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Debaixo d’água*

Debaixo d’água*

* Este post deve ser lido ao som de Debaixo d’água e Agora de Arnaldo Antunes na voz de Maria Bethânia. Ouça aqui.

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“Mas tinha que respirar… todo dia, todo dia, todo dia”.

Toda vez que passamos por uma situação extrema, um redemoinho de emoções e sensações nos engole sem piedade.

” Agora que agora é nunca/ Agora posso recuar”

Ano passado, fui vítima de um assalto que me legou uma condição embrionária, condição de espectadora do existir. É que, durante duas horas e vinte minutos, lutei corpo a corpo com um marginal, bandido, drogado e psicopata pela minha vida, pela vida de minha filha e pela vida da babá dela. Nós fomos surpreendidas na madrugada, eu, deitada na cama, dormia o sono dos que trabalhariam na segunda-feira e elas, o dos inocentes.

O estrondo da porta dos fundos sendo arrombada com violência me acordou desesperada e já dei os gritos lancinantes de quem sabia o pior a fim de acordar a rua inteira e chamar a atenção desesperada para a minha casa, a minha condição. Encontramo-nos todos na sala e ele, com a faca na mão direita gritou tanto quanto eu. Pegou a empregada, mas eu a puxei e , com um olhar tirano e sem dizer uma palavra sequer, comuniquei-lhe que pegasse Alice e não a largasse por nada neste mundo. Ela entendeu.

Trocamos de lugar e eu fui empurrando-o para a cozinha quando o horror começou. Perdi honestamente a conta de quantos golpes de faca peguei no ar. Só sei que a frase que mais repeti seguidamente na minha vida inteira foi : “vá embora, por favor!”.

“Sem saber  quanto este momento poderia durar…”

E sem saber se este momento realmente acabaria… “todo dia, todo dia…”

“Agora sinto minha tumba/ Agora o peito a retumbar”

Braço, faca, cabelo, luta, perna, braço, lâmina, dedo, sangue, braço, horror, braço e uma tatuagem, domínio, autocontrole (im)possível.

Olho desvairado, agreste, exorbitante, mau. Mal maior evitado. Não sei como, lembrei-me de quando era criança e assistia Bruce Lee com meu pai e ele me dizia: “olhe nos olhos de seus inimigos”… “conheça-os”. E eu não parava de fitá-lo. Tentando, tantas vezes inútil, dominá-lo, não demonstrar o medo que me escorria pelo corpo e endurecia de fel e razão o meu estar viva ali.

“Agora meu avô já vive/Agora meu filho nasceu”

Pensando em Alice, lutando por ela, consegui me desvencilhar, abrir a porta, uma, duas, três, quatro, cinco vezes… não, ninguém apareceu. “Agora abrem uma porta/Agora não se chora mais”. Entre os vivos não achei ajuda, não achei resposta, não achei socorro. Nada achei. É o peso em toneladas da solidão absoluta, a denotação mais cruel da solidão. E a ameaça atingia minha filha, que chorava com a babá desesperada em outro cômodo. Eu voltei todas as vezes em que vi a  escada vazia, retornei todas as vezes e o agarrei pela camisa, sempre antes que pegasse Alice e a luta recomeçava. Não sei se havia lua naquele dia, mas se ela existia, estava banhada de sangue. “Agora diante da parede/Agora falta uma palavra”.  Apelei em gritos de silêncio para os mortos. Chamei meu avô Antônio. Luz impotente. Chamei meu avô Gilberto. Baixo demais para o adversário. Chamei meu pai, minha mãe, minha avó Neyde. Por favor, implorei. Chamei tio Sérgio, talvez loucos se entendessem. E chamei Igor. Desvario ou não, lembrei-me de que meu primo falecido há pouco tinha o tamanho dele, do bandido que me queria matar a qualquer custo insistentemente. E fui conseguindo dominar não sei com que força os braços dele, sempre sem tirar os olhos, na ponta dos pés para parecer maior do que eu era…acuada, na parede, lutando desesperada para viver. Para manter-nos vivas todas.

“Só faltava respirar. Mas tinha que respirar…”

E a Mulher do Médico de Ensaio sobre a cegueira também me ajudou a encarar com frieza e raciocínio a situação. Não sei também como nem por quê.  Mas me lembrei da lista de características que  um psicopata reúne, assunto de trabalho no curso de Psicologia quando fui professora e trabalhamos o tema. Li mais de 120 trabalhos…E , naquele desespero todo, na luta insistente pela vida, legítima defesa absoluta, fui mentalmente ticando os itens, um por um, à medida que tentava construir um diálogo que reconstruísse a narrativa de vida do assassino em potencial e me libertasse, como à jornalista em Hannibal.

O sangue do ferimento feito à faca já me lavara a camisola de cetim, inutilizada; os vidros quebrados na cozinha e os quadros da parede caídos no chão estariam no dia seguinte cobertos de pó de perícia…

Duas horas se passaram, nada de socorro real, eu via o dia amanhecer em assassinatos concretizados diante de tanta ameaça e tentativas dominadas com meus fracos braços de então. Um primo meu diria: mãe é bicho, é fêmea, daí você retirou as forças: do seu útero. Deve ter sido.

A adrenalina me dava uma lucidez impensável nestas circunstâncias.

“Agora não me despedi/ Agora ainda estou aqui”

Ele titubeou três vezes, indicialmente. A primeira, quando lhe tentei falar e fazê-lo falar sobre sua mãe. Acalmou-se por minutos, desesperou-se ao fim e tentou mais uma facada, duas, três. Prometeu que me mataria e após mataria a própria mãe “para que ela não morresse de desgosto dele ter matado”.

Mais conversa, sou professora, dou aulas amanhã, quer estudar? Preciso dormir, meu chefe vai brigar se eu me atrasar, vá embora.

