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Chico Xavier , o filme

Chico Xavier , o filme

Do filme, me ficou a impressão exata de que faltaram mais fontes, de que o recorte era meio o programa de tv e pronto, pincelado com as memórias de infância e tal. Senti meio superficial, mas, ao mesmo tempo, creio que nãopoderia ser mais profundo. Bastou para o objetivo de levar mais pessoas a conhecerem este homem de luz. Sim, não sou espírita nem católica, cética muitas vezes, mas o percebo mesmo como uma pessoa abençoada.

Sabe as pessoas que transmitem paz? Boas vibrações? Saí do cinema com esta sensação.

* * *

O que mais me deixou comovida, o apelo que me tocou foi realmente a ligação dele com a mãe. Sabe, lembrei da dorzinha eternamente latente ainda que invisível e por  vezes quase por nós mesmos imperceptível, da dorzinha que quem perdeu a mãe sente.

E me deu uma vontaaade de receber uma carta da minha mãe… ai, ai.

Deixa para lá, né?

Internet e soberania

Internet e soberania

 

Falar de Internet e Soberania é lembrar Octavio Ianni e O príncipe eletrônico.

Mudou o paradigma social: o mundo moderno face às evoluções científicas exige a aproximação entre  ciências e humanidades e a linguagem se posiciona como conexão dialógica. Capra defende a teoria da rede, da conexão entre todas as  coisas e Morin hoje ressalta pedagogicamente a importância da religação dos saberes. Não há como se pensar em sociedade contemporãnea, em evolução científica, desprezando parâmetros humanos.

Para Ianni, o novo século propõe uma ruptura histórica acompanhada de uma ruptura epistemológica que consiste no reflexo das revoluções culturais na revolução científica, cabendo às ciências sociais, à filosofia e às artes o papel de reinventar novos horizontes, respondendo às inquietações do terceiro milênio.

A globalização, por outro lado, uniformizou, totalizou e desterritorializou o mundo pelo uso dos meios de comunicação. Uma nova linguagem se instaura. As fronteiras foram quebradas e há um novo panorama com o qual o homem, estupefacto, ainda não sabe lidar. As gerações foram um tanto quanto atropeladas pela contemporaneidade e seus avanços.

O príncipe eletrônico, soberano do mundo moderno, representação do ‘quarto poder’ é uma onipresença virtual, representada pela quebra de fronteiras, multiplicação dos espaços e aceleração dos tempos em todas as direções (Einsten: espaço e tempo são tão relativos mesmo!) em todas as atividades humanas possíveis, do lazer às regulamentações legais da sociedade civil. O ciberespaço, às vezes penso, representa a outra dimensão com  que o homem sonhou na ficção do passado.

A mídia é  hoje o príncipe eletrônico, talvez o grande Leviatã que assombrou Hobbes, não mais o Estado soberano como criação do homem, estado este que perdeu a autonomia estatal face às demandas do mundo globalizado e à subordinação dos países às grandes potências e seus mecanismos de controle da economia mundial e massificação da cultura, criando uma hegemonia de padrões.

O risco desta mídia mundializada é a parcialidade de opinião proporcionadora de um pensamento unificado conforme os interesses das elites que dominam a humanidade. As formas de matar a diversidade são várias: padrões de beleza universais, padrões que falam do melhor do mundo, padrões associados ao modus vivendi do primeiro mundo etc., disseminados pela tv, internet e demais mídias.

Predomina uma nova narrativa na construção da história da humanidade que, inclusive, usa recursos virtuais. A nova linguagem instaura novas possibilidades de construção da história.

O que não sabemos é o quanto ou quando seremos devorados pelo grande leviatã da modernidade. Sucumbiremos ou o ser humano não escapará, mais uma vez, de adaptar-se?

 

 

Livros felizes

Livros felizes

A Lulu polemizou e desabafou a queixa de seus alunos: eles estão cansados de livros tristes. E têm razão. Respondi ao seu post lá no blog dela e resolvi copiar aqui.

O polêmico e, às vezes (leia-se quase sempre), disparatado Diogo Mainardi escreveu um dos melhores textos que li sobre literatura na escola: Os clássicos no chinelo. Ele acusa as escolas de entregar aos adolescentes cheios de espinhas os grandes livros antes do tempo e conseguir fazer com que eles odeiem literatura. E tem razão. Eu sempre comento isso com meus alunos. E, por isso e por causa da idade deles, eu escolho livros felizes para ler em sala. E falo dos porquês de ler um clássico.

A coisa é meio assim: seduzo pela delícia, depois mostro os dramas do mundo. Emociono, faço chorar ou arrepiar. Porque ler é um ato HUMANO. Demasiadamente humano. Como o Lord falou, alguns clássicos são para ser lidos na fase adulta, os pais dele tinham razão quando o ‘proibíram’ de ler Graciliano Ramos (o avô) antes do tempo .
Os adolescentes geralmente são felizes e eu comecei a ensinar cedo (com 17 anos, época em que eu era muito feliz) e percebi esta angústia deles há 15 anos, porque era a minha também. Eu, simplesmente, odiava a Clarice e todos os seus problemas de mulher de 40. Achava-a mal amada. Torcia o nariz. Na época.

As mensagens de esperança eram muito mais interessantes naquela idade, face ao mundo já caótico que eu começava a perceber, como Pollyana, O menino do dedo verde ou mesmo o amor triste, mas lindo de morrer do Portuga e de Zezé em Meu pé de laranja-lima. Sabe que eu não fui do tempo do Vicente Celestino, não o ouvira jamais, não conhecia sua voz, sua obra, mas , muitos anos depois, estava no interior da Bahia e ouvi uma radiola cantando numa casa e, imediatamente, eu soube que era o Vicente? E amei aquela música toda porque eu já a amava há muito pelas letras de Vasconcelos e pelos ouvidos de Zezé.
Um grande (grande em todos os sentidos) livro feliz é O sítio do pica-pau amarelo.
Sempre fui a Emília – até hoje – que faz-de-conta que quando as coisas não são exatamente como eu quero. Eu posso!

Escolho contos felizes. De amor, de amizade, de esperança, de beleza, de aventura, de mistério. Polissêmicos. Trato do superficial e depois entro nas entrelinhas com eles. Geralmente, eles se entusiasmam. E as provas sempre têm que ser com textos lindos de morrer, tipo Menino de ilha de Vinícius.

Outra coisa: literatura é fruição, é prazer e , na adolescência, não se sente prazer com a leitura que objetiva responder a uma prova. Me poupem, professores! Literatura não é assunto de prova, é formação, é fruição, é arte. E perguntar o que Michelangêlo quis dizer com a Pietá é matar a contemplação e as lágrimas que podem surgir ao admirá-la. Pelos livros ou ao vivo em Roma. Ler Machado de Assis para responder a questões de abecêdêé é o fim.

Acabei de derreter todinha ontem  ao ler O conto da ilha desconhecida de Saramago. E é um conto muito lindo. E meus alunos todos, cerca de uns 200, vão ler também. Porque eu o amei.

Adoro Felicidade Clandestina na sala de aula. Do ‘bulling’ ou da crueldade ao amante…
A biblioteca verde de Drummond é um sonho de poema e de amor pela leitura.
A ilha perdida é uma aventura deliciosa para esta idade. Dois amigos e um chato é uma coisa de maravilha de fazer amar a leitura que Stanislaw Ponte Preta inventou. Trabalho Ziraldo em qualquer série, até na faculdade, e Ziraldo é um maluquinho feliz.

Os adolescentes daqui amaram Crônica de uma namorada de Zélia Gattai. Isso ninguém me tira é uma livrinho legal para começar a gostar de ler. Dandara de Janaína Amado é de um erotismo picante para a 8a . Dias Gomes é sensacional em O pagador de Promessas. Adoro os autos de Gil Vicente na sala também. Cinco minutos é levinho… de Alencar. Calvino é fenomenal. O cavaleiro inexistente : muitas palmas aqui!!! Um livro maluco, divertido, inverossímil e completamente humano: os três personagens (Gurdulu, Agilulfo e Rambaldo) são as projeções de um eu tripartido. Impossível porque imperfeito ao extremo. Impossível porque perfeito em demasia. Existente porque humano com as projeções de perfeições e a realidade de imperfeições que nos torna o que somos. Um pouco Agilulfo, um pouco Gurdulu e, certamente, Rambaldo. Ou Bradamante.

Quando eu era adolescente, li a coleção da ática inteirinha e Monteiro Lobato também.

O nosso amor pelos livros acaba contagiando os alunos, mas realmente, crianças e adolescentes não merecem ainda ser moídos pelas mazelas humanas que algumas obras tratam com propriedade indiscutível para nós, adultos. Deixa que o tempo deles da desilusão chegará.  Eles ainda querem ser felizes para sempre. Ainda bem. E, se lerem os livros certos, poderão, quando a vida os massacrar, fechar os olhinhos e apertá-los bastante, fazendo de conta que… ainda vale a pena viver.

