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Bebê internauta

Bebê internauta

Ela tem cinco anos. É uma gracinha. Pela desenvoltura, pensamos muitas vezes que estamos com uma minigente, daquelas mocinhas descoladas e irreverentes. Mas ela só tem cinco anos. É uma criança ainda.

Para quem não conhece ultra-som obstétrico, desvendo-o: a médica fotografa o feto no útero, coloca cinco imagens do bebê numa página tamanho a4 e mais uma imagem da tela do pc, na qual aparecem os dados da gestação: centímetros do embrião, semanas desde a fecundação e nome da gestante. As fotos a que aludi mais a dos dados na tela do pc ficaram dispostas em duas colunas, de forma que, ao lado da freqüência cardíaca do bebê, aparece a tal tela.

Pois bem, vamos à história então.

A referida garotinha é filha do meu namorado. É um trocinho. Inteligente, gordinha e super feminina. Depois de passar um dia delicioso na praia com ela e a irmã de 12 anos (uma princesa tímida), brincando, comendo as delícias da Bahia, lá para as quatro da tarde, já com o sol fraquinho (creiam!), ficamos rolando na água, curtindo as ondas no raso. Pintamos e bordamos. Mergulhamos, abraçamo-nos, divertindo-nos até não poder mais! Saímos do mar de mãos dadas, rindo à toa.

Então… neste dia tão gostoso, o pai considerou que era a melhor hora… e, ao voltarmos à casa, enquanto eu subia para tomar banho, ele contou às meninas que eu ‘estava de neném’.

Foi surpresa para mim que contasse naquela hora. Quando desci, elas quiseram saber se era verdade e então …  subi correndo com elas para mostrar-lhes o exame, explicar que as imagens eram do irmãozinho ou irmãzinha que  viria. Aí foi tudo uma delícia. Pensei até delas ficarem com ciúmes dele, mas surpreendi-me com a ciumeira de mim: foi um grude, elas queriam garantir que eu não deixaria de brincar com elas. Neste dia, dei banho, penteei cabelos e contei história na cama.

Ela só tem cinco anos. Foi assim que começou esta história. Lembram?

E a pequenininha, entretida com a grande novidade e com as imagens do ultra-som, exclamava sem parar, debruçada sobre o exame:

- Ô… que bunitinho… olha a cabecinha do meu irmãozinho ou irmãzinha, olha o bracinho… ô… aqui é a perninha… aqui é a mãozinha… ô … que lindinho, olha a perninha… olha o bracinho… olha a cabecinha… 

Eu já estava  enternecida com o jeitinho dela, quando ela, apontando para a imagem da tela do pc que estava no ultra-som, disparou:

- … olha a barriguinha… ô, olha o bracinho… ô… a cabecinha… e aqui é ele brincando na internet.

Gente, caí na gargalhada, dei um abraço forte nela e … foi assim que meu filho ou minha filha, descendente que se preza, bebê do terceiro milênio, herdeiro de mãe blogueira, que ainda nem nasceu, já caiu na rede: meu útero wireless é formidável!

Uh-lá-lá!

Uh-lá-lá!

A vida é bela, mesmo que um monte de gente perca tempo sentindo inveja de você, querendo depreciá-la, com dor de cotovelo… A vida é bela ainda que tenham batido em seu carro, você tenha pagado juros de todas as contas, dormido pouco várias vezes, emagrecido e engordado na sanfona de um corpo que nem sabe o que vai fazer durante os festejos juninos. Maio está acabando e só isso é um bom sinal: virão as férias.

Retada como só uma baiana pode ficar, fui dormir ontem disposta a acordar hoje diferente. Mas nem contava muito com nada. Olhei o calendário e me dei conta de que só faltavam quatro dias para junho chegar. Só isto já me fez bem. Cansada de especular, pensar, falar, resolvi agir.

É segunda-feira então. Acordo bem, cedinho, disposta, abraço e faço carinho durante meia hora, tomo um banho, visto uma roupa que adoro, o jeans que outrora não entrava mais e calço bota de salto fino (bingo! – afinal fez frio em Salvador).

Vou à aula, o trânsito está livre, há engarrafamento apenas no estacionamento da faculdade, estou séria, mas não perco o humor.  Encontro alunas que valem a  profissão, converso com elas, descontraio. Agendo as tarefas da semana dentro do tempo possível e não da maluquice de prazos que me imponho cotidiamente.

Umas pessoas tentam me convencer de que estou zangada, séria ou “diferente”; não aceito nem engulo este discurso; percebo claramente o caráter de alunos que me tentam ludibriar o tempo inteiro e constato que cada um é que sabe de seu caminho. Sorrio então ironicamente com o canto de boca. Aquele risinho só meu, imperceptível para o mundo alheio e ensimesmado. Eu vou me vingar? De jeito nenhum… A vida que surre ou beije quem quer que seja.

É hora de retornar, consigo trocar a aula vespertina, vou ao Detran resolver o pepino do carro batido, não há engarrafamento em pleno meio-dia, ou melhor, há sim, do outro lado da pista, os carros estão parados em fila interminável, mas a minha flui a 80… O gato liga, a Secretaria de trânsito não tem uma fila sequer; na xerox, só uma pessoa na minha frente… Menos de cinco minutos e tudo resolvido. Volto para casa.

Decido comer bem e cozinhar a  semana inteira. Então asso o peixe com legumes em oliva abundante à moda lisboeta. Um bom pão de linhaça, salada de rúcula, alface, espinafre, pimentões e picles… Logo o peixe aromatiza toda a casa e o arroz feito com cenourinha deixa a mesa ainda mais bonita.

Recebo duas boas notícias por telefone e fax.

Se a campainha tocar e aparecer um homem lindo e apaixonado com um bouquet enorme de rosas amarelas (as minhas preferidas), vocês podem dizer até que eu estou sonhando ou mentindo…

It’s raining men! Aleluia!

It’s raining men! Aleluia!

A mamãe e sua ninhada -1- Bruno 2 -Felipe 3-David

Vou ter que parir meninas!!! Nossa, meus amigos de longa data só dão à luz meninos!

Já estou preparando uma escolinha de futebol… algo do gênero. Todos os meus amigos que tiveram filhos só trouxeram machos ao mundo. De tanto a gente reclamar que falta homem no pedaço, a turma caprichou. Léo, Rafinha, Bruno, Daniel, João Vítor, Mateus e…

Acabaram de nascer Bruno, Felipe e David, trigêmeos. A mamãe (ufa!) está livre de comprar os fardos de absorventes quando as crianças se transformarem em adolescentes. Imagina só ela na farmácia delivery do futuro no fim de semana na praia:

- Alô? Por favor, vocês podem entregar quatro caixas de Ob no endereço tal?

A farmácia ia pensar que era trote o tempo inteiro. Do concorrente.

Em compensação, já falei ao papai para se preparar na fila do posto de saúde : haja camisinha grátis! Se fosse usar o disque farmácia, corria o risco de parecer o garanhão ou o fraudador, pedindo 16 camisinhas para o sabadão (ahahaahahaha!).

Para a genitora que padecerá (quem disse que é no paraíso?) mais uma boa nova: na hora da hiperatividade, papai é que vai inventar bicicleta, jogos, praia e caminhadas com trilha. Nada de ver trezentas panelinhas de plástico espalhadas pela casa nem duas dúzias de bonequinhas com aqueles nomes que as crianças nunca esquecem, mas a gente sempre atrapalha. Ai,ai… ia me esquecendo: ninguém terá paz, nada de andar descalço pela casa a pisar nos trinta e cinco mil legos que as crianças ganharão. E chama o papai e os titios para ajudar a montá-los.

Ufa! Aniversário : economia geral! Basta um bolo e brigadeiro para todo mundo. O difícil nestes tempos de arrocha econômico é convencer os convidados a irem. Três presentes de vez no orçamento é sacrifício (risos). A titia aqui está fazendo um caixa dois e um caixa três para dar conta do recado.

Mas se os pais escaparam da água derramada na sala porque não haverá panelinhas com comidinhas exóticas de mentirinha nem bules e chaleirinhas em miniatura, por outro podem ter certeza de que haverá o mesmo líqüido na casa inteira esparramado. É simples: meninos brincam com pistolas d’água. Era uma vez o sofá que servirá de trincheira.

Já adverti a mamãe incauta: sua sala de jantar será jamais a mesma. As pernas da mesa dão ótimas traves, qualquer criança sabe disso. E vasinhos de cristal, porcelanas e biscuits já podem ser leiloados pela família. Virarão caquinhos se a mãe insistir em (man)tê-los.

Afora tanta brincadeira, é com grande alegria que celebramos o nascimento dos meninos. Eles vêm consolidar uma história de amor e  abençoar um casal que há muito deseja os descendentes.

Bem vindos a este mundo, meninos, boa sorte papai e mamãe! Muita saúde e amor para toda a família é o que posso desejar.

O poder de um pênis

O poder de um pênis

Pênis. Esta foi a palavra mágica capaz de parar por mais de 15 minutos a aula inteira. Falei na palavra pênis. Gritos e risadas incontidas. Compulsão ao riso, à gargalhada, ao descontrole. Barulho de trinta vozes contando histórias, discutindo, falando … E, quanto mais eu falava, mais riso, mais balbúrdia.

O caso foi o seguinte: a aula era sobre leituras do vídeo, cinema e da arte. Então me lembrei de contar o vídeo que vi projetado na sala do Museu Rodin Bahia.  A filmagem é algo interessantíssimo: um líqüido vermelho-amarelo fritando, o dendê. O som do dendê no fogo foi colocado na sala da projeção para ambientar a cena mais ou menos como as exposições de Andy Warhol, e, no meio da liquidez do azeite, percebe-se a subexposição de um pênis ereto.  É místico, mágico e artístico o vídeo.

Mas bastou eu falar a palavra pênis que eu nem consegui explicar mais nada. Pura confusão. Deixei o clima como estava e os alunos gastarem as emoções. Uma parte estava enfadada, mas a outra – a maioria – eufórica. Percebi então o efeito catártico que tinha desencadeado e sugeri-lhes alguns exercícios. Primeiro, que repensassem o que consideravam imoral, pornográfico e indecente. Depois, que lessem Rubem Fonseca (particularmente Intestino Grosso e O Campeonato). Para encontrar um ponto de equilíbrio, que usassem a terapia para a síndrome de La Tourette (coprolalia): falassem, gritassem todos os nomes que conhecessem para vagina, pênis e sexo. Não, eles não toparam, contidos. ‘Expliquei-lhes’ então  que sexo é natural (muitos risos, muito assombro, muita gargalhada) e que a Igreja impôs a inferno, fogueira e guilhotina a idéia de sexo como pecado. Uns olhos se arregalaram ao ouvir que todos os avós e as avós e pais e mães fizeram sexo para que nascêssemos. Pedi-lhes para análise deles que buscassem então no cinema dois filmes de escolha própria sobre o sexo, o erotismo, a sedução.

Não consegui controlar os risos deles, as gargalhadas deles… tudo por causa do poder de um pênis. E falado. Imagina só se visto, tocado, sentido, gozado…

* * *

Glauber ainda me fez conseguir encerrar a aula na faculdade, graças.

Quando Nietzsche chorou…

Quando Nietzsche chorou…

ele havia descoberto que, mesmo tendo lido sobre a insensatez da mulher no modo de cuidar da família (quiá, quiá, quiá) , eu resolvi, em tempos moderninhos, ultra contemporâneos, atacar na cozinha com uns defumados , um bom feijão preto, negrinho, bacon, toucinho, barriga de porco, lombo e carne de boi, além dos chouriços, claro!

Aí Nietzsche chorou mais ao constatar que eu não sou um ser pensante, lógico, porque sou mulher,  e não consegui perceber o que a comida significa, tipo ’a feijoada era a comida dos escravos, feita com as partes não muito nobres dos animais’.

E Nietzche se desaguou em lágrimas ao ter certeza mesmo de que a única descoberta fisiológica que eu fiz foi que feijão dá gases e se for mal feito dá dor-de-barriga.