Insano. Inexplicável. Irrepetível. Bárbaro.

Titubeou também com as palavras infância, abuso sexual e animais. Chorou e me contou parte de sua desgraçada biografia. Mas suas mãos em posição de ameaça iminente, no alto, afiadas facas: vermelha e preta. Nova luta, novos golpes. Muito desespero.

E a palavra Bíblia o fez chorar. No mesmo momento em que eu a proferia, pedia silenciosamente a meus orixás que me protegessem.

E consegui lhe dar um copo d’água, com todos os movimentos controlados, explicando-lhe tudo detalhadamente, pensando em como reagir, dar o golpe certeiro, libertar minha filha e sair ilesa (?).

“Mas tinha que respirar… Todo dia. Todo dia, todo dia…”

A polícia bateu na porta e anunciou a sua presença com toda a voz grave que só a polícia pode ter. Desesperou-se ele, correu para pegar Alice, puxei-o e gritei baixo para que tivesse calma e fizesse silêncio. E alto, para fora:

- Vá embora,  policial, aqui não está acontecendo nada.

-Senhora, eu sei o que está acontecendo. Se você não abrir a porta, vou arrombá-la. A casa está cercada.

- Você não pode fazer isso, tem que ter um mandado. É invasão de domicílio. Fere o direito constitucional do cidadão.

Foi o tempo necessário entre o titubeio do policial e o atordoamento que minhas palavras causaram no outro, bandido, que me fizeram pôr uma escada entre nós e assim o fui empurrando e convencendo a ir embora pelos fundos e a se esconder na escuridão. Para nos salvarmos todos.

Lembrei-me de Eloá.  E temi muito a desgraça e atingirem Alice.

Então, consegui fechar a porta com força e gritar para a empregada correr e sair e consegui também sair pela porta , dando de cara com o policial que estava com a arma empunhada e quase atirou em mim à queima-roupa pelo susto e surpresa de que foi tomado. “AGORA ABREM UMA PORTA / AGORA NÃO SE CHORA MAIS”. Entraram pela casa, vasculharam os fundos, mas ninguém mais o pegou.

Faz seis meses.

A empregada ainda caiu da escada ao correr atordoada e desesperada com minha filha no colo, que saiu , como os anjos, incólume.

Debaixo d’água, protegido, salvo, fora de perigo
Aliviado, sem perdão e sem pecado
Sem fome, sem frio, sem medo, sem vontade de voltar
Mas tinha que respirar”

Denúncia. Relato no meio da rua e da madrugada. Cinco policiais, duas mulheres humanizavam mais ainda o grupo que , com os olhos lacrimejando, ouvia-me contar o desespero daquela que seria a pior de todas as madrugadas da minha vida. Apagou em dor a noite em que esperei a minha mãe morrer: eu, encolhida na minha cama com os cabelos molhados.

Trocar de roupa. Vestir por cima um vestido emprestado que me deram. Lavar-me de todo o sangue e de todo o fétido odor de morte, banho inútil de pia. Delegacia. Rua deserta na madrugada. Um vazio que prenunciava o que viria. E que se instalou.

“AGORA PASSA A PAISAGEM
AGORA NÃO ME DESPEDI
AGORA COMPRO UMA PASSAGEM
AGORA AINDA ESTOU DAQUI

AGORA SINTO MUITA SEDE
AGORA JÁ É MADRUGADA
AGORA DIANTE DA PAREDE
AGORA FALTA UMA PALAVRA

AGORA O VENTO NO CABELO
AGORA TODA MINHA ROUPA
AGORA VOLTA PRO NOVELO
AGORA A LÍNGUA EM MINHA BOCA”

Depoimento. Chegada de parentes. Mensagens desesperadas intercambiando alívios. Delegado. Delegada. Escrivão. Policial. Etecétera e tal. Manhã  chegando, Nina Rodrigues, exame de corpo e delito. E aquele verde fedorento das paredes mais acuava todas as vítimas que se amontoavam sem nome nas cadeiras insensatas.

“Mas tinha que respirar” quando a vontade era fugir nem se sabe para onde, talvez para a morte paradoxalmente.

Doze horas depois, retornei da torpe odisseia e multiplicavam-se parentes na sala enquanto eu me despedia horrorizada da casa que fora da minha família mesmo antes de eu nascer, há cerca de 50 anos. Eram paredes que eu não queria mais. Paredes que não me protegeram. Portões e muros frágeis diante da minha condição humana.

“Agora não me despedi”

“Agora ainda estou aqui”

Foragida, carro trocado, sem casa, sem teto, só malas. Medo de voltar. Medo de sair. Medo de estar. Atropelaram-se casas, apartamentos, corretores, imobiliárias, telefonemas, anúncios de jornal,  e o dinheiro faltando no banco.

“Debaixo d’água se formando como um feto
Sereno, confortável, amado, completo
Sem chão, sem teto, sem contato com o ar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia”

Casa da irmã de minha mãe. Minha tia. Como ela. Eu feto e embrião. Companhia, mão necessária.

Ajuda de pessoas amigas (poucas). Ajuda de parentes (poucos). E, aos poucos, as caixas que levavam a minha história foram sendo descartadas tão sem sentido e sem valor e carregadas para lá e para cá até que pousaram incertas no que seria uma fortaleza para mim.

Quanto se perdeu? Não sei. Quanto tive? Não inventariei.

Certeza real de que nada de valor me levaram da madrugada de horror: três vidas ainda.

“Debaixo d’água por encanto sem sorriso e sem pranto
Sem lamento e sem saber o quanto
Esse momento poderia durar
Mas tinha que respirar

Debaixo d’água ficaria para sempre, ficaria contente
Longe de toda gente, para sempre no fundo do mar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
todo dia
Todo dia, todo dia

Debaixo d’água, protegido, salvo, fora de perigo
Aliviado, sem perdão e sem pecado
Sem fome, sem frio, sem medo, sem vontade de voltar
Mas tinha que respirar”

Se pudesse, nestes seis meses, do novo apartamento não teria saído. Se saí, realmente, sei que nem me lembro, embora todos os dias fosse trabalhar.

