira, carvão, álcool

Picanha, lingüiça, filé, maminha, frango e calabresa à vontade

Pão com alho 

Vinagrete e farofa de boa farinha e boa manteiga, douradinha (sleeeheeeeph!)

Pimenta daquelas de matar!

Cerveja geladíssima,

Vodka, limão, morango e kiwi

Sorvete para sobremesa e

um fim-de-semana inteiro de bobeira.

Ainda dizem que é difícil ser feliz?

Caixa de Pandora: curiosidades e novidades

Caixa de Pandora: curiosidades e novidades

Crédito da imagem :   http://vacaebadalo.blogs.sapo.pt/arquivo/pandora.jpg 

Da minha caixinha, saem, nesta semana, as seguintes informações:

AeêÊ! A deusa del Blog me linkou!

http://www.mariadelblog.blogspot.com/ 

Ah, e tem novela nova no ar : Maria del Blog .

Não quis anunciar segunda porque a propaganda foi feita em larga escala. Preferi a poeira assentar ( e assenta por lá? ) para fazer a manutenção da divulgação.

A Tíccia a-r-r-a-s-o-u com o Mme. Mean!

Mais novidades no ar. A Soll andou aprontando também:

Livro Arte  e  Bordelando.

E  o Evil  me deixou lírica… e suspirante com Madrugada e Amazing Grace.

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Piada do dia :

Link para a página de hospedagem da imagem :  http://www.universohq.com/quadrinhos/2004/imagens/olive.jpg

A Cláudia publicou 51 (uma BOA IDÉIA ??? ) ATITUDES SIMPLES E EFICIENTES PARA EMAGRECER.

Conta outra, né, gente? 51 atitudes e ainda vem me dizer implicitamente que é simples emagrecer? Se fosse, publicaríamos 1 atitude simples para emagrecer. Aliás, eu posso publicá-la:

Alena recomenda:

1 atitude simples para emagrecer: feche a boca.

Cortesia

Cortesia

Raul Cortez morreu nesta semana aos 73 anos. A notícia já caducou, mas eu preciso comentá-la porque penso nele desde que soube de seu falecimento, ontem pela manhã, bem cedinho.

Os brasileiros perderam um grande ator, isso já é clichê repetir. Sentiremos falta de sua atuação nas telinhas, de seu carisma, de sua capacidade de nos fazer odiar ou amar uma personagem. Todas estas palavras são outros clichês. Eu não sou noveleira, não vejo as globais há muito (as outras, nunca as experimentei mais tempo do que um mero capítulo só para conferir que não prestavam mesmo e pronto). Entretanto, embora eu não tenha o hábito de acompanhar as novelas, nunca vou esquecer a capacidade que Raul teve de despertar-me uma ternura enorme pelo “Francesco”, aquele que se enamorou da Paola (a belíssima Maria Fernanda Cândido). Também não esqueço o quão significativo foi o resultado de sua atuação.

Em tempo de novelas com pretensões didáticas, exatamente a falta de “didatismo forjado” desses atores foi que alcançou, pela naturalidade da espetacular atuação de Raul, o objetivo maior e subliminar, registre-se, de fazer a sociedade pensar e rever arcaicos preconceitos. Sem aulinhas de isso é certo ou errado, sem recadinhos ou depoimentos “verídicos” em fim de capítulo, sem precisar de discursos moralizantes, de verificação de IBOPE ou de adaptações e mudanças bruscas de roteiro, sem nenhuma destas mercantilizações dos comportamentos socialmente aceitos ou do que professam os novos psicólogos da atualidade, apenas pela arte de ser (excelente) ator, Raul me convenceu. A mim e a muitos mais, estou certa.

Lembro que eu era mais menina, menos madura e, àquela época, ainda atormentada pelos não-podes da rigorosa educação familiar que ainda me relegavam ao senso comum das massas preconceituosas as quais consideravam descaração ou interesse pelo dinheiro a relação entre una bella ragazza e un’ uomo vecchio. Mas Raul encantou. Pôs o bonitão do Antonny, do Lacerda e o resto do elenco no chinelo.

Não precisou roubar a cena, porque esta já era dele há muitos anos, muitos mesmo.

No palco verossímil da fantasia televisiva, o seu olhar, o olhar do ator Raul Cortez na pele do Francesco, demonstrou tanto amor à bela Paola que convenceu o público renitente e talvez a mim primeiro, de que, realmente, são estúpidas as convenções sociais e os estereótipos. 

Não houve charlatanismo, não houve falsificação da realidade no roteiro. Era uma vez um homem, era uma vez uma mulher. Simplesmente. E entre eles, macho e fêmea, surgiu o sexo, o sentimento e uma família. E Raul era o mestre na encenação. Ele é que seduziu a moça, que dobrou o público, que encantou as pessoas e enterneceu os corações. O casal superou os bonitões escalados para protagonizar as idas e vindas do amor, os altos e baixos afetivos que fazem a trama noveleira cair no gosto popular. Em final de novela, o filho deles foi o mais esperado, superando as expectativas que cercavam , inclusive, o casal protagonista. Tornaram-se companheiros em uma relação pautada pelos sentimentos, que começara, contudo, como se costuma dizer: como amor-bandido, já que ele era “bem” casado

Depois do humano e simples, tão simples Francesco, eu abri os olhos para ver melhor os homens mais velhos, para entender o quanto de amor simples e com cheiro de dedicação e colo lhes falta tantas vezes nessa vidinha de casamentos falidos, de manutenção das aparências sociais, de hipocrisia das relações. Passei a observá-los melhor, a enxergar no fundo dos seus olhos o quanto de incompreensão as dignas-esposas-de-papel-passado muitas vezes lhes oferecem. O silêncio velado que mantém um casamento de prestar satisfações sociais faz com muitos homens o que fez ao seu Francesco: sentir falta de uma companhia, de sorrisos, de segredinhos e de idiossincrasias. Falta de coração batendo alegre no peito e de motivos para desejar longa vida.

