Publicado por: Alena Cairo em: 24 Março, 2007
A cara da morte é desfiguração.
Os olhos ficam embaçados e perdem o viço.
Uma nuvem quer apagar a vida enquanto o corpo ainda resiste,
relutante, a aceitar que perece.
A névoa apaga o olhar.
Tira-lhe o brilho, tira-lhe as lembranças.
O corpo fenece lentamente, treme um pouco, sua.
Frio, muito frio.
.
Um gemido agoniado,
um revirar de olhos,
um suspiro de quem não queria ir.
É findo. Terminou.
.
Os vasos entopem, o líqüido derrama.
Pinga do corpo estendido: necrotério de sonhos.
Mãe.
Alena,
É difícil olhar para a morte. Bem observado.
Beijo
Maravilhoso. Cheguei a ficar emocionada. Nunca morri, kkkk, mas acho que é assim mesmo. Já vi uma pessoa, daquelas que nunca se imagina frágil, doente, sem vida, morrer quase em meus braços e… um corpo, inerte, frio, oco, sem alma, sem personalidade… foi tudo isso que vi. Impressionante! Somos todos iguais mesmo, quando estamos só… corpo. Beijos. Parabéns pela descrição.
Perder um ente querido é doloroso. Mãe, pai, filho, amigo, irmão, amor. Perdê-lo [nos braços ou ao lado, na cama] mostra nossa incapacidade diante da única certeza da vida. É preciso coragem para superar, aliás, deve-se precisar muito mais do que isso. Não sei… Mesmo acreditando na dissipação da vida em outras formas, não me vejo sem minha filha, sem meus pais, “minha” mulher, meus sobrinhos e irmãos, sem meus amigos…
Comentário removido: conversa idiota em msn.
VACILO
24 Março, 2007 às 1:30 pm
Lindo professora,simplesmente isso!
Beijo