XÔ! XÔ!

“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia.”

Chico Buarque

Juro que estou estupefacta! Nunca pensei cantar esta música do Chico no sentido que ela teve em tempos de Brasil ditadura. Se o novo tempo nos assegura “liberdade de expressão”, considerando as charges brasileiras, as sátiras televisivas, também as matérias jornalísticas atuais e o programa Casseta & Planeta, não consigo ADMITIR que o juiz eleitoral Luiz Carlos Gomes dos Santos tenha obrigado Alcinéia Cavalcante a retirar do ar seis posts do alcinea.zip.net e os comentários, chegando ao despautério de mandar retirar até os comentários de leitores que a parabenizam pela luta em prol do direito à liberdade de expressão.

Alcinéia teve que buscar asilo na blogosfera americana, no domínio ponto com. Onde vamos?

Sou professora de turmas de jornalismo e não estou acreditando que o bloqueio ao blog de Alcinéia tenha ocorrido. O UOL retirou a página dela do ar. Se a moda pega, o que vai ocorrer ao Angeli, ao Simão, à trupe toda dos escritores, jornalistas, chargistas e cartunistas que publicam on line e em meios impressos? Os maiores jornais do país estão repletos de críticas interessantíssimas. Vão ser impedidos de circular?

Será que Sarney mandou derrubar o muro ou pintá-lo? Será que vai fechar a internet no Brasil? Será que tentará lobotomia coletiva para nos impedir de pensar? Será que obrigará mais pessoas ao exílio, nem que seja o virtual? Será que viraremos presos políticos? Será que haverá tortura? Perseguição?

Agora, depois desta atitude de fechar o blog, especialmente, XÔ, Sarney! Xô! Ele poderia ter conseguido a antipatia de alguns internautas, de alguns eleitores. Agora, espero que o caso ganhe dimensão nacional e possamos mostrar ao mundo a atitude de quem já teve o Brasil nas mãos. O “ilustre” ainda é membro da ABL. Ô, Machado, segura-se no túmulo. Juramos que não fomos nós que escolhemos o “vice” para vestir o fardão. A maior parte do público leitor brasileiro que não o esquece, Machado, que lê seus contos , suas crônicas e romances, jamais leu sequer uma linha do dito cujo. Descanse em paz, que a gente aqui sabe o que é literatura e crê ainda que a leitura liberta. Mas não a leitura cerceada, censurada… Se voltarmos aos tempos obscuros, que venham as metáforas! Não nos calaremos.

A mão que escreve faz a guerra.

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