Tanto desastre

Tanto desastre

Este blog andou paralisado por demais. É que na hora em que eu estava mais eufórica, com mais vontade de escrever e postar, foi tanto desastre – em especial o da TAM – que me calou por uns tempos até que as coisas assentassem. Sim, porque não agüento mais as notícias e o serviço de DESinformação da talevisão. Tudo ontem foi w, hoje é x, amanhã será z, depois de amanhã será y. É uma enxurrada de opiniões e exposição dos parentes da vítima que mais confundem que informam. Emoção e não razão.

Amanhã, o A vida em palavras voltará ao normal. Andei lendo os livros que ganhei de presente de aniversário e percebendo o quanto de e-mails desinteressantes recebemos.

Estou devendo um ou dois posts ao Lord. Uma carta a MEG. Outra a Anna. Outra a Soll. Pago as dívidas. Esperem. Um pouquinho só.

ACM

ACM

” O tempo leva por diante todas as coisas”

Machiavelli 

 

Antônio Carlos Magalhães morreu. Morte anunciada e esperada. Não me assombrou nem me desesperou nem assustou. A lei da vida é imperativa. A morte chega, até para ele, persona não acostumada a perder.

As palavras perda e ACM não rimam, não combinam, mal dialogam. Hoje a Bahia veste o seu luto e, embora haja um misto de alegria e alívio para os que não o admiravam nem suportavam ou toleravam, é inegável que esta foi, sim, uma morte significativa. O atual governador da Bahia, eleito neste final de mandato e de vida de ACM num prenúncio de que o ‘império’ e a hegemonia dele, ACM, chegavam ao fim, assim como sua vida, disse que haverá uma página na História da Bahia para tratar de ACM. Wagner foi modesto e econômico: uma página é pouco. Nos meus trinta e um anos de vida, pude politicamente perceber os efeitos do carlismo no meu estado e posso assegurar que ACM não é uma página apenas da história da Bahia, mas um livro inteiro, talvez mais de um volume.

” Os homens devem ser mimados ou exterminados, pois se se vingam de ofensas leves, das graves já não podem fazê-lo. Assim, a injúria que se faz deve ser tal, que não se tema a vingança.”

Machiavelli 

Seus mandos e desmandos afetaram a nossa sociedade, a nossa cultura, a nossa economia, a nossa comunicação, a vida na Bahia. “Cabeça branca” era amado ou temido ou odiado, não havia “tanto faz” ao se falar dele. Legou avanços significativos ao nosso estado, especialmente à capital, Salvador, a menina de seus olhos. O interior nem sempre foi lembrado e há muitas cidades esquecidas na nossa geografia que não evoluíram em quase todos os aspectos – de saneamento à saúde ou educação. Mas todo e qualquer dado depreciativo sobre seu governo foi maquiado na imprensa que a ele servia.

Foi mestre em propaganda política, em despertar o amor do povo, este mesmo povo de quem ele tanto precisava para se eleger. Elegeu quem quis aqui na Bahia durante quase todo o período da história. Lançava nomes desconhecidos até então e, em tempo recorde, olha o fulano ou sicrano, ilustre desconhecido, governando a cidade ou o estado.

 

“Quod nihil illi deerat ad regnandum praeter regnum (Que não lhe faltava para ser rei senão um reino)”

Machiavelli 

 

A Bahia, indubitavelmente, foi o seu reino. Por vezes inúmeras, a extensão de seu poder alcançou o cenário nacional. Sua influência foi notória. E Brasília sabe disso. Ouvir sua retórica era admirável e as réplicas que fazia, coisa de mestre. Soube perder todas as batalhas e embates políticos e aqui, nesta ’sua’ Bahia, não pareceu ao povo que tivesse perdido luta alguma, porque nunca o viram senão de cabeça erguida. A imagem inabalável de um rei, como ensinou Machiavelli.

 

“Nada faz estimar tanto um príncipe como os grandes empreendimentos e o dar de si raros exemplos”.

Machiavelli 

 

ACM soube disso. Viabilizou obras faraônicas na Bahia: quando ministro, as telecomunicações por aqui eram avançadíssimas, a telefonia de ponta da época estava em nosso estado; idealizou o novo Centro Administrativo de Salvador, reformou o aeroporto, inaugurou centenas de obras e ‘reinaugurou’ tantas outras, dando às construções de outros governos a nova roupagem que interessava. 

 ACM não passou em branco pela vida. Na Itália, achei num trem que ia de Veneza para Roma uma revista esquecida. Ao folheá-la, deparei-me com uma entrevista que apresentava o singular ‘dono da Bahia’ aos povos do outro hemisfério.

Toinho Malvadeza para os que, conscientes do seu poder ’sem limites’ e de suas manobras políticas, não o aplaudiam. Cabeça branca como metonímia e referência (ou reverência?). ACM, sigla clichê nos diálogos da Bahia e do Brasil. “Rouba, mas faz”, slogan que, surpreendentemente, não era uma depreciação, mas um incentivo a que se continuasse votando nele ou nos seus corregilionários.

 

“É necessário a um príncipe que o povo lhe vote amizade; do contrário, fracassará nas adversidades”

Machiavelli 

Mais ou menos quando eu tinha 18 anos, resolvi ingressar na vida política e resolvi conhecer ACM da forma mais simples: como povo. Fui a um comício realizado numa favela de Brotas. Embora consciente de grande parte de sua trajetória, não pude deixar de chorar ao sentir a emoção da massa alucinada que parecia estar diante de um ídolo. É porque emoção vem em ondas e nos atinge desavisados que estamos. Neste dia, ganhei uma rosa dele. Uma mulher enlouquecida a tomou de minha  mão. Ele viu. Beijou outra rosa, piscou o olho e pediu a um dos seguranças que descesse do palanque e ma entregasse em mãos. Assim eu conheci a sua força no meio do povo. Confesso que fiquei impressionada com a figura forte deste homem que distribuía rosas, guardando os espinhos para o momento oportuno.

 

“Assim, é necessário a um príncipe, para poder se manter, que aprenda a poder ser mau e que se valha ou deixe de valer-se disso segundo a necessidade.”O desejo de conquistar é coisa verdadeiramente natural e ordinária e os homens que podem fazê-lo serão sempre louvados e não censurados.”

Machiavelli

Tirano, déspota, salvador da pátria, herói (o povo se divide). Não o aplaudo, mas tiro o chapéu por saber o quanto ele foi FORTE, o quanto a sua força política afetou o estado, a política. Li Machiavelli, curiosa, quando descobri que era seu livro preferido. A leitura me impulsionou na vida. Aprendi estratégia e plano de vitória epude ver o quanto o prefeito-governador-senador-ministro-todo-poderoso Antônio Carlos Magalhães sabia aplicar as premissas de O Príncipe.

ACM ou Antônio Carlos Magalhães foi uma personalidade ímpar. Isso não há como negar. E nem que a Bahia viverá, a partir de sua morte,  um novo tempo. Melhor ou pior só o futuro dirá.

“O desejo de conquistar é coisa verdadeiramente natural e ordinária e os homens que podem fazê-lo serão sempre louvados e não censurados.”

Machiavelli

Serão?

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Fonte da imagem: doisdedosdeprosa.wordpress.com

Programa fútil

Programa fútil

Ahahaha… teve gente que aventou as hipóteses mais culturais possíveis… Até e-mail eu recebi. Ontem, simplesmente, fui passar uma horinha do meu dia na inauguração do shopping Salvador. Honestamente? Nem fedeu nem cheirou. Corredores de lojas similares a todas as demais dos outros centros comerciais com produtos já conhecidíssimos dos consumidores. Zero novidade.

Multidão de alucinados ensandecidos por descontos de 10 reais em lojas de eletrodomésticos. As pessoas se empurravam e se acotovelavam. Os estabelecimentos fecharam as portas e colocaram seguranças para evitar os arrastões (como o que houve na propagadíssima inauguração do primeiro supermercado da rede G. Barbosa em Salvador).

Um som ensurdecedor na praça central amplificava o que a orquestra tocava e poluia infelizmente o ambiente. As lojas âncoras seguiram o mesmo pressuposto de que música animada estimula o consumo. Só lhes esqueceram de dizer que o volume também afasta os consumidores.

Gastei R$1,50 em uma água com gás e saí de lá menos de uma hora depois para um japonês delícia na av. Paulo VI. Eu, hein?! Quero mais é ser feliz.

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P.S.: Não parece época de Natal ? Adoro quando saio da minha rotina de correções e constato quanta gente não tem o que fazer a bater perna durante as tardes.

