Trem de Grande Velocidade

Os países que mantêm a malha ferroviária funcionando sabem o que é eficiência e custo no transporte de passageiros e cargas. Viajar pela Comunidade Européia de trem é um dos maiores prazeres que se pode ter. A viagem é barata e confortável, pontualíssima e aprazível devido às belíssimas paisagens que se descortinam nas janelas de vidro.

De Milano a Paris, por exemplo, pega-se um trem que vai a Turim e de lá parte pelos Alpes franceses. No inverno, é quase uma locomotiva vagarosa a raspar a neve dos trilhos e, devagarinho, cortar a paisagem exuberante saída de um desenho animado de Natal: chalés cobertos por espessa neve, emoldurados pelas montanhas ao fundo. De tirar o fôlego.

Após passar pelos Alpes, pegamos um TGV ( Trem de Grande Velocidade) e rumamos a mais de 300 km para a capital francesa. Além do conforto que se percebe na primeira classe, a velocidade é algo impressionante. Vemos os pontos irem passando ao longe, mas, por estarmos inertes, não percebemos, obviamente, a velocidade.

Distraída com a paisagem e  o ineditismo da viagem no Natal de 2005, estava curtindo a novidade pela janela quando percebi que chovia há tempo, mas a janela não estava molhada. Então comecei a esperar que a nuvem chegasse onde estávamos, meio como quando começa a chover nas grandes cidades e temos tempo de ver o asfalto daqui e dali ir molhando. Passaram muitos minutos e nada da chuva chegar ao trem. Inquieta, observei que na estrada paralela os automóveis lutavam com os pára-brisas ligados e a água forte que caía do céu. Fiquei intrigada e não entendi porque estava chovendo na estrada e não na linha férrea. É que a mocinha aqui nunca tinha visto no Brasil algo tão fabuloso como um TGV.

Foi então que aconteceu: um finíssimo fio cortou a minha janela no alto em sentido horizontal. Percebi que o TGV estava ‘molhado’ pela chuva há muito tempo, mas a velocidade não permitia que a água parasse na janela. Nossa, que coisa mais incrível!.