O que é mesmo que a maternidade faz com as mulheres?

Eu sempre fui sensível. Tá. (tsc tsc) Tá.

Eu sempre me emocionei. Tá. E daí?

Também endureci. Virei cética. Guardei arroubos de lirismo, que minha alma é viva. Vocês sabem. Tá.

E daí?

Perdi meu pai. Triste demais.

Perdi minha mãe. Morri também. E viva.

Amei. Chorei. Sofri. Sorri. Sonhei. É . Ainda sonho. Ainda.

Mas eu estava tão cética, tão triste, tão só, tão vazia… ainda que você não percebesse, ainda que você não soubesse, ainda que você não notasse ou sequer quisesse reparar.

Mas que coisa é esta que está acontecendo comigo que me deu de novo uma dimensão diferente do real, que me fez eu me sentir transcendente, à parte, ‘encasulada’ em mim mesma, feliz, sensível e gigante?

Que coisa é esta que me plantou a dúvida de novo, que me tirou das incertezas em que eu boiava, que me redirecionou ao futuro? Que me fez sorrir sozinha e chorar de mansinho só de ler um texto bonitinho?

Que alegria é esta que me faz chorar, que medo é este que me faz comum? Que sonhos são estes que me fazem tão clichê, tão mãe-igual?

Que redescoberta de mim, do corpo, da voz, dos sonhos? Que consciência é esta do colo, do peito, do ventre ?

Que universo é este que habita em mim?

É você, meu filho, é você.

É você que me faz querer amanhecer.