 

Mudanças na língua

Mudanças na língua

O nosso alfabeto passará a ter 26 letras quando entrar em vigor a Unificação da Língua Portuguesa até o final do ano. O acordo ortográfico da L. P. atingirá os países lusófonos Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Haverá um período de transição para as ratificações no idioma, revisão e reimpressão de livros, gramáticas, dicionários etc. Em Portugal, 1,6% do vocabulário será modificado enquanto no Brasil cerca de 0,45%. As pronúncias típicas de cada país não se alterarão obviamente porque a fala é soberana e como ela é que consagra o uso, pode demorar muito para que a população incorpore as mudanças, se é que as incorporará.

No Brasil, por exemplo, se considerarmos a falta de uso corrente do trema, a sua extinção não fará lá muita diferença para a massa que já não o emprega. Apenas uma pequena parcela da população ainda está atenta a ele. O acento em vogais dobradas como em vôo e lêem fará mais falta, mas também se considerarmos a tendência consagrada pelo uso dos PC’s pelos jovens, a falta do acento atingirá apenas a população mais velha ou conservadora.

Se Portugal sentirá a falta do h de húmido e do c e p mudo de acto e baptismo, por exemplo, cá nas nossas terras nada se alterará porque já são mudanças estabelecidas há muito.

Acentos de ditongos também desaparecerão como o de assembléia, mas também creio que não vão lá fazer muita falta neste mundo que já não acentua mesmo muitas palavras.

Já estava mais do que na hora de entender que k, w e y fazem parte do nosso cotidiano, especialmente por causa do uso freqüente da língua inglesa.

Por outro lado, o interessante é, para mim, pensar nas prateleiras de livros com escrita arcaica que terei a partir da entrada em vigor do acordo que espera desde 1990 a assinatura de todos os países. Que venha o futuro então! Eu já faço mesmo parte do século ( e do milênio!) passado.

* * *

Leia mais aqui: http://www.brasilportugal.org.br/nacional/content.php?sec=300&ctg=noticias

F a c u l d a d e d a Felic IDADE

F a c u l d a d e d a Felic IDADE

Assim eu li na traseira do ônibus no bem apregoado busdoor: F a c u l d a d e  d a  F e l i c i d a d e.

O slogan diz: On de ser fe liz é u ma con quis ta da me lhor i dade.

Achei interessante a proposta e fiquei imaginando os velhinhos como minha avó para quem a  vida já perdeu o sabor há muito… Seria uma renovação geral de propósitos, um estímulo, uma injeção de qualidade de vida, alegria, amizades.

Até então, tudo bem, tudo muito interessante… Mas me intrigaram os ‘modelos’ da propaganda. A faculdade  fica aqui no Rio Vermelho em Salvador, nesta Bahia tão negra que conhecemos. Estes alunos virão dos países nórdicos para cá? Ou é mais um deslize dos publicitários que julgaram que a classe que ainda pode pagar por estudos e atividades nesta idade é ‘branca‘ (44% da população de Salvador vive abaixo da linha da pobreza)? É um caso (re)’velado’ de preconceito? Deslize? Banco de imagens?

Cultura e Pensamento 2007

Cultura e Pensamento 2007

Segunda-feira, às 19h40, na Reitoria da UFBa, ocorreu o lançamento do Programa Cultura e Pensamento 2007 . Estavam presentes no evento o ministro da Cultura Gilberto Gil, o secretário de Cultura da Bahia Márcio Meirelles, o reitor da Universidade Federal Naomar Almeida Filho, o secretário do MinC Alfredo Manevy e Rosemberg Pinto da Petrobrás.

 
 

No momento em que a cerimônia de abertura acontecia, os índios pataxós invadiram o salão nobre e entoaram um canto em protesto, dançando em círculos num ritmo interessante. Afora o espetáculo em si, foi inoportuna a intervenção. Alegavam não ter sido convidados, fato improcedente uma vez que foi um evento de participação pública e amplamente divulgado, do qual qualquer um poderia participar. Por sinal, mais da metade das cadeiras estvam vagas e, após o protesto, os índios em massa se retiraram. Por que não ficaram, ocupando mais alguns dos lugares disponíveis?

Um modelo

Um modelo

Sem gracice tamanha nunca vi. Assino alguns jornais on-line e recebo por e-mail notícias. Resolvi ontem e hoje gastar uns minutos lendo a ‘famosa cultura inútil’.

Não. Não adianta. Não consigo perceber a relevância de Marcello Novaes  sair com Fani e passar a mão em sua coxa ou não. E daí? Não são pessoas? Isso ser notícia para mim significa dar muita importância ao que não tem.

Continuo lendo o jornal do link que veio parar no meu e-mail e descubro uma tal de Bombom. Mulher com nome de iguaria é para ser objeto de desejo como comida mesmo? O detalhe é que a fulana musculosa, nada feminina por sinal com tantos músculos à mostra, declara só comer ovo e batata com SUPLEMENTOS alimentares. Isso mesmo que você leu.

Uma pessoa que é considerada desejada no nosso país, que impõe um suposto padrão de beleza e ainda apresenta um programa que eu não sei sobre o que é, mas que parece que tem IBOPE bom, declara se alimentar de quase nada para manter a forma.

Com tantas possibilidades alimentícias (vamos lembrar o brócolis, o inhame, a picanha, a paella, o camarão e sei lá mais o que, até o acarajé, a tapioca, o biscoito…), uma mídia tirana quer me convencer de que, para manter um corpo “desejado” conforme o padrão imposto (pelos outros), nós, mulheres, além de malhar todos os dias vamos nos alimentar de ovos e batatas? Ah, desculpem. Esqueci-me das pílulas de sobremesa. Ou serão a entrada?

Nestas horas, agradeço ser ANORMAL e estar fora do padrão. 

***
Ah, esta moça é mesmo um modelo. Daquilo que quem quiser viver bem não deve fazer. Estou louca ou a mídia deveria ser mais criteriosa?  

Por que eu não gosto de ver tv

Por que eu não gosto de ver tv

Posso admitir que não gosto de ver tv. Posso proclamar que não gosto de ver tv. Leio os jornais, leio as revistas, mas não gosto de ver tv.

Na semana que passou, ociosa em casa, resolvi ligar o Jornal Nacional e descobri,  mais uma vez, porque não gosto de ver tv. Era a semana do crime que matou o menino João Hélio no Rio de Janeiro. Estarrecida com a apurada crueldade da cena, desliguei a tv assim que Fátima terminou a notícia. O caso precisava de maturação na minha mente, assim como quando leio. Não dava para saber de um fato bárbaro como aquele e, simplesmente, achar graça da propaganda de camisinhas feita pelo governo para o carnaval ou vibrar com a nova skol, sol, schin ou qualquer outra ‘cerva’ mais, desejar a nova coca-cola, ver as mulatas nuas do RJ comercializando a idéia de paraíso nudista que é o Brasil lá fora e banalizando a mulher aqui dentro especialmente. Não. O sorriso da Globeleza não combinava com a cena que eu acabara de ver.

Precisei, como quando leio, me afastar um pouco do assunto para maturá-lo. Precisei digerir, sentir náuseas, vomitar, engolir e ruminar por horas e mesmo pelos dias subseqüentes.

Se a tv tem a qualidade e a diversidade da imagem que tanto encanta, paradoxalmente é este também o seu maior defeito. Porque distrai. Desfoca.

Esperei um tempo passar.  Li a reportagem emotiva e indignada que noticia o fato na Veja.  Li o artigo daquele Mainardi que se revolta por tudo. Ouvi. Pensei. Refleti.

Não é preciso criar novas leis. É preciso educação, saúde, comida, água, conforto e tênis nike(!?). Isso é lugar-comum. Isso todo mundo sabe.

Mas, vivendo no país do jeitinho, só consigo pensar que é preciso maior rigor, maior fiscalização, mais ética profissional e punição sim, à bandidagem. Não dá para saber que um bandido, marginal, mesmo sem os privilégios do colarinho, entrou e saiu da cadeia seis vezes e mais sete poderá entrar e sair.  

Não premeditaram, não fizeram porque ‘quiseram’, não creio. Mas o que importa é que eles não pararam, não pensaram. Encegueirados pela mola do crime, impulsionados pela impunidade a que cheira o país, seguiram impiedosamente em seu propósito. Assim banalizaram a minha, a sua, a de João e sua família e a própria vida deles, que  já não vale nada mesmo. Pouco caso, descaso. Em troca de um som ou um tênis ou um notebook ou uma corrente de ouro: uma família, um povo e um país chocados pela barbárie.

Sem pena, mais punição e rigor!

