Arquivo da categoria: Na madrugada

o QUE fazer no meio da noite sem sono?

o QUE fazer no meio da noite sem sono?

Trabalhar? Ah, que saco, nem pensar. Zanzar sem rumo pela net e tomar umas decisões sobre a vida, anotadas no caderninho de realizações próximas. Ao menos.

Que falta que sinto de morar numa cidade mais cosmopolita com academia funcionando 24 horas. Poderia ir malhar agora para não me arrepender tanto do churrasco de hoje. E amanhã tenho aula às 7h30.

Férias pra que te quero!

____ * _____

Ao menos mudei(melhorei) o programa: revi Quem somos nós?

Escrevi uma cartinha para uma amiga.

Embalei um presente para outra.

Decidi acordar bem amanhã.

Vazio de cortar (meu) coração

Vazio de cortar (meu) coração

Tá.

Ré confessa.

Tem alguma coisa muito estranha acontecendo quando você sonha com umas urucubacas horríveis, acorda no meio da noite de domingo, triste, triste. Vê tv, assiste às péssimas resenhas esportivas, nenhum filme que valha, uma bagunça inimaginável de provas a corrigir… resta o pc, s.o.s. solidão, procuro no orkut, converso no msn, marco uns encontros com amigas, relembro o dia… e estou aqui a descobrir novos blogs (pasmem!) ouvindo aquelas melodias infanto juvenis de Sandy e Júnior com um vazio daqueles no peito. Merda!

Tô doida.

Falta o coração bater de novo.

Só pode.

Proibido ser mulher

Proibido ser mulher

http://pitux.blog.simplesnet.pt/archive/xiu.JPG

É proibido ter passado.

 É proibido ser quem você é.

 

É proibido não ser virgem.

É proibido ter amado.

É proibido ter morado junto.

É proibido ter sentido desejo.

Na mente, no corpo, no sexo.

 

 

É proibido gozar.

Gozar é feio.

Mulher não goza.

Mulher não trepa.

 

 

É proibido fazer dieta.

É proibido fazer escova.

É proibido pintar as unhas de vermelho.

É proibido usar decote.

É proibido receber os amigos em casa.

É proibido ter casa se não se casa.

 

 

É proibido sair à noite sozinha, voltar para casa tão tarde.

 

Mulher não deveria beber.

Mulher não deveria saber.

Mulher não deveria querer.

Nem trabalhar.

Nem pagar suas contas.

Nem trepar.

 

Mulher abaixa a cabeça.

Mulher fala manso.

Mulher não diz palavrão.

Mulher não sente tesão.

 

Mulher é educada.

Mulher é mosca morta.

Mulher não se vinga.

Mulher não grita, não quebra prato, não se irrita.

 

Mulher não bebe muito.

Mulher não bebe cerveja.

Mulher nem bebe.

Só água, sucos e coquetéis sem álcool.

 

Mulher não vai ao estádio.

Mulher não vê jogo.

Mulher não anda em bar.

Mulher não conta piada.

Mulher é a piada na cabeça de machistas anacrônicos de plantão.

 

 

Conte-me outra.

Se assim é,

não posso ser uma mulher.

 

Mulher, meu caro, é tudo que se quer.

Ser.

 

http://alenacairo.files.wordpress.com/2007/10/devorss35.jpg?w=300&h=361

Conselhos úteis do leitor de Nuno Cobra

Conselhos úteis do leitor de Nuno Cobra

- Ô, menina, você tem que rever este seu horário.

- Eu sei.

- Tem que dormir mais, você dorme pouco. E tarde…

- Ai, meu Deus, eu preciso é de tempo para mim. Eu quero dormir.

- Basta você se organizar.

- A questão não é esta. A demanda de trabalho é muito grande. O que eu preciso é ganhar mais e trabalhar menos ( eu e a grande parte da humanidade). Não é fácil se sustentar sozinha e manter as coisas todas.

- Tenho a solução: trabalhe sábado e  domingo.

- Mais ?

- Nunca durma à tarde

- Mas o sono da tarde é para repor o mínimo de horas necessárias, já que eu chego às 23h em casa e saio às 6h40 da matina. Ou seja, durmo apenas seis horas diárias.