Nada é tão simples. Não subestimem os grilhões que uma sociedade é capaz de usar nos condenados sujeitos da vida real. Haja pedras atiradas aos que rompem os paradigmas do faz-de-conta que os Irmãos Grimmm e Andersen talvez tenham plantado juntamente com o catolicismo no inconsciente coletivo: o “até que a morte nos separe” e o ”foram felizes para sempre”. A qualquer preço.

Por isso eu me lembro de outro Raul: o Seixas. Eu tinha 14 anos quando ouvi a letra da canção que revela o quanto nos traimos e nos fazemos escravos de amores que existem sim, no tempo e no espaço que lhes é reservado, mas não no infinito do para sempre. Àquela época, eu amava demais o meu primeiro namorado-de-amor-para-sempre para entender  a canção de Raul ou o soneto de fidelidade de Vinícius com toda a veracidade que carregam. Só o passar do tempo é que me trouxe a sensibilidade de que eu precisava para entender a força dos versos das “pedras que choram sozinhas no mesmo lugar”.

Há casais bem sucedidos economicamente, com filhos saudáveis, inteligentes e bonitos. Há esposas bem cuidadas e altivas, decentes, mulheres excelentes ao lado de homens bons provedores e bons pais. Todos estes ingredientes estão em diversos lares, em diversos tetos onde, infelizmente, co-habitam de papel assinado os casais encarcerados no labirinto da solidão a dois.

Nunca esqueço o depoimento de um amigo, quase sessentando, que me disse dormir “de valete” por mais de dez anos ao lado de sua digníssima e linda esposa. Fiquei pasma quando o ouvi conversando isso comigo. Um outro me disse ter se perguntado na noite de núpcias de um casamento que durou 35 longos anos, nos quais marido e mulher se revezaram no papel de algozes um do outro, o que era que ele estava fazendo com aquela mulher ali, naquele quarto de hotel. Por que se casar? Os motivos são muitos… um deles a tal questão de honra entre as famílias. Os exemplos são muitos, e eu os tenho não de pesquisas do Datafolha ou da psicóloga tal. Coleciono-as das mesas de bares, dos almoços domingueiros em minha casa, da convivência com pessoas comuns como eu e você.  

“Não posso entender tanta gente aceitando a mentira” que a Janete tanto quis manter (se não me engano, era esse o nome da personagem de Ângela Vieira, esposa de Francesco). Hoje não posso entender tantas “pedras sonhando sozinhas no mesmo lugar”, tanta gente negligenciando a própria existência, abrindo mão do próprio arbítrio, da escolha, da autonomia. No jogo de fazer-se de vítima e de representar o feitor, ambos, marido e mulher, amarram-se ao pelourinho das insatisfações e sobrevivem graças àquele jogo de culpas que faz tanto mal. Ela se submete comumente em troca de ter sua caverna aquecida e provida de alimentos. Também em troca da garantia de não precisar freqüentar as ferinas festas de família sozinha. Ele, da garantia de uma governanta de seus ternos bem passados e de sua comida bem feita, bem como de sua prole bem criada.

Amor, companheirismo, pés juntinhos nas noites de calor ou peito quente para aconchego, sorvete dividido, cartinha de amor, música para embalar as noites ou a famosa macarronada da madrugada: há muito tempo são detalhes esquecidos por tantos ou então se constituem dos surrupiados momentos nos encontros furtivos com os verdadeiros mantenedores dos casórios para sempre, os sinceros amantes. A escravidão por espontânea vontade por que muitos optam torna a sopa amarga, o café da manhã estressante, o almoço um estorvo. Este, graças à modernidade e ao seu corre-corre imperativo, já foi substituído pelos insonsos pratos solitários da comida a quilo nas cidades grandes.

Ambos, o Seixas cantando, mas, especialmente, o Cortez atuando, me fizeram perceber algo simples, embora um segredo da vida.  Por isso, não vacilei em viver os amores que a vida me trouxe, não tive medo da chuva, não fiquei imóvel na praia, pedra que chora sozinha no mesmo lugar. E a lição do sonho fictício da telinha se traduz na felicidade que talvez esteja no brilho dos olhos da moça Paola, mas, com certeza, na TERNURA que vi nos olhos do Raul Cortez. Porque seu personagem estava, simplesmente, FELIZ.

Hoje, saudades dele. E, como cortesia, uma homenagem ao GRANDE ATOR que foi.

Relicário desse amor

Relicário desse amor

O abraço anseia alcançar a inatingível

sensação do outro conosco.

Os olhos ora se fecham, entregues.

O peito convida a mão,

as costas oferecem-se fortes,

largos espaços de aconchego.

- É meia-noite, Cinderela.

A casa está silente e vazia.

Acorda de teu sonho.

Teu colchão  é macio, tua cama está limpa,

teus quatro travesseiros te esperam:

latifúndio de teus quereres.

- Não, não… volta, menina.

Volta aqui que ainda há ele.

Deita-te no sofá e procura

a inegável ternura de há pouco.

 

Teus olhos brilham, menina.

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Foto por mim  em 06/2006.

Mais um para a categoria

Mais um para a categoria

O emiessene tem funcionado para a maior parte dos mortais paquerarem. Eu não freqüento este tipo de ante-sala, nem chats e tal. Paixão, amor, para mim, não prescindem contato e olho no olho. A gente olha e de repente sente algo. Comichão no peito, arrepio na nuca, frio na barriga… estas idiossincrasias.

Mas em tempo de rede e de e-mail quase público, não escapamos (não é Inácio? ) de uns papos infames vira e mexe…

Este pretendente eu não pretendo – parte IV

Sonoplastia: campainha do windows live messenger 8.0.

