Eu vi a cara da morte

A cara da morte é desfiguração.

Os olhos ficam embaçados e perdem o viço.

Uma nuvem quer apagar a vida enquanto o corpo ainda resiste,

relutante, a aceitar que  perece.

A névoa apaga o olhar.

Tira-lhe o brilho, tira-lhe as lembranças.

O corpo fenece lentamente, treme um pouco, sua.

Frio, muito frio.

.

Um gemido agoniado,

um revirar de olhos,

um suspiro de quem não queria ir.

É findo. Terminou.

.

Os vasos entopem, o líqüido derrama.

Pinga do corpo estendido: necrotério de sonhos.

Mãe.

Um dia

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Um dia a gente se cansa

de ter sido tantas vezes girassol:

rodar em torno de si,

com raízes fincadas na terra

a mirar um sol que se põe distante

porque ilumina outros planetas.

.

Neste dia, leoa, leonina,

mulher e menina

se descobrem sol,

astro, luz, força, fogo e calor.

E renasce criança, moça de dourados sonhos.