Só sei que agora quero ouvir (psicótica?): já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou, já passou.

Seis meses e então a sensação exata é que:

“Agora posso recuar”.

Uma liberdade de quem escolheu viver, pôde ficar viva. A minha existência é agora, sinceramente, uma licença poética. Perdi o medo da morte.

Rio Acre

Rio Acre

Preocupada com o pessoal do Acre. Jamais pensei em visitar o Acre. Mas surgiu uma oportunidade muito bacana e fui lá conferir. Terra hospitaleira de gente legal! Fui tão bem recebida que cheguei mesmo a crer na bondade humana. Pessoas gentis, que se desdobraram em mesuras e com experiências de vida muito diferentes e valorosas para trocarmos.

Neste momento, presto minha solidariedade às pessoas que me receberam e pergunto-lhes se posso ajudar de alguma forma.

Baba, baby.

Baba, baby.

Coisa de ficar maluca: cuidar sozinha de filho, ser mãe sozinha.

PTQPR. Dita cem vezes. Depois eu não entendo por que fico nervosa. Todos os dias, meia-noite, e Alice ainda está acordada? O pai não está. Não tem avô, não tem avó. A m* da babá não coloca para dormir. E eu querendo me jogar pela janela a esta altura.

A solução? Eu fazer um intensivão: acordá-la às 6h durante uma semana para criar rotina, cansá-la durante o dia, não deixá-la dormir e vê-la na cama às 20h. O problema reside exatamente aí: eu, eu , eu. Tudo eu. Saco. Ninguém para dividir. Como eu aguentaria fazer algo depois? Como teria meu tempo para a net? Como faria algo na cozinha? Como sobraria um tempo para namorar? E como estaria a minha pessoa depois desta semana de jornada? Precisando, obviamente, de um ano na Polinésia. Sozinha.

Três dias no VP pela milésima vez

Três dias no VP pela milésima vez

Terceiro dia no VP e só consegui fazer as coisas mais ou menos direito no primeiro dia.

Análise do absurdo:

Dia 01

 

Dia 02

Dia 03

Conclusão: falta de rotina e desajuste emocional fazem tudo fugir ao controle. Ah, e necessidade ainda de me divertir muito. Creio que quando eu conseguir arrumar minha casa as coisas fiquem melhores na minha dieta.

Furar orelhas

Furar orelhas

Alice tem 2 anos e 5 meses e ouço absurdos diariamente por causa deste “problema”, creia.

Decidi não furar porque no hospital assisti aos cursos para gestante e a equipe inteira de médicos, fisioterapeutas, psicólogo, anestesista e  enfermeiras foi contra o furo por causa do risco de infecções e do incômodo para o bebê dormir de brinco. Me convenceu. Hoje tenho pena de furar por causa da dor, mas as pessoas enchem a paciência, eu já tive até que dizer que ser menina é mais uma questão de seios e vagina que de brincos na orelha. Também já provoquei: “sim, vou furar, mas um piercing no umbigo ou na língua (risos)”. As caras de susto são ótimas. Também, em outra ocasião,  já disse que vou furar a do meu filho, quando eu o tiver.

Um conselho? Siga seu feeling e pronto.

Vergonha

Vergonha

Eu tinha vinte e seis anos quando pisei pela primeira vez o pé na terrinha. Ao sair do ar condicionado do aeroporto, lembro-me como se fosse agora, trajando uma calça cáqui e uma blusa na qual havia uma grande índia pintada, chorei ao respirar o ar português pela primeira vez. Havia algo genético: era o que parecia… Talvez eu sentisse ali a emoção da tradição que, aos poucos, foi se confirmando. Talvez ali, naquele momento, as aulas de História ecoassem aos poucos na minha mente. Talvez as palavras de Gil falando sobre encontro dos povos me impressionassem ainda. Talvez a minha avó paterna estivesse claramente agora para mim visualizada como fruto mais direto – ainda não perdido – daquela cultura que herdara dos pais.

E eu cheguei a Lisboa. A sensação primeira é que aquele momento seria o início de muitos encontros. Encontro comigo, com o meu passado, com os meus antepassados. Encontro com traços indeléveis da minha cultura que eu não saberia dizer até então o quanto eram herança de Portugal.

A ida ao hotel, os olhos atentos como os de uma criança a descobrir o mundo e a maravilha da cidade tão cosmopolita e tão histórica. O Rossio e os calçadões da baixa, o marco dos descobrimentos, a torre de Belém, os pastéis de nata, a ginjinha (com elas!), as igrejas, o castelo de São Jorge em cujas paredes voa uma donzela diáfana (juro que eu a vi a vagar!)… a nostalgia de flautistas por toda a baixa, a beleza do Tejo, a modernidade do cais, os magníficos restaurantes onde me viciei em comer muito e bem e muito e bem e muito… o parque das nações com todas aquelas bandeiras a tremular e a emoção de nos descobrir brasileiros embaixo da verde-amarelinha, o teleférico, as Tágides reconstruídas à beira do Tejo, o oceanário (!!!)… a carne de javali, os vinhos, as bodegas, o elevador de Santa Justa, o arroz de sarrabulho, a recepção acalorada ao nos saberem brasileiros pelo sotaque, a emoção de ver (eu, professorinha de literatura) o túmulo de Camões, a beleza da arte manuelina, os almoços intermináveis regados a vinho na casa do amigo Zé, as rabanadas com vinho do Porto, os amigos que fui acumulando, as prendas carinhosas que recebi, o sotaque gostoso de ouvir dos portugueses, os pães que me ensinaram o que era pão, as azeitonas as quais comi sem parar, as cerejas frescas na beira da estrada, o patê de sardinha mais maravilhoso do planeta(vício certo!), a Marisqueira com suas sentollas e a certeza de que Portugal é um país maravilhoso.

