Delírio

Sexta à noite, enfrentei uma febre altíssima e dores no corpo que mais pareciam pauladas…   Hibernei por dois dias inteiros e tomei medicamentos. Prostada, vi o milagre ocorrer… Três problemas sérios se resolveram como num passe de mágica… Assuntos pendentes há meses simplesmente pluft!  Resolveram-se.

Um conselho aos incrédulos: nada adianta remar contra a maré…é melhor até deitar na cama e esperar a febre baixar. Ao acordarem, verifiquem se não foi delírio: se foi, tomem vergonha e coloquem as pendências na lista de prioridades, se não foi, milagres (ainda) acontecem!!! Aleluia.

Eu verifiquei. Não era. 

“Não se pode ser sem rebeldia”

“Eu acho que os adultos, pais e professores, deveriam compreender melhor que a rebeldia, afinal, faz parte do processo da autonomia, quer dizer, não é possível ser sem rebeldia. O grande problema está em como amorosamente dar sentido
produtivo, dar sentido criador ao ato rebelde e de não acabar com a rebeldia. Tem professores que acham que a única saída para a rebelião, para a rebeldia é a punição, é a castração. Eu confesso que tenho grandes dúvidas em torno da eficácia do castigo.

Eu acho que a liberdade não se autentica sem o limite da autoridade, mas o limite que a autoridade se deve propor a si mesma, para propor ao jovem a liberdade, é um limite que necessariamente não se explicita através de castigos. Eu acho que a liberdade precisa de limites, a autoridade inclusive tem a tarefa de propor os limites, mas o que é preciso, ao propor os limites, é propor à liberdade que ela interiorize a necessidade ética do limite, jamais através do medo.

A liberdade que não faz uma coisa porque teme o castigo não está “eticizando-se”. É preciso que eu aceite a necessidade ética, aí o limite é compromisso e não mais imposição, é assunção. O castigo não faz isso. O castigo pode criar docilidade, silêncio. Mas os silenciados não mudam o mundo. ”

(Paulo Freire, Pedagogia dos sonhos possíveis. Org.Ana M.A. Freire. Editora Unesp)

Sobre o Amor e a Relatividade

No blog da Luana, hoje, ela escreve um texto muito sensível sobre a sua solidesilusão… É um depoimento, uma crônica de registro diário, daquelas em que a alma da gente se derrete e verte em palavras no papel, ou melhor, na telinha… Escreve com sentimento e isso é precioso demais, porque humano. Fiquei mortinha de saudade, poxa, queria também ter estado naquela mesa de bar e talvez fazer companhia em não beber…talvez lamentar com todos a questão do amor…

Como sou uma velhinha, posso, porém, dizer algo àquela menina então desamparada: existe amor sim, existe correspondência no amor sim, existe felicidade no amor sim… Existe também a  eternidade, sim, ela existe. O caso é que a humanidade demorou milênios para chegar à teoria da relatividade que é só um começo para novas portas e janelas de revelações…

Imagine logo então algo muito sério: os momentos são eternos… O amor se eterniza sim , o que foi vivido, não há como negar, porém fica preso a um espaço e tempo que já passaram. O hoje traz novas vivências. Disso eu posso falar. Apesar de toda revolução que o holocausto amoroso me causou (risos), não há como negar meus olhos que brilharam, minhas costas que se sentiram aquecidas ternamente à noite, não há como negar meu sorriso… Tenho mais de 6000 fotos dos últimos 5 anos de minha vida e eles valeram muuuitoooooo. O incrível: apareço sorrindo em todas, feliz, muito feliz… E olha que se pode prever bem a devastação, o trauma, a tristeza que me causou o fim do love…não, não do love… o fim da relação. O amor ficou lá, no passado, e existirá eternamente, preso àquele espaço em que estivemos e àquele tempo do "quando" estávamos juntos.

Se eu sorrir agora, amiga, será de doçura pelas alegrias; se eu chorar, será pela tristeza. Mas que valeu, valeu. Plagio Neruda e confesso que vivi!

P.S.: O tempo passa e se o de Vinícius é quando(!!), o meu é agora! E ando sim por onde há espaços…

Estereótipos à parte ou incluídos !!!