Cenário: o conforto de minha casa, minha cadeira e o espaço virtual do pc

Ele:

 - Vi no orkut que seu aniversário é este mês. Vai ficar velhinha, hein? (comecei a pegar a caneta para fazer o famoso riiiiiissc da check list)

Eu:

- Faz parte da vida, né? Todo ano é assim (tom de sarcasmo e busca do botão de bloquear este contato)

- Ehehehehehehehe  Riririririiriiririririr Ahahahahahahah Huahuhauahuahua (alguém que ri assim dá tesão?) Eu já tenho 35 e cabelos brancos… Umas dizem que é um charme , outras me mandam pintar… (ele queria que eu dissesse algo, é?)

- Ah, então estou com sorte: para mim faltam ainda 5 anos ( cadê a merda do botão de excluir contato?)

- A quem diga que é um charme, que acha lindo, etc, etc, etc (ele escreveu a e não háTem gente que manda eu pintar pra ficar com cara de mais moço, sabe? Mas quer saber? Meus cabelos brancos, retratam a doce experiência de uma vida feliz, deixa eles aí.(botou vírgula entre sujeito e predicado, juro! O que eu tenho a ver com os fios grisalhos dele, “ai, jisus?” Continuei a ler mais um pouquinho, porque já estava gargalhando com a “doce experiência de uma vida feliz” e eu precisava relaxar depois da noite de ontem). Tempo, tempo, tempo, tempo como diz Caê. (Ué, minha ignorância pensava que fosse homenagem de Bethânia a Vinícius) Richard Gere que se segure!!! pq no fim do ano quando estiver todo malhadinho uhuuuuuuuuu, não vai ter pra ninguém! Hollywood aí vou eu!!!!!!! (juro que contei sete exclamações e ele pensa que um homem assim interessa a quem? Quase eu digo : então me escreve no fim do ano, tá?)

- Como assim ?( me dei ao trabalho de teclar estas duas palavras, porque quis ouvir mais um pouquito quando me lembrei da série Que pretensos!)

- Comecei a hipertrofia já muita carga e pouca repetição fui numa segunda-feira(deve ter começado hoje). TÔ malhando há quase três meses (não acreditei) e eu sei que não é isso que eu quero para  mim (oxi, é doido, é?) quero apenas me olhar no espelho e me sentir gostoso. Depois dessa, eu não resisti e encerrei a conversa com um comentário inevitável:

- Então é bom você começar a se comer para ir sabendo se está gostoso ou não. __________________________________

Delete, delete, delete!!!

Dieteticamente insana – parte II

Dieteticamente insana – parte II

Arremato a tarde de uma segunda que começou com insônia à meia-noite, blogagens até às 4h da matina, trabalho atrasado, chocolate diamante negro no café da manhã, dois pratos de feijoada com pimenta e coca sem ser “laite”… office-girl retornando do banco com o cheque sem depositar porque eu fiz o favor de escrever o número de minha própria conta errado... … sim, arrematei esta tarde que era para ser “dáite” com um delicioso corneto de morango. Sem academia. Por que hoje é segunda-feira.

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Retirei a foto do Garfield esmagado pela segunda-feira daqui porque o link estava conduzindo a muitos links maléficos (spam) diários.

“Lata d’água na cabeça” – parte III

“Lata d’água na cabeça” – parte III

Sabe quando tu olhas no emiesseene se a pessoa te deletou? Sabe quando tu abres o outlook de minuto em minuto para conferir se a pessoa te escreveu? Sabe quando o telefone está na tua mão com todas as campainhas ativadas? Sabe quando tu estás torcendo para a pessoa estar acordada? Sabe quando tu abres o blog dela e dá uma saaaaaaaaaauuuuuuuudaaaaaade? Pois é. TÔ assim, toda Mad Alena: Louca e Madalena. A arrependida.

“Lata d’água na cabeça” – parte I

“Lata d’água na cabeça” – parte I

Sabe quando você se excede? Sabe quando você fala besteira para uma pessoa muuuuuuuuuuuuuuito importante? Sabe quando você fica à noite, depois de acordar da bebedeira, sem dor de cabeça física, mas com consciência pesada, pensando em como vai pedir desculpas e com vontade de atrapalhar a madrugada alheia com um meloso telefonema do tipo vem-para-cá-correndo? Sabe quando você sente falta? Sabe quando você é malucamente louca e afasta quem você quer cada vez mais perto? Sabe quando a banana do personare te avisou para não falar besteira, mas você falou porque afinal é (ir)racional e tenta não acreditar nestas coisas astrológicas que sempre dão certo com você? Sabe quando você fica com cara de cachorro arrependido e bico de criança?  Pois é: tô assim.

Neocultura

Neocultura

Não é de admirar que em tempos de capitalismo, quando o consumo é padrão de aceitação social e confere status às pessoas, que novas formas de diversão surjam. Se o governo da Colômbia tem investido em educação e bibliotecas se tornaram espaços de lazer e encontro, aqui na Bahia a coisa anda um tanto quanto diferente.

Hoje vou receber amigos e fui ao recém inaugurado supermercado do bairro comprar cerveja e petiscos para aperitivo antes da famosa feijoada. Duas madames, de salto alto, se encontraram entre as gôndolas que ofertavam produtos em promoção,  e pude ouvir a conversa, posto que falavam alto de contentamento:

- Rosa, o que faz por aqui? (lembrei até o tolerância zero, porque na minha ingenuidade, considerei a resposta óbvia)

- Ora, menina! Vim passear. Sabe como é, né? Amo supermercados!

