Arquivos Mensais:janeiro 2007

Definitivamente, eu não nasci para o salão

Definitivamente, eu não nasci para o salão

 

Hoje é sábado. Portanto, vou ao salão. Não é assim? Três horas. Destas, uma e meia gasta no vaporzinho e na massagem capilar. Reestruturação. Disseram que era necessário. Antes, chamavam de massagem. Mas reestruturar é mais caro.

Eu queria ficar linda para amenizar a semana que tive e o estresse das espinhas temporãs, retardadas, muito-muito-pós-adolescentes que teimam em invadir as minhas bochechas salientes apesar da idade, do tratamento, do antibiótico e dos trezentos cremes que tenho que passar além do protetor solar..

Unha pintada, sobrancelha depilada, cabelo R-E-E-S-T-R-U-T-U-R-A-D-O e conta vazia. Volto para casa com um sono enorme e um rombo (necessário) (!?) no orçamento. Lancho um sanduíche emergencial e aguardo o lovestory sair do trabalho para fazermos algo no sabadão baiano. Shopping, caranguejo, cinema, lambreta… sei lá.

14h.

- Alô, amor?

- Oi…

- E aí? Vamos à praia?

 _ Não está tarde, não? 

——— ***———- 

Fui.

Meu cabelo reestruturado tomou sol, salitre e vento. Meu cabelo reestruturado tomou cerveja, cheirou a dendê e acarajé com abará. Meu cabelo reestruturado  tomou muito banho de mar às 16 horas no sol morninho de fim de tarde. Mais de 21 mergulhos como manda a superstição.

Meu cabelo ex-reestruturado voltou para casa tarde, desgrenhado, assanhado, desalinhado, amarrado com uma piranha qualquer… mas muito, muito feliz. Acho que o meu cabelo é assim mesmo: livre dos salões e das convenções.

Em busca dos padrões

Em busca dos padrões

Três horas num salão de ‘beleza’ para deixar as unhas, a sobrancelha, os pelinhos ‘indesejáveis’ e as madeixas conforme exige o figurino neste palco que é a vida urbana, sinceramente, são um tempo para mim longo demais…

Aproveito sempre para ler (?!) as futilidades do mundo ‘celebrity’, que, se não fosse a coleção vastíssima de literatura acerca do quem-trepa-com-quem-agora de que dispõe o salão, eu não saberia jamais. São as revistas que me dizem quem está in ou out, quem é bonito e gostoso, bela e perfeita. Há anos minha pobre opinião não conta (será que algum dia contou?).

Enquanto isso, divago olhando as mulheres com uns troços metálicos na cabeça, umas tintas mal cheirosas, as mãos entregues à manicure, os pés suspensos no joelho da pedicure. Sai fumaça de túneis de reestruturação, massagem capilar… entretanto ‘faz bem’ o vapor. E ‘viajo’ descobrindo os loiros naturalmente inventados, as negras ruivas, os cachos ’japoneses’ forjados e os lisos impossíveis outrora.

Acho graça toda vez que olho as unhas e penso-as como cascos. Imagino a natureza como uma grande fábula e, nas cadeiras que transformam, projeto as velhas tartarugas a pintá-las de rosa, renda, misturinha ou rebu; os dinossauros fazendo as cutículas; os símios depilados apesar de muitos ais; os cogumelos orgulhosos a escovar o cabelo de capacete…

Juro, juro que é nestas coisas que eu penso quando vou ao salão.

O último dia de férias

O último dia de férias

O quê? Já? Como assim?

E eu nem percebi o tempo passar… Agora tem labuta, tem batente, tem trabalho. Reunião para reunir, reunião para comunicar, reunião para decidir, reunião para trabalhar… Reuniões e mais reuniões. E o condomínio ainda resolve fazer reunião também na sexta à noite!

Segunda: horário para acordar, sala de aula, contagem do tempo: a cada 100 minutos, 60 rostos novos ( sim, as salas de aula estão lotadas. Educação para as massas – literalmente). Agenda repleta de obrigações. Papéis, livros, canetas, lápis, borrachas. Chamada. Salas lotadas, iluminação artificial, ar condicionado beirando o Ártico. Depois provas, e-mails, trabalhos…

Socorro.

