Scarpellini

Vincenzo Scarpellini

Vincenzo Scarpellini faleceu semana passada, dia 16/09. Não li o jornal semana passada, não vi nem on-line nem impresso no dia. Por isso falo hoje. Uma amiga me contou. Trouxe más notícias. O pior: lembrei-me dos amigos que devem estar arrasados. E fiquei triste também.

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crédito da imagem :

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Intimidade

Muita gente confunde intimidade…  com sexo.

Intimidade não é nada disso, mas também pode ser isso. Intimidade acontece para um casal quando ambos conseguem chorar de rir por causa das besteiras faladas, porque entendem o riso como partilha. Quando há intimidade, se pode rir de tudo: do que é sério e do que não é, do que é fútil e do que é útil. Intimidade é rir da sopa ruim que a empregada fez e não se chatear de ter que providenciar uma macarronada de última hora. Mas intimidade também acontece quando não nos importamos com o rímel borrado nem o nariz inchado e vermelho, quando o outro nos oferece colo e choramos copiosamente. Intimidade faz a gente não ter vergonha de ligar e pedir para trazer ob no fim da noite, nem de nos dar banho quando estamos bêbadas. Intimidade não é somente ter filhos juntos, mas rir com todas as crianças com que se encontra, entretanto achando-as chatas quando realmente o são. Intimidade não se restringe a não ter vergonha do próprio corpo, nem a apenas ter coragem de se dar na cama. Intimidade prescinde protocolos, faz-de-conta, jogos de conquista mesquinhos. 

Intimidade se faz de cotidianos, mas não precisa de tempo. A intimidade nasce espontânea em certos casais. Outros jamais a terão. Intimidade enlaça os parceiros numa cumplicidade tão grande que só eles cabem neste espaço do mundo que é a relação.