King… a paciência nossa !!!

Meu Deus !!
Fui ver ontem King Kong… e não levantei antes do cinema para ir embora porque tive a expectativa de que o filme melhorasse. O cinema americano surtou de vez ! Fora o doce olhar do personagem interpretado pelo Adrien Brody (Jack Driscoll – vale a pena o charme !), o filme deixa a desejar apesar das “maravilhas” da realidade virtual moderna, dos efeitos do  computador.

Ficção é ficção… mas daí a ver o vale dos dinossauros numa ilha perdida na névoa…Parece o filme uma clonagem de vários outros quanto à possibilidade dos monstros ( Parque dos dinossauros, Aracnídeos, Indiana Jones , O exterminador do futuro…). Insetos gigantes, mega aranhas e cia povoam de um suposto “terror” a narrativa. O Kong monstruoso acaba sendo preferível não só para a mocinha , mas para o telespectador em geral.

O melhor é descobrir que, mesmo depois de cair de uma ribanceira na floresta, a doce garota mantém intactos o seu robe de seda e a sua camisola sexy que, além de lhe conferirem um ar mais sensual, reforçavam a sua fragilidade (apelativo para todas as cenas que se passam na ilha). Não é demais depois de ela ter enfrentado os piores monstros “à lá tiranossauro”, ter voado em asa de morcego gigante, despencado de um precipício e ficado emaranhada em super cipós, além de ter corrido desvairada pela selva inteira, sair ilesa da aventura? Quase no final do filme, lembraram de deixar escorrer um fio sutil de sangue em seu belo rosto. Nem uma unha quebrada, o pé não ficou escalavrado ( corria descalça ), o rosto não se feriu nas plantas, o labirinto não a fez desmaiar mesmo depois de ter sido incessantemente sacudida nos corre-corres de Kong… Francamente, se a mulher maravilha existisse, morder-se-ia de inveja. E olha que  Ann Darrow (Naomi Watts) sequer portava um cinto mágico !

O modelo do longa, entretanto, deverá agradar aos aficcionados por games modernos. A cada fase (sim, a aventura na ilha se assemelha às fases de um game), depois de vencidas as batalhas, de algumas vidas perdidas, os personagens se livram dos monstros que, simplesmente, desaparecem na seqüência narrativa.Os gigantes pré-históricos voadores somem, os dinossauros somem, os insetos gigantes somem, as aranhas somem… vai tudo desaparecendo a cada fase. Os heróis são imbatíveis ! Um ou outro personagem secundário vai perdendo a vida ao longo da trama… A respeito, não reparei bem se havia dois orientais no navio, mas um morre e depois aparece de novo no final (era o mesmo e foi lapso da produção e da seqüencia de cenas ou havia mais de um??? ). Não sei. Como só assisti ao longa (três horas de duração) uma vez, não tive como conferir inequivocamente.

Além disso, fiquei estupefacta de ver os hominídeos tribais reforçando um conceito discriminativo que se arrasta por séculos. Os negróides de uma tribo também perdida na Ilha da Caveira, após combatidos na “primeira fase”, também somem simplesmente … Não mais aparecem!!! Só uma fala descabida de um dos personagens no final faz alusão aos tribais-desapareceram com medo… Então entendi bem porque “mais é menos”. O estereótipo do mal aparece em cada um dos selvagens. Cabelos assanhados, pele carcomida, rugas exageradíssimas, olhos brancos em transe eterno, rituais aparentemente macabros… Selvageria pura. Alertam para a presença do Kong, dão a mocinha ao  macacão desvairado em um ritual supostamente concebido para acalmar a besta fera  e depois desaparecem da trama. Nova fase, gam’aníacos… Será que entendi bem ou o macacão de 7 metros era como um deus para os primitivos negros – daí a  justificativa da oferenda?

Por falar em coerência, Noé, Noé… só havia um kong na ilha ! Nem um parentezinho, uma companheira sequer !
Se tudo era gigante na ilha, inclusive as lesmas, por que os humanos eram de tamanho compatível com o normal ?

E como é que  Ann estava tão bem amarrada naquela ponte suspensa que ligava um lado ao outro do despenhadeiro e Kong puxa seus braços e solta  a corda com força…? Não questiono a força do primata, óbvio (7 metros !!!) mas ela não teve nem um deslocamentozinho de pulso, nem um ossinho fraturado…

Ah, meu Deus !!! Me poupem, aliás, todos os deuses… Depois desta, vou correndo tentar encontrar o filme antigo… Certamente, é melhor ficção .
 
 
Alena Cairo

18/12/2005

6 comentários sobre “King… a paciência nossa !!!

  1. Hollywood tem dessas coisas!!! Não faço parte do grupo de pessoas que cultuam a história do homenzarrão verde, mas poderia até vê-lo por conta do taiwanês Ang Lee (Razão e Sensibilidade e o aclamado O Segredo de Brokeback Mountain). Pelo que percebo, foi o próprio diretor que parece ter recebido a irradiação do material químico que o deixou sequelado!!!

  2. OI, Franklin !!! O pior é que perde… um motivo de estupefacção assistir ao filme !! Fui ver com Mônica e nós passamos o filme todo nos olhando assustadas com o grau de imaginação seqüelada (como diz Lucival) do diretor…
    Mesmo com críticas, ainda acho que a gente vez ou outra tem que arriscar e conferir… Vai que nossa opinião é diferente… (risos)
    Beijos

    Alena

  3. eu assisti o filme e também fiquei estupefada! “que diabos passou pela cabeça do diretor???”. Também fiquei nessa de sair do cinema, mas como a esperança é a ultima que morre, esperei pra ver se melhorava algo, e nada. A cada “nova fase” a coisa só piora… cruzes, tenho arrepios só de lembrar.

  4. Eu tbm não sei pq não saí do cinema mais cedo!

    Eu só sei que ri um bocado quando apareceu um dos dinossauros e uma louca atrás de mim gritou: “olha Charlene da Família Dinossauros!”

    hehehehe :B

    Bj

  5. Concordo com vc que os efeitos especiais realmente são tantos que ofuscam o verdadeiro sentido do filme. O filme é mais uma variante de “a bela e fera”. Aquele monstrão que assume uma faceta humana pela experiência do amor não deixa de ser interessante. Assim como a mocinha “sexy e frágil” que acaba por sucumbir à esse amor , à despeito das regras mais elementares da natureza só vem a ser também a variação de mais um tema exaurido: “A beleza está no olhar” Etc , etc, etc,. De modo que, no fundo o filme é repleto de clichês em sua forma e, fundamentalmente, em conteúdo.
    A propósito, meu blog tá no ar. Não tenho produzido tanto quanto vc, mas dê uma passada lá: http://www.andredoria.theblog.com.br

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