maravilha

Ser terça-feira, ter feito a maior terapia da sua vida, descoberto todas as questões que faltavam descobrir, ter transgredido umas normas necessárias, ter feito o que queria exatamente, sem eira nem beira…

Maravilha estar livre, ter 31 anos, saber-se Alena, saber poder… saber o que não pode… tão pouco…

Maravilha poder optar por fazer umas maluquices, não ter filhos ainda, não ter marido opressor, não ter rédeas, saber que sabe fazer sobremesa e que pode viver disso ou fazer tranças em Porto Seguro , aquele lugar onde o Brasil foi descoberto e onde você pode se encontrar ou se perder, aquele lugar onde você lê nas camisetas  que tem dia que a noite é foda, aquele lugar absurdo… mas onde seu espírito voa livre…

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Não , eu não fiz nada que me desabone. Mas eu vou vender meu carro para ir a Paris. De novo.

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Oba!!!

Depois de uma indigência mental que já dura um tempo, consegui realizar um plano que há tempo eu arquiteto. O primeiro texto do meu blog de viagens Eu ando pelo mundo. Serão fotos e histórias de lugares por onde eu ando nesta vida. Delícia o cantinho, vão lá conferir.

O post abaixo é o primeiro texto do blog, só para quem vem aqui saborear… mas lá está com as fotos.

Beijo!

Vontade…

… de vender meu carro e ir para a França e a Itália me distrair um pouquinho. Tomar chocolate em Paris, caminhar pelas margens do Sena, ficar mais uma vez estupefacta ao ver Notre Dame. Caminhar até a Gare de Lion e tomar um trem para Milão. Assim, meio como quem não quer nada. Sentir a velocidade nas gotas de chuva que mal caem na janela do trem bala a 300 km por hora e docemente fazer a baldeação nos Alpes. Ver da janela a neve, os chalés, e pensar quase incrédula que sim, moram pessoas ali.

Chegar a Milão, passear na Vittorio Emanuele e pôr o calcanhar nos culhões do touro para voltar mais uma vez. Passar uma hora inteirinha na stazione centrale só vendo o movimento das pessoas que vão e vêm… E então pegar outro trem para Veneza, chegar a Santa Lucia e andar, andar, andar… atravessar o grande canal, subir e descer as infinitas pontes, comer uma pizza e tomar um vinho no primeiro lugarzinho que achar… só para recompor as forças. Depois ir ao Vini da Pinto e comer todas as entradinhas antes da bela massa.

Farta, satisfeita, tomar um gelato stracciatella e nocciola. Sentar no meio da Piazza San Marco, estender o mapa no chão e aventar as hipóteses do próximo destino… 

Em liberdade

“Não sinto o meu corpo, não quero senti-lo por enquanto. Só permito a mim existir, hoje, enquanto consistência de palavras. Estas combinam-se em certas frases que expressam pensamentos meus oriundos da memória afetiva e criados pelo acaso.

(…)

Paro de combinar frases.

Estou prenhe de frases como nunca estive. Todo o meu cérebro está funcionando como um imenso útero que fabrica, sem que tenha consciência, frases e mais frases. Quero acreditar que posso escrever como nunca escrevi. Sei que não posso. A produção das frases está aqui, na cabeça, e difícil é passá-las para o papel. O problema não está tanto na dificuldade em transcrevê-las. Basta fechar os olhos e entegrar-se ao automatismo surrealista da escrita. Encontrar uma razão para a necessidade de deixá-las existir no papel e no livro: eis a questão. Fora de mim e para o outro. Para isso sempre foi preciso “fazer ficção” das minhas palavras. Ou não.

(…)

O único motivo – pelo menos o mais forte – que vejo no momento para poder deitar as minhas frases no papel é que quero não sentir o meu corpo. Quero que todo o meu eu seja- agora e hoje – apenas um emaranhado pesado, denso e consistente de frases. Elas camuflam um corpo dolorido que não quer pensar nas dores sofridas que castigam os sentidos e a memória. Escrevo para não deixar que o meu corpo doente e massacrado exista, prossiga, influa, direcione, convença-me finalmente da sua importância e da sua riqueza para mim.”

Silviano Santiago (baseado em apontamentos de Graciliano Ramos  ao sair da prisão em 1937)