Aborrecimentos

Aborrecimentos ocorrem quando as coisas não acontecem como queremos, ocorrem quando as pessoas revelam faces que não nos são aprazíveis, aborrecimentos ocorrem quando o espelho nos cobra mais do que somos, mas a imagem refletida é apenas o que pode ser… Creio que nos aborrecemos porque vemos uma realidade diferente daquela que idealizamnos, daquela que sonhamos e isso é um problema nosso, isso é uma limitação nossa, sim, porque nós, seres humanos, sabemos o quão pouco somos, o quão pouco o outro é ou tem para nos dar e ambicionamos o máximo, as alturas…. nos escondemos em desculpas e sensações de que podemos ter mais, receber mais, sentir mais; egocentricamente nos vemos como o centro do universo e não o somos.

Não, o outro não é grande, é isso mesmo. Porque nós também não somos. Se um monge qualquer estivesse a ler este escrito ou um fazedor de slide xaroposo ia logo protestar que o outro é grande, que nós somos grandes, que somos imagem e semelhança de qualquer criador ou de um criador… mas não. Insisto. Nós somos falíveis, pequenos e sós. E nossas carências são do tamanho do universo inteiro. Um buraco negro que nos devora a todos e cospe depois em forma de lágrimas vilipendiadas o resto dos nossos sonhos.

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4 comentários sobre “Aborrecimentos

  1. você disse tudo. perfeito.
    e é uma droga se saber pequeno…quando se precisa ser grande.

    _________________________________________

    Sabe, estou numa de compreender o macrocosmos e o microcosmos… então só sei que somos infinitos dentro do infinito.

  2. Fernando Pessoa, como Bernardo Soares em “O Livro do Desassossego” escreveu:
    “Vi e ouvi ontem um grande homem. […]
    O que dizemos ou fazemos roça só o cimo dos montes, em cujos vales dormem as coisas.”

    É do cimo dos montes que vemos melhor e nos tornamos maiores, não é?
    _____________________________________________________________

    Acho então que ontem eu estava nos vales. Talvez o das sombras.

  3. Alena,
    Somos, sim, deliciosamente pequenos. A nossa fragilidade e insignificância é que nos deixa belos. Nada mais sem graça do que a perfeição. Ela é totalmente sem perspectiva, futuro, já está pronta. É muito bom poder crescer, evoluir, ficar diferente.
    Beijão

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