O bebê

O bebezinho disse a que veio neste fim de semana.

Depois da jornada insandecida que tive na semana passada com trezentas consultas médicas (de praxe), horas de espera nos consultórios (como gestante vai ter prioridade em obstetras?), provas a corrigir (jááááá!), cronogramas a ajustar, casamento de irmã mais nova em outra cidade, formatura de primo-melhor-amigo, jornada alucinada para fazer material para o ensino médio, busca de agulha no palheiro (leia-se um vestido chique para grávida nesta Salvador provinciana cheia de roupas horríveis, tudo demodê), necessidade de faltar aulas, agendamento de reposições …

… ai, ai, depois disso tudo, meu baby hiperativo igual à mãe chutou sem parar por três dias e eu simplesmente parecia que havia saído de um esmagamento por rolo compressor. Falhei de ontem para hoje: o corpo pifou.

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Ainda não sei se menino ou menina… a requisição de ultra-som está na minha mão… o tempo é que não está dando para ir fazer o exame. Pode?

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Sou bacante, dionisíaca seguidora. Amo o vinho e o prazer que proporciona. Mas nesta fase não etílica da minha vida, estou viciada mesmo em suco de uva. Só não venham me falar do de caixinha que eu acho o fim. Tomo um que vem lá do RS, numa garrafa de vidro, com toda pompa que um suco pode ter, rótulo, fabricante e tal … para compensar, minhas taças continuam indo à mesa.

Desejo…

… de parar tudo, o mundo inteiro, dar um start nas pessoas, congelar a cena, meio como aconteceu no conto dA Bela Adormecida. Então eu olharia minha vida de fora dela, tomaria pé deste turbilhão de trabalho, obrigações, contas a pagar, mudanças a fazer, finanças a arrumar e projetos a realizar. Talvez assim, com tudo arrumadinho, compartimentado como nenhuma vida deve ser, eu pudesse ter paz de espírito para respirar aliviada e sentir todo o prazer que a gravidez tem me proporcionado.

Quem foi mesmo que lutou pela emancipação feminina?