Como ele mesmo constatou, a mulher na cozinha retardou a evolução do homem, porque, por exemplo, esta feijoada gostosíssima que acima aparece será consumida com pimenta baiana e farinha de mandioca da fininha apenas para nos dar combustível nos dias de carnaval que virão. Ou seja, se a mulher pensasse, jamais contribuiria para a política do panem et circenses se perpetuar!

______________

(Foto da minha feijoada cometida para o carnaval)

Diálogos carnavalescos – parte I

Diálogos carnavalescos – parte I

O namorado português da minha amiga, hospedado aqui na praia do Flamengo e cheio de animação, acordou-a às 11 da manhã em pleno domingão de carnaval no ano passado:

- Minha querida, acorda, hoje não vai mais ter carnaval.

- Hã?! Nãão?

- Não, acabou o carnaval de todo mundo (categórico).

Ela levanta-se sobressaltada da cama:

- O que foi? ACM morreu? (assustadíssima)

- Não, está chovendo.

- Ah… (muitos risos, quase gargalhadas ) Tolinho, pode ir vestir seu abadá porque vai ter carnaval sim. Oxi… quem já viu!

Definitivamente, eu não nasci para o salão

Definitivamente, eu não nasci para o salão

 

Hoje é sábado. Portanto, vou ao salão. Não é assim? Três horas. Destas, uma e meia gasta no vaporzinho e na massagem capilar. Reestruturação. Disseram que era necessário. Antes, chamavam de massagem. Mas reestruturar é mais caro.

Eu queria ficar linda para amenizar a semana que tive e o estresse das espinhas temporãs, retardadas, muito-muito-pós-adolescentes que teimam em invadir as minhas bochechas salientes apesar da idade, do tratamento, do antibiótico e dos trezentos cremes que tenho que passar além do protetor solar..

Unha pintada, sobrancelha depilada, cabelo R-E-E-S-T-R-U-T-U-R-A-D-O e conta vazia. Volto para casa com um sono enorme e um rombo (necessário) (!?) no orçamento. Lancho um sanduíche emergencial e aguardo o lovestory sair do trabalho para fazermos algo no sabadão baiano. Shopping, caranguejo, cinema, lambreta… sei lá.

14h.

- Alô, amor?

- Oi…

- E aí? Vamos à praia?

 _ Não está tarde, não? 

——— ***———- 

Fui.

Meu cabelo reestruturado tomou sol, salitre e vento. Meu cabelo reestruturado tomou cerveja, cheirou a dendê e acarajé com abará. Meu cabelo reestruturado  tomou muito banho de mar às 16 horas no sol morninho de fim de tarde. Mais de 21 mergulhos como manda a superstição.

Meu cabelo ex-reestruturado voltou para casa tarde, desgrenhado, assanhado, desalinhado, amarrado com uma piranha qualquer… mas muito, muito feliz. Acho que o meu cabelo é assim mesmo: livre dos salões e das convenções.

Em busca dos padrões

Em busca dos padrões

Três horas num salão de ‘beleza’ para deixar as unhas, a sobrancelha, os pelinhos ‘indesejáveis’ e as madeixas conforme exige o figurino neste palco que é a vida urbana, sinceramente, são um tempo para mim longo demais…

Aproveito sempre para ler (?!) as futilidades do mundo ‘celebrity’, que, se não fosse a coleção vastíssima de literatura acerca do quem-trepa-com-quem-agora de que dispõe o salão, eu não saberia jamais. São as revistas que me dizem quem está in ou out, quem é bonito e gostoso, bela e perfeita. Há anos minha pobre opinião não conta (será que algum dia contou?).

Enquanto isso, divago olhando as mulheres com uns troços metálicos na cabeça, umas tintas mal cheirosas, as mãos entregues à manicure, os pés suspensos no joelho da pedicure. Sai fumaça de túneis de reestruturação, massagem capilar… entretanto ‘faz bem’ o vapor. E ‘viajo’ descobrindo os loiros naturalmente inventados, as negras ruivas, os cachos ’japoneses’ forjados e os lisos impossíveis outrora.

Acho graça toda vez que olho as unhas e penso-as como cascos. Imagino a natureza como uma grande fábula e, nas cadeiras que transformam, projeto as velhas tartarugas a pintá-las de rosa, renda, misturinha ou rebu; os dinossauros fazendo as cutículas; os símios depilados apesar de muitos ais; os cogumelos orgulhosos a escovar o cabelo de capacete…

Juro, juro que é nestas coisas que eu penso quando vou ao salão.

Herança

Herança

                                                   

Quando eu era pequenina, lembro que fui à Fonte Nova protegida por um gigante. Lembro a arquibancada suja, a camisa suada que ele tirou e com a qual forrou o chão para que eu me sentasse. Era a sua princesa.

Era apenas uma garotinha (quem sabe ainda sou?) e dormi no seu colo. O time fez gol e foi inevitável acordar assustada para depois pular de alegria com o estádio inteiro gritando: goooooooooollllllllllll!!!! Ele me jogou para o alto! Eu vestia a camiseta tricolor, bem pequenininha. Meu pai usava um chapéu guarda-sol esquisito das cores do time.

Eu aprendi a cantar o hino e a ser Baêa, Baêa, Baêa!!! Lembro que a gente ia passear todo domingo à tarde por Salvador. Da Ribeira ao Abaeté. Era uma maravilha: pai, mãe e filhas. Três pirulitas no carro, brincando e rindo. O problema era a chatice de quando começava o jogo. Ele não fazia objeção a passearmos, mas tínhamos que vadiar pela cidade com o toca-fitas na freqüência AM e os narradores naquele abaranarababororrorarnooodetrrammpijjuouorerar e… é gooooooooooooooooooooooool!

O martírio só acabava depois de duas horas. E se o time perdesse… sai de baixo mau humor! Voltávamos para casa. Eu rezava para nunca ter jogo só para não ter que ouvir no carro aqueles malucos que falavam tão rápido. E aprendi a pedir para voltar mais cedo para casa, assim eu ia ver a Porta da Esperança de Silvio Santos enquanto ele ficava lá, colado no radinho, esperando o time vencer.

Hoje foi diferente. Peguei meu radinho de pilhas (sim, eu tenho um há 17 anos que ainda funciona!), liguei-o junto ao pc e fiquei minhas duas horas aqui, ansiosa, esperando o time jogar.

E pulei, gritei sozinha gooooooooooooooool duas vezes. Liguei para minha avó, a mãe dele, e ficamos juntas torcendo pelo Bahia em homenagem ao meu pai que se foi.

É um amor tão grande que simplesmente me encheu de ternura.

Compras fantasmas

Compras fantasmas

Trabalhamos tanto que fazemos quase todas as outras coisas automaticamente, sem prestar atenção… ‘Tempo é dinheiro’. Ir ao supermercado, por exemplo, é um exercício de autoflagelo. Vamos com uma lista minimalista em mãos ou um resumo absoluto de nossas necessidades percorrer os corredores infindáveis onde se põem à mostra centenas de itens que nos tornariam, conforme a propaganda reza, seres humanos melhores, mais bonitos, saudáveis, sorridentes… felizes, enfim!

Nossos olhos traem nossos planos iniciais e atiçam o desejo de acrescentar ao carrinho este e aquele mimo que nos fará tão bem… Claro que o resto do supermercado inteiro é um exercício de questionamento filosófico que nos coloca em xeque: o que ficará na cesta dos enjeitados ao lado do caixa para que caiba no orçamento o que colocamos no carrinho? Dúvida cruel e pensamos em consumir menos papel higiênico, escovar os dentes com menos pasta e lavar o cabelo menos vezes a fim de poder comer queijo ou tomar iogurte.

O fato é que não estava eu fazendo as famosas e temíveis – para o orçamento – compras do mês. Só entraram, no carrinho, os itens de necessidade maior e que já faziam falta: frutas, legumes, verduras. Comida mesmo. Parece que planejavam secretamente me ver dura. Apenas uns dois itens de limpeza e, de supérfluo, só a coca-cola básica. Dirigi-me ao caixa suspirante, pensando na comida nossa dos próximos dias, na carne e no peixe que também levava.

Qual não foi a minha surpresa, após metodologicamente expostas na esteira rolante as compras, descobrir que só as folhagens e frutinhas e verdurinhas arrancavam de mim já 110 reais. Pára, pára, pára tudo. Um terço do salário mínimo e eu nem havia passado carne e peixe! Como os tempos são de recessão absoluta e a conta teria em minutos as últimas moedinhas raspadas pelo visa eletron, pedi à moça que esperasse eu conferir quanto de dinheiro trazia na carteira. Respirei aliviada porque ainda havia uns micos e duas onças, que me livrariam do mico maior de ter que devolver as compras e cancelar a nota sob os protestos dos que atrás de mim esperavam impacientes a sua vez. ‘Time is money‘.   

Cento e setenta reais a menos na carteira, lá ia eu para casa, curtir o exílio de final de mês raspando a despensa e futucando os armários em busca dos heróis da resistência que ainda houvesse do último dia cinco.   Sabe-se lá por que motivo, do meu tempo tão importante lancei mão, e parei, abri a bolsa e passei o olho na nota fiscal que levaria para casa.

Li estupefacta as compras fantasmas: 2,5 kg de maracujá, 2,34 kg de chester, 1,75 kg de salmão, couve-flor, couve-flor, couve-flor e couve-flor. Como eu não comprara maracujá, nem chester e sabia que duas postas de salmão não poderiam jamais pesar quase dois quilos, percebi que havia algo de muito errado. O milagre da multiplicação das couves talvez tenha decorrido também, sabe-se lá por que cargas, do deus do copo d’água que deveria nos socorrer face ao susto do gastronômico gasto astronômico.

Três gerentes e mais dois assistentes depois, informaram-me que meu dinheiro não poderia ser totalmente devolvido porque a pequenina parte que saiu on line da conta só retornaria para ela 48h úteis depois. (rá…piada… débito on line; crédito off line). Conferidas e reconferidas as compras, saco para lá e para cá, do carrinho para a esteira, passa e repassa, da esteira para o carrinho, todos os funcionários a me olharem com aquela cara de “o que foi que ela roubou?”… o saldo da história foi: eu traria para casa 58 reais em compras fantasmas.

Estou light, mas não tanto! Pensei na hora: dava para levar para casa 77 latinhas de guaraná.

Aborrecida, depois de me sentir lesada, com duas horas vespertinas do meu sábado de sol pós-praia enfiadas no ar do moderníssimo e recém inaugurado supermercado, desisti de todas as compras, peguei o dinheiro, ficarei a esperar que quarta-feira o resto volte à minha conta e passei o fim de semana sem ver pimentões, batatas, couves e brócolis…

De olho! Porque se tempo é dinheiro, a pressa e a desatenção nos têm levado a perdê-lo. 

Gosto de sábado

Gosto de sábado

O poeta já cantou que logo cedo a gente vai ‘sentir preguiça no corpo’ e estirar a coluna, as pernas e os dedos até deliciosa e lentamente encontrar a doce vontade de levantar … não sem antes beijar, abraçar e beijar e abarcar a felicidade inteira de estar com quem se ama.

Um desjejum com fruta doce, pão de linhaça torrado com manteiga, vitamina, granola, iogurte, mel… café e leite. Depois mil beijinhos de despedida na porta até o meio-dia, quando o sol de Salvador castigava os mortais e azulava mais ainda o mar imenso. Vinícius cantava para o casal a caminho da praia. A maré estava cheia como a Lua de ontem à noite e a areia fofa convidava ao descanso regado a cerveja e acarajé com pimenta. 

A tardinha ia chegando e a moqueca de camarão borbulhou convidando ao degustar com a cerveja estupidamente gelada… O restaurante acolhedor, a simpatia do pessoal… Tantas palavras o dia inteiro, tanta conversa … aqui e ali um suspiro de futuro, quem sabe? “O presente é tão grande, não nos afastemos, não nos afastemos muito. Vamos de mãos dadas”.