Eu, pasma, emburrei… Fico a imaginar a delícia e o acréscimo cultural que deve ser ver os gelados,  talvez dialoguem sobre a invenção de Carl von Linde em 1875. As hortaliças provavelmente fazem elas se  sentirem mais perto da natureza, numa expectativa neoclássica do fugere urbem. Talvez o leite em pó, o condensado e o creme de leite evoquem os banhos de Cleópatra e a seção de facas seja uma ótima lembrança de que já houve guilhotina. A padaria deve remontar aos primórdios da humanidade e ao ler a seção de azeites, elas devem se sentir no Mediterrâneo. As massas as transportam à Itália e a cultura francesa talvez esteja inteiramente limitada a um potinho de Brie.

Tempos modernos, tempos modernos…

Não penso em trocar minhas viagens e passeios pela ida aos fantásticos supermercados. Talvez essas sejam  as pessoas capazes de pisar o pé em Lisboa e sequer adentrar o Castelo de São Jorge. Para que, se o shopping Vasco da Gama tem ar condicionado e granito (aliás, como todos os demais do mundo)? Ginja? Tá doido, elas só conhecem coca-cola porque é isso aí.

Por conta disso, meu carrinho de compras trouxe foi a bebida alemã. Eu preciso me embriagar, porque sóbria não dá. 

Fotografias

Fotografias

Eu nunca precisei dizer que fui feliz com ele:

as fotos sorriem todas.

E o olhar é doce, apaixonado.

As feições leves.

Paira amor em cada 10 por 15,

em cada 13 por 18,

nas raras 20 por 25.

São mais de seis mil alegrias legendadas.

Hoje acabou o tempo desse amor tão real.

Só as fotos o guardaram para contar a história.

“Sou eu mesma a charada sincopada”

“Sou eu mesma a charada sincopada”

Dezesseis anos de conversa com uma grande amiga foram melhores que qualquer terapia. Hoje senti falta dela, que está a mais de 8000 km de mim, porque cinco minutos foram suficientes para me dar vontade de deitar no colo e praguejar contra toda a vida. Sorte que passa.

Depois de nossas terapias malucas, cujos divãs foram as cadeiras de bar, do shopping ou das docerias que freqüentamos, chegamos até a fazer terapia ratificada por diploma, embora por pouco tempo. A conclusão de Lu, nossa adorável psicotomajuízo, meninas, concluiu que a gente não era lá muito certa não: ríamos de tudo, inclusive das nossas desgraças. Há histórias memoráveis, que há anos nos fazem gargalhar. A categoria Love end se encarregará disso ao longo dA Vida em Palavras. Talvez devêssemos ter chorado mais. Ou não, como diria Caetano.

Um dia, inteligentemente (risos), concluímos que éramos a geração que ficou no meio. Nossas avós eram muito reprimidas, machistas, casadas-para-todo-o-sempre-amém. Nossas mães foram a geração paz e amor. Elas, entretanto, depois de toda a maconha ideológica, que nunca soubemos se chegaram a fumar pela impecável postura apresentada socialmente, e de muito ieé ié iéiéééé dos Beatles e dos Rolling Stones, muita maluquice beleza, acabaram por ser as impolutas “namoradinhas do Brasil”. E assim nos criaram. Crendo na revolução, mas puxando as rédeas e colocando o cabresto. O resultado, até antes dos 30, na nossa ainda declarada meninice, só poderia ser o sufocante embate entre o-que-eu-sou, o-que-eu-penso-que-quero-ser porque há o-que-minha-mãe-quer-que-eu-seja. É um p-q-p lidar com isso.  Sorte que os livros nos libertaram. E essa humana racionalidade tão doce e necessária e tão cruel.

Precisou o tempo passar, as lágrimas lavarem a lama, insucessos ocorrerem e , no meu caso, até mesmo aprender a lidar com a presença marcante de minha mãe-super-ego no meu inconsciente. Libertar-me. Demorou… mas aconteceu. Foi um processo e não dá para precisar a exata hora em que cada paradigma caiu, em que cada revolta nasceu, em que cada fogo apagou. E a hora em que eu me descobri.

Ouvir Maricotinha (M-a-r-a-vi-l-h-o-s-o dvd) hoje me fez ter estas recordações.  Quando ela canta O QUERERES me lembra imediatamente o onde queres o livre, decassílabo; onde buscas o anjo, sou mulher… Ah! Bruta flor do querer!

Mas a vida é real e de viés…

E por causa da relaidade, os viés aparecem. Digo sempre que o princípio da felicidade começa por estar ciente das coisas que a gente não quer. Mas o que fazemos  se vestimos a calça e o cós aparece de repente, sem que esperemos por revelada intromissão tão inoportuna?  Sou Eu, sou Eu, grita o anseio dentro de mim. E por isso chorei cinco minutos como num velho folhetim. Não fui A Viuvinha, nem sou Aurélia Camargo, embora, Senhora de mim , entenda que não é bom ser escrava, ainda que a tal da Isaura.

“Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou. Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.” Se somos tantas Pessoa’s em nós…

Sou Eu

Álvaro de Campos 

 Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo, 
 Espécie de acessório ou sobressalente próprio, 
 Arredores irregulares da minha emoção sincera, 
 Sou eu aqui em mim, sou eu. 

 Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou. 
 Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
 Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.

 E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco inconseqüente,
 Como de um sonho formado sobre realidades mistas,
 De me ter deixado, a mim, num banco de carro elétrico,
 Para ser encontrado pelo acaso de quem se lhe ir sentar em cima.

 E, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco longínqua, 
 Como de um sonho que se quer lembrar na penumbra a que se acorda, 
 De haver melhor em mim do que eu.

 Sim, ao mesmo tempo, a impressão, um pouco dolorosa, 
 Como de um acordar sem sonhos para um dia de muitos credores, 
 De haver falhado tudo como tropeçar no capacho, 
 De haver embrulhado tudo como a mala sem as escovas, 
 De haver substituído qualquer coisa a mim algures na vida. 