Cegueira

Cegueira

Por que será que as pessoas que mais falam em religião são as que menos professam os seus preceitos? Que eu saiba, a maioria das religiões professa os mesmos valores: tolerância, perdão, compaixão, amizade, AMOR. Então não é um paradoxo que haja tanto ‘ministro de deus e do espírito” INCAPAZ de ao menos ouvir o outro?

São sempre cheios de certezas e a certeza é um absolutismo que leva à intolerância. O dogma das razões religiosas conduz à soberba. Os que se acham certos, os que se consideram infalíveis… Os donos da verdade e da ‘palavra’.

As pessoas que geralmente vivem a falar em deus ( aquele lá que colocam com letra maiúscula e tudo, senão é “desrespeito”) são as menos propensas, muitas vezes , ao Amor. Tem até uma religião que fala que deus é amor. Mas AMOR pressupõe tolerância, perdão, compaixão, amizade.

Se Deus existir, creio que reprova o egoísmo. A intolerância. A grosseria. A estupidez. O espezinhamento do outro. O sadismo.

Encontrei pela vida umas pessoas boas. Elas tinham amor no coração. Delicadeza nos gestos. Compreensão nas atitudes. Paciência como virtude. E sabiam ouvir, com os olhos e os ouvidos.

Eu não acredito em religião. Para ser sincera, gosto das mais tribais, panteístas. E faço delas uma miscelânea: um pouco de cada ensinamento.

Eu acredito é nas pessoas. E sei que há boas e más pessoas no mundo. Não da forma assim, divididinha, os bons de um lado e os maus de outro. Creio que há bondade e maldade em todos nós. Mas sei que somos dotados de passionalidade, impulso e razão. Por isso, alguns conduzem melhor sua vida.

A minha máxima “religiosa” li em A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera, quando eu tinha 14 ou 18 anos : “Toda paixão pelo extremismo é um desejo de morte disfarçado.”

Cansada de notícias

Cansada de notícias

Ontem me obriguei a ter uma  vida saudável. Isso inclui desligar o computador. Prometi a mim mesma que só o religaria hoje à noite. Quebrei a promessa antes do tempo. Como não sou adepta da televisão, fico alienada até abrir o jornal de SP ou ligar o pc. Acontece que, em tempos modernos, é quase impossível estar alienada. Minha amiga me ligou umas três vezes nesta manhã. Quando, finalmente, conseguiu falar comigo, me contou sobre a queda do avião da Gol. Meu Deus!  Eu não sabia de nada. Sem ver tv desde ontem e com o pc desligado, nada sabia.

Fui conferir a lista on line de passageiros, nenhum conhecido. Mas isso não nos impede de sentir a impotência da frágil vida humana ao perceber o quanto tudo pode acabar agorinha mesmo. A gente acorda viva e não sabe se assim continuará até o amanhã.

De repente, pode até haver culpa da companhia, ou não, mas agora, agora, não creio ser isso o importante. Há que se averiguar ainda a causa, não quero especular.

O que  me deixa sempre a pensar é a instataneidade da morte. Pá. De repente, pronto, não estamos mais vivos. Seja ataque cardíaco, bala perdida, aneurisma cerebral, câncer, febre, virose, acidente de carro, ônibus, trem, avião , navio… Um segundo e já não estamos mais vivos.

É por isso que os sábios disseram: carpe diem. É só isso.

Mãe assassina bebês

Mãe assassina bebês

O que leva uma mãe de 23 anos a matar envenenadas suas filhas gêmeas de 8 meses? A declaração da genitora à polícia, segundo a Folha, justifica o crime como vingança contra o pai que a abandonara há cerca de um ano.

Há que se fazer conjecturas… mas não penso ser amor jamais o motivo desta barbárie. Mata-se por desespero, por desolação, por ódio, por raiva, por falta de amor próprio, por depressão…

Não sou mãe, mas basta ser humana para ficar indignada pelo torpe envenenamento. Penso mais: a mãe deixou com uma babá as crianças e foi trabalhar em casa de família na Barra da Tijuca. Se foi capaz de envenenar suas filhas indefesas, bebês ainda, de que mais seria capaz esta mulher? Talvez jamais cometesse ato criminoso contra a sociedade, contra seu patrão, contra os cidadãos comuns… Talvez o ódio, o desprezo, a baixa auto-estima a tenham levado à insanidade assassina.  Não sabemos o que este ex lhe fez de tão grave ou desesperador que tenha despertado nela as piores revoltas, a ponto de destruir suas filhas como suposto castigo àquele que as gerou. Talvez o simples abandono. A desistência de querê-la. O desinteresse tão comum a tantos casais. A mente humana tem lá seus mistérios.

Podemos como leigos apenas entender uma coisa: o ser humano é capaz. De tudo.  Cada um tem freios inibitórios diferentes dos demais humanos. Não sabemos quais os limites do outro. Portanto, respeito sempre cabe.

Daniela Cicarelli, You tube e Indecência

Daniela Cicarelli, You tube e Indecência

Post de 20 de setembro de 2006. Novo post sobre a decisão absurda de retirar o You tube do ar.

Economizem-me os puritanos de plantão. Se o são, não vejam o vídeo. A modelo Cicarelli aparece na praia espanhola de Cádiz, belíssima – tanto a praia quanto Daniela, em um grande amasso com o namorado que termina com um affair mais ousado no mar, pelo visto, com penetração … enfim, uma transa, cópula, ato sexual e animal. E humano, posto que animais somos. 

Ora, a julgar pelos comentários que li, que a consideram uma vadia, vagabunda e outros tantos adjetivos do gênero (basta verificar os chats e blogs), parece que a modelo e o namorado fizeram algo tão absurdo que beira o sobrenatural.

Qual a moça, namorada, com a mesma idade, mais nova ou mais velha, que não  desejou  fazer  sexo  na   praia, ou amor, se preferirem os que precisam do eufemismo ? Quem não teve a oportunidade de dar uns amassos em seu namorado(a) e não aproveitou a libido que o sol e o mar despertam         na  doce cadência das ~~~~ ondas ~~~~ ,                     tão cantada pelos poetas? Quem não fez sexo na praia, ou amor, desejou fazer ou fará, se puder.

Fico a pensar nos absurdos masculinos que ouvi … adolescentes ávidos pelo sexo disponibilizado gratuitamente na rede e ‘machos’ de plantão a apedrejar Daniela Cicarelli com os impropérios mais absurdos… Femininas línguas venenosas completam o coro. Não sou fã da apresentadora, não tenho afetos nem simpatias por ela. Daí a meu queixo cair porque um casal namora na praia… há uma enorme distância.

A ocasião desperta em mim outras indagações. Em tempos de Big Brother, câmeras em elevadores, locais públicos, celulares que gravam e fotografam ou filmam… janelas indiscretas vigiadas por um vizinho voyeur, sabemos não ter mesmo mais privacidade alguma. Aparentemente anônimos ou assim se acreditando, Tato e Daniela desfrutaram da paixão e tesão que sentiam um pelo outro, supostamente protegidos por oceanos e continentes de distância. Não procede a acusação dela expor-se a fim de buscar mais fama. Se assim fosse, namoraria no Guarujá. Seria mais rapidamente reconhecida.

A modernidade fez as comunicações evoluírem a tal ponto que não se pode mais falar em intimidade ou privacidade. Se eles quisessem sexo explícito, teriam feito na praia, à vista de todos. O simples entrar no mar revela um pudor social que, como lembra Rubem Fonseca em Intestino Grosso, nos faz envergonharmo-nos de toda e qualquer condição que nos lembre que somos animais, como as funções sexuais e excretoras. Não se pode ver alguém em condições ‘mais íntimas’ que um grande assombro toma conta das almas desocupadas e desperta a maledicência ferina que os castos difamadores destilam com prazer. A Cicarelli, se realmente foi ela a moça do vídeo, caberia bem a frase-defesa diante do júri que a espezinha:  E daí?

O ‘escândalo’ que o vídeo causou e o furor no you tube, que retirou o filme do ar por violar as normas do site ( não podem conter cenas de sexo os vídeos veiculados), revelam uma sociedade presa a fofocas e fuxicos herdados em anos de lavagem cerebral de uma imposição religiosa que insiste em transformar as mulheres em ‘virgens’ e os homens em fidedignos animais racionais, sem libido, sexualmente ativos apenas para a reprodução.

Honestamente, indecente foi terem filmado o casal com modernas câmeras equipadas com zoom, sem o consentimento de qualquer das partes.

Jogos de amor

Jogos de amor

Há horas na vida em que a gente não tem paciência para certas questões. Entender hoje, para mim, que é necessário fazer de conta que se está feliz para o namorado que mora longe gostar mais ou sentir ciúmes (duas meninas conversavam sobre isso no elevador)…

A gente sabe que esta é a lógica que funciona para muitos. Parece que o ser humano continua com o costume (mau) de dar valor ao que perde ou ao que está com a estabilidade ameaçada.

