Até que enfim!!!

Na Folha de hoje, notícia pouco divulgada embora o fato já ocorra há tempo. Doméstica indenizou o patrão por pedir créditos a mais na justiça.

Interessante porque o revés do direito trabalhista, garantia excelente contra a exploração de patrões, tem sido o de empregados agindo de má fé em ação conjunta com sindicatos e advogados. Em Salvador (fontes fidedignas), ocorreu de, em um mês, o cálculo de contas a receber de três domésticas diferentes coincidirem em valor (será possível tamanha coincidência ?).

Penso nas outras possibilidades agora, especialmente depois que inventaram que escola é comércio. Alunos hoje processam instituição e professores porque perdem a disciplina. Não assumem a própria responsabilidade pela falta de estudo, pelo desinteresse e pela dificuldade pessoal de acompanhar este ou aquele raciocínio. Quando , estupefacta, vejo a coordenação informar aos professores os processos que sofre a instituição e este ou aquele profissional, indago as alegações , geralmente as mais estapafúrdias possíveis. Sempre, em tom jocoso, pergunto aos colegas:

– Alguém aí já está informado de quando começará a haver jurisprudência a nosso favor? Quando processaremos os alunos por não nos fornecerem condições dignas de trabalho? Por não contribuírem para o nosso desenvolvimento intelectual? Por não participarem em sala? Por não estudarem a tempo o que orientamos? Por nos fazer gastar a voz mais que o necessário? Por não cumprirem os estudos necessários aos debates que às vezes viram monólogos ou diálogos? Por nos estressar? Por não nos ouvir… etc etc etc

Dá vontade de colecionar as decisões moderninhas da justiça .

Um exemplo que eu soube: a aluna fraudou a carteirinha de estudante. Inscreveu o namorado como aluno. O colégio conferiu e viu que o aluno não constava em suas listas. Averiguou. Chamou a garota. Ela disse “O que é que tem?”. A mãe e o pai foram chamados para que conversassem junto com a escola com a adolescente a fim de educá-la. A mãe e o pai repetiram a pergunta da filha. Acharam um absurdo o chamado da escola. Esta, então, decidiu que não interessava manter pessoas com estes parâmetros  de (??) valores. Providenciou a transferência. A família imediatamente moveu processo e tudo ficou como tantas vezes no Congresso: impune.

Lições do caso:

1. Aos colegas de classe: façam o que quiserem (falsidade ideológica, fraude…) porque o ECA e a justiça o salvarão se você conhecer alguém importante na área jurídica.

2. Aos professores: urgentemente trocar de prioridade os conteúdos e pensar mais nas atitudes que precisam ser ensinadas pela escola já que há famílias que não o fazem mais. Falar muito de ética, bons costumes, honestidade, valores… Ensinar, discutir…

3. À escola: inventem logo uma ESCOLA PARA PAIS. 

4. A todos : a escola está refletindo a vida. Pizzas!!!

Lembro Camões: “Mudam-se os tempo, mudam-se as vontades” e penso em minha sala de aula (ainda durmo de consciência limpa).

 

 

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