- Depois a gente conversa, você precisa dormir mais.

- Ai, ai… (quimera)

Hipoglós tem cheiro de mãe

Hipoglós tem cheiro de mãe

A minha um dia sorriu,

levantou-me as pernas com dobrinhas,

limpou-me as sujeiras

e conversou comigo enquanto punha as fraldas brancas

arrematadas por alfinetes de bichinhos.

Lembro um rosa que minhas bonecas herdaram e que me promoveu à condição de mãe de brinquedo pelos doces e saudosos longos anos de infância.

A pomada existe ainda e, se normalmente seu cheiro de óleo de fígado de bacalhau me repele a maioria das horas, hoje me transportou a um tempo quando havia abraço, segurança e ninar de sonhos.

Ela cantava o “faz três noites que eu não durmo, ô, Lalá , pois perdi o meu galinho, ô, Lalá…” Eu sei que eu era bebê e sorria, prestando muita atenção àquele olhar umbilical que até hoje vejo no espelho, nas lembranças, nas fotografias, nos guardados da memória.

Ela usava trança e trançava o cabelo com um lenço de seda colorido. Cheirava gostoso, não a perfume francês ou a qualquer um dos baratos. Tinha o cheiro que só as mães sabem ter. E eu, já moça, deitava em seu colo, inventava que achava que tinha pegado piolhos (aos 24 anos!) só para sentir o eterno deslizar de sua mão em meus cabelos.

Assisti tantas vezes às novelas no sofá estampado, juro, apenas para estar perto dela e ver-lhe o riso, o olhar marejado ou a incontida indignação.

Eu nunca a soube humana, limitada, nem animal. Minha mãe é de uma perenidade que só ‘a dona de tudo’ , a que ‘vale mais para mim que o céu , que a Terra, que o ar’, poderia alcançar. E como faz falta!

Peguei a pomada. Li o modo de usar: ‘limpe cuidadosamente a pele do bebê e aplique uma camada da pomada sobre a área a proteger, massageando suavemente’. Passei um tanto no meu rosto hoje com espinhas. Porque a criança que ainda sou precisava dormir com o cheiro de proteção que só a sua mãe lhe poderia dar.

Divagações

Divagações

Amar é … gostar de fazer sopa sem gostar de sopa só porque o outro gosta de sopa. E pôr um pouquito no prato raso só para disfarçar e fazer-lhe companhia na mesa. É engraçado como eu aprendi isso. Então eu descobri que tenho um ‘potencial sopístico’ enorme. E que todo o amor que eu tenho precisa de alguém para que eu o distribua. Com sopa ou sem sopa. Mas não há muito homem dando sopa. Talvez muitos também já estejam de saco cheio da sopa de todo dia. Por isso vivo aprendendo a cozinhar novas delícias ( de ervilha, de sururu, de aspargos, de feijão – esta é a clássica etc.)

* * * * * * * * * * * * * * * 

Desde a minha adolescência já era moda ficar. Mas eu confesso nunca ter gostado. A gente já vai morrer como as alfaces, virar adubo, reciclável na terra que nos espera e eu ainda ter que encarar o descartável das relações? Não, meninos e meninas, sinto muito, mas eu não gosto.

Gosto de vínculos.  Não brincava só quando era criança, se não havia outras crianças, eu lia. Nos livros, encontrava a companhia dos personagens. E meu cotidiano foi povoado de família cigana. Gostava de primos e primas para brincar, não de bonecas sem vida. É por isso que me chateio hoje quando cozinho para um.

Quem está sozinho, consegue uma individualidade fantástica. Falta, entretanto,  alguém para ver filme junto, achar bom ou ruim depois, concordar e discordar. O contraponto existencial que nos faz realmente viver. Eremita é exceção.

Por isso, conviver, companhia, consorte, contente.

Puxar os cabelos

Puxar os cabelos

Faz duas semanas.  Eram 3h da matina. Um homem muito bonito, 1,80 m , modelo, gatíssimo, cabelo displicente com cachinhos, do tipo Erick Marmo, músculos definidos, camisa preta, ombros largos, calça jeans descolada. Uma garota loira (de salão, mas loira), sarada, de 1,65 m, trajando uma blusa preta e calça jeans cintura baixa.