Sei não. Eu não funciono assim. Gosto de segurança, de saber com quem lido e odeio joguinhos de entrelinhas que só servem para aumentar o inferno, o ciúme e a desconfiança nas relações.

Ao menos por enquanto, estou fora!

Eu não acho

Eu não acho

Caetano andou dizendo que existem músicas demais no mundo. Discordo. Ando cansada das mesmas. 

Não consigo ouvir na rádio uma que preste. As novelas há mais de dez anos repetem e repetem e repetem (as do Manoel Carlos são campeãs em replay dos temas de abertura). Procuro novos discos bons, não acho (aceito sugestões). Pagode e axé só fazem dar uma (má) letra às melodias de sempre (um ou outro consegue boa música, a maior parte cai no esquecimento). Os shows a que vamos repetem e repetem e repetem as mesmas canções antigas. Lançam apenas uma ou duas que com sorte podem emplacar. Já ouvi música grega, árabe e maori. Interessantes, mas não para toda hora. A música brasileira é excelente e diversa. Mas falta novidade.

O que é ser jornalista?

O que é ser jornalista?

Uma aluna minha me enviou um link da página do Digestivo Cultural, onde foi publicado um texto de Marcelo Maroldi sobre O que é ser jornalista.

Ao que percebi, é uma resenha superficial ou incompleta do livro do Noblat.

Não vejo que seja só o glamour que aproxima os jovens da profissão de jornalistas , até porque muitos sabem que vão penar até conseguir algum prestígio, se conseguirem.

Subentende-se da leitura que o Marcelo sugere que só filhos de jornalistas deveriam ser jornalistas? Ora, antigamente, filhos de ferreiro mantinham-se ferreiros… de médicos, também. Isso há muito mudou e o ensino possibilita certa mobilidadde profissional. Não tenho que seguir a carreira de meu pai ou de minha mãe. Até porque não há garantias de que eu saiba ou goste de fazer o que eles, os pais,  fazem.  Muita frustração e insucesso se perpetuava por causa desta pseudo-obrigação de ser o que o pai fôra. 

Argumento dele sobre o aumento de vagas nos cursos de jornalismo por causa do glamour da profissão (questionável) : poderia vir acompanhado do argumento de que vagas aumentaram para todos os cursos, não só o de jornalismo, é a tendência nacional da expansão do ensino privado.

Vale ler o texto apenas como uma resenha superficial do livro do Noblat, mas superficial mesmo. Comentários ao texto acabaram sendo mais complementares.

Covardia

Covardia

Fui conhecer um blog  hoje e achei um texto de que ouso transcrever trechos:

Tenho uma relutância figadal aos fins.
Recuso-me a pôr uma pedra no mal-resolvido.
Adio as decisões na esperança de que se revelem injustas.

(…) 

Já todos tivémos despedidas inglórias – sentimo-nos uma peça de contrafacção em forma de gente.
Mas o que eu não sabia é que há despedidas por e-mail, messenger e até sms.
É a ‘p—” da tecnologia a canabalizar os sentimentos.
Dá vontade de fugir daqui. “

Isso estava lá, no post do Woman Like You. 

Debalde eu já tentei me comunicar com uma figura que ia ser o meu amor para sempre e que , depois de resolver não querer mais, não se deu ao trabalho sequer de olhar-me nos olhos ao se despedir.

Assim, a última grande mágoa com que tive que aprender a lidar foi um adeus pelo telefone, um e-mail escrito “delete-me”, um eterno eu não atendo mais você. É muito absurdo o imperativo tecnológico: engoliu as pessoas. 

À época, escrevi ao fulano um e-mail gigante que começava assim: “Não se deletam pessoas.”

Reli agora o tal do e-mail que mandei e … nossa, acho que vou participar do Mulheres que Amam Demais (risos). Em breve, vou inaugurar de verdade a categoria Love End no blog. Os amores idos e bem vividos. E as lágrimas choradas. E bem sentidas.

De novo, posso confessar que vivi.

Quem pergunta quer resposta

Quem pergunta quer resposta

A Sol, menina de Brasília, leu meu post anterior e perguntou nos comentários enfaticamente: Gente, qual é a comida típica de Brasília?

Ô , Sol, você não lê, não? Dá na Óia, na Foia, no Grobo, naquela Época… em tudo quanto é lugar. A comida típica de Brasília é uma roubada: PIZZA!

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O Evil andou lendo a Reuters. Ele postou:

” Pois então a Reuters informa que uma galinha, lá no Casaquistão, pôs um ovo que teria “Alá” escrito em árabe na casca.

Para um certo alívio de todas as batatas com o rosto de Maria, vê-se que a estupidez é claramente universal e ecumênica.”

Eu respondi a ele:

“Evil, faz parte do diabo ser cético com as coisas de Deus. Você não entende nada de santidade, meu querido.

Alá, cansado da humanidade, resolveu mandar o Enviado, o Messias, em forma de pinto, já que o cérebro não pensa muito…

Será um deus fálico. Deus Pinto Todo Poderoso.

Celebrity!

Já houve um prenúncio deste ovo abençoado: o Padre Pinto da Bahia.”

Íssima…

Íssima…

Sempre achei que Salvador continuava uma província, mas depois dos últimos capítulos…

Fui a uma pizzaria sexta à noite e o povo agora está aproveitando o telão da copa para passar a novela da globo. Ui! Só por isso assisti a um capítulo.

Bom, Santorini vale, vale, vale.

Tony cabelo já encheu há anos, Glória já cansou com carinha de biscoito de mel bonzinho. Um monte de gente ruim eu nem sei quem é, o enredo não me fez falta ao que ouvi dos transeuntes empolgados em recapitular a história sem pé nem cabeça.

Uma ingênua mulher (eufemismo) considerou seriamente que a novela foi E-X-C-E-L-E-N-T-E porque tratou de temas variados. Já disseram a ela que existe jornal? E revista? Faculdade nem pensar… Não vou nem parar para discutir a funcionalidade destas abordagens noveleiras que ao primeiro indício negativo do IBOPE explodem as lésbicas no shopping ou cortam o beijo gay ou fazem todo o prédio da Capitu achar normalíssimo ela ser puta para sustentar os pais e o filhinho, sem um pinguinho sequer de preconceito aparente.

Ainda assim, a novela tem lá suas vantagens , dirão os aficcionados de plantão. Dão ótimas sátiras, mantêm o Casseta no ar e … podem nos presentear com o Reinaldo da Gabi que vale qualquer noite e qualquer tela. Mas o que não tem preço mesmo é ver a Fernanda plastificadíssima e belíssima (é por causa dela o nome da novela?) beijando o gatinho de cueca. Amei. Vou mudar meu sobrenome para Falcão.

Brasil X Japão: melhores momentos

Brasil X Japão: melhores momentos

Joguim chinfrim : difícil mesmo ver a emoção que o Chatão Bueno queria forçar para que acreditássemos existir. O primeiro gol me deixou felicíssima. Juro. Acho burro todo mundo que subestima o adversário.  Meio  aquela história da corrida entre o coelho e a tartaruga.

Ui! Comemos 15 litros de amendoim e tomamos todas as cervejas do freezer. Excelente ! Aqui tinha pastéis também…

Bom dar risada ao perceber mais uma vez que nós  temos um coach Parreira:http://adsl.sapo.pt/images/acesso/dialup/prepago/acesso/sapo_bk_tr.gif 

Outra da copa maravilhosa: minha afilhada de sete anos perceber que sempre o Ronaldinho passa a língua na boca na hora de cantar o Índio do Brasil: Ouviram do Ipiranga…

Mais uma: o nome dos jogadores da seleção japonesa: Takahara e Doi.

Outra: o comentário do Chatão Bueno sobre o cabelo pintado do jogador japonês loiro…

Pensar que eu gostaria de estar na Alemanha e que quando eu visse os Alimões eu faria uma bela caipiroska com eles!

Mais uma: Zico é técnico do Japão e estava comemorando o gol do nosso adversário, felicíssimo… hum , a  gente torce é para o dinheiro. Em qual país eu na$ci me$mo?

Outra: minha amiga me perguntou o que é que fazia os Ronaldinhos na tv parecerem até bonitos? Eu lhe respondi: o dinheiro $$$

Ainda tem: aos trinta e seis minutos, a Globo publicou os "Shots" a Gol : 1 Japão e 5 Brasil. Chorei de rir. O único chute do Japão já tinha rendido um Gol.

Mais: Na rádio, um concurso. Um país cuja sílaba seja comestível. Resposta do ouvinte: Cuba! Ao que o locutor diz: é , tá certo, tá certo… mas era para ser Japão.

Mas mesmo diante de tanta matéria para escrever, nada , mas nada mesmo, foi melhor do que ver minha afilhada entrar aqui em casa de anteninha verde e amarela. Impagável.