A noite já trazia a Lua ao voltarmos à casa onde o cheiro dos corpos banhados convidaram ao acasalamento. E veio a paz, o silêncio e o sono.

Mãe assassina bebês

Mãe assassina bebês

O que leva uma mãe de 23 anos a matar envenenadas suas filhas gêmeas de 8 meses? A declaração da genitora à polícia, segundo a Folha, justifica o crime como vingança contra o pai que a abandonara há cerca de um ano.

Há que se fazer conjecturas… mas não penso ser amor jamais o motivo desta barbárie. Mata-se por desespero, por desolação, por ódio, por raiva, por falta de amor próprio, por depressão…

Não sou mãe, mas basta ser humana para ficar indignada pelo torpe envenenamento. Penso mais: a mãe deixou com uma babá as crianças e foi trabalhar em casa de família na Barra da Tijuca. Se foi capaz de envenenar suas filhas indefesas, bebês ainda, de que mais seria capaz esta mulher? Talvez jamais cometesse ato criminoso contra a sociedade, contra seu patrão, contra os cidadãos comuns… Talvez o ódio, o desprezo, a baixa auto-estima a tenham levado à insanidade assassina.  Não sabemos o que este ex lhe fez de tão grave ou desesperador que tenha despertado nela as piores revoltas, a ponto de destruir suas filhas como suposto castigo àquele que as gerou. Talvez o simples abandono. A desistência de querê-la. O desinteresse tão comum a tantos casais. A mente humana tem lá seus mistérios.

Podemos como leigos apenas entender uma coisa: o ser humano é capaz. De tudo.  Cada um tem freios inibitórios diferentes dos demais humanos. Não sabemos quais os limites do outro. Portanto, respeito sempre cabe.

‘Pro dia nascer feliz’

‘Pro dia nascer feliz’

Companhia. Abraço apertado. Suspiro. Preguiça no corpo e falta de hora para levantar.  Planos? Nenhum. Obrigações? Também não. Só o dia inteiro que se descortina desde a madrugada promissora…

Um cheiro no corpo, um perfume na cama. Um beijo no pescoço e o sorriso de quem se ama. Café a dois. Delícias partilhadas. Não há promessas, não há certezas. Há o hoje, o agora, o instante, o momento. E esse momento enche a minha vida inteira.

Hoje é sexta. Sem pauta na agenda. É toda minha a liberdade das horas que chegam sem compromissos. Tudo então é possível. Até ser feliz.

Daniela Cicarelli, You tube e Indecência

Daniela Cicarelli, You tube e Indecência

Post de 20 de setembro de 2006. Novo post sobre a decisão absurda de retirar o You tube do ar.

Economizem-me os puritanos de plantão. Se o são, não vejam o vídeo. A modelo Cicarelli aparece na praia espanhola de Cádiz, belíssima – tanto a praia quanto Daniela, em um grande amasso com o namorado que termina com um affair mais ousado no mar, pelo visto, com penetração … enfim, uma transa, cópula, ato sexual e animal. E humano, posto que animais somos. 

Ora, a julgar pelos comentários que li, que a consideram uma vadia, vagabunda e outros tantos adjetivos do gênero (basta verificar os chats e blogs), parece que a modelo e o namorado fizeram algo tão absurdo que beira o sobrenatural.

Qual a moça, namorada, com a mesma idade, mais nova ou mais velha, que não  desejou  fazer  sexo  na   praia, ou amor, se preferirem os que precisam do eufemismo ? Quem não teve a oportunidade de dar uns amassos em seu namorado(a) e não aproveitou a libido que o sol e o mar despertam         na  doce cadência das ~~~~ ondas ~~~~ ,                     tão cantada pelos poetas? Quem não fez sexo na praia, ou amor, desejou fazer ou fará, se puder.

Fico a pensar nos absurdos masculinos que ouvi … adolescentes ávidos pelo sexo disponibilizado gratuitamente na rede e ‘machos’ de plantão a apedrejar Daniela Cicarelli com os impropérios mais absurdos… Femininas línguas venenosas completam o coro. Não sou fã da apresentadora, não tenho afetos nem simpatias por ela. Daí a meu queixo cair porque um casal namora na praia… há uma enorme distância.

A ocasião desperta em mim outras indagações. Em tempos de Big Brother, câmeras em elevadores, locais públicos, celulares que gravam e fotografam ou filmam… janelas indiscretas vigiadas por um vizinho voyeur, sabemos não ter mesmo mais privacidade alguma. Aparentemente anônimos ou assim se acreditando, Tato e Daniela desfrutaram da paixão e tesão que sentiam um pelo outro, supostamente protegidos por oceanos e continentes de distância. Não procede a acusação dela expor-se a fim de buscar mais fama. Se assim fosse, namoraria no Guarujá. Seria mais rapidamente reconhecida.

A modernidade fez as comunicações evoluírem a tal ponto que não se pode mais falar em intimidade ou privacidade. Se eles quisessem sexo explícito, teriam feito na praia, à vista de todos. O simples entrar no mar revela um pudor social que, como lembra Rubem Fonseca em Intestino Grosso, nos faz envergonharmo-nos de toda e qualquer condição que nos lembre que somos animais, como as funções sexuais e excretoras. Não se pode ver alguém em condições ‘mais íntimas’ que um grande assombro toma conta das almas desocupadas e desperta a maledicência ferina que os castos difamadores destilam com prazer. A Cicarelli, se realmente foi ela a moça do vídeo, caberia bem a frase-defesa diante do júri que a espezinha:  E daí?

O ‘escândalo’ que o vídeo causou e o furor no you tube, que retirou o filme do ar por violar as normas do site ( não podem conter cenas de sexo os vídeos veiculados), revelam uma sociedade presa a fofocas e fuxicos herdados em anos de lavagem cerebral de uma imposição religiosa que insiste em transformar as mulheres em ‘virgens’ e os homens em fidedignos animais racionais, sem libido, sexualmente ativos apenas para a reprodução.

Honestamente, indecente foi terem filmado o casal com modernas câmeras equipadas com zoom, sem o consentimento de qualquer das partes.

Ser mulher

Ser mulher

Ser mulher não é lá tarefa das mais fáceis, embora seja uma delícia muitas vezes. Na semana que antecede a menstruação, nós acumulamos líqüidos que podem, na balança, significar exatos dois quilos a mais. Nada de drástico se se considerar que, assim que menstrua, o peso equilibra-se, uma vez que a atividade linfática retoma à  normalidade. O problema é que, percebendo-se inchada, dificilmente a mulher se lembra de qualquer vaso: nem o de flores, nem o sanitário, quanto mais o linfático! Ansiosas, então, pela alteração hormonal e pelo inchaço que faz elas se sentirem feias e não caberem bem naquela calça, a menina, a moça e a mulher comem. Comem não, devoram.

Doces, chocolates, biscoitos, tortas, calabresas, picanhas, churrascos, camarões, queijos e tudo o mais que for gordura ou açúcar (e delícia, diga-se). Este comportamento, obviamente, leva, realmente, os ponteiros na balança a subirem. Então, só no dia em que a dita cuja chega é que a mulher consegue controlar a ansiedade e fazer dieta até que possa, novamente, chegar ao patamar de alimentação normal. Nenhum problema se se conhece o funcionamento corporal, o diabo é que é um CICLO. Sim, e isso significa que, todos os meses, lá vamos nós de novo, mulheres, neste processo incha-desincha, que talvez tenha inspirado a sanfona que tanto chora. Chora, chora, sanfoninha, chora, chora…

A sensibilidade fica à flor-da-pele, viramos manteigas-derretidas. Para chorar, é daqui para ali. Choramos por tudo, coisas sérias e banais. A taxa hormonal potencializa todas as coisas e, de repente, um outro programa feito pelo namorado é interpretado como escanteio ou provocação. Ou então palavras sérias de repente ouvidas como grosseria das bravas. Um mau humor daquele funcionariozinho da repartição pode parecer a ela uma perseguição sem precedentes! Coitados dos homens, sim, que não sabem o que é o ciclo menstrual e não têm como entender a nossa órbita. É difícil mesmo.

E ainda temos que contar com o efeito da Lua. Não é à toa que a Lua mingua, cresce, fica cheia e depois nova de novo.  Somos água e, se a Lua influencia o movimento das marés… imagina os maremotos que não nos causa. Já observei o quanto o “enchimento” lunar tem a ver com o enchimento do meu metafórico saco. Perco a paciência, não tolero idiotices, não faço ouvidos de mercador, digo o que penso e fico cortante. Navalha na saia. Por outro lado, na Lua nova, fico meio perdida, marola sem objetivo, até que ganho de novo, entusiasmo e cresço em ondas… para minguar daqui a  pouquinho em maré morta. De cansaço. Ou de enfado.

Nada é 100% exato, sim, ainda bem. Se não houvesse outros fatores, poderíamos ser simplistas e reduzir a análise a quaisquer estereótipos cabíveis. Ser mulher ou humana, escapa, felizmente, aos estereótipos. É difícil estar e não estar, inchar e não inchar, emagrecer e engordar, animar e desanimar… Quando se pensa que seremos agressivas, relaxamos e somos doces; quando se crê que seremos passivas, viramos leoas feridas. Talvez este seja o encanto: o imprevisível. A shakespeariana questão: ser ou não ser serve para os homens, porque oferta exatas opções. Às mulheres, acrescente-se a possibilidade do quando. Quando quero ser ou quando posso ser ? Quando não sou e nem quero ser? Somos agora e daqui a pouco não mais.

Talvez o paradoxo da inconstância cíclica nos remeta ao que somos nós, as  mulheres: a antítese pleonástica de nós mesmas. Vá entender. Ou entender-nos.   

Retorno à Ítaca

Retorno à Ítaca

Meio-dia. Sineta insuportável ecoa, crianças descem gritando e correndo pelos corredores. Esgueirei-me calada, cenho franzido. Três avisos coordenados: “não esqueça isto”, “não esqueça isso” e “não esqueça aquilo”. Um pai tranca o carro dos demais. Uma perua buzina histérica. O alarme deu pane de novo. Quinze minutos para religar o carro. Engarrafamento. Buracos espalhados por toda a pista. Um renault bêbado samba na rua, ziguezagueando. Uma senhora de laranja atravessa fora da faixa, entre os carros. Vendedores ambulantes com tangerinas e morangos à esquerda. Insistem, insistem, insistem. Flanelões maiores de idade, homens sem camisa, com o nariz esmagado no vidro do seu carro a olhar o que há dentro e a implorar um trocado. Semáforos vermelhos. Obras em toda a orla. Trânsito interrompido, tudo sujo nos canteiros de obras. Um gol faz barbeiragens. Um siena tranca o tráfego no cruzamento. Quarenta e cinco minutos depois… Cheguei em casa, o controle da garagem não funcionou. O porteiro demorou a abrir o portão. O elevador estava no nono andar.  A empregada jogou fora o meu chá caríssimo. A empregada esqueceu-se de fazer o feijão. Minha avó ligou para bater papo. Meu primo ligou para vir aqui. Minha amiga ligou para vir aqui também…  STOP! Almocei e fui dormir, que eu sou gente.

A praia de Itapuã

A praia de Itapuã

Porque hoje é sábado, acabei indo parar na praia do poeta. Incrivelmente, a luz estava linda para a fotografia, descobri que talvez seja aquele o lugar de melhor luz em Salvador. Mas porque hoje é sábado, não levei a câmera. Fui livre, leve, solta… tranqüila… sem hora para voltar, sem contas a pagar, sem estresses, sem trabalho; larguei tudo em casa, deixei tudo na vida, na cidade que se via de lá ao longe.

Fomos eu e meus olhos de céu, abraçar moleque, rir à toa, gargalhar de besteiras e, simplesmente, namorar, namorar, namorar… Quanto tempo passou não sei, quanto tempo virá não sei, quanto tempo já há, também não sei. Sei que é bom, que é bonito, que é puro. 