 Baste! É a impressão um tanto ou quanto metafísica,
 Como o sol pela última vez sobre a janela da casa a abandonar,
 De que mais vale ser criança que querer compreender o mundo —
 A impressão de pão com manteiga e brinquedos
 De um grande sossego sem Jardins de Prosérpina,
 De uma boa-vontade para com a vida encostada de testa à janela,
 Num ver chover com som lá fora
 E não as lágrimas mortas de custar a engolir.

 Baste, sim baste!  Sou eu mesmo, o trocado,
 O emissário sem carta nem credenciais,
 O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro,
 A quem tinem as campainhas da cabeça
 Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima.

 Sou eu mesmo, a charada sincopada
 Que ninguém da roda decifra nos serões de província.

 Sou eu mesmo, que remédio!  …

E este clima de sábado com cara de pipoca e cinema, passeio no shopping de marido e mulher com crias, um mimo chorado com dengo, atendido mesmo que mordida no orçamento represente… Esse ar de felicidade explícita que só uma família consegue ter, com cara de bigode de milk shake e a pequenininha fazendo cócegas na barriguinha, de confusão de gente, de sacola de presente que quase nos lembra o natal e de mais um pirulito ou sorvetinho… Esta merda de possibilidade me lembrou que eu também queria hoje ter isso. E penso em minha amiga resoluta, lá no Porto tão distante, com certeza a sonhar o mesmo também. Por que nascemos meninas?

Já falei que os livros me libertaram. Mas a droga foi que havia uns românticos lá pelo meio da biblioteca. Já que esta sou eu mesma e não tem remédio para isso, com licença, que há caranguejo e cerveja no meu sábado. Por que não apenas o poeta percebeu que “um rei que sonha ser artista é tão feliz quanto um artista que sonha ser rei”.

Um brinde às lágrimas que passaram. Eu respeito muito mais a minha risada.

Receita para um domingo feliz

Receita para um domingo feliz

Orelha de porco, rabo suíno, toucinho, costelinha e bacon.

Paio, lingüiça portuguesa, calabresa defumada.

Charque. Músculo. Ossobuco.

Feijão preto.

Alho, cebola, pimentão.

Uma noite de sabadão tomando uma cervejinha enquanto a panela cozinha.

Cerveja para gelar, água tônica diet (que é para não engordar- hahahahaha), coca-cola, guaraná antártica.

Farinha de Nazaré, da BOA: amarelinha bem fina, comprada no mercado do Ogunjá.

Alface, rúcula, tomate, cebola e pimentões em rodelas bem finas. Azeitona para enfeitar.

E aquela pimenta de matar qualquer um.

Junte a tudo isso um bom dvd e um punhado de amigos interessantes. E sorria.

Com licença

Com licença

Hoje é sexta-feira!!!

Acordei às 5h30 ( da matina, não foi da tarde não!), dei aulas a 200 criancinhas de 50 em 50 minutos, ouvi pressão de um pai, atendi coordenadora… entreguei uma prova, elaborei outra, saí às 12h, peguei o maior engarrafamento do mês, não pude ir à faculdade entregar um trabalho, não pude ir buscar um dinheiro na casa da colega, não pude ir ao salão, não pude ir ao shopping, não pude levar a máquina à assistência técnica, não pude ir ao banco, não almocei. Peguei minha avozinha velhinha, levei-a a fazer uma cirurgia, encontrei um aluno no hospital (que, galante, beijou minha mão – hehehe), encontrei uma colega de faculdade que não via há seis anos, comi dois pacotes infames de biscoito e batata-frita que é tudo que há nestas merdas de hospitais (bem saudável, não?), tomei uma água de coco num mercadinho imundo (vou postar sobre isso), um refri diet… Encostei na cadeira do hospital, esperei quatro horas, bêbada de sono da noite mal dormida, li os quatro livrinhos que levei, enfadei, joguei vídeo game no celular,  a madame do lado conversou horas comigo sem que eu lhe perguntasse nada, fiquei sabendo de todos os assaltos que a família dela sofreu, do nome da namorada do filho dela, do emprego dos dois rapazes folgados que ela pariu (segundo ela mesma), que cinco pessoas já se mudaram do prédio dela com medo da violência no bairro, que o marido dela não funciona mais por causa da próstata, que ele aposentou como inválido, que fez cirurgia há sete anos, que o plano dela é uma merda, que ela trabalhava no Pólo petroquímico, que ela tem assinatura da revista veja… blá blá blá blá blá… Saí do hospital, paguei uma fortuna de estacionamento, levei a avó velhinha ao passeio no fim de tarde para desestressar da cirurgia, fi-la comer uma torta de damasco (huuummmmm), dirigi, coloquei gasolina, fui à farmácia, comprei remédios, fiz um tal de cartão da farmácia para ela porque o remédio fica mais barato para os clientes x, deixei-a em casa, esperei que tomasse banho, entreguei-a aos cuidados da outra irmã, liguei para a amiga, para a família, dirigi, um trânsito dos infernos…

Estou cansada, com olheiras…

Cheguei à minha casa às dezenove e quinze, tomei banho assim que entrei, peguei um vestidinho no armário, maquiei o rosto, arrumei o cabelo, ajeitei a unha, bloguei e, de sapatos altos, vou ali a uma festinha que ninguém é de ferro! 

Quem pergunta quer resposta

Quem pergunta quer resposta

A Sol, menina de Brasília, leu meu post anterior e perguntou nos comentários enfaticamente: Gente, qual é a comida típica de Brasília?

Ô , Sol, você não lê, não? Dá na Óia, na Foia, no Grobo, naquela Época… em tudo quanto é lugar. A comida típica de Brasília é uma roubada: PIZZA!

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O Evil andou lendo a Reuters. Ele postou:

” Pois então a Reuters informa que uma galinha, lá no Casaquistão, pôs um ovo que teria “Alá” escrito em árabe na casca.

