O poeta sempre traduz, derrama para nós ,

 por si e por todos a essência humana

 mais profunda. 

 Alena Cairo

Palavra do dia ofertada a

 

Carlos Drummond de Andrade

(…)

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

(…) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

(Resíduo)


Hoje bebi na fonte…

Ociosa no grande trabalho de revisar textos (socorram-me!),com todo o meu lado bruxa, meio que prevendo aquele momento de magreza intelectual, carreguei comigo, para tentar me salvar(risos), três obras hoje para me fazer companhia: Balzac, Capra e Nietzsche. Três objetivos diferentes.

O tempo me afortunou então com míseros minutos roubados e ganhei no pinga pinga cerca de duas horas (intercaladamente, não corridas. Ao invés de empregar a minha engenhosidade para contar quantas tirinhas de madeira estão no teto da sala confusa onde trabalho no verperdesatino… resolvi (feliz!) abrir o livro. Acabou que escolhi o exemplar de OS JORNALISTAS. Li a incrível tipologia de Balzac para a “Ordem Gendelettre”.

 Às vezes, não pude conter o risinho cinicamente estupefacto…

Seus axiomas sobre a imprensa IMPREssionam. E os tipos que Balzac disseca a cada lauda? O melhor foi reconhecer os famosos jornalistas moderninhos numa tipificação do século XIX: tais e quais.  Era de internet, grande imprensa, assinaturas de milhões de exemplares, diversidade de publicações… a tecnologia ampliou-se, o número de leitores cresceu progressivamente, a informação chega a muitos, quase todos…mas o ser humano, este continua igualzinho em essência.  É vero!

Boa tarde para contribuir com a diminuição de minha ignorância…  A possibilidade de debate me fustigou.

Comentem o prato cheio !! 

Vamos às pérolas:

1. ” A imprensa será morta como será morto um povo: dando-lhe a liberdade “.

2. ” Todas as folhas públicas têm por leme uma saia de baixo em crinolina, absolutamente como na antiga monarquia “.

3. ” Só houve um diretor de jornal, na verdadeira acepção desta palavra. Este homem era sábio, tinha uma personalidade forte, tinha genialidade; assim jamais escrevia coisa alguma “.

4.” Um jornal, para ter uma longa existência, deve ser uma reunião de homens de talento, ele deve fazer escola. Infelizes os jornais que se apóiam em apenas um talento!”

5. ” O jornal que tem mais assinantes  é, portanto, aquele que se assemelha melhor à massa: conclua! ”

6. ” A Notícia Breve se comete, como os grandes crimes, no meio da noite”.

7. ” O reclame consiste em algumas linhas feitas em benefício do Anúncio, e que, combinadas umas com as outras, mataram a crítica nos grandes jornais “.

8. ” Quanto mais um homem político é nulo, melhor ele é para se tornar o Grande Lama de um jornal”.

9. ” O jornal é o jornal, o homem político é o seu profeta. Ora, os profetas são profetas muito mais por aquilo que eles não dizem do que por aquilo que eles disseram. Não há nada de mais infalível do que um profeta mudo”.

10. ” O coração é a ficha de consolação do homem impolítico”.

As dez “pérolas” acima foram extraídas de: BALZAC, Honoré de. Os jornalistas. Tradução de João Domenech. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004