Os barcos de Itapuã estavam lindos, com aquela preguiça no doce balanço, proa voltada para o leste… Pareciam me embalar em sonhos de infância quando havia pai e mãe. E foi gostoso, foi bonito. Estar com o coração tranqüilo acalma, não entristece. A luz da tarde, alta ainda, prateava o mar de tal maneira que mil folhas de celofane pareciam rebrilhar a cada marola.

Então nuvens pesadas vieram do horizonte, mas o Nordeste soprou e levou-as a chover em Salvador, naquele cinza de cotidianos que cegamente correm para lá e para cá, atropelando-se todos. Aqueles outros, os urbanos, eram os que precisavam de um banho de chuva. Ali, o tempo parara para a gente. E os barquinhos azuis, um vermelho, alguns brancos e tantos verdes, muitos verdes, dançavam numa cadência infinita no mar.

E pudemos perceber três homens, senhores de si a conduzir o saveirinho que mais parecia uma carruagem real, abrindo espaço entre as colchas d’água de Yemanjá. Era um saveiro de sonho, orgulho e perfeição no conduzir humano. A pintura tosca não era menos poética: ondinas marrons marolavam no branco do barco, lambendo a possibilidade de navegar para sempre.

As ostras estavam frescas, o abará delicioso. A cerveja no ponto, a roska na medida. O tremer de frio de lábios tão queridos aguçava as vontades de abraços. As pessoas sorriam-nos, a luz da tarde dourou o coqueiro de modo que imponente ele se ergueu  a declarar a sua presença. Música do dia? Não sei se há. Mas cantarolei comigo mesma toda a tarde. 

Alena Cairo

05 08 2006

Dia poético

Dia poético

O dia poético sempre é o dia que escolhemos para sê-lo.

Podem ser todos os dias? Não, não pode. Poesia é para ser sorvida e dias poéticos precisam de contemplação. Não dá para acordar na rotina e fazer de conta que o dia é poético.

Durante anos, quando eu era professora do ensino fundamental, elegi a quarta-feira com todo o seu azul para ser o meu dia poético. A matemática era simples: segunda, dia de horror à semana de trabalho puxado, preguiça com cara de tenho que labutar, eram 12 a 15 horas de trampo em sala de aula. Terça tinha cara de “ai, meu deus”.

Assim, Quarta era o dia P-E-R-F-E-I-T-O.

Simples, quando eu começava a trabalhar, já era sinal de que o dia ia acabar, não faltava mais um dia para o fim-de-semana. Quarta  é véspera de quinta, dia de cine-mendigo, dia de sair à noite, dar um voleio imbecil no shopping. O segredo de quarta é que é véspera de quinta. E a gente sabe a humana idiossincrasia de comemorar a véspera. E o melhor, como quarta é véspera de quinta e quinta é véspera de sexta, estava tudo em pleno estado de comemoração. Já.

O segredo era simples: fazer da quarta, pilar da semana estressante, o dia de começos de risos com cara de folga… cara de fine settimana.

E por mais que eu trabalhasse quinta, este lance de saber que era quarta já me alegrava.

O tempo passou, entretanto, e elegi a quinta. Por causa do ex-amor. Ele amava a quinta, dia de vestir verde. A gente acabou assim amando junto a quinta-feira. E era dia de comidinha árabe feita por mim. Dia de chamar os amigos e fazer jantar em casa. Dia de tomar vinho até a Lua nos cansar na varanda e as poesias de Pessoa, Saramago, Drummond nos embriagarem de vez. Dia de discutir Nietzsche, de filosofar Platão, de descobrir Aristóteles. Dia de resenhar as leituras da semana na varanda gradeada (Ó como eu quis arrancá-las, as grades)… olhando por entre as frestas e acreditando no humano sonho de Ícaro… O vinho balizou os poemas, aguçou o olfato e o sexo entre macho e fêmea. E a Heineken alegrava as horas de tertúlias amorosas e amistícias somadas às gargalhadas de quem sabe ser feliz. Llosa, Neruda, Hugo, Veloso, Sousa Tavares… todos nos acompanharam… e rimos e rimos e rimos… brindando sempre à vida e a nós dois… que eu nunca esqueço o brinde.

Hoje, o tempo passou mais uma vez… O legado ficou e não mudei para a sexta. A sexta é comum, pertence a todos, banais, humanos normais que se arrastam pelos metrôs ou  nas estações sem sequer saber que existe vida após o trabalho. E que dinheiro dá prazer, não dor de cabeça.

E porque hoje é quinta, eu chego mais tarde sim, em casa. Trabalho muito, sim. Corro de um lado para o outro… mas tenho prazer em pôr eu mesma o alho a cheirar no azeite, os tomates a cozer, a cebola a refogar e os pimentões milimetricamente cortados a despertar a acidez que me é tão doce. Depois, os mexilhões, a lula, o polvo, o kani, a lagosta e os camarões a dourar junto, banhados naquele pouco de viño bianco que aguça qualquer sabor. O molho de tomates rega o riso, arbóreo e frondoso na panela, enquanto o açafrão ou a páprica dão a pitada certa que o sal complementa. A atenção é redobrada no cozinhar do feitiço para ser feliz…

E sento à mesa, taça em riste, para brindar a doçura de viver bem… um brinde aos que assim me ensinaram e aos que poderão desfrutar destes momentos… Porque a vida só é possível reinventada, não é Cecília?

Pedaços

Pedaços

Hoje sou um pedaço de família:

mulher-ilha sozinha em minhas decisões.

Hoje precisei de um pedaço de homem:

seus braços fortes para me envolver.

Desejei outro pedaço, este atitudinal:

“pode deixar, minha filha, que eu resolvo tudo para você”.

Um pedaço do meu carro pifou:

o alarme encrecou e eu fiquei à deriva

no banco da frente, pedaço de mim,

esperando o seguro com motor bloqueado às 23 horas.

Um pedaço de meu cérebro lembrou

que eu tenho a mania de ler manuais

e tentei todos os pedaços de decisões

que os garanhões de plantão não conseguiram resolver.

Aperta daqui e dali, abre o capô, o painel de fusíveis,

gira a chave com pé na embreagem, gira a chave sem o pé na embreagem,

acelerei assim e assado, apertei botão, soltei botão, fiz isto, isso e aquilo…

Até que parei, pensei e decidi, sozinha:

pedaço de papel colado no vidro. Disquei o seguro.

Relaxei, tranqüilizei-me… Lembrei então o pedaço certo do manual…

tática aplicada, desbloqueio do motor do carro ativado!

Feliz, auto-suficiente e mulher.

Faculdade deserta, mais ninguém àquela hora.

Dispensei o seguro, voltei para casa.

Subi a escada escura meio melancólica.

Em casa, faltava o pedaço que eu queria.

Olhei a torta de nozes…

um pedaço, dois pedaços, três e quatro pedaços.

Depois de um terço da doçura digerido serotoninamente,

a dieta foi para o espaço… mais três morangos…

A essa altura,

e o coração?

Simples: está em pedaços.

 

 

Domingão

Domingão

Todas conversavam na mesa de bar. Tagarelices femininas. Da bolsa entupida de inutilidades ao preço do euro, da casquinhagem inaceitável ao leite em pó infantil. Do novo disco daquele cantor canadense ao preço da diversão. Do gato da mesa ao lado ao dentista do filho. Do salário da babá ao traidor do sétimo andar. Aleatórios diálogos, divertidas conversas, polêmicas inférteis ou tititis de comadres.

Com licença

Com licença

Hoje é sexta-feira!!!

Acordei às 5h30 ( da matina, não foi da tarde não!), dei aulas a 200 criancinhas de 50 em 50 minutos, ouvi pressão de um pai, atendi coordenadora… entreguei uma prova, elaborei outra, saí às 12h, peguei o maior engarrafamento do mês, não pude ir à faculdade entregar um trabalho, não pude ir buscar um dinheiro na casa da colega, não pude ir ao salão, não pude ir ao shopping, não pude levar a máquina à assistência técnica, não pude ir ao banco, não almocei. Peguei minha avozinha velhinha, levei-a a fazer uma cirurgia, encontrei um aluno no hospital (que, galante, beijou minha mão – hehehe), encontrei uma colega de faculdade que não via há seis anos, comi dois pacotes infames de biscoito e batata-frita que é tudo que há nestas merdas de hospitais (bem saudável, não?), tomei uma água de coco num mercadinho imundo (vou postar sobre isso), um refri diet… Encostei na cadeira do hospital, esperei quatro horas, bêbada de sono da noite mal dormida, li os quatro livrinhos que levei, enfadei, joguei vídeo game no celular,  a madame do lado conversou horas comigo sem que eu lhe perguntasse nada, fiquei sabendo de todos os assaltos que a família dela sofreu, do nome da namorada do filho dela, do emprego dos dois rapazes folgados que ela pariu (segundo ela mesma), que cinco pessoas já se mudaram do prédio dela com medo da violência no bairro, que o marido dela não funciona mais por causa da próstata, que ele aposentou como inválido, que fez cirurgia há sete anos, que o plano dela é uma merda, que ela trabalhava no Pólo petroquímico, que ela tem assinatura da revista veja… blá blá blá blá blá… Saí do hospital, paguei uma fortuna de estacionamento, levei a avó velhinha ao passeio no fim de tarde para desestressar da cirurgia, fi-la comer uma torta de damasco (huuummmmm), dirigi, coloquei gasolina, fui à farmácia, comprei remédios, fiz um tal de cartão da farmácia para ela porque o remédio fica mais barato para os clientes x, deixei-a em casa, esperei que tomasse banho, entreguei-a aos cuidados da outra irmã, liguei para a amiga, para a família, dirigi, um trânsito dos infernos…

Estou cansada, com olheiras…

Cheguei à minha casa às dezenove e quinze, tomei banho assim que entrei, peguei um vestidinho no armário, maquiei o rosto, arrumei o cabelo, ajeitei a unha, bloguei e, de sapatos altos, vou ali a uma festinha que ninguém é de ferro! 

Eu, meus queijos, meu vinho

Eu, meus queijos, meu vinho

É quinta à noite e me acostumei a celebrá-la. Antes, tempo farto de amor, era dia de comida árabe ou italiana, homem chegando às seis em casa, música romântica escolhida por ele na sala.

Havia tempo para uma dança. Havia uma cerveja partilhada ou um vinho a dois. Havia uma varanda e uma Lua no céu. E o mar, mar , distante mar…

Hoje há a doçura, há o vinho, há o sonho, há a mulher. Há queijo Gruyère, Gouda, Brie e Gorgonzola.

Há boa música e quatro travesseiros me esperando.

Leio Crime e Castigo de Fiódor Mikhailovich Dostoiévski. E curto a minha Felicidade transitória e Clandestina, não é Clarice?

Tim, tim.

Se… parte II

Se… parte II

… o pecado bate na porta, a gente sorri. Se traz sorvete, os orgasmos são múltiplos!

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Aproveito aqui para lançar a minha mais escandalosa revelação (risos). Desde que eu descobri isso, quando conto a um namorado, o olho dele fica miudinho, com aquela cara de impotência do tipo: e agora? O que é que eu vou fazer com uma mulher destas? Eu brinco e digo: nem se preocupe, jamais reclamarei. Existe sorvete! 

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Vamos ao post:

Quando éramos crianças, o pai e a mãe eram vivos e os domingos eram cheios. Saíamos ao clube, banho de piscina, coxinhas, acarajés, refrigerantes, etc. Almoço na churrascaria etc etc etc . Nada disso interessa agora, porque o grand finale do dia era a coroação : depois do passeio no Farol da Barra, na Avenida Sete (sim, fazíamos city tour em Salvador no Monza dourado aos domingos) ou na Ribeira, as três meninas alegres desciam do carro alvoroçadas, não menos que a menina-mor ( minha mãe) e que o menino-mor (meu pai).

