Amamentar

Para amamentar, a mulher precisa entender o significado de três palavras:

ABNEGAÇÃO

PERSISTÊNCIA

e

INSANIDADE.

* * *

Esqueceram-se de dizer aos bebês que as mães não são extensões de seus corpos (embora também o quiséssemos ser).

Esqueceram-se de que a mulher era um ser VERTEBRADO ao torná-la um mamífero. Mãe não tem coluna. Decididamente.

Esqueceram-se de que a mulher dorme. Quem foi mesmo que falou em OITO horas de sono ? ? ?

Quem inventou leite em pó ? Só pode ter sido uma mulher… Ou um homem com uma extrema compaixão. Um santo.

A humanidade sobreviveu porque era tribal. Sim. Isso significa que havia rodas de mulheres e que , em grupo, elas amamentavam seus bebês. Ou seja: havia auxílio, rodízio, conselhos e ensinamentos.  É . Porque esta história de mulher pós-moderna não cola. Mulheres independentes , que vivem só, auto-suficientes e coisa e tal… com um bebê ficam malucas.

A imagem que eu tive do fato de sermos mamíferos: uma porca no chiqueiro. Juro. A porquinha fica lá, sem tomar banho, sem escovar os dentes e sem pentear os cabelos, comendo ração e esperando , deitada, que os filhotes venham mamar. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Ah, perdão: as porquinhas ficam deitadas… as mulheres têm mil coisas a fazer em casa. Sentam, levantam, abaixam… tudo, menos deitar.

Só me lembro da Cam Seslaf, no período de amamentação da Catarina, dizendo que só fazia mandar vir os elásticos de prender cabelo da farmácia pelo Manfriend.  Isso significa em bom tom: nada de salão, nada de lavar toda hora, nada de pintar, escovar, nada de arrumar-se, nada de enfeitar-se, nada de ser mulher… ao menos por um tempo.

Eu não posso reclamar muito embora tenha ficado 48 horas no ar, com a bebê conectada ao seio, acoplada, mamando sem conseguir sugar direito.

É que uma santa veio parar aqui em casa: minha irmã, ILANA, está amamentando meu sobrinho de quase três meses… e minha filha também. Que ajuda! Tenho certeza de que tenho sorte na vida mesmo.

Ainda há quem pense que é um ABSURDO a mulher ficar de licença por “tantos” quatro meses (agora seis) , em casa , “sem fazer nada“… Não vou nem mandar recado para estas pessoas. Vocês sabem o que dá vontade de dizer a elas.

* * *

Ser mãe e MULHER no primeiro mês é IMPOSSÍVEL. INCOMPATÍVEL. E eu estou sentindo muita falta de ser mulher.

* * *

De tudo de ruim do pós-parto, eu achei o pior o afastamento do marido. Que saudade do tempo antigo! Que volte em breve a nossa paz para dormir.

* * *

Ela tem a mania de cheirar o bico do  seio e se derreter num sorriso absurdamente lindo quando sente o cheirinho de mãe… É por isso que amamentamos.

UPDATE
P.S.:  Alice tem 1 ano e 1 mês e eu ainda a amamento. Hoje é uma delícia porque é  um ato de amor, não mais a escravidão animal que me foi legada.  set 2009

Melhor visita de todas até agora

Minha tia Chuquinha.  Juro.

Ela é irmã de minha mãe. E não chegou aqui com discursos baratos nem ensaiados do M. da Saúde sobre amamentação e parto. Chegou dizendo: é difícil, é um horror, são dores horríveis. Contou-nos logo como foi com seus três filhos: Lízia, Tiago e Aline.

Ai, como é bom quem nos entende, quem não tem discurso de pastelaria…

Ela chegou hoje, contando-nos aqui como eu fui voluntariosa, como fui escandalosa, como fui chorona, como dei trabalho para ser amamentada, como sangrei os seios de minha mãe* que não agüentou e me deu suplementos…

Que coisa boa de ouvir!