Já chega!

Já chega!

Não sou nenhuma católica apostólica romana, sou soteropolitana, sou baiana , sou de Salvador. Afff! Como se diz…

Não estou para defender a "santa igreja", mas essa conversa já extrapolou. Vi anteontem o vídeo do Pinto na boate Gay de Salvador, OFF. Hoje, recebi via e-mail três fotos do dito cujo dançando e esbaldando-se. Nada contra, acho ótimo, na verdade, que bom que é curtir  e também escandalizar, ser livre, feliz, gargalhar, sambar e rodopiar.

A pessoa Pinto, contudo, talvez não fosse sequer um pouquinho interessante e me parece que soube usar bema condição de estar na igreja como padre para celebrizar-se. Vejo a fantasiosa síndrome de Darlene, para os mais intelectuais, o darlenismo. 

O homem Pinto era padre, foi padre, exerceu a sua "padrinitude" . Daí a persistirem em dizer que o tal que esteve no Jô, na OFF e etc, é Padre Pinto, me economizem. Já chega. Se ele foi padre, deixou de sê-lo. O que faz hoje não se relaciona ao sacerdócio, então não mais é padre.

O prazer que muitos têm demonstrado em dizer de boca cheia Padre Pinto parece revelar a vontade de açoitar a igreja que tanto oprimiu ao longo da história. Se há padres pedófilos, se há padres atores, se há padres pintos… não significa que todos o sejam. Abaixo o estereótipo, inclusive o de padre santo. Há fatos que merecem profunda análise na gestão mundial do catolicismo, merecem críticas severas, merecem que repensemos os papéis, principalmente os dos religiosos na vida do povo, mas daí a açoitar a igreja por aquele Pinto ser padre, é uma outra questão.

E se o homem é Pinto, que seja. Mas padre ele não é. Ou não está sendo agora.

Se o Pinto dominou o homem que era padre, que seja Pinto, não seja o padre Pinto.

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P.S.: Por que eu tenho lido Padre Pinto ? Se padre é um substantivo comum, não deve ser grafado com letra minúscula? Ou estou mais uma vez alienada e o nome próprio dele, o que consta no R.G., é Padre Pinto de tal?

Manhã mais triste

Manhã mais triste

Não pude deixar de dar a nota.

Sim , eu estou cansada, eu estou estressada, eu estou sobrecarregada de trabalho. Sim, eu marquei aula no Pelourinho hoje com quase 30 alunos; sim, eu cheguei tarde de madrugada; sim, eu acordei cedo e fui.

Ouvia a Band News quase automaticamente no rádio enquanto pensava que diacho eu invento tanto coisa… Aí fui surpreendida pelo resumo das notícias matinais. Entre vários índices e coisas importantes e tal, só uma eu realmente ouvi… Bussunda, humorista do Casseta & Planeta Urgente, morreu hoje na Alemanha, em Munique, de um ataque cardíaco fulminante.

Confesso que fiquei esperando a piada

Estacionei o carro, ouvi atenta 20 minutos mais… desci do carro, fui trabalhar, mas não achei graça nenhuma.

Prova de matemática

Prova de matemática

Hoje eu tomava conta da prova de matemática na escola. Fiscalizava uma turminha de 5a e 6a séries.  Uma das questões da 5a série pedia aos alunos que resolvessem:

2 + { [ 58 - ( 52 + √64 - 120 : 60) ] : √81 } =

Vamos à resolução :

2 + { [ 58 - ( 25 + 8 - 120 : 60) ] : 9 } =

2 + { [ 58 - ( 33 - 120 : 60) ] : 9 } =

2 + { [ 58 - ( 33  - 2 ) ] : 9 } =

2 + { [ 58 - 31 ] : 9 } =

2 + { 27 : 9 } =

2 + 3 =

5

O melhor do dia ficou por conta do comentário da aluna de 12 anos ao entregar a prova: 

- Já viu, pró? Pedem à gente para fazer uma conta destas só para achar o número 5…

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Tô rindo até agora. :D

Croácia

Croácia

Ano passado, estive em Dubrovnik, Croácia. Gente, em primeiro lugar, adolescente que eu fui na década de 80/90, só de ouvir falar em croatas eu – burramente – pensava apenas em guerra, conflito, confusão e tal, como se nada de maravilhoso, rico, positivo ou bom pudesse haver nestes sítios.. Aí fico pensando, quando vi QUE PAÍS LINDO QUE É A CROÁCIA, no quanto a escola e a imprensa às vezes contribuem para nossa ignorância cultural e nossa cegueira que acredita em estereótipos ( na vida adulta, consegui escapar destes famigerados estereótipos). Tudo bem que eu não estudei na era do PC, mas hoje dou aulas e percebo que, infelizmente, não são todos os professores que investem em ampliar o universo da sala de aula, explorando, ao menos inicialmente, as outras ferramentas de que dispomos.

Ensino a meus alunos, sempre, mais do que conteúdos, a assumirem uma postura de curiosidade e questionamento diante da vida, das coisas, do conhecimento. Amo os livros e ensino a turminha a respeitá-los, a gostar deles, a manuseá-los. Mas não limito minha aula a um livro didático ou um módulo de apostilas. Na faculdade, turmas, que não liam, leram dois livros neste semestre, até três, a depender do curso. Na 5a série, conseguimos ler 24 contos de fada nesta unidade e mais 28 lendas, fora os textos de outro gênero que circularam em classe e em casa. Estou vendo a minha turma de terceiro ano começando a saber o quanto literatura é gostoso, o quanto do homem transmite… e,  principalmente, o quanto eles podem aprofundar, visitar, descobrir, perceber através de outras fontes que não o livro didático e o prof. Quando a gente ama CONHECER, dá o maior barato estudar, é fantástico navegar na net, folhear e ler revistas, jornais… para não falar do quanto precisamos conhecer da arte. 

Hoje, fui dar aula com o mapa da Croácia, convidei os alunos a pesquisar sobre este outro país, que hoje é adversário na Copa. Contei o que vi por lá, o quanto é bom conhecer outra cultura. Ah, de quebra, ainda descobri que um garoto havia visitado outras cidades croatas e pedi-lhe que contasse à turma a experiência.

Dubrovnik. Foto de Pierre Sousa Lima. Site : http://pierre.inazores.com/fotos2005_mais.htm 

 Foto de Pierre Sousa Lima: http://pierre.inazores.com/fotos2005_mais.htm

Se a Copa é competição, que seja um ensejo para mais descobrir.

Agora, por exemplo, convoco um brinde à Croácia.

 Copinhos que eu trouxe de Dubrovnik

Uma mulher já HEXAsperada

Uma mulher já HEXAsperada

Honestamente, Frida Helê?
Estou enjoada de ver o verde amarelo em pães, prendedores de cabelo, baldes de lixo, sacolas de supermercado, bandeirolas na rua, convites de aniversário de criança, sucos, carros lançados, maquiagem, esmaltes no salão, surpresinhas de casamento (até lembrança, creia!) …  Se abrirem a barriguinha do brasileiro no IML, vão achar seus órgãos decorados para a copa: um pulmão verde – desejoso de ar puro, outro amarelo – de catarro? O estômago azul – mas de fome. Os olhos estarão amarelos- de icterícia? (kkkkkkkk… viajei na besteira agora)

Aqui na Bahia, as casas de decoração pintaram paredes de sala de verde ou amarelo, contrastando com sofá verde-amarelo-azul, criaram puffs em formato de bola de futebol. Fora as tacinhas de sobremesa da Coza, as bandejas, os copos, os pratos, guardanapos, as luminárias e etc etc etc.

As criancinhas cantam versões ufanistas de canções conhecidas  nas escolinhas decoradinhas de verde-amarelinho … arght arght arght arght!
Quero ver se vão enterrar os mortos decorados para a copa em caixões verdes ou azuis com estrelinhas e se vão nascer bebês com nomes Copalino, Hequiça de Queiroz, AlHEXAndre e tal… Ui!

Se a moda pega, só se comerá canjica ou curau, milho verde, polenta, farofa amarelinha, saladas de folhas,  azeitona… Para beber, suco de umbu, cajá, maracujá ou água dos cocos verdinhos. Talvez assim a coca-cola tenha um preju – isso se ela não lançar o líqüido amarelo ou verdinho, porque a embalagem já está na moda.

Free, ó Platão que me ouves!

Free, ó Platão que me ouves!

O meu ex leu um texto meu

Olha o comentário particular dele (que não sabe que este blog existe): se eu fosse você, jamais publicaria um texto assim.

Eu publiquei e percebi que estou livre de mais uma coisa: a representação de mulher como sexo bem comportado, cordato, generoso e humilde, submissa aos ditames do todo-poderoso-senso-de-raciocínio-pseudoproteção-que-assola-os- GORILAS de plantão!