Para um certo alívio de todas as batatas com o rosto de Maria, vê-se que a estupidez é claramente universal e ecumênica.”

Eu respondi a ele:

“Evil, faz parte do diabo ser cético com as coisas de Deus. Você não entende nada de santidade, meu querido.

Alá, cansado da humanidade, resolveu mandar o Enviado, o Messias, em forma de pinto, já que o cérebro não pensa muito…

Será um deus fálico. Deus Pinto Todo Poderoso.

Celebrity!

Já houve um prenúncio deste ovo abençoado: o Padre Pinto da Bahia.”

Ê Bahiaaaaaa!

Ê Bahiaaaaaa!

Só aqui mesmo.

Teclando em fim de tarde, um acarajé, um abará, camarões, um vatapá delícia  e uma skol geladinha para arrematar, retirada do kit sobrevivência da geladeira. Tem preço?

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P.S. : A Band News me fez o favor de informar anteontem que acarajé é menos gorduroso que o pão de queijo. ahahahahhahahaaaaaaaa… quietinhos mineiros… não protestem! :D

Leia, leia, leia mais.

Leia, leia, leia mais.

O melhor da Folha ontem foi a reportagem e entrevista com Ángela Pérez Mejía, diretora da Biblioteca Luis Ángel Arango(BLAA), sobre as bibliotecas em Bogotá. ” Nós, colombianos, temos vergonha de ser olhados como país violento. Nascemos na escassez, somos pobres. E nos surpreendemos em como a cultura pode mudar nossa realidade”.

Acrescente-se: a BLAA na Colômbia  é uma das mais visitadas do mundo, com média diária de 9000. Bogotá será a primeira capital da América Latina a ser a Capital Mundial do Livro (UNESCO). Rede de ciclovias e transportes urbanos servem a  todas as bibliotecas. O projeto “Livros ao vento” é o que há de mais delícia para uma prefeitura fazer e os “biblioburros” são inteligentíssimos! O primeiro consiste em livros de bolsos distribuídos para leitura nas ruas, em ponto de ônibus, praças e etc com a inscrição “Deixe que este livro voe” na contracapa para que as pessoas leiam e os repassem. O segundo é o trabalho na floresta Amazônica de agentes que levam, em lombos de burros, livros para serem distribuídos nas localidades mais distantes.

O país hoje tem apenas 5% de analfabetismo. Quando Ángela disse que em Bogotá as bibliotecas são lugares não apenas para ler, mas para se encontrar, por isso são projetadas como espaços públicos… que roubam o público de shoppings e tal e que estão, pela leitura, mudando a atitude e a vida da cidade, eu me emocionei, juro. Vislumbrei logo os namoradinhos marcando sábado à tarde na Biblioteca. Os velhinhos, as mães com os filhos.

Quando o Brasil vai aprender?

Íssima…

Íssima…

Sempre achei que Salvador continuava uma província, mas depois dos últimos capítulos…

Fui a uma pizzaria sexta à noite e o povo agora está aproveitando o telão da copa para passar a novela da globo. Ui! Só por isso assisti a um capítulo.

Bom, Santorini vale, vale, vale.

Tony cabelo já encheu há anos, Glória já cansou com carinha de biscoito de mel bonzinho. Um monte de gente ruim eu nem sei quem é, o enredo não me fez falta ao que ouvi dos transeuntes empolgados em recapitular a história sem pé nem cabeça.

Uma ingênua mulher (eufemismo) considerou seriamente que a novela foi E-X-C-E-L-E-N-T-E porque tratou de temas variados. Já disseram a ela que existe jornal? E revista? Faculdade nem pensar… Não vou nem parar para discutir a funcionalidade destas abordagens noveleiras que ao primeiro indício negativo do IBOPE explodem as lésbicas no shopping ou cortam o beijo gay ou fazem todo o prédio da Capitu achar normalíssimo ela ser puta para sustentar os pais e o filhinho, sem um pinguinho sequer de preconceito aparente.

Ainda assim, a novela tem lá suas vantagens , dirão os aficcionados de plantão. Dão ótimas sátiras, mantêm o Casseta no ar e … podem nos presentear com o Reinaldo da Gabi que vale qualquer noite e qualquer tela. Mas o que não tem preço mesmo é ver a Fernanda plastificadíssima e belíssima (é por causa dela o nome da novela?) beijando o gatinho de cueca. Amei. Vou mudar meu sobrenome para Falcão.

Manhã

Manhã

A manhã seguinte

tem cheiro de beijo no cangote,

gosto de riso espalhado,

langor de pernas na cama.

Tem suspiro e sorriso,

lembrança da paz em teus olhos,

tão infinita, tão infinita…

que invade o azul da manhã e

se espraia pelo dia inteiro.

______

Alena Cairo

12/07/2006

Arrancando as ervas daninhas

Arrancando as ervas daninhas

Meu jardim sempre é propenso a flores.

Desde criança, aprendi a ver a beleza dos lírios do campo. A leitura e as viagens me infundiram a sensibilidade necessária para entender de matizes e multicores, bem como de aromas e veludos ou asperezas. Minha mãe era uma grande jardineira. Cantarolava no sofá: “fica sempre um pouco de perfume, nas mãos que oferecem rosas, nas mãos que sabem ser generosas…”  Seu lirismo pautou nossa vida em beleza.

Lembro que nós tínhamos uma renda portuguesa em xaxim suspensa no meio da sala de mármore que encantava a quem a via. Vira e mexe, a pobrezinha secava sem parar por causa dos olhares desta ou daquela pessoa. Criança sensível que eu sempre fui, do tipo que chora quando alguém fala alto, invocava com estas pessoas e passava a vida dizendo à minha mãe para não mais as receber. Aprendi, então, a me defender observando antes. Ficava quietinha do lado dela, a minha mãe, e, como um cão de guarda, procurava na minha inocência protegê-la desta ou daquela pessoa que matava com o olhar a bela renda portuguesa que eu amava. Assim aprendi a ver os sinais na fala, no corpo e nas atitudes dos invejosos matadores de renda pelo mundo.