Parávamos na Cubana ou na Sorveteria Amaralina ou na Sorveteria da Ribeira naqueles doces domingos hoje da memória. Então minha mãe, autoritária que só ela, fazia questão de escolher o melhor para as três filhas e para si mesma : quatro sorvetes de coco e manga, por favor,  e um de ameixa com coco ou com amendoim (esse era o de meu pai,  que sujava a cara larga todinha e lambia os cantinhos das suas próprias bochechas até  limpá-las com a língua.). Por isso, a gente aprendeu a tomar dois sorvetes, para ter o direito de escolher uma bola do segundo, que uma sempre tinha de ser o de coco porque ELA determinava e porque era, realmente, o melhor.

Minha gula megalomaníaca infantil sonhava com o dia em que eu namoraria um dono de sorveteria – tipo a Magali desejando o Quinzinho apenas por causa dos sonhos e doces – só para poder comer de colher todos os sorvetes que eu bem entendesse, retirando as porções sem cerimônia daquele pote de 20 litros que fica exposto nas vitrines.

E a palavra convida:  sorvete. Sorve-te. Sorver-te. Sorver… Eu sorvo o sabor, o teu divino sabor…  Te sorvo assim… huuummm… a pazinha raspando o cremoso gelato, a língua entrando em contato com o frio que vai se derretendo em mim… A minha nuca se arrepia então… Se tiver uma colher, eu viro-a do avesso e lambo a forma côncava pelo lado de dentro, roçando a língua com uma precisão  quase científica a ponto de nada lhe sobrar do creme precioso… faço isso até hoje, como só as crianças sapecas sabem fazer!

Então aquele gelo gostoso, derretido, frio ainda, mistura-se à saliva que já me inunda a boca e  desce lenta e prazerosamente pela garganta. Sinto as curvas do frio em mim, invadindo-me o início do sistema digestivo até desaparecer de minha ainda quase nula sã consciência do processo alimentar.

A essa altura, as ondas de prazer já me tomaram o corpo e o arrepio subiu de novo à nuca, espalhou-se pelas costas e, juro(!) aqueceu-me o sexo. Como o movimento se repete ainda muitas vezes, sinto, realmente, um prazer orgásmico ao sorver-te, sorvete.

Como  respeito o sexo e muito, não tomo sorvetes à toa. Uso-os como válvula de escape para minhas tensões cotidianas ou como recompensa por tarefas exaustivas que cumpro. Ou para os dias em que a Liberdade realmente se faz para mim. Nestes momentos, caminho lépida e faceira, quase saltitante, com uma leveza de mulher e uma pureza de menina, absorta em meu sorvete como estaria ao partilhar a intimidade com outro alguém.

Assim termina minha noite: ganhei um pote de sorvete e um beijo inocente.

Deu para tirar uma casquinha?

Todos os dias são meus

Todos os dias são meus

Há dois dias, publiquei um post sobre um delicioso dia que tive. Hoje, acordei preguiçosa, às 7 da matina, depois de ter rolado na cama algumas horas com o pensamento em desalinho.  O ato de calçar a meia, o ritual de amarrar os cadarços do tênis, a delícia de sentir o cotton justo na pele, a trança indisciplinada no cabelo … e, especialmente, a possibilidade de deixar o carro na garagem de casa, descer as escadas andando e abrir o portão do prédio para ganhar a orla, a pé, me deram a exata sensação da delícia de ser o que se é.

Amo a liberdade, gosto de sorrir… Hoje corei pelo sol tímido de inverno. E pelas recordações. O céu azul enganava, entretanto a névoa no mar me confirmava que não era verão ainda. Caminhei oito quilômetros, livre, sem tempo para voltar, sem telefone para atender, sem desculpas para apresentar.  Na volta, o dinheiro trocado, tão pouco, não parecia fazer jus ao prazer indelével que a água de coco é capaz de proporcionar.

Voltar para casa devagar, divagando, sorrindo sozinha…

E, então, ligar o pc, receber uma mensagem esperada, reencontrar via skype uma grande amiga paulista e  sentar à mesa para degustar o tabule, o quibe de forno e a saladinha árabe…  Esse é o tom da vida, esse degustar infinito que minha mãe me ensinou. Delícia.

Pequei

Pequei

Estudei em colégio de freiras, o que me rendeu um bom conhecimento bíblico. Mas não foi suficiente para me cegar. Não, ao contrário, depois de ter lido, criança, toda a obra de Lobato, eu só poderia ter o inconformismo da Emília. E pensei muito durante muito tempo se eu não estava querendo trocar abóboras de lugar com jabuticabas.

No Ensino Médio, que antes era segundo grau, conheci a obra do Boca do Inferno, pela qual passaram voando, voando, devido aos fundamentos religiosos, e do qual os professores disseram ser um poeta menor, um louco desbocado, acreditem.

Meus pais, entretanto, me disseram que a educação era o que de mais importante havia na vida e eu os amava tanto que acreditei sem hesitações. Sempre ia a fundo e, como eu já conhecia a Biblioteca Central naquele tempo, fui um sábado vadio passar a tarde lá. Encontrei o que queria: mais sobre Gregório. Depois disso, descobri, na casa de meu avô, homem culto do sertão nordestino, um exemplar da obra gregoriana. E me fascinei com a linguagem que tentaram me fazer crer descabida. Sozinha, entendi o que vinha a ser conceptismo e cultismo.

Depois das incursões gregorianas, virei professora e fui à luta. Ter que dar com 20 anos aulas no cursinho me fez estudar muito. E mais conheci de Gregório. A formação religiosa dará outro post, breve. Vamos ao que interessa: a culpa.

Minha mãe era extremamente rigorosa, de boa família e pautada pela decência, moral e pelos bons costumes. Por outro lado, viveu a geração paz e amor e lia demais, portanto não deixou de nos criar com o cerne da inquietação. Casa de tês filhas, bebemos a revolução e a anarquia que ela mesma cuidava de podar para que não desvairasse em galhos muito acintosos. Seus olhos reprovadores eram o super ego de qualquer uma de nós.

Livrei-me da cegueira religiosa, da cegueira de família latifundiária interiorana casada-para-todo-o-sempre-amém, da cegueira do que-é-que-os-outros-vão-pensar… Li O Anticristo, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Ensaio sobre a Cegueira, Para Além do Bem e do Mal, e mais: poesia, contos machadianos, literatura universal etc etc etc… Se aquele que tinha Guerra no nome me influenciou em idade perigosa, aos 14, e mais tantos outros, como é que o Ministério de Educação diz que ler não faz mal (risos)?

Assim pude me libertar também dos olhos incriminadores dela, da luta entre o anjo e o diabo na minha consciência que se percebeu, simplesmente, humana e animal.

Deste modo, extirpo qualquer sombra de culpa e, ao meu pecado, brindo na Boca do Inferno onde talvez eu vá me aquecer do frio soteropolitano, bebendo o vinho de Baco:

A Jesus Cristo Nosso Senhor

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história,

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

Gregório de Matos Guerra ____________________________________________________________________

Genial, não? Pequem, ovelhas, Deus que nos venha salvar então!

Ah, nessa mesma escola, APRENDI o silogismo: Deus é amor. Quem ama perdoa. Então…

:) Ó divina desculpa !

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Evil o pecado veio à porta. E agora bate na aorta.

Receita certa

Receita certa

Fico a observar os parâmetros de cada um para ser feliz. Alguém quer casar-se, a qualquer custo, com o tal do príncipe encantado que nunca chega; alguém deseja um harém infindável e a esposa que lhe sirva de governanta e ama da prole; acolá outro alguém deseja liberdade, mas cerceia o arbítrio alheio…Conheço aquele que é feliz com seus quatro filhos, o que foi infeliz por 35 anos ao lado da bruxa algoz, o solteirão convicto e o marido exemplar. Sou amiga da solteira "porra-louca", da esposa fiel e dedicada, da solteira encalhada e infeliz e da mulher moderna independente.

Conheço a amante realizada em seus prazeres roubados, a amante frustrada por sê-lo, a virgem que ainda espera o casamento e a mulher comum, que vive como todas. Há o garanhão desvairado, trepa com a que aparece; o celibatário sedutor que não dorme com ninguém, talvez um mané, embora sádico em suas conquistas não consumadas; o casado-com-vontade-de-não-ser; o solteiro-com-vontade de nunca deixa de ser, assim como aquele que aguarda o dia em que não mais o será…

Há o meu amigo gay, que nunca se assume; o que se revelou e é feliz e também o que se revelou e não bancou… Já vi também uma freira saltitante  e serelepe e uma outra amarga e infeliz.

Etcétera, etcétera, etcétera…etc.

Agora, fico a pensar, vim na estrada viajando na questão: como pode tanta gente diferente querer dar palpite ou conselho para a vida alheia? Uma vez eu li que a gente pede conselho a quem já sabemos o que nos vai dizer, meio que sabotando a influência da alteridade em nossas egocêntricas questões.

Por isso, há muito tempo, ouço, ouço, ouço. Às vezes, perco a paciência. Noutras, retruco. Alguns momentos, calo-me fingindo acreditar naquela receita prontinha que o vizinho me apresenta para resolver a MINHA VIDA. Há momentos em que nem espaço dou. Horas outras em que proclamo minhas felicidades aos quatro ventos, outras em que eu choro pelos quatro cantos. Há também as horas em que calo e, muda, sinto o que tenho a sentir.

Mas o que me pauta sempre, desde que me descobri Alena, é o que eu quero, o que eu penso, em que eu acredito e o que me faz mal, bem como o que me deixa feliz. Porque é muito bom comermos na rua de vez em quando, mas, para todo dia, a minha receita é que é a boa!

Brasil X Japão: melhores momentos

Brasil X Japão: melhores momentos

Joguim chinfrim : difícil mesmo ver a emoção que o Chatão Bueno queria forçar para que acreditássemos existir. O primeiro gol me deixou felicíssima. Juro. Acho burro todo mundo que subestima o adversário.  Meio  aquela história da corrida entre o coelho e a tartaruga.

Ui! Comemos 15 litros de amendoim e tomamos todas as cervejas do freezer. Excelente ! Aqui tinha pastéis também…

Bom dar risada ao perceber mais uma vez que nós  temos um coach Parreira:http://adsl.sapo.pt/images/acesso/dialup/prepago/acesso/sapo_bk_tr.gif 

Outra da copa maravilhosa: minha afilhada de sete anos perceber que sempre o Ronaldinho passa a língua na boca na hora de cantar o Índio do Brasil: Ouviram do Ipiranga…

Mais uma: o nome dos jogadores da seleção japonesa: Takahara e Doi.

Outra: o comentário do Chatão Bueno sobre o cabelo pintado do jogador japonês loiro…

Pensar que eu gostaria de estar na Alemanha e que quando eu visse os Alimões eu faria uma bela caipiroska com eles!

Mais uma: Zico é técnico do Japão e estava comemorando o gol do nosso adversário, felicíssimo… hum , a  gente torce é para o dinheiro. Em qual país eu na$ci me$mo?

Outra: minha amiga me perguntou o que é que fazia os Ronaldinhos na tv parecerem até bonitos? Eu lhe respondi: o dinheiro $$$

Ainda tem: aos trinta e seis minutos, a Globo publicou os "Shots" a Gol : 1 Japão e 5 Brasil. Chorei de rir. O único chute do Japão já tinha rendido um Gol.

Mais: Na rádio, um concurso. Um país cuja sílaba seja comestível. Resposta do ouvinte: Cuba! Ao que o locutor diz: é , tá certo, tá certo… mas era para ser Japão.

Mas mesmo diante de tanta matéria para escrever, nada , mas nada mesmo, foi melhor do que ver minha afilhada entrar aqui em casa de anteninha verde e amarela. Impagável.

Já chega!

Já chega!

Não sou nenhuma católica apostólica romana, sou soteropolitana, sou baiana , sou de Salvador. Afff! Como se diz…

Não estou para defender a "santa igreja", mas essa conversa já extrapolou. Vi anteontem o vídeo do Pinto na boate Gay de Salvador, OFF. Hoje, recebi via e-mail três fotos do dito cujo dançando e esbaldando-se. Nada contra, acho ótimo, na verdade, que bom que é curtir  e também escandalizar, ser livre, feliz, gargalhar, sambar e rodopiar.