Mas eu gosto.

Sobre mentiras

Sobre mentiras

                                      

Mentiras atordoam.

Quem mente cria um espaço e um tempo para viver algo que julga não poder viver falando a verdade. É uma narrativa capciosa que busca enredar o outro, testar a própria capacidade de sedução e faz, por instantes, aquele que mente se sentir onipotente. É um teatro em que se representam vários personagens, partes do que é o ser humano. Talvez os heterônimos que coabitam em nós.

Como valores são relativos, existe um termômetro de aceitação das mentiras. Dentre as tantas com que convivemos, abominamos algumas, ignoramos outras e aceitamos tantas mais. Aceitamos muitas vezes a mentira para nos autopreservar, para preservar o outro. Abominamos quando nos ferem, especialmente no quesito confiança.

Existem relações nas quais mentiras não cabem, ou melhor, existem mentiras absolutamente desnecessárias  e extremamente prejudiciais ao cotidiano de amigos ou de duas pessoas que se amam. O impacto da descoberta de uma mentira é, muitas vezes, avassalador, como o raio com que Deus destruiu Babel.

O casal que constrói a relação pautada em argamassa de papéis representados, que ferem a própria essência, constrói uma Babel de mil línguas com as quais não se entende nem se comunica. A desconfiança, o ciúme, o desafeto, o jogo de culpas os conduzem à destruição do sentimento. O sexo falha, a ternura fica maculada, o amor se gasta. Muitas vezes, acaba. 

Ninguém no mundo está isento dos efeitos ou da necessidade da mentira. Aquele que escuta a mentira está também construindo a sua torre de ilusões.  Aprisionado fica até que a verdade o liberte.

A imaginação fértil e o potencial ilusório, ficcional, do ser humano facilitam as mentiras; é muito mais difícil falar a verdade. Autoconfiança é o requisito essencial para a verdade. O mentiroso cativa porque encanta em ilusões, mas, essencialmente, porque prende o outro e a si mesmo em uma imagem irreal de si. Dificilmente faz laços, dificilmente se entrega.

Sobre o inocente sorriso da figura de Pinóquio, cresce o nariz do personagem, símbolo da mentira. É rica a metáfora. O boneco é punido através do espelhamento físico do vício que projeta uma conseqüência para suas atitudes e palavras. O nariz que cresce aponta ao mundo aquele que mente. A inocente, pueril e risonha aparência do boneco nos conduz a crer nele, a minimizar os efeitos da mentira. O castigo do mundo das fadas faz com que a sua aparência se modifique. Na vida como ela é, a imagem que temos do outro também sofre: após a descoberta da mentira, o exdrúxulo do nariz da ficção que deforma o rosto do brinquedo equivale à deformação da imagem do outro para nós.

O ressentimento dói, machuca, fere. Ao mentir ou falar a verdade, precisamos ter clareza de seus efeitos. Existem limites para nos relacionarmos com o outro. Como lembra Freud, a vida mental é contínua, nada ocorre ao acaso e os nossos pensamentos, sentimentos, as nossas atitudes ocorrem porque existem motivos.  A interação entre o consciente e o inconsciente conduz aos eventos mentais, a partir da influência de fatos que o precedem. Há sempre elos ocultos entre os eventos conscientes.

A despeito de qualquer coisa, todo ato nosso provoca sempre perdas e ganhos. Precisamos fazer o balanço, verificar conscientemente os benefícios e os prejuízos a que nos estamos conduzindo.

Assumir as conseqüências, se eu não me engano, é uma questão de caráter.

E é a vida

E é a vida

Previsão

Premonição

Estratégia

Reflexão

Planos

Projetos

Sonhos

Tentativa de manipulação.

Não, a vida não está na palma da mão.

                        Além da esquina, há o que não sabemos.

Sem que se espere, cratera, tsunami, tempestade, furacão.

Os ventos alísios alisam os sonhos,

embalam o homem,

adormecem a mulher.

A vida é mais que sol e chuva fresca.