Sintra tão pertinho a nos erguer no alto da serra o magnífico palácio mouro, suas ruas tão poéticas, o litoral e seus fortes, a beleza do Oceano Atlântico ( e pensar que é o mesmo que nos banha aqui)…

Estrada rumo a Óbidos, Évora, Marvão, Serra da Estrela (que trutas!), Nazaré, Braga, Guimarães, Porto, o rio Douro, os rabelos, Coimbra (e viva a Universidade!), Valença, Viana do Castelo, o rio Minho, Covilhã, Leiria, Santarém, Portalegre, Sines, Faro, Sagres… Todas todas com post merecido a desenvolver…

Fui a Portugal a passeio em 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 … e devo voltar lá a partir do ano que vem. Um encontro maravilhoso comigo mesma, um amor à pátria que também é minha, um reconhecimento de raízes, um encontro emocionado.

Infelizmente, para minha surpresa e vergonha, me deparei com o vídeo do programa Saia Justa no qual a Maitê Proença dá um show de estupidez, desrespeito e ignorância.  O Brasil deve, no mínimo, desculpas diplomáticas a Portugal.

Publique-se o vídeo para que se tome conhecimento e um protesto mesmo nasça. Trarei aqui algumas memórias da minha relação de amor com Portugal. É o mínimo que posso fazer.

Segunda chamada geral

Segunda chamada geral

é só o que dá vontade de fazer quando a gente se conscientiza da quantidade de textos e livros para estudar. Nossa, a sensação que eu tenho sempre é a de que deveria fazer o semestre depois de tê-lo estudado todo. Assim: concluimos os estudos e depois voltamos ao início, ao primeiro dia de aula, para conseguir realmente fazer com que a aula aconteça: dialogando com o professor.

Ah, e tem mais: prova tradicional ainda???

Violência contra a mulher

Violência contra a mulher

Faz quinze dias que eu estava numa grande papelaria de Salvador e de repente uma gritaria e um tumulto. Pensei que era um assalto e me dirigi ao fundo da loja. A confusão passou e, quando fui ao caixa, descobri estarrecida que um homem desferira um murro contra uma mulher. Ela tinha cerca de 35 anos. O homem era o pai dela. E ele fugiu. E uma mulher ainda foi capaz de proferir as palavras: “alguma coisa ela deve ter feito”.

Preocupações

Preocupações

Ainda me preocupo com o tipo de estudante que temos em sala de aula. Sei que são vítimas em grande parte do modelo tradicional de educação. Mas pensar é possível…

Uma professora nossa pediu que lêssemos O Mercador de Veneza de Shakespeare.  Pediu que víssemos o filme homônimo também. E que lêssemos A luta pelo direito de Rudolph Von Ihering.

Bom, a questão é que os alunos agora andam reclamando que ela não ministra aula em sala, que não têm assunto para estudar. Toda aula é dialógica, mas, como não tem esquema e conteúdo programático predefinido, com slides intermináveis e transparências repetitivas, grande parcela do alunado não consegue perceber que seja aula. Discussão, leitura e manifestação das idéias, interdisciplinaridade, analogias, registros pessoais, resumos e tal…  nada disso é aula.

Ah, a professora também não mandou ler para ontem sete livros-bíblia, mas solicitou apenas duas referências que considera mínimas e importantes, indispensáveis.

E a “galera” a pensar que não há aula incisivamente.

Ai, ai.

A cavalo dado não se olham as agressões?

A cavalo dado não se olham as agressões?

Dado Dolabela é preso numa incrível manifestação pública de que os tempos andam mesmo mudando por estas bandas. País onde o machismo ainda impera, resquício de um patriarcado de milênios implantado pela ‘santa igrejinha’ que também nos colonizou, surpreende , sim, que uma prisão ‘famosa’ aconteça por agressão em primeira instância e, em segunda, por descumprimento de ordem judicial.

Mas o que me deixou boquiaberta mesmo foi a estupidez da invenção da camiseta em proteção da pobre vítima famosa que não é bandido , mas pode agredir mulher e pessoas de classe inferior.

A camiseta diz “Não culpado” ou “Inocente” e a expressão logo abaixo “Dado rocks” está traduzida em diversos sites e blogs como “Dado arrebenta”, o que vira um trocadilho infame. Há quem leia “Dado é legal” ou “Dado é de rocha”(gíria que significa bom cara, amigão).

O rapazinho da foto, o ator André Gonçalves, na minha opinião, perdeu uma excelente oportunidade de ficar calado, de não se manifestar.  Ser amigo e mostrar apreço por quem quiser é arbítrio puro de cada pessoa, e todos somos livres para fazer nossas escolhas. Mas, infelizmente, o apoio ao colega tornado público pode ser traduzido em apoio à sua atitude de empurrar a então noiva no chão, de causar escoriações e luxações no braço de uma senhora de 62 anos que interviu favoravelmente à atriz.

Se é assombroso que a gente ouça o apoio de trogloditas de plantão que acham justo o que Dado fez porque consideram Luana vadia, vagabunda e outros adjetivos do gênero, por outro lado não admira que a camisa esteja esgotada – sim, alguém teve a idéia infame de vendê-la on line. São os mantenedores da velha ordem que compram a  camiseta, que tem coragem de vesti-la.

Senhor Gonçalves, sinto muito pelo seu apoio, sinceramente. É culpado sim um homem que agride uma mulher, outro homem ou mesmo um animal. Há muito descobriram que o ser humano é racional e, se uns têm instintos agressivos maiores que a própria razão, que estes descubram a hora de parar – antes que a polícia ou a justiça precise de lhe colocar os freios para que conviva em sociedade.

