Desesperadas

Minha irmã ficou. Eu fiquei.

Só quando o sétimo mês despontou na barriga é que a possibilidade real do bebê nascer apareceu para a gente. Então, o medo não foi o parto, não foi a saúde, não foi o médico nem a anestesia nem a injeção. O medo foi o enxoval.

É que eu passei a gravidez inteira no maior relax com o enxoval. Nem comprei nada. Nadica mesmo. Ganhei uma coisa aqui e outra ali e pronto. Fiquei esperando. Esperei fazer mais tempo ‘de barriga’. Esperei para ver se fazia ou não fazia chá de bebê. Esperei ter tempo porque estava trabalhando demais. Esperei fazer a mudança. E mês passado desesperei.

Faz um mês que eu estou no desespero das listinhas, lendo e relendo, passando e repassando, ‘ticando e reticando’ o que tenho e o que não tenho, o que preciso e o que não preciso, o que ainda vou comprar e o que não vou comprar.

Eu não sou de encomendas. Estas coisas demoram. Eu não aguento esperar (exceto o tempo de gravidez – o qual considerei pequeno até). Nas lojas que prestavam em Salvador, os prazos eram de 45 dias para entregar um enxoval. E se depois de pronto eu não gostasse? Se achasse que a qualidade não era lá tão boa assim? Não ia colocar o rostinho de minha neném numa áspera colcha de meia tigela. E se eles atrasassem? Se os pontos não saíssem bem feitos? Se o patchwork não me agradasse? Se ficasse feio?

Não, não, não. Sou mais prática. Gosto de comprar e levar para casa. Então foi assim. Namorei as revistas, escolhi, paguei e já faz uma semana ao menos que o berço pode recebê-la.

Ao menos.

O diacho é que a listinha é tão grandinha, tão grandinha, cheia de tantas coisinhas, que a toda hora você descobre que não tem mais uma coisa. E olha que eu não sou de supérfluos do tipo ‘aquecedor de mamadeira’ – uma vez que há fogão em minha casa.

* * *

Ainda continuo com a idéia de que grávidas deveriam ter licença-maternidade de dois anos e um cartão corporativo sem limites. Porque, por outro lado, não há nada mais gostoso na vida de uma mulher.