Hoje eu conversava com um amigo intelectual(segundo ele). Sinceramente, socorra-me Sartre: ” O inferno são os outros!”

Versávamos sobre as amigas complicadas dele e seus problemas afetivos… O diabo foi o comentário capcioso sobre os homens que usam cinto de couro com fivela de boiadeiro, têm pick-up, usam chapéu e tal… Segundo o meu dileto amigo, estes seriam incapazes de fazer uma mulher feliz e por isso, obviamente, a amiga dele sofria. Deus! Se a indumentária ou a tribo a que pertencemos vestisse a nossa alma ou o nosso caráter, que pensaríamos então dos ´empaletozados´ governantes sujeitos à CPI, recebedores de mensalões e investidores dos cuecões? Abaixo todo terno no mundo? Seguindo tal raciocínio, é possível pensar então que os índios por estarem “vestidos de uma nudez emplumada”(Viva Darcy!), mostrar-se-iam, portanto, despidos de caráter?

Nossa, me assusta a Universidade hoje! Acadêmicos teorizam sobre identidade nacional, sobre ética, cultura e cidadania, sobre inclusão social e também acerca de igualdade humana. Isso para não citar a utópica Declaração Universal dos Direitos Humanos (para mim um dos mais belos textos) recitada às vezes de cor pelos mestres nos centros acadêmicos. 

Como podemos nós, míseros mortais impregnados de idéias preconcebidas, herdadas do cruel processo histórico de formação da identidade brasileira, entrar numa sala de aula e professar algo? Muita maturidade é necessária, leitura, informação, mas, principalmente, é preciso que cada um cheque suas concepções, seu ideário, seu conjunto de valores. “Todo ato humano é político!”

De nada adianta a teoria se, na prática de nossas atitudes refletimos, e, nas conversas despreocupadas vomitamos um catatau de estereótipos. Estes nos cegam(obrigada Saramago pela obra), alienam, mas também revelam quem somos.

Rindo, o amigo dizia que, se, um dia, eu o pegasse namorando uma bailarina country, poderia zoar com a cara dele. EEUUUUUUUUUU!?!?!?!?!??!

Provavelmente, não me recordaria das suas taxativas palavras, mas seria realmente capaz, sem ser piegas(talvez sendo), de observá-lo e perceber se estava realmente feliz ou se mantinha aparências. Acho INCRÍVEL (no sentido literal) pessoas prorrogarem ou manterem uniões pautadas pela aparência e às custas de dinheiro, status e satisfações sociais porque observo que estas, geralmente, implicam dividendos graves, vazios existenciais, neuras compensatórias, manias compulsivas e infelicidade latente, quase sempre.

Ponho-me a refletir… Então, qual o “padrão da felicidade” hoje?  Devemos manter o esquema “escola-cinema-clube-televisão”? A namorada deve ser loira; os casamentos, heterossexuais? O “príncipe encantado” deve ser dono de um haras ou ter uma mercedes e aparecer propondo o poético “felizes para sempre” ou o religioso “até que a morte nos separe”? Negro é vagabundo? Índio é preguiçoso? Mulher tem que fingir que todo cara é o segundo (já que a virgindade caiu mesmo)? Português é burro? Judeu é usurário? Árabe não presta? Políticos são todos corruptos? Não se pode confiar em quem tem dente separado? Secretária é tudo puta? 

Noooooooossaaaaaaaaaaa! Preciso urgente de um país ideal, de um mundo de mentirinha porque o de verdade está me matando!

Os incautos intelectuais da academia são capazes de falar por duas  horas ou 100 minutos de aula sobre as mais belas teorias (O que é cultura? Qual o conceito de Arte? O que diz o Código Civil? Ética e Cidadania…), mas me parecem incapazes de entendê-las. Demonstram uma prática absurdamente controvertida. Vejo-os hoje ilhados, sozinhos na sua soberba solidão “intelectual”(mas não a verdadeira, derivada do saber ouvir, ver e sentir o mundo, as coisas e, especialmente, as pessoas). Só se entendem entre si e passam horas a dissertar sobre a ignorância dos educandos, a frustração dos salários, a irritação cotidiana de perceber a alienação social… depois, arrotam os saberes que dizem ter e, sorrindo, cheios de si pela vaidosite aguda, retornam às suas casas onde dormem em paz até o dia seguinte.