Boicote à mulher

Boicote à mulher

Existem muitas formas de se destruir uma mulher. Muitas.
Uma delas consiste em dia após dia boicotar sua auto-estima, depreciá-la parte a parte, diminuí-la em tudo que sabe fazer, compará-la e menosprezá-la com frases sarcásticas e tiranas.

Bombardeada, muitas vezes ela se esquece de si mesma, carente que esteja de um amor que nunca virá. Não deste homem. E vai entristecendo, silenciosamente a cada aquiescência, tecendo a teia em que ela mesma se perderá. Noutras vezes, brada alto, grita também, despeja os dejetos de sua alma estropiada, de sua auto-estima vilipendiada em ofensas que buscam responder às grosserias que a agridem no cotidiano comezinho. Assim também ela se perde. Perde-se de si mesma.

“Você não sabe gerenciar uma casa.” “Você é a pior dona-de-casa que eu já vi”. “Sua empregada é a pior  e mais incompetente com que já lidei.” “Você é tão boa mãe que dorme de tarde e deixa seu filho com a babá.” “Seu trabalho é fútil”. “Seu hobby  é imbecil, é perda de tempo”.”Para que vai fazer este curso? Não adianta mesmo…” “Isso não vai gerar dinheiro…” “por que saiu de casa?” “Não estava aqui na hora em que precisei”. “Não conto com você”. “Você nunca faz quando é para mim…” ” Vou dormir feliz porque seu time perdeu”.

Se ela não perceber, envereda-se nesta rede de sutis ou explícitos boicotes que, inevitavelmente, a conduzirão, simplesmente, à infelicidade. É que assim, aquiescendo, ela pode esquecer que os parâmetros são outros, esquecer que quem ama cuida, é parceiro, zela por ela e deseja-lhe o progresso, a ascensão, a vitória sem sair do seu lado e apoiá-la nos momentos difíceis e delicados a que a vida expõe toda mulher.

Este boicote é um crime. Mata em vida. Incapacita. Traumatiza. E os efeitos são muito perversos. Às vezes  incuráveis.

Qualquer maneira de amar vale a pena

Qualquer maneira de amar vale a pena

Não consigo sinceramente entender a homofobia. Não consigo sinceramente acreditar  que alguém se importe tanto com a opção sexual de outra pessoa a ponto de levantar bandeiras contra, fazer piadinhas de mau gosto e depreciar a sua imagem. Não, eu não consigo.

Certa vez, um aluno meu em enfermagem pediu licença quando a aula acabou para dar um recado à turma. Eu o ouvi perfeitamente: ele queria comunicar que não era gay. É que se estereotipam os enfermeiros e não era o caso dele ser homossexual. Que fosse. Por trás da atitude aparentemente inocente, aparentemente engraçada, está um oceano de culpas e preconceitos.  É tão ‘ruim‘ ainda em nossa sociedade ser gay que é necessário proclamarmos publicamente que não o somos quando se espera que sejamos. Dá para entender?

Uma pessoa precisa publicar seu heterossexualismo para não sofrer preconceitos ou ser estigmatizada. Não, eu não consigo sinceramente entender. Nestas horas, lembro-me do versinho de Caetano em Tieta: “Todo mundo quer saber com quem você se deita/  nada pode prosperar”.

A propósito, a Denise publicou este post e este vídeo .

É que na Califórnia, na época da eleição de Obama (ou seja, atenção desviada), passou uma alteração na Constituição que definia ” o casamento como uma uniao entre um homem e uma mulher“. Isso significa que estão impedidos casamentos entre pessoas do mesmo sexo e anulados os realizados até o momento.

Vale a pena ver o vídeo e acompanhar o desdobramento do caso. Os casais estão em livre campanha para a Suprema Corte rever a decisão.

Próximo post

Próximo post

De vez em quando aparece em minha vida uma pessoa que me faz ter dúvida de onde é mesmo que fica a linha tênue entre a idiotice  e a bondade. É que eu tenho uma inclinação para ser ‘boazinha’ e, às vezes, muita gente sacana suga.

Tenho sempre receio de julgar mal uma pessoa e aí então aparece uma tendência para crer que a pessoa teve um ataque de regeneração e simplesmente me valoriza ou gosta de mim… mas a danada da dúvida martela a cabeça e fico pensando se não estou mesmo é fazendo papel de otária.

Minha avó sempre disse: ” dá a quem te dá. A quem não te dá, não dá, não. ” Diz ela que os sinos tocam esta canção.

Mas a droga da culpa cristã ou a porcaria da síndrome de mulher boazinha que vai para o céu muitas vezes me faz escolher a outra máxima: ” fazei o bem sem olhar a quem”.

Toco fogo ou passo o bálsamo?

Eu não mereço

Eu não mereço

Eu queria estar no tempo em que mães cuidavam dos filhos, juro. Não estou.

Saio de casa para o trabalho em um horário remodeladíssimo para a cria ficar o mínimo tempo longe de mim. Desisto de um emprego. Agora não são mais dois.

Informo e educo a cuidadora e a outra, a de casa, para que façam as coisas conforme aprendemos ser o certo: higiene, fraldas, banho, roupinhas, choros, fome, manhas e coisa e tal.

Então volto mais cedo do trabalho e descubro as duas dando comidinha à bebê ao som de “tchuco gostoso”.

Socorram-me.

Quem aguenta viver na linha do Equador?

Quem aguenta viver na linha do Equador?

Ontem à noite, o termômetro marcava 30 graus no meu quarto. Já era meia-noite, fazia muito o sol já fôra.

Então lembrei que no deserto à noite faz frio. Em Salvador, o calor continua. E o povo ainda se aglomera no festival de verão, no carnaval, na praia… Que nada! Só de pensar em muita gente junta já me dá mais calor e vontade de tomar banho.