A pessoa Pinto, contudo, talvez não fosse sequer um pouquinho interessante e me parece que soube usar bema condição de estar na igreja como padre para celebrizar-se. Vejo a fantasiosa síndrome de Darlene, para os mais intelectuais, o darlenismo. 

O homem Pinto era padre, foi padre, exerceu a sua "padrinitude" . Daí a persistirem em dizer que o tal que esteve no Jô, na OFF e etc, é Padre Pinto, me economizem. Já chega. Se ele foi padre, deixou de sê-lo. O que faz hoje não se relaciona ao sacerdócio, então não mais é padre.

O prazer que muitos têm demonstrado em dizer de boca cheia Padre Pinto parece revelar a vontade de açoitar a igreja que tanto oprimiu ao longo da história. Se há padres pedófilos, se há padres atores, se há padres pintos… não significa que todos o sejam. Abaixo o estereótipo, inclusive o de padre santo. Há fatos que merecem profunda análise na gestão mundial do catolicismo, merecem críticas severas, merecem que repensemos os papéis, principalmente os dos religiosos na vida do povo, mas daí a açoitar a igreja por aquele Pinto ser padre, é uma outra questão.

E se o homem é Pinto, que seja. Mas padre ele não é. Ou não está sendo agora.

Se o Pinto dominou o homem que era padre, que seja Pinto, não seja o padre Pinto.

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P.S.: Por que eu tenho lido Padre Pinto ? Se padre é um substantivo comum, não deve ser grafado com letra minúscula? Ou estou mais uma vez alienada e o nome próprio dele, o que consta no R.G., é Padre Pinto de tal?

Prova de matemática

Prova de matemática

Hoje eu tomava conta da prova de matemática na escola. Fiscalizava uma turminha de 5a e 6a séries.  Uma das questões da 5a série pedia aos alunos que resolvessem:

2 + { [ 58 - ( 52 + √64 - 120 : 60) ] : √81 } =

Vamos à resolução :

2 + { [ 58 - ( 25 + 8 - 120 : 60) ] : 9 } =

2 + { [ 58 - ( 33 - 120 : 60) ] : 9 } =

2 + { [ 58 - ( 33  - 2 ) ] : 9 } =

2 + { [ 58 - 31 ] : 9 } =

2 + { 27 : 9 } =

2 + 3 =

5

O melhor do dia ficou por conta do comentário da aluna de 12 anos ao entregar a prova: 

- Já viu, pró? Pedem à gente para fazer uma conta destas só para achar o número 5…

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Tô rindo até agora. :D

Novos técnicos

Novos técnicos

Fui acordada pelo novo técnico da seleção brasileira… Sim, já são muitos, já estão nas ruas… O técnico em questão é uma garota de 14 anos:

- Olha, Alena, o jogo foi 1X0 …também…com aquele Ronaldinho estrela que não joga nada…  Uma seleção que não se conhece, não entende que "a união faz a força"… se eles continuarem a jogar assim desencontrados, o Brasil vai ver só… humpft, acho que vamos é perder desse jeito…

Risos e paciência : receita para amanhã quando os técnicos invadirem as ruas. 

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Não, eu não torço contra.

Aos diabos!

Aos diabos!

Ai… o que é o relógio diante das sensações? Pouco importa o relógio, pouco importam erros. Christopher Reeve estava lindo, ele era o super homem no outro filme, toda menina sonhava com um Clark bobinho e frágil para pôr no colo, mas que virasse Super nas horas do perigo. Ui, talvez tenha sintetizado o que queríamos dos homens.

Olha ele aqui ! Arquivo Uol Folhacrédito:(http://www1.folha.uol.com.br/folha/galeria/album/images/20041011-christopher_reeve-01.jpg)

Quando eu vi Em algum lugar do passado, tinha exatos 13 anos e disse a hiperbólica frase adolescente: foi o melhor filme que eu vi na vida. Há que se considerar minhas experiências aos 13. Cheguei à minha casa do cinema tão adolescentemente encantada que fui conversar com minha avó. Falei-lhe que queria de presente o livro, meu aniversário seria no mês seguinte. Ela retrucou porque achou que eu deveria querer qualquer coisa mais mocinha. Acabei assim descobrindo a diferença entre a linguagem do cinema e do livro.

Tudo passa, mas há  coisas doces. Se o filme hoje é boboca, paciência. Àquele tempo , não o era. Deixou marcas nas bocozices de nós, mulheres…

Ãã… Agora vem cá, por que diabos é que a gente tem que ficar explicando por que gosta do que gosta? Gosta e pronto, uai. Nenhum homem tem que palestrar ao confessar torcer para um time ou dizer que adora dominó, fórmula 1 ou baralho. Talvez sejam ecos da submissão feminina, de uma época em que tudo de que a gente gostava era inferior ou "tolices" para os machos-patriarcas-imperadores da sociedade, da vida, do mundo e da nossa história.

Vi lá nas Fridas a confissão primeira, este post começou ao comentar o que a Helê escreveu. Aí resolvi oferecer-lhes (aos que confessam gostar), blogueiros e leitores, uma prenda:

Eu tenho! Gostei tanto do filme que pedi a minha avó de aniversário aos 14 anos.

 E, de brinde, a epígrafe do livro:

Oh, chama de volta o passado,

ordena que o tempo retorne.                      

-  Ricardo II, 3o ato, 2a Cena

Ao ver tanta gente se explicando sobre as bobagens que curte, como eu mesma me expliquei durante muito tempo, penso em quantos se irmanam nestas doces idiossincrasias… Se a minha vida está em palavras, que agora possa estar também em filmes. Sim, confesso que os vi!

- Dirty Dancing (13 vezes no cinema com 14 anos, mais umas vinte no vídeo, comprei os dois lps e depois os dois cds. Ah, e tenho hoje  o 'devedê', ao qual assisto com minha afilhada nas jovens tardes de domingo);

- Capitão Coreli (Yes, faz quatro anos que vi no cinema e depois comprei o 'devedê');

- De volta para o futuro (vi todos e basta passar na sessão da tarde para eu repetir);

- Top Gang (para rir muito da imbecilidade: vi todos, todos);

- Corra que a polícia vem aí (toda a série);

- e ainda mais Romeu e Julieta, A Odisséia, Sociedade dos poetas mortos e tantos outros.

Só para dizer que eu não me envergonho, eu rio, eu curto, choro, sofro, me apaixono… Sabe a expressão de assombro do cara da locadora : De novo!?!?!?

A propósito do tema, às almas amantes da literatura e das artes, eu ofereço uma crônica deste livrinho aqui:

Eu leio muitas vezes este livro

A segunda primeira vez (página 175/176)*. Vale a leitura pela oportunidade de se repensar enquanto gente , humana, com sentimentos, memórias e recordações. Pessoas que vêem um passado em algum lugar, e que sabem que  "Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão." ( C. D. de Andrade)

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*(Procurei link na net, não achei. Eu a digitei agorinha. Quem quiser, mande um e-mail ou deixe um recado.)

Uma mulher já HEXAsperada

Uma mulher já HEXAsperada

Honestamente, Frida Helê?
Estou enjoada de ver o verde amarelo em pães, prendedores de cabelo, baldes de lixo, sacolas de supermercado, bandeirolas na rua, convites de aniversário de criança, sucos, carros lançados, maquiagem, esmaltes no salão, surpresinhas de casamento (até lembrança, creia!) …  Se abrirem a barriguinha do brasileiro no IML, vão achar seus órgãos decorados para a copa: um pulmão verde – desejoso de ar puro, outro amarelo – de catarro? O estômago azul – mas de fome. Os olhos estarão amarelos- de icterícia? (kkkkkkkk… viajei na besteira agora)

Aqui na Bahia, as casas de decoração pintaram paredes de sala de verde ou amarelo, contrastando com sofá verde-amarelo-azul, criaram puffs em formato de bola de futebol. Fora as tacinhas de sobremesa da Coza, as bandejas, os copos, os pratos, guardanapos, as luminárias e etc etc etc.

As criancinhas cantam versões ufanistas de canções conhecidas  nas escolinhas decoradinhas de verde-amarelinho … arght arght arght arght!
Quero ver se vão enterrar os mortos decorados para a copa em caixões verdes ou azuis com estrelinhas e se vão nascer bebês com nomes Copalino, Hequiça de Queiroz, AlHEXAndre e tal… Ui!

Se a moda pega, só se comerá canjica ou curau, milho verde, polenta, farofa amarelinha, saladas de folhas,  azeitona… Para beber, suco de umbu, cajá, maracujá ou água dos cocos verdinhos. Talvez assim a coca-cola tenha um preju – isso se ela não lançar o líqüido amarelo ou verdinho, porque a embalagem já está na moda.

Como irritar a “patroa”

Como irritar a “patroa”

Primeiro lugar: eu me irrito com esta mania de eufemismos para tudo quanto é coisa! Depois e antes da cartilha do politicamente correto (juro que eu queria ter uma para ler as idiossincrasias escritas), o povo tem mania de "tucanizar" tudo, como diz o Simão.

Eufemismos hipócritas. Alguém aí assina a carteira da empregada doméstica como secretária do lar ou como assistente do lar? Talvez registrem na CTPS auxiliar do lar. E na hora de procurar o sindicato, qual procurarão?  Recuso-me a dizer secretária: a minha doméstica não é bilíngue, não digita nada no pc, não me assessora e mal atende telefone. Nem recado direito anota. Faz o serviço doméstico muito bem, mas não é secretária.

Estou inaugurando hoje a série da teoria conspiratória: um curso sobre como irritar a "patroa" (Ô palavrinha feia) em 15 minutos. Falar nisto, detesto aquele programelho A Diarista. Péssimo exemplo de desrespeito a quem contrata. Cada episódio que eu vejo a população comentar que me desestimula enquanto "brasileira e cidadã".

Uns amigos meus acharam graça e futilidade eu reparar nisso, mas meu senso estético é um tanto quanto ativo e eu me irrito todas as vezes que entro no quarto e vejo que ELA não coloca o edredon na direção certa. O caule das flores fica de cabeça para baixo e eu tenho a impressão de que estão caindo do céu. No psicoteste, ela perderia. Carteira de motorista? Nem pensar. Ou seria surrealismo avançado e eu é que não a compreendo?

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Outra boa aqui em casa e freqüente:

- Ligaram para você e disseram que era importante.

- Quem ligou?

- Ah, esqueci.

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Outra, depois de eu a instruir para anotar os recados:

- Ligaram para você e disseram que era importante.

- Quem ligou?

- Ah, esqueci, mas anotei ali.

Pego o papel e descubro que anotou seis números e não os oito necessários para retornar a ligação. Ah, o nome nunca vem escrito. Erra todos.

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Da série soluções anti-enfarto do miocárdio (todas testadas e aprovadas):

1. Para o edredon: entre em casa, ache sua cama linda, retire o edredon e coloque-o na posição certa.

2. Para o telefone: um bina resolve metade do problema. Você liga, diz seu nome e pergunta quem foi que ligou para você hoje no horário x.

Ufa!

Nós não somos lisas, Monas!

Nós não somos lisas, Monas!

Pergunte aos homens o que eles acham lindo na mulher: "99,9999…"% vai dizer o quanto a curva feminina o atrai e seduz. Eles acham o corpo feminino algo divino, obra de arte…

Falam da bunda, falam dos seios, falam da cintura… Eles adoram o vai-e-vém da mão em cada curva da estrada mulher.  Em caminhão, quando viajava pelo sul do país, já li: Estrada reta é como mulher sem curva: dá sono.

Este papo todo é para refletir sobre a pergunta do atendente da Perini no balcão dos sorvetes a uma mulher que estava lá super-tensa-porque-ia-tomar-uma-mísera-bola-de-sorvete:

- Moça, por que é que todas chegam aqui e ficam se culpando? Até pedir bola menor tem gente que pede! Falam de calorias, que engorda e tal. Me explique aí por que é que vocês fazem isso.