Começo a pensar então na pobre condição humana… estamos relegados à diversidade ! (Confesso que fico por isso aliviada)

Contei ao dito cujo então em tom absurdamente sincero que eu não me sinto apenas uma, que admiro Pessoa mais pela sua condição de projetar os eus para além das máscaras – ainda que todos eles o sejam também. E também que eu adoro me vestir das múltiplas personagens que sou.

Gosto de Capra, mas desejo um dia namorar um surfista, destes bem estereotipados, que só pensam em prancha, mar e onda. Ao lado dele, um dia deitarei na praia, nada conversaremos, nada debateremos, nada polemizaremos. Mergulhados no profundo e absurdamente simples mistério de existir, talvez sem nem nos tocar, olharemos o céu. Nesta hora, estarei imersa na consciência profunda de todas as coisas.

O meu interlocutor, no papel de advogado do diabo, me perguntou: ora, Salvador está cheia de surfistas, por que não está namorando ainda um deles?

Ainda não encontrei o homem que será, além de humano e não medíocre, também estereotipadamente surfista. Mas já fui motogirl e bad girl usando casacão de couro e montando na garupa de moto… vivendo a plena liberdade de existir na estrada do Brasil. Na plenitude do estereótipo cápsula.

Também vesti as idéias da caminhante solitária, despojada de escovas, maquiagem e cílios postiços: só tênis, jeans e camiseta… Pernas para que te quero pelas cidades deste mundão…

Outrora, fui Cinderela ou Branca-de-neve em meio a paetês e lantejoulas bordadas nos alinhados vestidos de noite, elegantemente equilibrada no salto fino…

Lembro a gincana do meu colégio, quando tresloucadamente fui a criança do show da Xuxa que chorava ao vê-la pela primeira vez e também em outra ocasião dos desafios, a parceira pintada de tinta guache do ‘negomaluco’ mais engraçado que já vi… E da unha à testa, dos pés ao pescoço, eu era toda ‘negamaluca’ também… 

Rio quando me pego sendo a doce professorinha… a amiga leal, a filha bem comportada… E também sorrio ao ver o chifrinho de diabinha despontar toda a maldade quando resolvo sacanear alguém…

Divirto-me com os papéis sexuais a depender do parceiro… sim, parece que somos não o que somos, mas o que os outros querem que sejamos… Uns dizem que nos amam comportadas… outros que nos projetam prostitutas… Delícia (?!) é perceber que o chavão permanece: ‘lady na mesa e puta na cama’…assim se justificam as perversões masculinas. Sinceramente, eu me divirto com os seres humanos… Rio destas e mais outras idiossincrasias. Poucos se assumem como são ou se projetam corajosamente múltiplos… Mergulham numa pseudo bonomia que só nos descortina a perversidade do mito de príncipe encantado quando há tantos ogros do pântano capazes de bufar, arrotar…e também de se fantasiar de príncipes quando lhes convém!

Sinceramente, os mais radicais, aqueles que se pensam UNOS, INDIVISÍVEIS, MAIORAIS, convido-os a uma reflexão e a um passeio:

1. na História, veja a questão do ponto de vista oficial – sempre o da elite- e não se esqueça de que há outras versões possíveis;

2. na Religião, lembre-se de que a maioria do Ocidente crê num Deus que é trindade;

3. na Física, até o átomo é divisível;

4. na Biblioteca, encontramos pensamentos convergentes  e divergentes em múltiplos livros;

5. entre os seres humanos, embora toda a igualdade, estamos expostos à individualidade que nos torna plurais … etc, etc , etc.

Eu não sou de esquerda nem de direita nem estou no centro. Eu penso e avalio. Também erro.

Torço para o Bahia, mas não desprezo o Vitória: entendo que, sem ele, não haveria o campeonato nem jogo nem rivais nem adversários nem comemorações nem superação de dificuldades e derrotas… Somos opostos, somos discordantes, mas também concordamos e somos iguais.