Confesso que eu li!

Confesso que eu li!

Confesso que eu li!

 Acabaram hoje as apresentações de meus alunos de jornalismo sobre os Ensaios de Risco de Otávio Frias Filho.  Confesso que estou satisfeita com os trabalhos deles.

Ah, um grupinho ainda inventou de 'importunar' o autor e foi o maior barato terem recebido a resposta à mini entrevista que fizeram. Se vocês vissem a carinha de alegria, o brilho nos olhos da molecada e a importância que é para eles um autor responder às questões que fazem… Fora isso, o ineditismo de estarem trabalhando com autores vivos, já que os cânones já foram há muito. 

Outros cânones virão, outra época chegou. Eles se sentiram valorizados. Estimulados a fazer sempre mais. Isso é o meu salário e por estas questões, durmo feliz com a minha profissão.  

Pingüins são mais inteligentes

Pingüins são mais inteligentes

Pingüins são mais inteligentes porque não pensam como  humanos.

Mas a gente não tem mesmo o que fazer , não é?

 Agora parem e pensem: será que os pinguins ficam a admirar os icebergs e a pensar que o "mar é derretido" (sessão besteira) porque o gelo entrou em contato com a água? E que a montanha gelada é sólida porque demorará mais a derreter em contato com o ar?

ahahahha… Estou imaginando agora que o iceberg é uma montanha que derreteu porque entrou em contato com a água… 

Indicial

Indicial

Transcrevo a Folha de ontem:

" CASA DO SABER
E um dado curioso sobre as rebeliões em presídios paulistas: na penitenciária de Hortolândia, o quebra-quebra destruiu os móveis de todos os espaços do presídio a que os presos tiveram acesso.
 
Mas a sala em que funciona a escola ficou intacta."

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Em tempo de violência generalizada, de 'governo' do PCC na maior capital do país, considero indicial os presos não macularem a escola. Sinto então a necessidade de comentar o círculo vicioso que o caos escolar gera entre as populações marginalizadas: a falta de acesso à educação de qualidade mantém o desnível social, o abismo entre as classes, aumenta o banditismo e a agressão que explode sobre as grandes capitais atualmente.

Ninguém é ingênuo de achar que a violência decorre deste ou daquele fator apenas, mas sabemos que é um sistema de aspectos convergentes que concorrem para que a agressividade das classes em desvantagem surja como resposta à falta dos direitos mais elementares.

Se os presos demonstram respeito pela escola é porque alguém andou lhes dizendo que a educação é sim um fator de transformação social  e que é possível crer em melhores condições para todos. Talvez saibam que é uma possibilidade de reinserção no meio social. Não destruir a escola significa manter a ferramenta, o instrumento.

Quando é que a sociedade vai acordar com mais força de reivindicação para exigir dos dirigentes a seriedade para investir na educação e manter os programas que podem transformar o quadro social em que nos achamos? Este ano, as paralisações de professores já fizeram barulho. Mas na própria SP, em manifesto na Paulista, parece que os professores não conseguiram muita coisa. A classe incomoda pouco. Os salários envergonham. Em Salvador, os docentes das escolas particulares pararam hoje. A questão da data-base é motivo de piada entre os donos de escola. Já foi proposto 0% de aumento aqui em Salvador, nos últimos anos. Ouçam a incoerência da frase. Isso mesmo: ZERO por cento de AUMENTO.

Leio também no mesmo jornal, que custaria ao estado de SP um novo presídio por mês para abrigar todos os 840 novos "fora-da-lei" mensais. E visito o arquivo em que Dimenstein em 1999 já anunciava este dado. Eles, os dirigentes, tenho a certeza de que sabem soluções e formas de amenizar o problema além de quais são os vetores de crescimento para o país. Pensar no interesse real que têm em mudar é uma outra questão.

Paralisação do busú

Paralisação do busú

São 6h20, nenhum jornal on line da cidade noticiou ainda, mas os ônibus estão paralisados até às 10 h da manhã. Transtorno em Salvador, caos. Como a população vai trabalhar com esta chuva e sem transporte?

P.S.1: embora todo transtorno causado, sou a favor da reivindicação popular, da manifestação, da luta, de manifestos pacíficos.

P.S.2: Daí a bandido, traficante, assassino ter "direito" a reivindicar é outra coisa…  Não aprovo a violência, nem a guerrilha urbana, como em SP neste final de semana. Dar ao bandido o status de dirigente da nação é demais… Não é possível que a rebelião do PCC sitie cidadãos comuns, atemorize escolas e repartições e impeça uma cidade de funcionar… Quantos erros há na gestão deste país?

Previsão de hoje

Previsão de hoje

Ahahahahaaaaaaa… O personare (fui lá conferir) me disse:

"Daí a importância de, neste momento, conhecer gente nova, permitir-se trocar emoções com os outros, fazer coisas que lhe dão prazer. É um bom momento para o intercâmbio de sentimentos, para a expressão das emoções, sobretudo com as pessoas mais íntimas, da família, os amigos mais chegados, ou os amores. " 

Gostei desta parte (risos).

Balanço positivo da manhã de hoje

Balanço positivo da manhã de hoje

Estou pensando até agora por que isto virou notícia.  Descobri, entretanto, que Madonna é normal.Veja suas declarações à rede de televisão "E! Entertainment Television":

"(…) a rainha do pop admite que é difícil conciliar a vida profissional e a familiar, o que às vezes provoca um distanciamento entre as duas."É uma luta encontrar um ponto de equilíbrio entre minha carreira e seus filhos", disse a cantora."Sempre digo a mim mesma: meu Deus, sou um desastre de mãe. E me dá vontade de ir para casa ninar meus filhos", acrescenta."Mas, outras vezes, quando passo muito tempo com meus filhos, penso: meu Deus, só quero ser artista".

Moral da história: Os humanos são humanos!!!

p.s.:houve um erro- "seus filhos" - na tradução feita pela repórter e acima transcrita.

Auto-ajuda em negativo

Auto-ajuda em negativo

Dia 03 de maio, Marcelo Coelho publicou "Auto-ajuda em negativo" na Folha. Senti vontade na hora e rabisquei-lhe estas palavras:

Marcelo,   

penso nesta "auto-ajuda" que, realmente, tem nos impelido à "ideologia" massacrante "da felicidade". A gente tem tanto que "dar certo" que se nega ao ser humano o sentimento básico do sofrer. A intolerância generalizada às lágrimas alheias talvez decorra da vida "celebridade" imposta como parâmetro no mundo contemporâneo: sucesso, risos, dinheiro, taças, flashes, mansões, poder e cabelos femininos com chapinha povoam o imaginário da população.   

É preciso " dar certo" e este imperativo tem conduzido à rejeição de todo e qualquer humano que se mostre feio, choroso, sofrido, abatido, com problemas etc. Após o fim de uma longa relação amorosa, a qual me fez feliz em alguns momentos, ouvi estupefacta os comentários superficiais daqueles que iam sabendo da separação: "ah, que pena! Não deu certo, não é?" A superficialidade se revela assim, comenta-se pouco, fala-se o básico e livra-se do outro com o clichê-consolo: "é assim mesmo", "é natural", "hoje em dia…"    

Fiquei, então, a pensar nisso e descobri que não, deu certo sim. Dizia o poeta que durou o tempo necessário e "deu certo" , portanto, enquanto durou. Recorrendo a outro lugar comum: "o que passou passou". Foi bom, foi ruim,; talvez como tudo o mais nesta vida. Das dores aos momentos de encanto, do choro aos risos de pura felicidade, da beleza e do companheirismo à solidão a dois e ao egoísmo.   

Então, aprendi que a minha vida me pertence, "todos os dias são meus" (F. Pessoa). Em face dos acontecimentos em minha vida pessoal e diante da insensibilidade umbilical dos tempos modernos, tenho optado pela companhia "de mim mesma": se quero chorar, faço-o copiosamente. se quero esquecer, permito-me.    

Seu texto de 3 de maio me faz refletir sobre o "excedente de sentido" e penso também no que acumulamos por "sobra de significado". Sem necessariamente cultuar a memória dos que se foram desta vida ou da nossa história, vejo-me a guardar as roupas deixadas e minha casa pelo último namorado, já ex. Não as dei às vítimas da chuva, nem as joguei fora. Estavam passadas a ferro no armário e limpas, como se a, inconscientemente, esperar que ele voltasse. Já é hora de os Correios e Telégrafos funcionarem ou de fazer a caridade talvez. É hora de levá-las ao seu destino porque não há mais excedente de significado, nem resquício algum.  Passou como tudo mais.   