Eu só penso em chuveiro, banheira, piscina, sombra e água fresca. Roupa leve de algodão (pouca) – bem aqueles vestidinhos ordinários.

Sucos e mais sucos e mais sucos.

Ainda bem que Alice não nasceu em janeiro.  Se eu tivesse que passar pelos calores da apojadura neste sol…

Projeto culpa zero

Projeto culpa zero

Adotei a expressão sugerida por Martha Medeiros na sua matéria “Mulher nota nove”. Eu, simplesmente, estava sufocada pelas transformações que a maternidade trouxe na minha vida e pela expectativa dos outros.

O processo de libertação começa aos poucos. Eu li há poucos dias sobre expectativas – nada além do óbvio. Uma mensagem, destas que figuram em agendas, dizia: ‘preocupe-se apenas com o que você pensa de si mesma porque o que os outros pensam é problema deles‘.  É como rasgar correntes de papel que nos aprisionam à opinião dos que nos rodeiam – queridos ou não.

Incrível a força que estas correntes têm e o invisível delas, o nada que são realmente. Nada.

Piscinas

Piscinas

Houve um tempo em que todos íamos aos clubes sociais. A família toda, no sábado e no domingo, cedo, para disputar o lugar mais perto da piscina a fim de olhar os filhos sem perder o conforto. Depois os clubes sociais viraram algo brega, cafona… porque cada prédio tinha a sua piscina “particular”.

Quem ia a clubes era o “povão”.  Ficou out.

E assim foi morrendo um por um cada um dos clubes que há 30  ou 25 anos eram sucesso. A Associação Atlética da Bahia é um mausoléu hoje, o Bahiano de Tênis vendeu parte para uma confeitaria e armazém, o Clube Português da Bahia virou um terreno baldio e até invadido pelos sem-teto foi. Depois a sua dívida era tão grande que a prefeitura o demoliu e lá naquela bela enseada da Pituba jaz agora uma praça sem graça feita às pressas pela prefeitura em época de reeleição.

Agora jazem as piscinas dos prédios sub-utilizadas. Também é out ir à piscina do prédio. Discursa-se sobre isso.

Os novos megacondomínios vendem agora piscinões decorativos, clubes em casa. O conceito de clube chega a condomínios com não sei quantos apartamentos – espécie de cortiços de classe média no terceiro milênio – como aquela ‘vila Alpha’ em Salvador. Mas é claro que ninguém os vê assim. Estão na moda.

Migrar para o sul

Migrar para o sul

Desde que eu pari, pensei incontáveis vezes em partir para o sul. É que o calor nesta Bahia vem piorando a cada ano.

Nada animadora ainda a previsão dos meteorologistas que anunciam 2009 como o ano mais quente desde não sei quando…

Morro de compaixão pelas minhas duas amigas que vão parir agora em janeiro e fevereiro. Quando penso no calor que a amamentação dá, suo de tristeza por elas.

Morar aqui tem que ser meio que com projeto de ar condicionado central inquebrável e funcionando com uns cinco tipos de energia – para não dar problema nunca.

É por isso – que conclusão! – que os melhores passeios têm sido os do shopping ( vou me redimir, juro!).

Gente sem noção

Gente sem noção

Parte IV

Personagens: eu e minha irmã mais dois bebês…

Cena: váriiiiiiaaaaaaas noites sem dormir, mal dormidas e tal. Sexta-feira. Nenhum compromisso médico. Nenhum compromisso no supermercado. Nada a fazer fora de casa. Ufa!

Tempo: Acordadas desde às seis, dando mama desde então, revezando o seio… olhamos para o relógio e percebemos que são 10h51 quando ambos os bebês dormem… afoitas, concluimos: vamos dormir! Ao menos até às 12h.

Conflito: O telefone toca e as visitas do interior (PARENTES) estão chegando…

Conflito 2: Dá 11h48 e as visitas dizem que passaram “ali” e vão chegar daqui a pouco… Toca a esperar.

Conflito 3: Na próxima gravidez, guardar grana suficiente para passar todos os meses de licença na Polinésia Francesa sem celular.

Gente sem noção

Gente sem noção

Parte III

Ao telefone…

- Alô ? Como vai? blá blá blá… patati patatá…

- nhenheném…

- Olha, filhas, aproveitem que estão de licença (minha irmã e seu bebê de dois meses está aqui em casa comigo ) e coloquem a perna para cima, descansem, relaxe…

Aí eu me estressei e respondi:

- Relaxar? Colocar a perna para cima? Rá! Você não tem noção. Sente um dia inteiro aqui em casa para apreciar como é cuidar de um bebê e venha ver qual é o tempo que se tem para pôr as pernas para cima…

Gente sem noção

Gente sem noção

Parte II

Cena:  Aniversário da bisa. Mamãe não queria ir, mas não houve jeito. Então, mamãe me pôs no colo, enroladinha na manta e prometeu não me largar um minuto sequer. Logo na entrada, a empregada da bisa, que estava com a mão suja de glacê de bolo e sabe-se lá mais o que veio descobrindo a manta para me ver… Mamãe deu bronca e pediu para não pegar (com delicadeza) porque eu só tenho 15 dias e estou gripadinha (devido às visitas gripadas).

Em seguida, todas as velhinhas da festa quiseram me carregar… com suas mãozinhas de empadinhas, saltenhas e tortas… bem sujinhas… mas não faz mal, elas não entendem que eu só tenho 15 dias e então alisam meu cabelo – como se eu não tivesse mais moleira – pegam no meu narizinho, no meu queixinho e alisam a bochechinha…

Não tem jeito. De forma deselegante a tia-bisa e a bisa exigem me pegar no colo e mamãe dá logo antes que elas morram e mamãe fique com culpa, tira uma foto relâmpago para registrar e TEM VONTADE DE tomar um banho de álcool, SE TRANCAR PARA SEMPRE EM CASA E NUNCA MAIS VER AQUELE POVO PEGAJOSO todo… Tem jeito não…

Gente sem noção

Gente sem noção

Parte I (minha irmã ao telefone com a cicrana)

” – Alô ? Oi, tudo bem?

