Jogos de amor

Há horas na vida em que a gente não tem paciência para certas questões. Entender hoje, para mim, que é necessário fazer de conta que se está feliz para o namorado que mora longe gostar mais ou sentir ciúmes (duas meninas conversavam sobre isso no elevador)…

A gente sabe que esta é a lógica que funciona para muitos. Parece que o ser humano continua com o costume (mau) de dar valor ao que perde ou ao que está com a estabilidade ameaçada.

Sei não. Eu não funciono assim. Gosto de segurança, de saber com quem lido e odeio joguinhos de entrelinhas que só servem para aumentar o inferno, o ciúme e a desconfiança nas relações.

Ao menos por enquanto, estou fora!

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Idéia besta

O supermercado Bompreço da praia de Armação teve a idéia de – sabe-se lá por quê! – colocar uma onça de pelúcia em tamanho natural  na entrada da loja entre folhagens abundantes. Juro que eu tomei um susto hoje. Ridículo. Apesar do terceiro grau, apesar do impossível, apesar do surrealismo da cena, tomei, sim, um susto. Imagina as velhinhas que sofrem do coração…

Divagações

Amar é … gostar de fazer sopa sem gostar de sopa só porque o outro gosta de sopa. E pôr um pouquito no prato raso só para disfarçar e fazer-lhe companhia na mesa. É engraçado como eu aprendi isso. Então eu descobri que tenho um ‘potencial sopístico’ enorme. E que todo o amor que eu tenho precisa de alguém para que eu o distribua. Com sopa ou sem sopa. Mas não há muito homem dando sopa. Talvez muitos também já estejam de saco cheio da sopa de todo dia. Por isso vivo aprendendo a cozinhar novas delícias ( de ervilha, de sururu, de aspargos, de feijão – esta é a clássica etc.)

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Desde a minha adolescência já era moda ficar. Mas eu confesso nunca ter gostado. A gente já vai morrer como as alfaces, virar adubo, reciclável na terra que nos espera e eu ainda ter que encarar o descartável das relações? Não, meninos e meninas, sinto muito, mas eu não gosto.

Gosto de vínculos.  Não brincava só quando era criança, se não havia outras crianças, eu lia. Nos livros, encontrava a companhia dos personagens. E meu cotidiano foi povoado de família cigana. Gostava de primos e primas para brincar, não de bonecas sem vida. É por isso que me chateio hoje quando cozinho para um.

Quem está sozinho, consegue uma individualidade fantástica. Falta, entretanto,  alguém para ver filme junto, achar bom ou ruim depois, concordar e discordar. O contraponto existencial que nos faz realmente viver. Eremita é exceção.

Por isso, conviver, companhia, consorte, contente.

Faxina mental – parte 1

Uma semana na Paraíba foi o tempo necessário para apresentar o trabalho sobre crônicas no GELNE e, especialmente, para arrumar a órbita de algumas coisas minhas. Na verdade, estou em fase de desalinhar a órbita para (quem sabe) realinhá-la.

Angústia(A Mãe do Artista). Painted by David Alfaro Siqueiros. Vinilete sobre eucatex, 94 x 76 cm.

Cansada de certas questões, de certas rotinas, de certas inconstâncias:

1. salário oscilante

2. namoro sobressaltado

3. complicações de ex namorados (traumas, cicatrizes e feridas antigas)

4. falta de investimento das instituições particulares em plano de carreira

5. orfandade

6. solteirice

7. conta zerada

8. cobranças familiares do que você deveria ser segundo os padrões alheios – que ninguém segue no fim das contas.

9. quilos a mais

10. espinhas (como apareceram ainda não sei) na bochecha

11. obrigações demais e pouco prazer+reconhecimento

12. falta de estímulo para ler (exceto o que é do trabalho)

13. ingerência de minhas próprias questões 

14. pendências a resolver com documentação e tal

etc etc etc.

Por isso fiz planos para os próximos 4 anos. Assim dá tempo de mudar realmente algumas coisas substanciais.

E tomei decisões para já.

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Imagem: (Angústia(A Mãe do Artista). Painted by David Alfaro Siqueiros. Vinilete sobre eucatex, 94 x 76 cm. )