Um dia tabacudo – parte I

De todos os dias da viagem, o último foi o mais inusitado, por isso, o melhor. O resto, perfeitinho demais, dias normais. De última hora, lá em João Pessoa, achei uma carona para Recife. Teria que voltar a Recife para pegar o vôo para Salvador. A carona significou acordar às seis da matina, tomar café, fechar a conta do hotel e enfiar a mala, a sacola, o saco, mais uma sacola e uma bolsa numa van. R$37,50 e, às nove e vinte, eu já estava dentro do aeroporto Guararapes. Beleza. Despachei todos os meus pertences. No limiiiiiiiiite do embarque: 23,2kg. 

Uma pausa para eu dizer que adoro isso de um aeroporto ter um nome regional, algo que valha a pena. Guararapes é lindo e sonoro. E qualquer baiano sabe a que discussão eu aludo nas entrelinhas : adeus Dois de Julho

Aí, despachadas a mala e a sacola grande, inventei a maior maluquice: tirei a calça jeans no sanitário, a blusa, vesti o biquíne e um camisão, troquei o tênis e as meias por havaianas (que sempre me marcam o peito do pé), enfiei tudo no saco e guardei por R$5,00 no guarda-volumes. Peguei um transporte para a praia da Boa Viagem e fui com o kit maluquice na bolsa para a praia dos tubarões tomar um solzinho.

Amendoim daqui e dali, há vendedores ambulantes  em todos os lugares. Parece que brotam da areia. Pipoca de todos os tipos, especialmente a doce que chamam de Pipocão. Dezenas de vendedores ofereciam aos berros amendoim, ovo de codorna, pipoca, camarão. Amendoim torrado, olha o amendoim torrado. Tem também o amendoim cozinhado…Amendoim torrado, olha o amendoim torrado. Com casca e descascado. Tem também o amendoim cozinhado… Amendoim torrado, olha o amendoim torrado. Tem também o amendoim cozinhado… Amendoim torrado, olha o amendoim torrado. Tem também o amendoim cozinhado… Esta era a letra da canção na praia pernambucana.

Famílias , moças solteiras… Homens, rapazes… a praia estava lotada devido ao feriado. Nenhuma foto na praia , que a violência lá é meio soteropolitana, paulista e carioca… nada de arriscar. Logo, logo eu concluí que a idéia tinha sido lá meio de jerico, porque eu não gosto de praia cheia. O bom é que deu para curtir o anonimato.

Sol tomado, refrigerante e água na barriga, amendoins também, resolvi sacudir a areia e fui ao shopping de Recife. Apenas seis reais de táxi.

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A palavra que mais ouvi no Recife foi tabacudo e tabacuda… na Bahia, isso lá tem um significado esdrúxulo… sabe deus com que significado os pernambucanos queriam adjetivar tanta coisa…