Dia INTERNACIONAL da mulher

Porque sábado foi o Dia Internacional da Mulher também foi um dia de calarmo-nos. Também foi um dia de esperarmos. Também foi um dia de silêncios. Porque muitas vezes os silêncios são necessários.

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Sábado eu esperei. Esperei para ver. Parabéns tímidos de uns, chacotas de outros pela rua, homenagens sinceras de alguns.

Mas sábado eu me decepcionei também. Por que a propaganda brasileira continua mantendo a mulher branca, de cabelo liso e sorridente , com cara de rica como o padrão, o estereótipo da mulher que MERECE os parabéns pelo dia de TODAS as outras?

Por que as publicidades on line não se referiram também às negras, às mulatas, às nordestinas, às menos ricas ou às mais pobres, as que choram e não apenas sorriem com cara de bem sucedidas etc etc etc… ? A que público específico estas publicidades se dirigiam? Por que não vi mulheres chinesas, coreanas, africanas, sulamericanas, mexicanas… ou simplesmente a DIVERSIDADE de brasileiras, mas apenas – tão somente – o padrão europeu?

Por que eu recebi até um folder “parabéns pelo dia da Alena“? Não soou cretino, excludente, individualista, egocêntrico? Não, obrigada, até no dia do meu aniversário eu aceitaria os parabéns exclusivos de melhor grado. O dia era de todas. E não se deveria pretender – sequer aventar – a exclusão.

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Isso me fez mais uma vez recordar o dia em que uma escola onde trabalhei distribuiu rosas às professoras. Considerei uma delicadeza enorme e me senti enternecida. Então fui ao toalete, encontrei a faxineira humilde e desejei-lhe “Feliz Dia Internacional da MULHER”, perguntando-lhe com sorriso largo se gostara da rosa. Timidamente, ela me respondeu: não , pró, a gente não ganhou flores, só as professoras. A gente é pobre, pró.

Fui imediatamente à direção perguntar o que houvera, se as rosas delas, de todas as outras MULHERES, ainda seriam distribuídas. Informaram-me que não. Só o público professora fôra agraciado. Aí a minha rosa murchou, morreu. Disse à pessoa ‘encarregada’ que era melhor nenhuma de nós as recebermos. Infelizmente. Algumas professoras souberam do episódio e continuaram a carregar as suas rosas orgulhosas. A minha e mais a de mais ou menos meia dúzia de outras colegas cientes foram enfeitar um vaso simples na casa de outras mulheres que ainda continuam esquecidas, silenciadas, humilhadas e desvalorizadas.