Achei a resposta ao meu problema: trabalho x blog

“O homem não nasceu para trabalhar, mas para criar.”

Professor Agostinho da Silva

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Aos diabos!

Ai… o que é o relógio diante das sensações? Pouco importa o relógio, pouco importam erros. Christopher Reeve estava lindo, ele era o super homem no outro filme, toda menina sonhava com um Clark bobinho e frágil para pôr no colo, mas que virasse Super nas horas do perigo. Ui, talvez tenha sintetizado o que queríamos dos homens.

Olha ele aqui ! Arquivo Uol Folhacrédito:(http://www1.folha.uol.com.br/folha/galeria/album/images/20041011-christopher_reeve-01.jpg)

Quando eu vi Em algum lugar do passado, tinha exatos 13 anos e disse a hiperbólica frase adolescente: foi o melhor filme que eu vi na vida. Há que se considerar minhas experiências aos 13. Cheguei à minha casa do cinema tão adolescentemente encantada que fui conversar com minha avó. Falei-lhe que queria de presente o livro, meu aniversário seria no mês seguinte. Ela retrucou porque achou que eu deveria querer qualquer coisa mais mocinha. Acabei assim descobrindo a diferença entre a linguagem do cinema e do livro.

Tudo passa, mas há  coisas doces. Se o filme hoje é boboca, paciência. Àquele tempo , não o era. Deixou marcas nas bocozices de nós, mulheres…

Ãã… Agora vem cá, por que diabos é que a gente tem que ficar explicando por que gosta do que gosta? Gosta e pronto, uai. Nenhum homem tem que palestrar ao confessar torcer para um time ou dizer que adora dominó, fórmula 1 ou baralho. Talvez sejam ecos da submissão feminina, de uma época em que tudo de que a gente gostava era inferior ou "tolices" para os machos-patriarcas-imperadores da sociedade, da vida, do mundo e da nossa história.

Vi lá nas Fridas a confissão primeira, este post começou ao comentar o que a Helê escreveu. Aí resolvi oferecer-lhes (aos que confessam gostar), blogueiros e leitores, uma prenda:

Eu tenho! Gostei tanto do filme que pedi a minha avó de aniversário aos 14 anos.

 E, de brinde, a epígrafe do livro:

Oh, chama de volta o passado,

ordena que o tempo retorne.                      

–  Ricardo II, 3o ato, 2a Cena

Ao ver tanta gente se explicando sobre as bobagens que curte, como eu mesma me expliquei durante muito tempo, penso em quantos se irmanam nestas doces idiossincrasias… Se a minha vida está em palavras, que agora possa estar também em filmes. Sim, confesso que os vi!

– Dirty Dancing (13 vezes no cinema com 14 anos, mais umas vinte no vídeo, comprei os dois lps e depois os dois cds. Ah, e tenho hoje  o 'devedê', ao qual assisto com minha afilhada nas jovens tardes de domingo);

Capitão Coreli (Yes, faz quatro anos que vi no cinema e depois comprei o 'devedê');

De volta para o futuro (vi todos e basta passar na sessão da tarde para eu repetir);

Top Gang (para rir muito da imbecilidade: vi todos, todos);

Corra que a polícia vem aí (toda a série);

– e ainda mais Romeu e Julieta, A Odisséia, Sociedade dos poetas mortos e tantos outros.

Só para dizer que eu não me envergonho, eu rio, eu curto, choro, sofro, me apaixono… Sabe a expressão de assombro do cara da locadora : De novo!?!?!?

A propósito do tema, às almas amantes da literatura e das artes, eu ofereço uma crônica deste livrinho aqui:

Eu leio muitas vezes este livro

A segunda primeira vez (página 175/176)*. Vale a leitura pela oportunidade de se repensar enquanto gente , humana, com sentimentos, memórias e recordações. Pessoas que vêem um passado em algum lugar, e que sabem que  "Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão." ( C. D. de Andrade)

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*(Procurei link na net, não achei. Eu a digitei agorinha. Quem quiser, mande um e-mail ou deixe um recado.)

Grécia

Fico aqui trabalhando até mais tarde. Há horas em que sinto vontade de desistir. De repente,  o wmp toca a zorba. Meu Deus, juro que gosto desta música. Imediatamente sou transportada para a Grécia e penso no azul intenso do mar Egeu, na expressão alegre do povo helênico, na beleza dos senhores gregos. Lembro a dignidade que enxerguei no seu semblante, típica de pessoas que parecem realmente vir de um berço especial.

Lembro o ar de Atenas, a chegada ao porto de Pireus, parece que tudo ocorrendo como eu sempre sonhei, desde os 8 anos de idade, quando descobri através de Monteiro Lobato que a Grécia existia. Então me sento no chão de Olímpia, passo a mão nas pedras divinas e seculares. Na mesma hora, estou extasiada em Santorini e subo a montanha escarpada para ter a glória de enxergar aquele pôr-do-sol… ai, ai.

Eu vi o mar de Santorini na Grécia

Em poucos instantes, estou numa igreja bizantina, e olho maravilhada a pintura no teto em Corfú ou Tira.

Eu brincando com a foto de Santorini

Ai, vou trabalhar mais que quero voltar lá. Toca Zorba, toca… Enlaça-me na melodia e me conduz a Morfeu.