Relicário desse amor

O abraço anseia alcançar a inatingível

sensação do outro conosco.

Os olhos ora se fecham, entregues.

O peito convida a mão,

as costas oferecem-se fortes,

largos espaços de aconchego.

– É meia-noite, Cinderela.

A casa está silente e vazia.

Acorda de teu sonho.

Teu colchão  é macio, tua cama está limpa,

teus quatro travesseiros te esperam:

latifúndio de teus quereres.

– Não, não… volta, menina.

Volta aqui que ainda há ele.

Deita-te no sofá e procura

a inegável ternura de há pouco.

 

Teus olhos brilham, menina.

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Foto por mim  em 06/2006.