Passaram apressados na porta da Fashion Club, discutiam alto. Ela o agarrou pela blusa, pedindo-lhe algo. O bonitão deu-lhe um empurrão, ela o puxou de novo e recebeu um tapa na cara. A garota tinha cerca de 23 anos, mesma faixa de idade dele. Ela segurou o braço dele, ao que recebeu uma torção no seu braço e teve o seu cabelo puxado. Ficou cerca  de 10 minutos com a cabeça pendendo para baixo porque ele puxava as madeixas com força enquanto torcia o braço dela. Uma senhora, produtora cultural, amiga de ambos, chegou até o rapaz e pediu-lhe que soltasse a menina, que se debatia com as pernas, posto que estava imobilizada pelo cabelo e pelo braço torcido para trás.

Após a cena, ele atravessou a rua e foi embora. A senhora segurou a garota que chorava muito. A loira dos cabelos puxados entrou num celta preto, arrancou cantando pneu. Gritava com alguém ao celular.

A noite silenciou de novo. Mas não sei não.

Se eu pudesse agora…

Se eu pudesse agora…

A música toca aqui para me lembrar de que um homem e uma mulher deitaram-se numa cama larga de sonhos, desejos, prazeres, ânsias e êxtases. Neste quarto quase escuro, na penumbra, uma luz tão clara nos olhos teus. E, nos meus, esperança de acordar um dia aninhada no pós-tudo do delírio, do gozo e do infinito de um amor que se revela tão insensato. Frágil possibilidade de não mais adormecer sozinha, com frio ou medo.

A música toca aqui e dá vontade de te ter ao meu lado, de deitar gostoso em teu peito e sentir a paz, a paz, a paz… A paz que me leva entregue a Morfeu, lavada de um suor tão teu e meu, tão nosso. A paz que me deixa simplesmente menina. A paz que sinto ao ver os teus olhos tão perdidos no infinito de estrelas possíveis para além do teto simples de um apartamento.

Não sei onde vai tua alma nestes segundos que ainda consigo ver antes do sono inocente. Teus olhos tão perdidos… tão longe, tão doces… e sinto o calor do teu peito, a cabeça assim deitada, e sinto as tuas mãos a acariciar-me os cabelos… Teus olhos tão perdidos… ainda os vejo mais uma vez… E sei que assim adormeço no colo teu.

             

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A música é The dark night of the soul de Loreena . Só achei o vídeo com desenho no you tube. O desenho é besta. Mas gosto da música.

“Lata d’água na cabeça” – parte III

“Lata d’água na cabeça” – parte III

Sabe quando tu olhas no emiesseene se a pessoa te deletou? Sabe quando tu abres o outlook de minuto em minuto para conferir se a pessoa te escreveu? Sabe quando o telefone está na tua mão com todas as campainhas ativadas? Sabe quando tu estás torcendo para a pessoa estar acordada? Sabe quando tu abres o blog dela e dá uma saaaaaaaaaauuuuuuuudaaaaaade? Pois é. TÔ assim, toda Mad Alena: Louca e Madalena. A arrependida.

“Lata d’água na cabeça” – parte I

“Lata d’água na cabeça” – parte I

Sabe quando você se excede? Sabe quando você fala besteira para uma pessoa muuuuuuuuuuuuuuito importante? Sabe quando você fica à noite, depois de acordar da bebedeira, sem dor de cabeça física, mas com consciência pesada, pensando em como vai pedir desculpas e com vontade de atrapalhar a madrugada alheia com um meloso telefonema do tipo vem-para-cá-correndo? Sabe quando você sente falta? Sabe quando você é malucamente louca e afasta quem você quer cada vez mais perto? Sabe quando a banana do personare te avisou para não falar besteira, mas você falou porque afinal é (ir)racional e tenta não acreditar nestas coisas astrológicas que sempre dão certo com você? Sabe quando você fica com cara de cachorro arrependido e bico de criança?  Pois é: tô assim.