Cresci em tamanho, virei mulher, mas a menina que eu sou cada vez brinca mais alto em mim. Por isso piso leve, sorrio a todos e sou feliz. Sinceramente.

É fato que houve aguaceiros no meu jardim de infância: alagaram-me em dores. Sim, dores daquelas que não curam, embora o tempo passe, o tempo passe, o tempo passe, o tempo passe. O cravo-pai e a rosa-mãe se foram e isso não é fácil a quem tanto preza a balbúrdia dos almoços de domingo, o alvoroço das compras gigantescas no supermercado, as gargalhadas das viagens alegres com o carro lotado ou o peso das sacolas com 12 pares de sapato em fim de ano (três para cada menina).

Sem cravo, sem rosa… restou a sacada. E eu saquei a questão: ser feliz porque há primavera, mesmo que o inverno sempre chegue. Sorrir porque é verão, porque depois o outono virá. E conservar, sempre, não o balde, o ancinho, a mangueira… Eles podem ser de ouro ou prata, caros ou baratos, de latão ou plástico. Importa conservar é o espírito das flores em mim, jardineira que posso ser. Sempre que quiser. Embora me levem as ferramentas, tenho ainda as mãos, o olfato e o olhar. E isso basta porque é o que me pertence. Comigo-ninguém-pode.

Se o verão mata as hortênsias, posso admirar as margaridas; se o inverno chega, há sempre os lírios e mesmo que rosa alguma haja, a pérola barroca pode em mim estar. Porque tenho olhos para ver a beleza. Sinestesicamente, posso recordar a flor e sentir o seu aroma. Porque nasci para jardins ou campos floridos e, se é deserto, procuro a flor-de-lis, sorrindo ao me lembrar que o mandacaru também flora.

Há aqueles que nasceram para a secura da alma. Há os que gastam seu tempo e suas energias desejando a água alheia sem perceber que seu caqueiro requer pouca irrigação. Há orquídeas que nunca desabrocham por isso. Se sou lírio, não posso desejar a cor da rosa ou a altivez da gérbera. Se estou cravo, preciso me despir da delicada violeta. Se no meio da mata com raízes me fincaram e a canto algum vou, posso me lembrar de que com forças floro em ipê

A questão é simples: “não se separa o músico da música” (Tagore).

Se daninhas aparecem no jardim, há que se cuidar dele, há que se repensar… talvez aprender a apreciá-las e deixar, trepadeiras que são, parasitas, estender-se em muros de hera. Mas que estes muros não sejam as minhas costas. Ou então, munida de ancinho ou mesmo sujando as mãos, arrancá-las: plantas que cobiçam o nosso espaço.

Se o terreno é seco, a terra não presta para cultivar, insisto não. Sob o céu há mais azuis. E violetas, rosas, amarelos, laranjas, uvas e verde, muito verde possível.  

   

Sai pra lá!

Sai pra lá!

Credo, que olhado! Quem sente inveja de qualquer coisa, sinta não. A vida não é fácil para ninguém. A gente passa por problemas sérios e cada um tem aquilo que busca ter. Trabalho, honestidade e caráter foram a receita para cada linha que escrevo, para cada pedaço de pão que como. Dá um tempo! Minha vida não foi fácil, as coisas não me caem do céu.  

Tudo que a gente perde, a não ser nós mesmos e os entes queridos, pode ser reconquistado, sempre com trabalho. Então, quem gasta suas horas invejando ou desejando mal, procure reorganizar suas próprias energias, procure concentrar-se em ter coisas boas para si, em alcançar sentimentos verdadeiros e em ter amor, respeito e admiração dos outros por mérito próprio.

Oxalá. Amém. Deus é mais. Credo! Toc toc toc.

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Recado:

“É isso aí

Há quem acredite em milagres

Há quem cometa maldades

Há quem não saiba dizer a verdade”

Ana Carolina

Banana amassadinha com leite Ninho

Banana amassadinha com leite Ninho

Resisti o quanto pude. Enrolei o máximo possível. Hoje é sábado, entretanto, o sol da Bahia nos faz esquecer que talvez seja mesmo inverno. O dia está claro. A vida continua. Os carros passam. O telefone toca. Os bares vão ficar cheios daqui a pouco. Peguei nas provas. Larguei-as. Li bula de remédio. Ouvi música. Cansei. Tomei um banho de uma hora. Gastei hidratante ao máximo. Pus as roupas para lavar. Bebi água. Li um pedaço de livro. Mergulhei num artigo inteiro.

O cenho está franzido. Decidi fazer à tarde o molho de tomate. Lembrei a pizza de ontem. Levantei. Sentei. Levantei. De novo e de novo. Mais música. Mais pedaço de livro. Um nó na garganta. Então o poema que declamei na adolescência, teatrinho de colégio, escapou dos labirintos da memória e repetiu-se intenso: 

“Ah, no entanto, pomba, varou-te a flecha do destino. Astro, engoliu-te o temporal do norte. Tecto, caístes. Crença, já não vives… Correi, correi ó lágrimas saudosas… legado acervo da ventura extinta, dúbios achortes que a tremer clareiam a lousa fria de um sonhar que é morto…” *

É morto. É finito. É findo. Quando as pessoas morrem, sempre alguém se entristece. Quinta-feira, numa premonição, ironia da vida ou num risco da intuição da Oxum que há em mim, abri meu guarda-roupa e me deparei com uma meia pequetitita, de bebê. Branquinha , lindinha, com a possibilidade única de caber ali apenas um pezinho de um ano de idade. Assustei-me, não entendi nada.

