Cinzas

No convento,

elas vestem o hábito.

O cabelo se esconde,

o corpo não se delineia.

Nos pés, as sandálias de couro

ou as sapatilhas.

A repressão não cheira,

não tem odor.

Descubro-me a pensar

que são mulheres…

Deus, a cor da roupa é

o fim do fogo feminino?

__________

Alena Cairo

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6 comentários sobre “Cinzas

  1. Olá!
    Achei por acaso o seu site enquanto eu fazia uma pesquisa procurando informações pra uma postagem no meu. De fato acabei lendo muitas coisas daqui quando entrei, e gostei bastante. Como é sempre simpático deixar comentários, vim deixar o meu, claro =D.
    É bem diferente do que pretendo abordar no blog que acabei de fazer, mas ainda assim me chamou atenção.
    Parabéns!
    Até

    _____________________________

    Obrigada, Ana Beatriz! Volte sempre (risos). Um beijo!!! 

  2. Alena, que linda poesia, adoro o que você escreve. Você pensa em publicar um livro? Pois eu acho que daria certo. Beijos.

    _____________________________________

    Pensar, bem que eu penso. Sempre gostei de escrever. Realmente gosto de algumas coisas que escrevo, outras são mais cotidianas, efêmeras… Livro, se achar quem tope… hum, beleza! Mas se não, não vou esperar o tempo chegar… a net está aqui para isso.  Ah, um dia destes, um amigo estava fazendo um elogio a você, dizendo que o que escreve é bastante delicado e que você deve ser uma boa pessoa, pelas palavras já se pode perceber. Eu lhe disse que é mesmo uma boa pessoa. Mil beijos.

  3. Bonita a oposição entre o fogo e o negrume da roupa, “fim do fogo feminino”. E repressão, de fato, não tem odor.

    ____________________________________________

    Jayme, legal você ter associado ao negrume da roupa. Também serve.  Mas as freiras daqui a que eu me referia usam o hábito cinza. Por isso o título: substantivo cinzas porque é uma metonímia (a cor das roupas pelas mulheres que dentro delas vão) e cinzas porque é o que sobra do fim do fogo. Eu mesma gostei do meu poema        😉  (pisc)

  4. Oi, Alena!
    Põe mais poeeemas, eu curti bastante! Volto dentro de alguns dias pra ver se você postou mais =)
    Posso linkar seu blog no meu?
    Beijos, boa semana

     ______________________________

    Bia, procura a categoria poemas aqui no blog e vá lendo o já publicado por enquanto.

     Beijos

     Alena

  5. Na minha opinião anti-clerical, repressão tem cheiro de medo. Mas a igreja passa desinfetante pra ninguém perceber.

    Naquela foto á beira do velho Chico, você tá encarnando a própria Iara, a mãe d’água, em carne, osso e doçura.

    Beijos da amiga, Meg

    _______________________________________________________________

    Repressão tem cheiro de maldade. Há tantas tão más. Parece que alguns dos que sofrem repressão se tornam tiranos do smais fracos mesmo. (arght!)

    Ah, me senti a própria depois do seu comentário!

  6. coloquei a leitura em dia por aqui…. e essa sua poesia ficou o máximo! parabéns mais uma vez pela tua escrita que passeia por qualquer estilo com a mesma categoria…beijo enorme

    ___________________________

    Desse jeito, nem vou dormir…

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