Herança

Herança

                                                   

Quando eu era pequenina, lembro que fui à Fonte Nova protegida por um gigante. Lembro a arquibancada suja, a camisa suada que ele tirou e com a qual forrou o chão para que eu me sentasse. Era a sua princesa.

Era apenas uma garotinha (quem sabe ainda sou?) e dormi no seu colo. O time fez gol e foi inevitável acordar assustada para depois pular de alegria com o estádio inteiro gritando: goooooooooollllllllllll!!!! Ele me jogou para o alto! Eu vestia a camiseta tricolor, bem pequenininha. Meu pai usava um chapéu guarda-sol esquisito das cores do time.

Eu aprendi a cantar o hino e a ser Baêa, Baêa, Baêa!!! Lembro que a gente ia passear todo domingo à tarde por Salvador. Da Ribeira ao Abaeté. Era uma maravilha: pai, mãe e filhas. Três pirulitas no carro, brincando e rindo. O problema era a chatice de quando começava o jogo. Ele não fazia objeção a passearmos, mas tínhamos que vadiar pela cidade com o toca-fitas na freqüência AM e os narradores naquele abaranarababororrorarnooodetrrammpijjuouorerar e… é gooooooooooooooooooooooool!

O martírio só acabava depois de duas horas. E se o time perdesse… sai de baixo mau humor! Voltávamos para casa. Eu rezava para nunca ter jogo só para não ter que ouvir no carro aqueles malucos que falavam tão rápido. E aprendi a pedir para voltar mais cedo para casa, assim eu ia ver a Porta da Esperança de Silvio Santos enquanto ele ficava lá, colado no radinho, esperando o time vencer.

Hoje foi diferente. Peguei meu radinho de pilhas (sim, eu tenho um há 17 anos que ainda funciona!), liguei-o junto ao pc e fiquei minhas duas horas aqui, ansiosa, esperando o time jogar.

E pulei, gritei sozinha gooooooooooooooool duas vezes. Liguei para minha avó, a mãe dele, e ficamos juntas torcendo pelo Bahia em homenagem ao meu pai que se foi.

É um amor tão grande que simplesmente me encheu de ternura.

Gestações

Gestações

Neste fim de semana, tive uma overdose de gestações… Eu, que já estava me preparando muito para ser tia porque a irmã do meio casou há três anos e a caçula casará em 2007, descobri que vou precisar de um caixa 2 só para comprar fraldas para os chás de fralda e presentinhos para as criancinhas nos próximos anos de vida. Outra coisa: terei que triplicar a ação da ginástica porque muitos bolinhos, pipoquinhas e brigadeiros virão por aí…

Minha amiga que tentava engravidar há anos conseguiu trigêmeos (5 meses de gestação) e mais três amigas esperam bebês!!! Serão seis novas criancinhas em breve. Haja buáááá!

Eu comigo

Eu comigo

“Sei que fiquei suspenso

na árvore embalada pelo vento

durante nove noites inteiras;

fui ferido por uma lança e

oferecida a Odin,

eu mesmo a mim mesmo.”

(Poema rúnico de Odin)

Crédito da imagem : http://www.gastronomias.com/tarot/cartas/12-enforcado.jpg

I Ching
“Aquele que anda na verdade e é devotado em seu pensamento(…) é abençoado pelos céus (…) e não há nada que não o favoreça.”

Crédito da imagem: http://www.dimensaowicca.hpg.ig.com.br/Wicca/Tarot%20das%20Bruxas/O%20Enforcado.jpg

Pássaros da prece

Encovado em ti mesmo,

cavando a ti mesmo,

desajeitado,

rígido,

um cadáver -,

soterrado por mil cargas

sobrecarregado por ti (…) “

Nietzsche

“Então, de hora em hora, amadurecemos,

de hora em hora, apodrecemos,

e nisto um conto se encerra.”

Shakespeare.

Crédito da imagem: http://www.imagick.org.br/pagmag/tarot/ring.jpg

Dieteticamente insana – parte V

Dieteticamente insana – parte V

Muitas férias depois… (leia-se comida livre)

http://www.unifesp.br/comunicacao/jpta/ed138/25p.jpg

Promessas de mulheres para o ano novo sempre incluem ginástica e dietas. Vá lá… Uma história de acne retardada (porque não veio na adolescência) está me obrigando a passar o verão na sombra. Como não estou lá muito rica neste ano, resolvi ficar mais em casa e trabalhar para adiantar a vida quando as aulas começarem.

