Hoje bebi na fonte…

Ociosa no grande trabalho de revisar textos (socorram-me!),com todo o meu lado bruxa, meio que prevendo aquele momento de magreza intelectual, carreguei comigo, para tentar me salvar(risos), três obras hoje para me fazer companhia: Balzac, Capra e Nietzsche. Três objetivos diferentes.

O tempo me afortunou então com míseros minutos roubados e ganhei no pinga pinga cerca de duas horas (intercaladamente, não corridas. Ao invés de empregar a minha engenhosidade para contar quantas tirinhas de madeira estão no teto da sala confusa onde trabalho no verperdesatino… resolvi (feliz!) abrir o livro. Acabou que escolhi o exemplar de OS JORNALISTAS. Li a incrível tipologia de Balzac para a “Ordem Gendelettre”.

 Às vezes, não pude conter o risinho cinicamente estupefacto…

Seus axiomas sobre a imprensa IMPREssionam. E os tipos que Balzac disseca a cada lauda? O melhor foi reconhecer os famosos jornalistas moderninhos numa tipificação do século XIX: tais e quais.  Era de internet, grande imprensa, assinaturas de milhões de exemplares, diversidade de publicações… a tecnologia ampliou-se, o número de leitores cresceu progressivamente, a informação chega a muitos, quase todos…mas o ser humano, este continua igualzinho em essência.  É vero!

Boa tarde para contribuir com a diminuição de minha ignorância…  A possibilidade de debate me fustigou.

Comentem o prato cheio !! 

Vamos às pérolas:

1. ” A imprensa será morta como será morto um povo: dando-lhe a liberdade “.

2. ” Todas as folhas públicas têm por leme uma saia de baixo em crinolina, absolutamente como na antiga monarquia “.

3. ” Só houve um diretor de jornal, na verdadeira acepção desta palavra. Este homem era sábio, tinha uma personalidade forte, tinha genialidade; assim jamais escrevia coisa alguma “.

4.” Um jornal, para ter uma longa existência, deve ser uma reunião de homens de talento, ele deve fazer escola. Infelizes os jornais que se apóiam em apenas um talento!”

5. ” O jornal que tem mais assinantes  é, portanto, aquele que se assemelha melhor à massa: conclua! ”

6. ” A Notícia Breve se comete, como os grandes crimes, no meio da noite”.

7. ” O reclame consiste em algumas linhas feitas em benefício do Anúncio, e que, combinadas umas com as outras, mataram a crítica nos grandes jornais “.

8. ” Quanto mais um homem político é nulo, melhor ele é para se tornar o Grande Lama de um jornal”.

9. ” O jornal é o jornal, o homem político é o seu profeta. Ora, os profetas são profetas muito mais por aquilo que eles não dizem do que por aquilo que eles disseram. Não há nada de mais infalível do que um profeta mudo”.

10. ” O coração é a ficha de consolação do homem impolítico”.

As dez “pérolas” acima foram extraídas de: BALZAC, Honoré de. Os jornalistas. Tradução de João Domenech. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004

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9 comentários sobre “Hoje bebi na fonte…

  1. Muito mais do que perólas, são verdadeiros diamantes que desmistificam toda a áurea do fazer jornalístico e suas articulações. ” A imprensa será morta como será morto um povo: dando-lhe a liberdade “. Liberdade esta que resgatará sua vitalidade na verdade, mas que não é interessante para as camadas que dominam desde a composição de uma simples reportagem até sua edição final e veiculação. Não estamos diante de um jornalismo factual e sim de um jornalismo modelador, que acentua conceitos ou transforma-os nas mas variadas mentes a seu critério.

  2. Dotado de um poder de crítica incomum, Balzac expressa suas opiniões contundentes e perturbadoras acerca do jornalismo. Concordo com a maior parte das pérolas do visionário pensador, sobretudo, quando ele denuncia a realidade quanto a utilização dos anúncios substituindo o espaço da crítica nos jornais.
    Só não compactuo com a visão que o escritor utiliza para definir os profetas. Certa feita, li em Kahlil Gibran a diferença existente entre poetas e profetas. Os profetas (excedendo-se aí os bíblicos), vivem o que pregam, ao contrário dos poetas, que, podem escrever poesias melancólicas e nostálgicas mesmo quando a primavera é a estação atual de suas almas. Assim como podem escrever textos dotados de amor e paixão, alegrias e júbilos quando em suas almas só há prantos e invernos mil. De qualquer modo, não censuro Balzac. É que não é costume mesmo dos autores e leitores ocidentais dar uma conferida no que os pensadores do Médio Oriente já produziram nos últimos três séculos, não é mesmo?
    Mas, Balzac, independentemente de ter lido Michail Naimy, Amin Guraieb, Gibran Kahlil (ou não), como Caetano costuma dizer, é autoridade quando exprime suas observações relacionadas à imprensa, e as pérolas por ele produzidas têm, sim, muito a nos ensinar, futuros e/ou atuais jornalistas. Refletir sobre elas é fundamental.

  3. Balzac tipifica os jornalistas… Quando fala em profeta, refere-se a jornalistas com cargos de profetas na redação… Só lendo a obra mesmo… É muita coisa para explicar. O Título do livro é Os jornalistas.
    Hum, adorei sua percepção e o seu comentário. Será que os ocidentais, de hoje ao menos, não andam bebendo na fonte oriental e publicando certos ineditismos???

  4. A última vez que um autor ocidental foi tentar beber na fonte do Oriente (vide Paulo Coelho), o ineditismo que todos nós vimos foi algo do tipo: “Nada está 100% errado no mundo, até mesmo um relógio parado está certo duas vezes ao dia”…
    Sem comentários…

  5. Murilo, maravilhoso…
    Você é descendente de árabes?
    Caso seja, você têm msn?
    Gostaria de entrar em contato com descendentes de árabes que residem no Brasil.
    Poderia publicar o teu comentário acima no meu blogger e no meu orkut?
    Entre em contato comigo.
    May.

  6. May:
    O seu e-mail está retornando para os destinatários.
    Eis o meu msn: muriloalves19@hotmail.com
    Autorizo a amiga a publicar o meu comentário no espaço que preferir.
    O meu pai é libanês natural de Besharri.
    Creio que seja iraniana, levando-se em consideração a origem do seu primeiro sobrenome.
    Contate-me.
    Murilo.

  7. Poetas são profetas, são visionários, premonitórios. Devemos lê-los com os olhos
    do coração. não só nas linhas, mas também nas entrelinhas, mergulhar em seu univer-
    so particular e tentar entender o contexto em que viviam(e/ou vivem). Aposto que o autor
    de Madame Bovary pensava diferente do que escreveu, irônico e sarcástico que era.

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