Levei um dia inteirinho para entender que havia a possibilidade do meu edredon ter engolido na fazenda semana passada a “meinha” do meu priminho Dudu que pintava e bordava no meu colo… Talvez o meu edredon tenha raptado o pedaço de sonho que ele acalenta um dia sentir em minha cama.

Intriguei-me com o furto e, mais ainda, com a aparição repentina. Até que tive o corte: nada vai mal ao Dudu, graças, contudo a bebê que há um mês carreguei no meu colo e que brincou com meus cabelos e que riu descaradamente para mim, só para mim, e que falou meu nome errado, e que bateu palminha e que sorriu, sorriu, sorriu… essa bebezinha simplesmente morreu quinta-feira. Assim. Morreu. Virose, bactéria, maus diagnósticos, a vida, Deus, carma, encosto, sei lá sei lá sei lá… Uma mãe chora, um pai não sabe o que fazer, um irmãozinho pergunta pela pequena de quem ele ia cuidar a vida inteira, a família fala palavras de consolo inútil tentando se auto confortar. Ai! Foi demais para meu peito já cansado de guerra… E à noite, outro projeto de vida morreu. Minha grande amiga perdeu o bebê que ia no seu ventre.

Morrerem velhinhos, juro, creio o natural, o lógico, o normal. É clichê assim comentar, mas não dá para engolir nesta cabeça ocidental a morte de crianças e jovens e adultos. Estou entalada. Não queria escrever isso. Mas quando me vi na cozinha de casa, com meu lírico pratinho de florzinha, cheinho com três bananinhas amassadinhas e rompendo o lacre da lata de leite Ninho, senti que a criança em mim precisava de um colo. Nem que fosse o virtual.  

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* Poema de Fagundes Varela, declamado aos 16 anos no teatrinho da escola. 

“I’M STILL ALRIGHT TO SMILE”

“I’M STILL ALRIGHT TO SMILE”

O Guns assovia a velha canção de quando eu era adolescente ainda. Os pensamentos voam… Não cheguei a derramar nenhuma lágrima… mas a canção grita em seguida I need you, I need you

Dentro de mim parece ecoar um tempo que se perdeu não sei onde.

A sensação de atropelo que me impulsionou à frente às vezes me faz tonta como quem perdeu o bonde e, alheia ao abismo que me separa de tempo tão distante no espaço do que existi, permaneço atônita sem saber se com o coração dorido ou se anestesiada pelas sucessivas cicatrizes.

Hoje já compreendo o suficiente para entender a veracidade das múltiplas máscaras que cada um adota no cotidiano para projetar os picos e esconder os abismos de si mesmo. O Guns continua insistindo aqui no pc em gritar “…because I need you”.

O título da canção me convida a ter paciência.  Paciência para quê?

Aquele que nos aparece aqui sorrindo e acolá também está sendo, sim, honesto consigo mesmo. Somos tantos em um só! Quisera o amor captar a unicidade utópica. Tudo, tudo, tudo relativo… Este post não faz lá muito sentido talvez para todos, mas é o que me vai na alma exatamente agora. Nenhuma gota de álcool no organismo, apenas duas águas tônicas. Embriaguei-me esta noite foi na observação muda do mundo. Apenas isso.

Tenho essa louca percepção: colocar-me à margem para melhor compreender ou ser mera espectadora… E viajei no inconsciente da alteridade hoje, permitindo adentrar nas verdades absolutas que temos para tantas relativas ocasiões.

Cássia canta que o meu telefone irá tocar… em minha nova casaEu fui lá fora e vi dois sóis num dia e a vida aqui ardia sem explicação. E ela grita que sem explicação, sem explicação

Que órbitas serão realinhadas? Pergunto-me. E as há?

De forma sádica, ouço de novo e de novo as mesmas músicas. Há e-mails não lidos: não me interessam. Há fotografias não digitalizadas: podem esperar. Pouco importa agora. Só quero mesmo o que posso: minha música, meus travesseiros, minha água com gás.

“I ain’t got time for the games
    ‘Cause I need you
    Yeah, yeah, why I need you
    Oo, I need you
    Whoa, I need you
    Oo, all this time “

Mãos que teclam

Mãos que teclam

 

Quando A Vida em Palavras resolveu receber Idiossincrasias

avisou aqui no blog o que ia acontecer…

Foi à cozinha e com alho, pimenta e vinho temperou um peito

de peru, que assou por cerca de 100 minutos em forno alto.

Comprou aquele pão delicioso e uma pastinha d’alho.

Pôs à mesa,

 

completando com uma saladinha de rúcula, alface americana,

alface crespo, mussarela de búfala, tomate seco, aspargos e

azeitona.

 Como a moça de lá não bebe, refri para ela, mas

 viño per brindare un incontro.

Conversamos sem parar por simplesmente quatro horas inteirinhas, ao

som de Marisa, Gal, Zeca, Melodia, Laura, Herbert. Fotos, fuxicos,

risos e a sensação de que nos conhecíamos de looooonga data.

Titititi, tátátátá… Blá blá blá blá… Hihihihihii, ahahahahahaha!

Assunto para blogar, assunto já blogado, idiossincrasias de cada uma,

a vida em palavras pelas duas.

Sobremesa para arrematar:

 

Acalento-te…

Acalento-te…

Olhos que se perdem no infinito,

a sombra perpassa tua história

e tu pensas: o que fazer agora?

Se vislumbras outros caminhos,

há então pedras que te amarram ao passado.

Já não caminhas, talvez arrastes a sola cansada.

Há outros horizontes

talvez maiores ou melhores do que a nesga de céu que

tu podes ver agora.

Para enxergá-los, tu não precisas, olhos meus de oceano, de ninguém.

Precisas de que tuas pálpebras se fechem,

de que teu coração se sinta,

de que tua voz te fale e

de que possas , enfim,

ouvir quem és tu.

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Alena Cairo 23h13

04/07/2006