- Ah, a gente faz isso para não engordar, porque vocês nos cobram isso! Querem só mulher magérrima, seca, igual a palito.

- Eu não! E quem foi que disse isso a vocês? Os homens que eu conheço não querem tábua, não!

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Eu fiquei a pensar… Vá lá que a gente não deve se descuidar, mas daí a empalitar-nos…

Crianças!

Crianças!

Minha afilhada de 7 anos pergunta à mãe:

- Mãe, se uma pessoa nascer com três olhos faz o quê?

A mãe, exasperada com as freqüentes indagações deste universo infantil (?!), responde-lhe: 

- Amarra uma faixa na testa.

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Minha irmã, de 14, ontem me disse que precisava de ter uma conversa séria comigo. Pensei em sexo, menstruação, namoro, beijo de língua, aborto, homossexualidade… tudo num átimo de um segundo, em flashes. A questão caiu sobre mim bombástica:

- Sim, pode dizer…

- Por que é que alguns personagens da Turma da Mônica têm dedos no pé e outros não têm?

- Ah, Pi, porque Deus quis assim… Neste caso, Deus é o Maurício. (E ri sem parar)

Abaixo a T.I.A.!

Abaixo a T.I.A.!

Movimento de protesto matutino neste blog:

Abaixo a T.I.A.! Eu não tenho sobrinhos, sou balzaquiana moderna, não sou tia.

O movimento está buscando sofregamente acabar com a tiazificação da mulher. Já não bastam umas 140 criancinhas quererem me aparentar na escola, chamando-me de tia, agora veio mais essa via e-mail:

Olá, "Tia".

Segue, em anexo, resenha do livro…

Observem o teor da mensagem deste distinto senhor que francamente, pelas aspas percebo, chama-me de Tia. Posso recorrer à lógica argumentativa e lembrar-lhe que não fiz 4 anos de faculdade mais dois de especialização para me formar em Tia. Para isso, bastava minhas irmãs parirem.

Poderia me zangar, achando que ele me quis chamar de encalhada, mas não tenho este trauma, estou solteira e feliz. Poderia crer que o parentesco foi suscitado para que eu considerasse melhor sua resenha e assim o privilegiasse com bonomia diante da avaliação. Não sou esta professora.

Poderia entender, destarte, que a tiazificação quer me relegar ao plano de professora mulher(sobre o tema, ler A mulher escondida na professora), numa clara alusão do seu desejo à tiazinha da tv . Talvez o aluno esteja neste plano, no universo do homem que deseja a professora – só recentemente fiquei consciente desta folclórica manifestação masculina. Poderia, ainda, ler nas entrelinhas que ele está também com um baita T – veja como grafou o Tia e não é um substantivo próprio.

Prefiro não elocubrar demais. Porque hoje é sábado, estou na Bahia e há lambreta me esperando na Cely.

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FERNÁNDEZ, Alícia. A Mulher Escondida na Professora: uma leitura psicopedagógica do ser mulher, da corporalidade e da aprendizagem  – Porto Alegre; Artes Médicas Sul, 1994 

Greve é grave, ainda bem que a bola está batendo na trave!

Greve é grave, ainda bem que a bola está batendo na trave!

Salvador está uma delícia para quem anda de carro. A greve dos rodoviários me fez perceber o quanto o caos no trânsito aos ônibus se deve. Por outro lado, está prejudicial para quem precisa(!?) dotrabalhador. Minha empregada faltou dois dias. Hoje, fui buscá-la antes que a pia me tirasse das correções e provas. A sensação que eu tenho é que os famosos e angustiantes envelopes pardos foram à missa ouvir o sermão: cresçam e multipliquem-se!

Estou há dois dias matutando o amistoso entre Brasil e o time de Lucerna, Suíça. Na semana que antecedeu o jogo, ao dar aulas, falei sobre cidadania na classe. E não pude deixar de passar aos meus alunos a imagem mais clara de cidadania que tive. Amo viajar pelo mundo e sou caminhante, dispenso nas cidades ônibus, metrô e carro. Esta opção me aproxima da terra, das pessoas e dos costumes. Em Lugano, também Suíça, caminhei um dia inteiro.

Era meio da semana, inverno, a cidade estava em ritmo natural, as lojas lotadas, a estação de trem funcionando normalmente. O que me impressionou foi perceber a enorme quantidade de carrinhos de bebê que circulavam nas ruas. Aqui, no Brasil, mesmo os mais pobres conseguem ter o carrinho de bebê. Em 12 x sem juros ou com, doado ou até mesmo herdado. Todos os maravilhosos salva-costas das mães estão, entretanto, fadados ao mesmo destino: virar moisés de criancinhas em festas e barzinhos. Pouquíssimos circulam e a razão é muito simples: não temos calçadas. Vai-se ao shopping com os pequenos apenas para se gastar em uso e aparição social a aquisição.

O fato é que em Lugano há calçadas e, pasmem, todas absolutamente adaptadas ao carrinho de bebê, à cadeira do deficiente, ao carrinho da limpeza, do sanduíche ou qualquer que seja a necessidade num país em que a eficiência é um primor social. Primor sim: não há obstáculos aos que rodam pela cidade. A junção da calçada com o asfalto é perfeita, dispensa os solavancos aqui conhecidos e as ginásticas de se erguer tanto trambolho para conseguir se equilibrar no tosco projeto de calçamento. Se a roda é evolução, que não haja paralelepípedos no meio do caminho! Nem buracos!

Retorno ao futebol e vejo um resultado redondo: 8 a 0. Se o 8 pode ser considerado dois zeros, um em cima do outro, apresento-lhes o resultado: nada para o Brasil. Por outro lado, a Suíça desenhou o círculo, símbolo de perfeição. Os mais aficcionados pelo futebol dirão que estou louca, mas sabemos todos que nem graça há em ganhar assim, de 8 a 0. Não consigo crer que um país tão eficiente tenha produzido um time tão ruim se não for este resultado o sintoma de algo maior: o futebol faz mal à nação.

É famosa a política do pão e circo, bem traduzida nos versos brasileiros de Caetano: "nesta terra a dor é grande e a ambição pequena/ carnaval e futebol / (…)nada pode prosperar". Eta, eta, eta… enquanto estamos preocupados com a taça, gente, que já foi nossa por cinco vezes, quem bebe o vinho e a champagne são eles. Às nossas custas.

Se, então , vejo a greve que pretende incomodar, respiro um mínimo aliviada. Se os rodoviários rodam com frota mínima e prejudicam a cidade inteira e as empresas de transporte porque não cobraram passagens nestes dias, se o povo deixa de trabalhar, as faculdades ficam às moscas, as escolas fecham… a profecia de Seixas se cumpre aos poucos: o dia em que a Terra parou.

Está na hora desta Terra parar e ser campeã para o seu povo, não financiada pelo tênis Nike da Copa, mas pelo calçado que nos conduz ao trabalho todas as manhãs. É preciso recuperar a dignidade do homem brasileiro, massa oprimida nas ruas, iludido pela corrompida idéia de cidadania que vigora por aqui. Se o entrave está incomodando, finalmente, a todos, é gol! A bola do brasileiro tem batido na trave já algumas vezes. Que incomode e incomode muito. Assim a rede poderá trazer outros peixes que servirão para alimentar melhor o nosso povo. Está na hora de buscar o HEXAsperamento, a revolta e a lucidez cotidiana. As urnas virão em breve.

Estes pretendentes…

Estes pretendentes…

Da série : estes pretendentes eu não pretendo!

Protagonista número 01: divorciado, pai solteiro, mora com o baby. Está doido para arranjar uma mãe para o seu filho (eu , hein! Vá parir pra lá!). Advogado, professor e dono de um cachorro. Toca violão (uia!).

Ato falho / papo:

- Oi, moça… Blá , blá bláblá…

- Blá, blá, blá…etc e tal.

- Ah, você sabia que eu gasto R$250 a 256 reais no French Quartier toda semana ? 

 Fecham-se as cortinas: DELETE!

Pingüins são mais inteligentes

Pingüins são mais inteligentes

Pingüins são mais inteligentes porque não pensam como  humanos.

Mas a gente não tem mesmo o que fazer , não é?

 Agora parem e pensem: será que os pinguins ficam a admirar os icebergs e a pensar que o "mar é derretido" (sessão besteira) porque o gelo entrou em contato com a água? E que a montanha gelada é sólida porque demorará mais a derreter em contato com o ar?

ahahahha… Estou imaginando agora que o iceberg é uma montanha que derreteu porque entrou em contato com a água… 

Solteirice minha

Solteirice minha

Li sobre o tema e gostei no Zero Hora.

Solteirice minha 

Neste fim-de-semana, estava pensando em postar sobre solteirice. Descobri, maravilhada, o quanto é gostoso usar aquele salto 20 cm agulha sem me preocupar com o tamanho do namorado… Descobri, feliz, a delícia de ouvir comentários das bem-casadas que me disseram com olhinhos brilhantes: poxa, eu admiro você pela garra e beleza  (uia! a vaidade foi no céu) … Descobri que há outras não tão bem casadas assim ( mas que eu gostaria de que estivessem!) que morreram de ciúmes do love me olhar e conversar comigo.

Descobri, feliz, que aquele cara, de quem eu gostava quando tinha 13 anos, está lindo, bem casado e bem sucedido… mas me olhou a festa inteira, de soslaio(mulheres têm visão periférica, baby!). Ah, ele fez questão de chegar perto de quem conversava comigo e olhou meu corpo com desejo (sim, mulheres enxergam pelas costas!). E eu, inocente  como-quem-não-quer-nada, passei umas trinta vezes perto dele só para que sentisse o cheiro do meu perfume (ahahahahaahhahahaa…pô, são 17 anos desde os treze, e ele é lindo!).

Eu descobri, genial !, sozinha, que não preciso comer aquele doce maravilhoso com educação, dividindo em pelo menos três pedaços: poderia enfiá-lo com gula na boca porque não tinha que manter aparência para ninguém. (sim , eu fiz isso!)

Eu percebi que poderia andar o gigantesco salão da festa, altiva (na expressão e na altura – risos: 1,72 m  + 20 cm de salto), sorridente, maquiada, feliz (aparecendo para todos, andando com aquela graça que só as mulheres têm) e SEM TER QUE SUPORTAR A CARA FEIA DE CIÚMES.

Eu descobri que poderia beber só champagne a noite toda, depois resolver misturar com um pouquinho de uísque, sentar com todas as pessoas queridas, papear à vontade, rir no meio das solteiras, gargalhar com as crianças, dançar I love survive como uma bicha louca. Ah, 'de quebra' descobri que os sites de festa só publicam as solteiras bem resolvidas (em breve o link).

Descobri que não precisava da ginástica de carregar o celular naquelas minúsculas bolsas de festa porque, simplesmente, não esperava ninguém ligar. Pude ir e voltar de carona, fiquei até às 5 da matina, tirei todas as fotos que quis…

Descobri que dava pra fazer a amizade que quisesse e surgiram mil contatos interessantes. Escolhi a turma com quem queria ficar. E fiquei com várias turmas.

Descobri, por fim, que as velhinhas têm medo de que eu case com os netos delas (risos).

Indicial

Indicial

Transcrevo a Folha de ontem:

" CASA DO SABER
E um dado curioso sobre as rebeliões em presídios paulistas: na penitenciária de Hortolândia, o quebra-quebra destruiu os móveis de todos os espaços do presídio a que os presos tiveram acesso.
 
Mas a sala em que funciona a escola ficou intacta."

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Em tempo de violência generalizada, de 'governo' do PCC na maior capital do país, considero indicial os presos não macularem a escola. Sinto então a necessidade de comentar o círculo vicioso que o caos escolar gera entre as populações marginalizadas: a falta de acesso à educação de qualidade mantém o desnível social, o abismo entre as classes, aumenta o banditismo e a agressão que explode sobre as grandes capitais atualmente.