O curió nunca mais cantou

O curió nunca mais cantou

Trilha sonora do post: Aquarela 

“Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo… num  instante imagino uma linda gaivota a voar no céu.”

O tempo muitas vezes nos passa desapercebido. Ontem à tardinha, com o pôr-do-sol e a T.P.M. chegando, calculei-o. Faz já 11 anos. Então a sensação exata de um terço da minha vida caiu de forma bombástica sobre mim. 

Ele era o galã. Bonitão. Todas as histórias falam disso. De um homem de 1,86 de altura, loiro, olhos cor de azeitona, braços fortes, peito largo, carro bonito. É, é a cara dele falar de carro bonito. Impossível esquecer a camisa aberta e o correntão de ouro contrastando com a loirice de seu peito. E o cabelo fino voando ao vento. Se eu fosse menino, seria o seu companheirão. Só que nasci mulher. E virei a sua princesinha.

Foram só dois anos em que fui filha única, mas os mimos me estragaram para todo-o-sempre-amém. “O que você quiser, eu faço por você, minha filha”. “Qualquer coisa, pode pedir a seu pai”. Frases mágicas. “Não peça nada a ninguém, seu pai faz tudo por você”. E fez.

Bebezinha, com dois anos ou três, eu já queria que ele tirasse todas as pessoas da praia, para ela ser só minha. Imagina! O mar era todo meu, porque Deus fizera ele “só para mim”. Assim ele dizia de todas as coisas. Íamos, então, às praias desertas. Minha mãe ajeitava a feijoada ou a farofa e cia para o churrasco e nós viajávamos para longíííínquas enseadas, afastadas do centro urbano, onde eles pescavam em paz e a gente aproveitava para se sentir o centro do universo. Pai, mãe e filha. Depois, mais duas meninas. Itacimirim, Guarajuba, Barra do Jacuípe, a própria Praia do Flamengo, há 30 anos, era deserta. Lembro de irmos a Stella Maris pescar atrás do velho hotel abandonado. E não pensem que ele ficava absorto, não: cuidava da minha varinha de bambu também, que era grande (talvez por isso eu tenha esta megalomania – risos).

“Pinto um barco a vela branco, navegando, é tanto céu e mar num beijo azul”

Amava muito o mar. Os barcos. Os trens. O avião. Os discos voadores. E a pipa colorida no céu, que eu também empinei com ele.

“Tudo em volta colorindo com suas luzes a piscar. Basta imaginar e ele está partindo, sereno indo, e, se a gente quiser, ele vai pousar.”

Livre arbítrio. Com ele aprendi que muitos caminhos diferentes levam ao mesmo lugar, que a rotina pode ser diferente todo dia.  E que há também muitos diferentes lugares, porque o mundo é grande e pode caber num círculo de um compasso.

Lá em casa, era uma sinfonia de curiós, seu passarinho preferido. E as gaiolas eram lindas, todas douradas. Me lembro do som sony e do gosto por eletrônica que dele herdei. Havia um tal de um lp chamado O canto do curió que, segundo ele, servia para os bichinhos aprenderem a cantar. E a gente ouvia isso no finde a manhã inteira, quando parávamos em casa – coisa rara. Sua máquina Olivetti era só nossa. Só nós dois datilografávamos. Ganhei Atari e a criatura superou o criador: eu, moleca, vencia todas as partidas de Pitfal e River Raid. No Enduro, ele era melhor.

Ensinou-me o nome de todos os carros e brincávamos de adivinhar qual seria o próximo a passar: chevette, fiat, caravan, puma, brasília, fusca, parati, dodge… eu sabia todos. Eu gostava, por isso, era de brincar de carrinhos com meu primo da mesma idade, mas também me lembro do dia em que ele me pegou dando de mamar à feijãozinho verdinha de mão rosa e touca na fila do ferry-boat e se enterneceu. “Que bunitinho…Olhe, Ane, ela tá dando de mamar à bonequinha” . Senti tanta vergonha do peito que precisei virar mulher para deixar de senti-la.

