Uh-lá-lá!

A vida é bela, mesmo que um monte de gente perca tempo sentindo inveja de você, querendo depreciá-la, com dor de cotovelo… A vida é bela ainda que tenham batido em seu carro, você tenha pagado juros de todas as contas, dormido pouco várias vezes, emagrecido e engordado na sanfona de um corpo que nem sabe o que vai fazer durante os festejos juninos. Maio está acabando e só isso é um bom sinal: virão as férias.

Retada como só uma baiana pode ficar, fui dormir ontem disposta a acordar hoje diferente. Mas nem contava muito com nada. Olhei o calendário e me dei conta de que só faltavam quatro dias para junho chegar. Só isto já me fez bem. Cansada de especular, pensar, falar, resolvi agir.

É segunda-feira então. Acordo bem, cedinho, disposta, abraço e faço carinho durante meia hora, tomo um banho, visto uma roupa que adoro, o jeans que outrora não entrava mais e calço bota de salto fino (bingo! – afinal fez frio em Salvador).

Vou à aula, o trânsito está livre, há engarrafamento apenas no estacionamento da faculdade, estou séria, mas não perco o humor.  Encontro alunas que valem a  profissão, converso com elas, descontraio. Agendo as tarefas da semana dentro do tempo possível e não da maluquice de prazos que me imponho cotidiamente.

Umas pessoas tentam me convencer de que estou zangada, séria ou “diferente”; não aceito nem engulo este discurso; percebo claramente o caráter de alunos que me tentam ludibriar o tempo inteiro e constato que cada um é que sabe de seu caminho. Sorrio então ironicamente com o canto de boca. Aquele risinho só meu, imperceptível para o mundo alheio e ensimesmado. Eu vou me vingar? De jeito nenhum… A vida que surre ou beije quem quer que seja.

É hora de retornar, consigo trocar a aula vespertina, vou ao Detran resolver o pepino do carro batido, não há engarrafamento em pleno meio-dia, ou melhor, há sim, do outro lado da pista, os carros estão parados em fila interminável, mas a minha flui a 80… O gato liga, a Secretaria de trânsito não tem uma fila sequer; na xerox, só uma pessoa na minha frente… Menos de cinco minutos e tudo resolvido. Volto para casa.

Decido comer bem e cozinhar a  semana inteira. Então asso o peixe com legumes em oliva abundante à moda lisboeta. Um bom pão de linhaça, salada de rúcula, alface, espinafre, pimentões e picles… Logo o peixe aromatiza toda a casa e o arroz feito com cenourinha deixa a mesa ainda mais bonita.

Recebo duas boas notícias por telefone e fax.

Se a campainha tocar e aparecer um homem lindo e apaixonado com um bouquet enorme de rosas amarelas (as minhas preferidas), vocês podem dizer até que eu estou sonhando ou mentindo…