Ninguém é ingênuo de achar que a violência decorre deste ou daquele fator apenas, mas sabemos que é um sistema de aspectos convergentes que concorrem para que a agressividade das classes em desvantagem surja como resposta à falta dos direitos mais elementares.

Se os presos demonstram respeito pela escola é porque alguém andou lhes dizendo que a educação é sim um fator de transformação social  e que é possível crer em melhores condições para todos. Talvez saibam que é uma possibilidade de reinserção no meio social. Não destruir a escola significa manter a ferramenta, o instrumento.

Quando é que a sociedade vai acordar com mais força de reivindicação para exigir dos dirigentes a seriedade para investir na educação e manter os programas que podem transformar o quadro social em que nos achamos? Este ano, as paralisações de professores já fizeram barulho. Mas na própria SP, em manifesto na Paulista, parece que os professores não conseguiram muita coisa. A classe incomoda pouco. Os salários envergonham. Em Salvador, os docentes das escolas particulares pararam hoje. A questão da data-base é motivo de piada entre os donos de escola. Já foi proposto 0% de aumento aqui em Salvador, nos últimos anos. Ouçam a incoerência da frase. Isso mesmo: ZERO por cento de AUMENTO.

Leio também no mesmo jornal, que custaria ao estado de SP um novo presídio por mês para abrigar todos os 840 novos "fora-da-lei" mensais. E visito o arquivo em que Dimenstein em 1999 já anunciava este dado. Eles, os dirigentes, tenho a certeza de que sabem soluções e formas de amenizar o problema além de quais são os vetores de crescimento para o país. Pensar no interesse real que têm em mudar é uma outra questão.

Da série: já durou o que tinha que durar. É ele sim: o ex.

Da série: já durou o que tinha que durar. É ele sim: o ex.

Ex-namorado Parte I

Nome do fulano: pseudo eu-não-te-ligo ou eu-não-ligo-para-você

Fim do relacionamento. Mercedes emprestada do amigo milionário dele para passear na porta da casa da melhor amiga Dela.

Ex-namorado Parte II

Paquera uma colega de trabalho Dela. Namora a fulana. Ele liga para Ela e conta-Lhe. Tudo. Detalhes íntimos. Disponibiliza "por acaso" todas as cartas de amor da ex-colega Dela. Via messenger: foto da colega para provocar a ex. Diz ele que a colega Dela é a mulher que procurara por toda a vida. Que o fará feliz para sempre. E que, finalmente, A esqueceu. A ex dá de ombros e deseja-lhes felicidade. O namoro para sempre dura 15 dias.

Ex-namorado Parte III

Ele volta para uma ex anterior à ex atual. Ele vai conversar com o tio Dela para contar a novidade. Conta como está feliz. Que reatou com o "amor da sua vida".  Freqüenta todos os amigos em comum. Põe a mulher para morar consigo . Mas pede à nova ex-antiga-agora-atual-namorada que seja como Ela fôra. No jantar: spaguetti al dente. A nova ex-antiga quebra todo o macarrão pequenininho, picota o fio do spaguetti italiano e serve à mesa aquela profusão de pedaços de um spaguetti perdido. Ele tem um colapso. Acabou de novo o amor que já não dera certo no passado. Por causa do macarrão?

Ele liga para a ex(Ela) qualquer dia . Marca um encontro. Conta-lhe todo o episódio. Riem juntos. Há outro jeito? Ah, e a ex-antiga havia comprado "um litro" de vinho canção para tomar com ele. 

Ex-namorado Parte IV

Diálogo:

- O quê? Você está saindo muito, agora que está solteira !!!!!!(gritando revoltado) Se a gente voltar, eu não vou deixar, não. Nem pense em ficar saindo.

- Baby, nem se iluda. É por isso também que NÃO vou voltar para você.

Ex-namorado Parte V

Cena: festa na casa do amigo dele.

Conflito: presença de um casal de amigos em comum. ( o homem, amigo dele e Dela; a mulher, amiga Dela)

Ato: O ex parte para cima da magrela com cara de avestruz a fim da amiga Dela contar-lhe em fuxico no outro dia que ele estava namorando.

Desfecho: a reportagem ocorre logo no dia seguinte. A amiga Dela diz tudinho que ocorreu, inclusive que ele simulou um sumiço, mas que ficou minutos atrás de uma pilastra sozinho. Ele não beijara a magrela em público, mas insinuara o colo e a intimidade. As amigas riem muito juntas.

Ismos quaisquer

Ismos quaisquer

Nada de correções, acentos, palavras silêncios são tudo, mas nada dizem.

Outras vezes, comunicam tudo e ao niilismo nos conduzem.

Para que o ideal? Para que a utopia? Drummond já disse que o amor resultou inútil.

Meus olhos ainda choram, lavam minha alma, ensopam o travesseiro, derretem-se no nada. Ninguém ouve as lágrimas.  

Ele é só silêncio, chato chato chato. Mimado e infantil. Brrlrllrlrrllrlrlrllrlrrrrrrrrrrrrrr

Eu sorrio de raiva.

Um ano

Um ano

Hoje faz um ano…

A vida é mesmo muito louca. Ontem, a esta hora, eu estava na Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, assistindo a um amigo de infância dizer o sim a uma noiva emocionada. Há um ano, minha vida acabava de dar a maior reviravolta dos últimos cinco anos. Folheio minha agenda de 2005 e vejo minhas anotações: uma palestra que mudou minha história.

Coincidentemente, descubro uma anotação igual: em maio de 2005 e em maio de 2006, eu estive e estou às voltas com Vidas Secas.  Será um sinal?

Revi a pauta do dia 21: uma aula que eu dei sem ter dormido a noite inteira, com slides e data show… Falei sobre Português Instrumental neste sábado de 2005 porque não tinha cabeça para nada que não fosse absolutamente técnico. Detalhe curioso: se não tivesse tido a noite que me pirou o juízo, que mudou minha história, a minha sala de aula teria visto naquela manhã de exatos um ano o filme Janelas da Alma. Pensem.

Consigo me lembrar do dia 22 de maio. Eu de vestidinho marrom bordado, trancinha no cabelo e sandália havaiana emprestada, comendo escondida escondidinho no Rio Vermelho. Lembro a Lua e o pedido que fiz: vá embora. Pedi e fui firme.

Lembro a aula de 23 de maio, de Fernandinha me dizendo: ei, Alena, você não é essa mulher… Seu discurso não está coerente. Vá cuidar de sua vida. Não sei se ela sabe que me deu o gás que faltava para eu me soltar de minhas próprias correntes. Passei um e-mail, olhando o cartão que até hoje está em minha carteira. Menos de uma hora depois, a resposta. Lembro Luana, agoniada, me incentivando a buscar ser feliz. às favas com o pedido de vá embora. Venha ou me leve. Foi com a bênção da santa barroca baiana que viajei. Então tremi, suei, gelei. E fui mesmo. Confiando sabe lá em que. Esperando sabe lá o que. Desejando eu sei bem o que: ele. Senti saudade e fui. Fui mesmo.

Lembro quando o avião taxiou e levantou vôo. Lembro o barulho das turbinas, o olhar as luzes vermelhas na pista e o que pensei: aqui vou euuuuuuuuuuuuuu. Seja lá o que Deus quiser. Só clichês. Lembro o quanto o coração dele batia de ansiedade também. Lembro que usava tênis azul e calça cáqui. Lembro o frio da cidade e a pista. O boa noite do porteiro. O amanhecer naquela cidade hostil para tantos, mas para nós tão quente naquele instante, tão doce. Lembro que tomei uma xícara de chá. E depois dormi como há tempo não fazia.

Se os dias que virão forem para mim só recordações, terei mais oito meses de boas lembranças. Muitos dias, muitos dias, muitos dias…

TPM

TPM

Navegando sem destino por aí, ri de me acabar agora. Veja os quadrinhos do Angeli do blog azeitona na empadalheia .

Vamos ao texto:

Alguém aí tem TPM? Não, não, não falo da tradicional, da que a maior parte das mulheres tem. Enquanto todas viram bicho, no pré-menstrual, eu, simplesmente, fico linda, me acho, não caibo em mim… sou gentil e feminina, tenho apetite sexual, alegria e o diabo a quatro. Aí vem a  benedeta! Chega, não tenho cólica, não me incomoda, nem ligo… fora este ou aquele incoveniente de sentir vontade de tomar 32 banhos.

Então a fulana vai embora… Primeiro dia, tudo oba! No segundo ou terceiro depois que ela zarpa… ETA! Começa o problem. Eu tenho Tensão PÓS-MENSTRUAL. Alguém já estudou isso? Definho, definho, definho… como 25 chocolates, encho de espinhas uns três dias, fico intolerante, me dá uma  megahiperinconsolável depressão…Choro, me sinto feia, a pior de todas, nenhuma roupa presta, olho-me no espelho e me dá vontade de fazer uma plástica para mudar tudinho… até o crânio pra outro formato. Olhar a barriga nem se fala, as coxas? Piorou. Se pudesse, não saía, me intocava para sempre pelos 4 dias do processo. Às vezes, dura seis ou sete. Uia!

Nem amiga, nem aluno, nem love, nada… fico incomunicável…e já percebi que ainda tem mais: se for na Lua cheia, sai de baixo, aí eu provoco só para brigar.

Demorei anos a perceber… pensava ser temperamental apenas, não havia associado aos hormônios e às fases lunares. Neste período, só uma coisa ameniza o processo: caminhar na orla ou fazer ginástica. O diabo é eu em TPM(pós) entender isso…

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Tive uma idéia: vou incluir no lattes a minha segunda pós: pós-menstrual. Sou doutora já.  Quase PhD.

O que faz uma mulher que mora só??

O que faz uma mulher que mora só??

Da série… madrugada!

Uia! percebi que vai fazer um ano que minha vida deu um looping total (que bom!) Chamei uma amiga inteligente para sair depois da faculdade hoje. Pretendia a deliciosa saladinha de polvo com vinho branco. Inteligente, ela resolveu ir para casa porque estava sem din din, com ressaca da última gripe e cansada. Então, às 23h, estava eu aqui, sentada, todamega arrumada.

Bem, vamos, então, ao post:

Uma mulher que mora só resolve a questão da companhia lendo uns bons blogs pela net… Uma mulher que mora só tem vontade de tomar vinho, percebe que está só, não há "ceromanos"  normais acordados e não dá para ligar para nenhum dos amigos sem que eles interpretem: ela quer trepar.

Neste caso, uma mulher que mora só escolhe um francês ordinário, saca o saca-rolha e saca a rolha sacando como é saca sacar a questão. É Bordeaux, tinto… a taça tem um desenho interessante, gosto da haste longa… a borda tine singular…legal… Viajo na recordação e vejo o campo de cortiças em Portugal. Ah, jamais serei pró-rolha sintética. Dane-se!

 Ela, a mulher que mora só, abre então o armário, descobre os pratinhos bonitinhos que comprou quando estava apaixonada, ri deles e pega a faca de cabo longo para fatiar o salame hamburguês( preciso de jamón). Tem um brie ainda na geladeira e umas castanhas frescas… Ri das tâmaras que descobriu… é capaz de não ter feijão ou farinha nesta casa… Mas ela atende a seus mimos pessoais… já que não há príncipes, nem pai, quiçá ogro do pântano!

A mulher que mora só sorve o vin de france e descobre p#%* da vida que a empregada dela impregnou o cabo da faca com o cheiro típico do alho… Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Adoro alho,mas na comida!

Lava, lava, lava a mão e volta a se embriagar do torpor típico de Dionísio. Pega no forno a torrada de pão de linhaça com queijo e presunto: canapé. (Preciso ir à Perini domani)

A mulher que mora só confirma o que já sabia há tempo: o prazer está em si. Ela é que sabe viver. ________________________________________________

Depois de rir da amiga blogueira que quer comprar um toca cd, lembro que tenho som!!! Ligo, mais uma noite, a imbecil da música Viva Forever, mas me alenta a alma, fico com aquela cara de sessão da tarde apaixonada. E vou dormir com meus quatro 'trabisseilos'.

Feliz.