Nós íamos à Fonte Nova torcer para o Bahia, o meu time por herança, mesmo que eu não assista hoje a um jogo sequer nem ligue para futebol. “Somos da turma campeã… somos da turma tricolor…” No meu carro, há no pára-brisa o adesivo do Baêa, pelo lado de dentro, porque só eu preciso ter as minhas recordações, não é?

Lembro que ele gostava de biquíne curto e nos ensinou que não havia imoralidade nestas coisas nem no namoro nem no sexo. Na adolescência, me levava sem ciúmes para ver meu namorado trinta vezes que eu quisesse. Festas? Fomos a todas. Ia levar e buscava sem reclamar uma vezinha sequer em qualquer madrugada e a qualquer hora. Dava carona a todas as minhas amigas, não importava onde morassem.

Imoral para ele era a mentira. “Nunca minta para seu pai.” “A pior coisa do mundo é a mentira”. Aprendi a lição, embora soubesse quando a cara descarada dele estava rindo por mentir. E que cara! Ensinou-me as malandragens da vida: sabíamos como ‘roubar’ no jogo de baralho, sabíamos que a bolinha na forminha de empada no meio da rua era um truque desonesto para pegar dinheiro dos bestas. Mas colávamos moedas com superbonder no chão de bares ou restaurantes para rir do pessoal que se abaixava (ô crueldade!)

Nunca chegava em casa de mãos vazias. A gente descia as escadas correndo e perguntava : “trouxe o que para mim, meu pai?”. Umbu, seriguela, bombom, tamarindo, um pintinho de dar corda, lápis de cor (adorava desenhar), uma tranqueira vendida por camelô… o que fosse. 

Comíamos sonhos na padaria e pão doce, algodão doce e maçã do amor nos circos. Os parques… fui a todos. A roda gigante era a nossa preferida. E o carrinho bate e volta me fez chorar, fazendo que ele entendesse que eu era mesmo menina. Para ele, o palhaço era o melhor, ria sempre de todos eles e dos programas bestas da tv. E se auto-intitulava o PAI-AÇO. Nestas horas, inchava o peito, fazia muque e careta, dizendo que era o Incrível Hulk. Juro que eu tinha medo dele ficar verde e saía correndo, acreditando mesmo que isso fosse possível.

Pintava, brincava, dançava. Rebolava se a música da moda era Requebra (Olodum). Chamava minhas amigas de macacas… e ria e ria e ria. Agora parece que eu estou vendo a gente chegando da praia, as três meninas de biquíne, mainha entrando em casa e a torneira do jardim sendo aberta. Ele lavava o carro e a gente ajudava. Nesta maluquice, daqui a pouco já estávamos todos brincando de abominável homem das neves, branquelos da espuma do sabonete. E eu aprendi com ele a fazer bolha de sabão com a boca. Até hoje faço isso!

Quantas vezes saímos de carro pelo mundo, 3, 30, 300 ou 3000km livres? Viajar era lei, curtir a vida um prazer. As coisas funcionavam assim: “vamos ali” – e as malas sempre estavam prontas lá em casa porque, de repente, o passeio virava uma viagem. “Nunca fique sem fazer xixi, peça sempre que seu pai pára o carro.” 

Bom, que mais dele herdei? O nariz, o cabelo mais claro (o de minha mãe era quase negro), o porte, a alegria, o falatório, o gosto por papéis e curiosidades. O gosto também pelas pessoas e pelos lugares.  Dou carona a quem precisa sempre, não tenho preguiça de dirigir, faço favores. E ralho com voz de trovão, como ele bem sabia fazer. Nunca me bateu. Sequer um tapa na mão. 

Com 11 anos, eu caí da escada de casa e quebrei o braço. Aquele homem gigante, em poucos minutos arrastou-se até a escada. Recém operado, sentado e impotente diante do meu braço quebrado, chorava e perguntava: “meu Deus, por que isso não aconteceu comigo? Por quê?” Foi assim que eu descobri o que é amor. E que só um pai é capaz do incondicional.    

“ E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar. Não tem tempo nem piedade nem tem hora de chegar. Sem pedir licença muda nossa vida e depois convida a rir ou chorar. Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá… numa linda passarela que um dia enfim… descolorirá”. 

Te amo e o tempo não varreu isso de mim.”

