Educação

Nenhuma vocação para ser pessimista eu tenho. Ao ler a Folha de hoje, fico a pensar no improviso de Serra em São Paulo ao fazer com que as classes da escola de latinhas fossem transferidas, ao esperar o CEU, para o inferno. O fogo em questão fica por conta do inusitado: a escola temporária funcionará até setembro no andar de cima do supermercado; há salas em cima do forno da padaria. Então se discute a falta de condições para o estudante prestar atenção…

Esse é o motivo da minha divagação vespertina. Trabalhei doze anos em salas de aula particulares de grandes escolas de Salvador. Sempre me deparei com alunos cheirando a perfume francês, com 5 ou 10 reais para o lanche diário, aparelhagem, ar condicionado nas salas e professores capacitados, quadro branco, livros e material didático da melhor qualidade… O fato é que sabemos que não há estímulo para estudar em cima de um forno não apenas por causa do excessivo calor. É salutar que em condições propícias também reina a falta de motivação nos estudantes. As questões são mais profundas e complexas.

Então penso no caminho inverso… Há também nestas salas-estufa um punhadinho certamente de meninos e meninas que se interessam pelos conteúdos e projetos desenvolvidos e há também professores motivados que encantam o grupo ainda que, apesar de, mesmo que.

Qual a receita?

Há que se pensar em muitas variáveis.

Alena

21/03/2006