- Tudo…

- Olha, eu vou passar aí agora com fulana…

- Não, dona Cicrana, não venha agora não que a gente não almoçou, não deu banho nos bebês e ainda tem que ir ao médico rapidinho (eram 13h38).

- Ah, só vou se for agora… então não visito… que horror, quero que minha amiga do interior veja o bebê e se não for agora ela só vai ver quando voltar (tom zangado).

- Venham cinco da tarde, a gente faz um lanche e os bebês estarão organizados…

- Não. Só vou agora.

-… … … então tá.”

Cena : as cicranas (parentes) chegaram, minha irmã amamentava seu bebê, eu amamentava a minha enquanto almoçávamos com olheiras enormes, desanimadas e usando apenas uma mão para comer.

Resultado: não conseguimos ir ao médico, o banho das crianças foi dado no início da noite e não descansamos um minuto sequer.

Alguém aí tem bom senso?

Alguém aí tem bom senso?

Alguém aí suporta o absurdo televisivo feito do caso Isabella Nardoni? O que é isto, gente?

Trilha sonora, interrupção de programação, câmeras ao vivo na casa de todo mundo que tenha qualquer ligação com o caso ou parentesco com os envolvidos, programação especial, violência infantil etc etc etc

Isto é jornalismo?

Isto é justiça?

Ninguém mais tem bom senso?

* * *

A filha de um amigo meu com três anos estava de castigo. Ele estava ocupado corrigindo provas. A menina o chamou insistentemente. Ele se recusou a atendê-la porque estava de castigo. Ela chorou, então o pai foi ver o que havia. A menina estava com medo do pai jogá-la pela janela do apartamento.

* * *

Minha irmã tem 15 anos. Sonhou ontem que a filha de uma amiga nossa tinha sido jogada do sexto andar.

* * *

Minha avó tem 83 anos. Disse-me que está tensa de ver tanta tv. Aconselhei-a a desligar de vez o aparelho. Mas ela não pode. É sua maior companhia.

* * *

Ninguém mais tem bom senso?

Dizer que o caso é de interesse público é uma coisa. Outra é fazer PAUTA ÚNICA MONOTEMA (se os jornalistas dizem, obedeço; mas que é monotema é.).

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Up date 2: Eu me cansei disso, sabia ? Que descubram os culpados e depois publiquem, não creio que o crime seja de TANTO interesse público, transbordou o bom senso para mim. Na minha vida não cabe investigação passo a passo do caso Nardoni nem de nenhum outro. A gente quer saber, mas a gente quer bebida, diversão e arte, a gente tem fome de comida e de outras coisas. Cansei desta ‘cobertura melequenta’ da mídia.

Sim, ainda vale

Sim, ainda vale

Você está pooota da vida, cansada, estropiada, com sono, chateada, aborrecida, magoada, triste… então dá uma aula tão legal que se sente bem, recebe carinhos tão importantes que fica mais leve e, mesmo tendo que respirar fundo, abrir os olhos e trabalhar quando deveria estar repondo a noite perdida, abre seu e-mail e vê uma coisa tão linda, mas tão linda  que chora e pensa: sim, a vida vale a pena. Ainda vale.

Dia INTERNACIONAL da mulher

Dia INTERNACIONAL da mulher

Porque sábado foi o Dia Internacional da Mulher também foi um dia de calarmo-nos. Também foi um dia de esperarmos. Também foi um dia de silêncios. Porque muitas vezes os silêncios são necessários.

* * *

Sábado eu esperei. Esperei para ver. Parabéns tímidos de uns, chacotas de outros pela rua, homenagens sinceras de alguns.

Mas sábado eu me decepcionei também. Por que a propaganda brasileira continua mantendo a mulher branca, de cabelo liso e sorridente , com cara de rica como o padrão, o estereótipo da mulher que MERECE os parabéns pelo dia de TODAS as outras?

Por que as publicidades on line não se referiram também às negras, às mulatas, às nordestinas, às menos ricas ou às mais pobres, as que choram e não apenas sorriem com cara de bem sucedidas etc etc etc… ? A que público específico estas publicidades se dirigiam? Por que não vi mulheres chinesas, coreanas, africanas, sulamericanas, mexicanas… ou simplesmente a DIVERSIDADE de brasileiras, mas apenas – tão somente – o padrão europeu?

Por que eu recebi até um folder “parabéns pelo dia da Alena“? Não soou cretino, excludente, individualista, egocêntrico? Não, obrigada, até no dia do meu aniversário eu aceitaria os parabéns exclusivos de melhor grado. O dia era de todas. E não se deveria pretender – sequer aventar – a exclusão.

* * *

Isso me fez mais uma vez recordar o dia em que uma escola onde trabalhei distribuiu rosas às professoras. Considerei uma delicadeza enorme e me senti enternecida. Então fui ao toalete, encontrei a faxineira humilde e desejei-lhe “Feliz Dia Internacional da MULHER”, perguntando-lhe com sorriso largo se gostara da rosa. Timidamente, ela me respondeu: não , pró, a gente não ganhou flores, só as professoras. A gente é pobre, pró.

Fui imediatamente à direção perguntar o que houvera, se as rosas delas, de todas as outras MULHERES, ainda seriam distribuídas. Informaram-me que não. Só o público professora fôra agraciado. Aí a minha rosa murchou, morreu. Disse à pessoa ‘encarregada’ que era melhor nenhuma de nós as recebermos. Infelizmente. Algumas professoras souberam do episódio e continuaram a carregar as suas rosas orgulhosas. A minha e mais a de mais ou menos meia dúzia de outras colegas cientes foram enfeitar um vaso simples na casa de outras mulheres que ainda continuam esquecidas, silenciadas, humilhadas e desvalorizadas.