Eu, meus queijos, meu vinho

Eu, meus queijos, meu vinho

É quinta à noite e me acostumei a celebrá-la. Antes, tempo farto de amor, era dia de comida árabe ou italiana, homem chegando às seis em casa, música romântica escolhida por ele na sala.

Havia tempo para uma dança. Havia uma cerveja partilhada ou um vinho a dois. Havia uma varanda e uma Lua no céu. E o mar, mar , distante mar…

Hoje há a doçura, há o vinho, há o sonho, há a mulher. Há queijo Gruyère, Gouda, Brie e Gorgonzola.

Há boa música e quatro travesseiros me esperando.

Leio Crime e Castigo de Fiódor Mikhailovich Dostoiévski. E curto a minha Felicidade transitória e Clandestina, não é Clarice?

Tim, tim.

Grécia

Grécia

Fico aqui trabalhando até mais tarde. Há horas em que sinto vontade de desistir. De repente,  o wmp toca a zorba. Meu Deus, juro que gosto desta música. Imediatamente sou transportada para a Grécia e penso no azul intenso do mar Egeu, na expressão alegre do povo helênico, na beleza dos senhores gregos. Lembro a dignidade que enxerguei no seu semblante, típica de pessoas que parecem realmente vir de um berço especial.

Lembro o ar de Atenas, a chegada ao porto de Pireus, parece que tudo ocorrendo como eu sempre sonhei, desde os 8 anos de idade, quando descobri através de Monteiro Lobato que a Grécia existia. Então me sento no chão de Olímpia, passo a mão nas pedras divinas e seculares. Na mesma hora, estou extasiada em Santorini e subo a montanha escarpada para ter a glória de enxergar aquele pôr-do-sol… ai, ai.

Eu vi o mar de Santorini na Grécia

Em poucos instantes, estou numa igreja bizantina, e olho maravilhada a pintura no teto em Corfú ou Tira.

Eu brincando com a foto de Santorini

Ai, vou trabalhar mais que quero voltar lá. Toca Zorba, toca… Enlaça-me na melodia e me conduz a Morfeu.

Estes pretendentes…

Estes pretendentes…

Da série : estes pretendentes eu não pretendo!

Protagonista número 01: divorciado, pai solteiro, mora com o baby. Está doido para arranjar uma mãe para o seu filho (eu , hein! Vá parir pra lá!). Advogado, professor e dono de um cachorro. Toca violão (uia!).

Ato falho / papo:

- Oi, moça… Blá , blá bláblá…

- Blá, blá, blá…etc e tal.

- Ah, você sabia que eu gasto R$250 a 256 reais no French Quartier toda semana ? 

 Fecham-se as cortinas: DELETE!

TPM

TPM

Navegando sem destino por aí, ri de me acabar agora. Veja os quadrinhos do Angeli do blog azeitona na empadalheia .

Vamos ao texto:

Alguém aí tem TPM? Não, não, não falo da tradicional, da que a maior parte das mulheres tem. Enquanto todas viram bicho, no pré-menstrual, eu, simplesmente, fico linda, me acho, não caibo em mim… sou gentil e feminina, tenho apetite sexual, alegria e o diabo a quatro. Aí vem a  benedeta! Chega, não tenho cólica, não me incomoda, nem ligo… fora este ou aquele incoveniente de sentir vontade de tomar 32 banhos.

Então a fulana vai embora… Primeiro dia, tudo oba! No segundo ou terceiro depois que ela zarpa… ETA! Começa o problem. Eu tenho Tensão PÓS-MENSTRUAL. Alguém já estudou isso? Definho, definho, definho… como 25 chocolates, encho de espinhas uns três dias, fico intolerante, me dá uma  megahiperinconsolável depressão…Choro, me sinto feia, a pior de todas, nenhuma roupa presta, olho-me no espelho e me dá vontade de fazer uma plástica para mudar tudinho… até o crânio pra outro formato. Olhar a barriga nem se fala, as coxas? Piorou. Se pudesse, não saía, me intocava para sempre pelos 4 dias do processo. Às vezes, dura seis ou sete. Uia!