Há horas sim, em que ninguém pode nos ajudar, entretanto tenho visto estupefacta como perdermos o direito a um colo básico de amigo, no qual vamos apenas deitar e deixar que as nossas dores se traduzam em lágrimas.  Isso me faz lembrar, em oposição a este  individualismo patente hoje, uma história. É a história de uma tribo cujas mulheres, quando uma de suas companheiras perde o filho, num ritual de cura e dor, reúnem-se  àquela que sofre e  gritam e choram todas juntas, como a extirpar a dor individual, humana, coletiva e social. Choram por si, pela companheira e por toda e qualquer pessoa que passe por situação semelhante.   

A vida é cíclica (outro clichê!), há para todos sucessos e fracassos. É preciso no mundo contemporâneo, saber apagar as luzes do palco em que representamos socialmente o papel sorridente de eternos vencedores e poder, no escuro de si mesmo, permitir-se a lágrima, o desalento, a tristeza. Faz bem.

Alena

E quem não é?

E quem não é?

Recebi o seguinte boletim da prefeitura de Salvador:

SMEC lança Fundo Educacional para Mulheres afrodescendentes

A Prefeitura Municipal e a Secretaria Municipal da Educação e Cultura (SMEC) lançam, no próximo dia 12 de maio, o Fundo Municipal para o Desenvolvimento Humano e Inclusão Educacional de Mulheres Afro-descendentes.

Leia  mais

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Existem, em nosso país, problemas sérios decorrentes do domínio do branco, português colonizador, sobre índios e negros; ninguém vai negar. É uma questão histórica, ainda uma ferida que não cicatrizou devido ao genocídio indígena e à escravidão negra. A abolição só fez soltar negros na rua sem lhes oportunizar o mínimo necessário para sobreviver. Isso é para mim claro e não há como contestar a necessidade de se propor alternativas que visem a reparar as lacunas históricas do domínio, da exploração, da discriminação e do medo.

Mas escrevo para falar de outra coisa. A questão para mim é: na Bahia, quem não descende de africanos? Costumo dizer que sou "baiana": na minha família, meu avô paterno descendia diretamente de árabes; minha avó paterna é uma típica descendente de portugueses: branca, lábios ultra finos, mas quadril largo, bunda grande (quando ocorreu a miscigenação eu não sei, nem em qual senzala ou casa-grande); avô materno: um sertanejo, daquele que, " antes de tudo, é um forte" (talvez mestiço total); minha avó materna, cabelos de índia, nariz de índia, corpo de índia, cor de índia, antepassados com certeza (português + índia) etc. etc. etc.  Daqui para frente, pode até haver mais misturas… italianos, japoneses,  libaneses, maoris… Para mim, isso tudo é só uma família, ora.

Continuo detestando os estereótipos e também a mania humana de classificar tudo. Como se a vida fosse 2+2=4. Até a matemática já provou que não é!  Parecemos receitas pré-fabricadas: sou isso, você é aquilo. Todos são o todo ou o tudo. O outro é o nada, o diferente. Daí nascem os preconceitos, a discriminação, os extremismos e as doutrinas tiranas.

Faça o favor de ir morar na Lua, Flicts!

Dá um tempo, não é?

Imprensa, prostitutas e política

Imprensa, prostitutas e política

Ombudsman da Folha, Marcelo Beraba, pondera sobre os ataques dos "candidatos à presidência" à imprensa, acusando-a de perseguição. Vale a sensatez de seu comentário ao afirmar que necessariamente isso não significa que a imprensa esteja cumprindo bem o seu papel, nem sempre acerta, mas também os candidatos se aproveitam da idéia de perseguição para se associar à idéia de vítima da mentira.

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Hoje li na Folha que uma ONG lançou na Alemanha uma ajuda telefônica 24 horas para proteger cerca de 40 mil prostitutas durante a Copa. Não serei eu a jogar as pedras… Mas há tanto para fazer no mundo… E este continua como outrora…não dizem ser esta a profissão mais antiga? Agora poderá ser a mais protegida. E quem vai inventar o disque denúncia para guardar a integridade das professorinhas diante de maus salários, de acúmulo de tarefas, de estresse e desrespeito por parte das escolas(patrões) e dos "clientes", ops, discentes?? ______________________________________________

Garotinho do Rio faz greve de fome ou dieta? Será esta uma jogada espetacular que une o útil ao agradável? Gostei de alguns posts satíricos: menos um em outubro… _______________________________________________

De todas as notícias, juro, a mais desoladora: caiu o poder aquisitivo (já havia constatado em meu bolso) e o rendimento médio(este em 12,3%) das pessoas com maior índice de escolarização nos últimos quatro anos. Marcio Pochmann, economista, diz o que tememos ouvir, mas já sabemos há muito: "diploma não garante emprego nem recomposição salarial".

Sobre o Amor e a Relatividade

Sobre o Amor e a Relatividade

No blog da Luana, hoje, ela escreve um texto muito sensível sobre a sua solidesilusão… É um depoimento, uma crônica de registro diário, daquelas em que a alma da gente se derrete e verte em palavras no papel, ou melhor, na telinha… Escreve com sentimento e isso é precioso demais, porque humano. Fiquei mortinha de saudade, poxa, queria também ter estado naquela mesa de bar e talvez fazer companhia em não beber…talvez lamentar com todos a questão do amor…

Como sou uma velhinha, posso, porém, dizer algo àquela menina então desamparada: existe amor sim, existe correspondência no amor sim, existe felicidade no amor sim… Existe também a  eternidade, sim, ela existe. O caso é que a humanidade demorou milênios para chegar à teoria da relatividade que é só um começo para novas portas e janelas de revelações…

Imagine logo então algo muito sério: os momentos são eternos… O amor se eterniza sim , o que foi vivido, não há como negar, porém fica preso a um espaço e tempo que já passaram. O hoje traz novas vivências. Disso eu posso falar. Apesar de toda revolução que o holocausto amoroso me causou (risos), não há como negar meus olhos que brilharam, minhas costas que se sentiram aquecidas ternamente à noite, não há como negar meu sorriso… Tenho mais de 6000 fotos dos últimos 5 anos de minha vida e eles valeram muuuitoooooo. O incrível: apareço sorrindo em todas, feliz, muito feliz… E olha que se pode prever bem a devastação, o trauma, a tristeza que me causou o fim do love…não, não do love… o fim da relação. O amor ficou lá, no passado, e existirá eternamente, preso àquele espaço em que estivemos e àquele tempo do "quando" estávamos juntos.

Se eu sorrir agora, amiga, será de doçura pelas alegrias; se eu chorar, será pela tristeza. Mas que valeu, valeu. Plagio Neruda e confesso que vivi!

P.S.: O tempo passa e se o de Vinícius é quando(!!), o meu é agora! E ando sim por onde há espaços…

Super heróis…

Super heróis…

Vira e mexe fico pensando no meu idílico tempo de criança quando eu cria que o super-homem e a mulher-maravilha eram o máximo!!! Queria aquela roupinha da mulher e não entendia como o jato era invisível se havia uma linha branca no céu… Ora, se eu via o jato, todos o veriam também!!! Para crianças, bastava dizer que o jato passava no céu e pronto! A gente acredita… é fantasia… os adultos é que exigem uma linha branca…pra pensarem que é transparente e deduzirem que é invisível (vá entender este complexo universo adulto…).

Hoje, descubro estupefacta a massa de homens e mulheres heróicos que se levantam cedo, organizam a sua casa e partem para a labuta diária em troca de um salário antecipadamente aumentado que lhes garantirá 2,2 cestas básicas.

Incrível mesmo e não é o Hulk.

Precedente

Precedente

Agora que o precedente foi aberto neste mundo moderninho on line, chamo a atenção dos meus leitores e amigos para que possamos usar o espaço dos blogs pessoais para qualificar as informações da rede. Há tempo aludo à necessidade de ampliarmos as páginas em língua portuguesa com textos de tipos diferentes e de boa cepa !

Trecho da notícia publicada na Folha:

“O blog Baghdad Burning (“Bagdá em Chamas”), criado por uma jovem iraquiana anônima, foi selecionado nesta segunda-feira como finalista de um importante prêmio literário da BBC. Em seu diário virtual, a internauta descreve o impacto da guerra na vida da população.

O júri do prêmio Samuel Johnson escolheu Baghdad Burning –escrito desde 2003 por uma jovem que utiliza o pseudônimo de Riverbend– como um dos 19 finalistas do prêmio de não-ficção concedido pela BBC.

Esta é a primeira vez que um blog aparece como candidato a um prêmio literário. A quantia oferecida ao vencedor do prêmio –US$ 52 mil– é a mais elevada para uma obra de não-ficção.”

Folha On line , 27/03/2006
Consultem a página da folha e o blog que concorre a prêmio literário www.riverbendblog.blogspot.com .