Desejo…

Desejo…

… de parar tudo, o mundo inteiro, dar um start nas pessoas, congelar a cena, meio como aconteceu no conto dA Bela Adormecida. Então eu olharia minha vida de fora dela, tomaria pé deste turbilhão de trabalho, obrigações, contas a pagar, mudanças a fazer, finanças a arrumar e projetos a realizar. Talvez assim, com tudo arrumadinho, compartimentado como nenhuma vida deve ser, eu pudesse ter paz de espírito para respirar aliviada e sentir todo o prazer que a gravidez tem me proporcionado.

Quem foi mesmo que lutou pela emancipação feminina?

A melhor enquete de fim de ano

A melhor enquete de fim de ano

A melhor enquete que vi neste fim de ano. Qual celebridade você não agüenta mais e de qual delas não quer ouvir falar em 2008?

A-d-o-r-e-i.

O equívoco já começa ao considerar a tal ‘carangueja estafanagente’ como celebridade (até desenho em versão  infantil a fulana lançou). Se o Bebebe é padrão de imitação popular, valha-me  que eu vou embora para Marte. Nesta seqüência, o tal ‘alimão’ é o que há de pior. Me deixem. De Paris, Britney, Tom, Angelina, Piovani(???) e cia… arght! ô timinho que arranjaram. Mas, para mim, honestamente, a tal Siri é a pior. Do sorrisão do Tom Cruise eu ainda não me cansei, embora do ativismo dele sim.

E vocês? Cansaram também?

O time sobe. O torcedor cai?

O time sobe. O torcedor cai?

Sempre que alguém se refere a um torcedor do Bahia, associa a ele o adjetivo “doente”. É “Bahia doente”. Longe de ser perjorativa, a associação significa que o torcedor é apaixonado, é Bahia de corpo e alma, é Bahia de coração e que nada, mas nadica mesmo neste mundo, fará com que ele mude de time ou troque a camisa.

O time estava na série C do Brasileirão e a torcida apaixonada lotou o estádio da Fonte Nova em diversos jogos. Público de 60000 pessoas, mais de 50000 pagantes. Ingressos foram vendidos por cambistas até quatro vezes mais caros. Na hora H, não havia mais como entrar no estádio, lotado, sem nenhum ingresso disponível.

Salvador se vestiu tricolor: azul, vermelho e branco. As lojas no shopping venderam as camisas todas. As pessoas passavam orgulhosas nas ruas com bandeiras gigantescas. Os automóveis circularam pela capital baiana como se fosse final de copa do mundo.

O jogo foi meia boca. O time empatou. Não houve gols. Ainda assim, classificou-se para a série B. Trios elétricos aguardavam fora do estádio para carnavalizar o futebol. Mas a lona do circo caiu : a arquibancada desabou e cerca de dez pessoas caíram na rua de uma altura enorme. Seis morreram na hora. Três homens e três mulheres. Mais um morreu no Hospital Geral do Estado. Alguns mais ficaram feridos.

Era preciso ocorrer a tragédia para que houvesse vistoria? Era preciso que o anel superior da arquibancada desabasse para se falar em superlotação? Que teria ocorrido se o time desse uma goleada e houvesse o agito característico da vitória?

Sobe o Bahia, cai o povo.

Lamentável.

Times

Times

Quando o seu time fica empatando eternamente (podendo ganhar), você fica com a ligeira impressão de que foi o ‘tal profissionalismo’ que destruiu o futebol de vez: dinheiro, e não paixão, importa. Estes homens não amam o que fazem, a camisa que vestem, mas suas contas bancárias – salvo as exceções existentes, claro. Portanto…

* – * – * – *

Ah, hummmm … tá ! Os próximos sete anos só se fala em copa do mundo. E viva o monotema!

* – * – * – *

Não vou nem dizer que eu li que a Bahia vai construir um estádio que possivelmente se chamará Arena.

Mais pão e circo.

Não vou nem perguntar para que se temos a Fonte Nova onde cabem mais de 60.000 pessoas (correção necessária: a Fonte Nova precisará ser implodida).

Não vou nem refletir sobre o fato da projeção de no Arena caberem menos de 50.000 .

Não vou nem falar mais nada que o macaco já falou: “nós sofre, mas nós goza”.

Provas

Provas

Nem os professores merecem corrigir tantas provas!  Tenho certeza de que quem pensou na educação e na profissão de professor não fazia contas de quantas turmas teria que ter para ganhar um dinheirinho que desse para o mínimo de sua sobrevivência (ficar rico? Rá). Multiplicadas as provas e a quantidade de páginas, o  volume de trabalho é simplesmente enlouquecedor.

Então é Natal?

Então é Natal?

A gente vai ali distraída dar um passeio no shopping e descobre que as lojas estão enfeitadas para o Natal?

 

E você vê as senhoras comprando que é para não … não o quê? Não o que mesmo? Não der tempo ? Mais de dois meses. O estoque acabar? Em tempos pós revolução industrial e em tempos de made in China não há mais isso. Aproveitar a oferta? Daqui para lá vai haver muito mais oferta porque o Natal vai chegar e os vendedores e as lojas com abarrotados de estoques enormes ficarão loucos para se ver livre da tralha toda.

Gente! Acorda. Que consumo maluco é este? E olha que eu adoro o clima da época do Natal. Mas em pleno outubro ver a neve caindo nas galerias dos centros comerciais é demais.  Daqui a pouco Simone estará ecoando nos ouvidos de todos. Quer queiram, quer não.

Haja!

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Fotos de 19/10/2007 Shopping Salvador : Alena Cairo