Se meu nome em 2006 foi “delete”, em 2007 é “metas”.

Depois de muito enrolar, planejei no dia 02 que começaria a ginástica no dia 11. Ontem fui ao shopping e almoçar com um casal de amigos aquela carne do sol maravilhosíssima dA Porteira.  Enrola que enrola, ou eu era uma mulher ou um rato. A determinação leonina onde estava? Calcei o tênis e fui procurá-la.

Comecei então a fazer ginástica hoje, assumindo o desafio de andar 8 quilômetros. Fui e voltei. Satisfeitíssima porque não há nada que dê mais prazer em tempos “diet e light” do que sentir as bicas de suor pingando, pingando, pingando… a roupa imprestável, indo diretamente para a lavanderia e a agendinha nova servindo para anotar todas as metas cumpridas! Viva!

As pedras que sonham sozinhas

As pedras que sonham sozinhas

Hoje para mim é tão claro que os casais que discordam tanto e tanto e tanto não trazem geralmente mais sequer resquícios de amor. Pensam que se amam (ou se enganam) e, por comodismo, se mantêm juntos. Na verdade, estão é descobrindo, a cada dia, as suas incompatibilidades que se traduzem em agressões e farpas que todos podem ver claramente.

Não dá para pensar em amor quando só há prazer em culpar o outro, em agredir, diminuir, humilhar publicamente. E ainda tem gente que está assim na fase de namoro e noivado… imaginem!

A receita é tão simples: quando a gente ama, cuida, quer ver feliz, quer fazer o bem.

Lavagem do Bonfim

Lavagem do Bonfim

“Meu pai Oxalá é o rei, venha me valer!”

Amanhã, a colina sagrada se enche de fiéis para a tradicionalíssima lavagem do Bonfim. A festa sincretiza o misticismo do Candomblé com a tradição Católica: as escadarias da Igreja são lavadas pelas baianas que prestam homenagem a Oxalá. Mais detalhes depois.

Ouça aqui o Hino ao Senhor do Bonfim e peça a sua benção.

Daniela Cicarelli e You tube: chega!

Daniela Cicarelli e You tube: chega!

Já expressei minha opinião sobre a dita cuja na praia com o namorado. Agora, entretanto, a coisa passou do limite. 

Considero simplesmente incoerente a decisão judicial de tirar o you tube do ar. Censura absurda que vai punir os internautas que têm outras coisas mais a fazer além de ver Daniela “dan dan”  na praia.  Então Sua Excelência pretende tirar a Veja das bancas? A Folha de circulação? A Istoé das prateleiras? Suspender as assinaturas? Vetar o Jornal Nacional? Talvez trancafiar todo o tráfego na net, suspendendo jornais on line, blogs e chats? Sim, porque simplesmente TODOS os veículos de comunicação noticiaram o fato, de um jeito ou de outro.

Transou, foi lá, fez o que quis, então seja no mínimo madura: assuma as conseqüências. Quem transa na escada do prédio ou na praia, sabe o risco de um vizinho ou transeunte ver e depois comentar, espalhar, fofocar, fuxicar, ‘difamar’. Quando se pratica um ato, qualquer que seja ele, devemos entender as benesses e os prejuízos que nos causa. 

Outra coisa: quem filmou sem permissão que pague o preço. Processe o paparazzi, abdique da fama, rejeite as lentes, escolha a vida privada, não seja celebridade. A Mariazinha de qualquer beira-mar continua fazendo o mesmo e nunca virou notícia. Pague-se então o preço por viver das mesmas lentes e dos mesmos sites que a incensaram e agora a condenam.

Já chega de Cicarelli e de tanto falso moralismo.  Primeiro, o “assombro” que tomou conta da população; agora, a decisão estaparfúdia de retirar o site do ar. Começo então a achar que nós, cidadãos mortais e comuns, devemos processá-la por atentado ao pudor e quem sabe buscar também um quinhão do tão almejado dinheirinho.

Ora, convenhamos!