Nem amiga, nem aluno, nem love, nada… fico incomunicável…e já percebi que ainda tem mais: se for na Lua cheia, sai de baixo, aí eu provoco só para brigar.

Demorei anos a perceber… pensava ser temperamental apenas, não havia associado aos hormônios e às fases lunares. Neste período, só uma coisa ameniza o processo: caminhar na orla ou fazer ginástica. O diabo é eu em TPM(pós) entender isso…

____________ 

Tive uma idéia: vou incluir no lattes a minha segunda pós: pós-menstrual. Sou doutora já.  Quase PhD.

O que faz uma mulher que mora só??

O que faz uma mulher que mora só??

Da série… madrugada!

Uia! percebi que vai fazer um ano que minha vida deu um looping total (que bom!) Chamei uma amiga inteligente para sair depois da faculdade hoje. Pretendia a deliciosa saladinha de polvo com vinho branco. Inteligente, ela resolveu ir para casa porque estava sem din din, com ressaca da última gripe e cansada. Então, às 23h, estava eu aqui, sentada, todamega arrumada.

Bem, vamos, então, ao post:

Uma mulher que mora só resolve a questão da companhia lendo uns bons blogs pela net… Uma mulher que mora só tem vontade de tomar vinho, percebe que está só, não há "ceromanos"  normais acordados e não dá para ligar para nenhum dos amigos sem que eles interpretem: ela quer trepar.

Neste caso, uma mulher que mora só escolhe um francês ordinário, saca o saca-rolha e saca a rolha sacando como é saca sacar a questão. É Bordeaux, tinto… a taça tem um desenho interessante, gosto da haste longa… a borda tine singular…legal… Viajo na recordação e vejo o campo de cortiças em Portugal. Ah, jamais serei pró-rolha sintética. Dane-se!

 Ela, a mulher que mora só, abre então o armário, descobre os pratinhos bonitinhos que comprou quando estava apaixonada, ri deles e pega a faca de cabo longo para fatiar o salame hamburguês( preciso de jamón). Tem um brie ainda na geladeira e umas castanhas frescas… Ri das tâmaras que descobriu… é capaz de não ter feijão ou farinha nesta casa… Mas ela atende a seus mimos pessoais… já que não há príncipes, nem pai, quiçá ogro do pântano!

A mulher que mora só sorve o vin de france e descobre p#%* da vida que a empregada dela impregnou o cabo da faca com o cheiro típico do alho… Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Adoro alho,mas na comida!

Lava, lava, lava a mão e volta a se embriagar do torpor típico de Dionísio. Pega no forno a torrada de pão de linhaça com queijo e presunto: canapé. (Preciso ir à Perini domani)

A mulher que mora só confirma o que já sabia há tempo: o prazer está em si. Ela é que sabe viver. ________________________________________________

Depois de rir da amiga blogueira que quer comprar um toca cd, lembro que tenho som!!! Ligo, mais uma noite, a imbecil da música Viva Forever, mas me alenta a alma, fico com aquela cara de sessão da tarde apaixonada. E vou dormir com meus quatro 'trabisseilos'.

Feliz.

Madruga

Madruga
Madruga  
É preciso amar…  É preciso entender que não há tanto tempo e, ao mesmo tempo,

 há tempo para tanto e para tudo… Pressa para quê?  Chegar onde? 

As janelas estão no pc… Cadê as da vida?  Abertas , violadas ou apenas fechadas ???  

Os cílios coam as sujeiras do tempo, as lágrimas turvam a previsão… 

Já não há lágrimas e tantos choram! 

  Os poemas alentam, 

as músicas acalmam ou deixam eufórica a multidão. Poucos refletem e poucos pensam e tantos fazem sexo…

e fuxicam e estorvam-se a si mesmos. Derivar para quê? Pensar dói.

A filosofia foi banida, as histórias irrelevantes…

Não se contam mais as estrelas?    

Onde está você agora? No que pensa? O que o acalenta para dormir? 

Felizes os inocentes, estes descansam.   

 Bom dia noite inteira, boa noite dia que chega. Vou dormir e era preciso permanecer acordada… 

Alena Cairo

09 de janeiro de 2006