Avalio com cautela aqueles que desprezam os movimentos de massa porque se dizem intelectualizados à parte da ojeriza social… Estes declaram, muitas vezes, sua admiração pela música clássica, enaltecem sua virtude e importância, mas não têm um cd sequer ou sequer conhecem A primavera, Ária (Cantilena), Pour Elise, A nona… ( e olha que só falei das populares!) Escarnecem alguns dos arrochas que espocam às sextas-feiras em Salvador nos bares de periferia especialmente.

Eu? Sabe de uma? Ouço Villa-Lobos ou Wagner, mas, muitas vezes, desligo o som do carro ao passar na Madereira Brotas retornando sexta à noite da Faculdade porque me delicio com a expressão dos agarrados arrocheiros que ao som do brega de Candeias simplesmente fruem esta tal de  existência tão teorizada e racionalizada nas academias.

E viva as setecentas mil vidas que podemos ter, não é Caetano???

Carpe diem a todos.

Gulodices de criança…

A Cam postou no blog dela uma provocação acerca das porcarias que a gente comia… Olha o texto que acabei publicando:

Na Bahia, minha mãe também cozinhava muito bem!! Para vocês terem uma idéia, ela organizava festas e tinha um buffet… bolos confeitados, glacês, todos os docinhos da face da Terra e salgadinhos que vocês imaginarem… Lá em casa, sábado e domingo eram os únicos dias de tomar coca-cola(arght! que eu nem gostava… então ela comprava fanta uva e fanta laranja…) A gente sentava para ver tv, dar risada e havia sempre uma festa extra… sim, porque a minha mãe não conseguia fazer encomendas com apenas a quantidade certinha que o pessoal pedia … Pensava: é melhor sobrar do que faltar… Então, por conta disso, nós lá em casa tínhamos cerca de umas três bandejas sortidas de saltenhas, coxinhas, quibes, enroladinhos, salgadinhos de assadeira, cariocas, risoles, pastéis, barquetes, bolivianos… cajuzinhos, brigadeiros, lolós, beijinhos, casadinhos, delícia de uvas, de passas e de nozes… Sacaram? O detalhe: somos três meninas em casa e nossos amigos e amigas viviam lá…

Então, o que ocorria é que a gente nem precisava inventar aniversário de boneca…
Bolo de chocolate? Eca… Era desprezado pela gente… Nós tínhamos que fazer o sacrifício de doá-lo todo aos nossos amigos… Minha mãe fazia cerca de 10 bolos na batedeira no fim de semana… Aquele barulhinho da planetária Arno ficava zunindo na nossa cabeça… Íamos para as festas e nem ligávamos para o tal do bolo(até hoje sou assim). Mas como era ritual estarmos juntos após o fim da encomenda, não resisto até hoje aos docinhos e salgadinhos… Dia destes, na formatura de minha prima, só de moranguinhos eu comi 17 (e não é hipérbole!).

Quanto às porcarias, Cam, lá em casa tinha tanta coisa dita saudável ( de todas as 500 mil frutas que o Nordeste é capaz de produzir até cada verdurinha que o Sul nos exporta ) que viramos todas “gourmets” – risos, muitos risos…

Os maiores pecados porqueiros que fazíamos eram as tais das coxinhas (ô, mãe, hoje vai sobrar umas trinta?), quibes…

Lanjal e tanjal e uvajal… acho que tomei todos que havia. Pipoca doce de saquinho rosa: confesso que não posso nem ver(devoro)…Deu nojo o cuspe do ômi… desde pequena minha mãe me convenceu, nunca gostei de algodão-doce. Maçã-do-amor no circo era sagrada! Pirulito do Zorro, balas soft(aquelas que a gente ia morrer se engolisse), buballoo, dip lik(sei lá como se escreve isso)…
Nós não éramos magérrimas, mas também não éramos baleias graças à bicicleta e à hiperatividade que os anos 80 permitiam às crianças… Brincávamos sempre de correr, pega-pega…
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk (Tô adorando as lembrança)

Ah, sim, quanto aos hábitos de infância, eu até hoje como banana amassadinha com açúcar( abacate e mamão também com leite ninho e açúcar) e adoro potinho de bebê… (aqueles Nestlè).

