Crime Capital

Crime Capital


Estendidas no varal da noite

Em tosco arame por varas sustentado,

as almas flaneladas e vermelhas de cinco crianças

denunciam o relento marginal da rua.


Goteja o suor do tecido molhado

e encharca o abandono.

Sangue.

Solidão.

Deserto.


É tarde e passam poucos carros na avenida

da terceira capital do país.

Sobre os restos dos sonhos de consumo de outrem

abrigam-se do sereno as almas desvalidas.


Quiseram ter o alento do sonho:

esfacelou-se aos primeiros pingos da vida

como o papelão.

O vento insiste em balançar

numa cadência quase decisiva

as flanelas com que ameaçam

os motoristas irritados.


É noite.

A escuridão instalou-se dentro de mim.


 

Alena Cairo

20/05/2005