Tomo todos os iogurtes, mas não sou fã de nenhuma bolacha ou biscoito recheado. Acho que nem tinha tempo de me dedicar muito aos biscoitos do mercado. Ah, lembrei! A gente devorava mesmo era Mirabel. Biscoitos Waffles.

A suco não resisto, mas não gosto de nenhum artificial. Na infância, tomava todos os Q-sucos radioativos do supermercado(ou eram Ki-sucos?) de abacaxi, morango, uva, groselha…

Lá em casa era também a casa do misto… Todo dia, pão, queijo derretido e presunto. Nunca faltou pizza uma vez por semana à noite, cachorro-quente no outro dia para jantar e mais na noite seguinte: hambúrguer para todos… Minha prima magérrima torcia o nariz, achava que Tia Ane exagerava em tudo… mas os demais primos, Mó, Liu, Piu, Sila, Guinho, Tica, Kinha e Lora, amavam ir para lá porque sempre tinha muita comida.

Engraçadíssimo mesmo era ir à praia. Havia um isopor em casa, uma caixa de uns 30 litros e meu pai enchia de picolé na fábrica de picolé para “as meninas chuparem”… (todos de fruta, óbvio que tinha coco e amendoim, que ninguém dispensava, manga, cajá, tamarindo). O carro ia entupido de amigos e parentes. Minhas amigas, ele chamava todas de “macaca”. Sei que a gente ria e ria e ria… O som ia alto, todo mundo cantando dentro do carro e a gente dando tchau a quem passasse…

A gente era feliz… Casa cheia, pai e mãe, amigos muitos, primos até não poder mais… Uma galera. As ditas monstrinhas, A, E e I, depois de passarem o sabadão inteiro na piscina do clube, iam almoçar na churrascaria ( onde só queríamos calabresa e maionese de batata e batata frita e farofa e feijão tropeiro). O detalhe era que antes, no clube, devorávamos as deliciosas coxinhas, o acarajé, o abará, um quibe para não perder a viagem, batata-frita(de novo!), peixe frito, cocadinhas, picolés chicabom  e mais o que viesse…

Depois de almoçar no Rincão, aos domingos, a gente ia passear de carro em Salvador, e era também sagrado o sorvete de fim de tarde na Ribeira, na Cubana ou então na sorveteria da avenida 7.

Voltávamos para casa à noitinha, reclamando da locução do futebol (BAxVI) que meu pai não dispensava aos domingos. Tapávamos mal educadamente os ouvidos com os dedinhos enfiados nas orelhas enquanto mainha dizia: deixem seu pai ouvir o jogo dele, meninas…

Ele voltava para casa, a gente já estava exausta àquela altura, sempre chegávamos à noitinha. Dormíamos então cansadas, com as bochechas rosinhas do sol sem protetor e a pele morena do Rayito de sol paraguaio que se vendia por aqui. Os cabelinhos ficavam loirinhos do sol. Naquele tempo, às vezes mainha ainda nos contava uma historinha para dormirmos.

Eu me lembro muito bem, nunca vou esquecer, quando ele dizia orgulhoso na rua aos amigos “vejam só: estas são as quatro mulheres de minha vida”.

Super heróis…

Vira e mexe fico pensando no meu idílico tempo de criança quando eu cria que o super-homem e a mulher-maravilha eram o máximo!!! Queria aquela roupinha da mulher e não entendia como o jato era invisível se havia uma linha branca no céu… Ora, se eu via o jato, todos o veriam também!!! Para crianças, bastava dizer que o jato passava no céu e pronto! A gente acredita… é fantasia… os adultos é que exigem uma linha branca…pra pensarem que é transparente e deduzirem que é invisível (vá entender este complexo universo adulto…).

Hoje, descubro estupefacta a massa de homens e mulheres heróicos que se levantam cedo, organizam a sua casa e partem para a labuta diária em troca de um salário antecipadamente aumentado que lhes garantirá 2,2 cestas básicas.

Incrível mesmo e não é o Hulk.