Mãe, você que já morreu ( e viva que estivesse) , está perdoadíssima. Nem que eu soubesse antes que tomei suplementos e Nan eu me chatearia, mas agora, então, pode ir para o céu em paz.

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* Genética explica tudo.

Gente sem noção

Parte IV

Personagens: eu e minha irmã mais dois bebês…

Cena: váriiiiiiaaaaaaas noites sem dormir, mal dormidas e tal. Sexta-feira. Nenhum compromisso médico. Nenhum compromisso no supermercado. Nada a fazer fora de casa. Ufa!

Tempo: Acordadas desde às seis, dando mama desde então, revezando o seio… olhamos para o relógio e percebemos que são 10h51 quando ambos os bebês dormem… afoitas, concluimos: vamos dormir! Ao menos até às 12h.

Conflito: O telefone toca e as visitas do interior (PARENTES) estão chegando…

Conflito 2: Dá 11h48 e as visitas dizem que passaram “ali” e vão chegar daqui a pouco… Toca a esperar.

Conflito 3: Na próxima gravidez, guardar grana suficiente para passar todos os meses de licença na Polinésia Francesa sem celular.

Gente sem noção

Parte III

Ao telefone…

– Alô ? Como vai? blá blá blá… patati patatá…

– nhenheném…

– Olha, filhas, aproveitem que estão de licença (minha irmã e seu bebê de dois meses está aqui em casa comigo ) e coloquem a perna para cima, descansem, relaxe…

Aí eu me estressei e respondi:

– Relaxar? Colocar a perna para cima? Rá! Você não tem noção. Sente um dia inteiro aqui em casa para apreciar como é cuidar de um bebê e venha ver qual é o tempo que se tem para pôr as pernas para cima…

Gente sem noção

Parte II

Cena:  Aniversário da bisa. Mamãe não queria ir, mas não houve jeito. Então, mamãe me pôs no colo, enroladinha na manta e prometeu não me largar um minuto sequer. Logo na entrada, a empregada da bisa, que estava com a mão suja de glacê de bolo e sabe-se lá mais o que veio descobrindo a manta para me ver… Mamãe deu bronca e pediu para não pegar (com delicadeza) porque eu só tenho 15 dias e estou gripadinha (devido às visitas gripadas).

Em seguida, todas as velhinhas da festa quiseram me carregar… com suas mãozinhas de empadinhas, saltenhas e tortas… bem sujinhas… mas não faz mal, elas não entendem que eu só tenho 15 dias e então alisam meu cabelo – como se eu não tivesse mais moleira – pegam no meu narizinho, no meu queixinho e alisam a bochechinha…

Não tem jeito. De forma deselegante a tia-bisa e a bisa exigem me pegar no colo e mamãe dá logo antes que elas morram e mamãe fique com culpa, tira uma foto relâmpago para registrar e TEM VONTADE DE tomar um banho de álcool, SE TRANCAR PARA SEMPRE EM CASA E NUNCA MAIS VER AQUELE POVO PEGAJOSO todo… Tem jeito não…

Gente sem noção

Parte I (minha irmã ao telefone com a cicrana)

” – Alô ? Oi, tudo bem?

– Tudo…

– Olha, eu vou passar aí agora com fulana…

– Não, dona Cicrana, não venha agora não que a gente não almoçou, não deu banho nos bebês e ainda tem que ir ao médico rapidinho (eram 13h38).

– Ah, só vou se for agora… então não visito… que horror, quero que minha amiga do interior veja o bebê e se não for agora ela só vai ver quando voltar (tom zangado).

– Venham cinco da tarde, a gente faz um lanche e os bebês estarão organizados…

– Não. Só vou agora.

-… … … então tá.”

Cena : as cicranas (parentes) chegaram, minha irmã amamentava seu bebê, eu amamentava a minha enquanto almoçávamos com olheiras enormes, desanimadas e usando apenas uma mão para comer.

Resultado: não conseguimos ir ao médico, o banho das crianças foi dado no início da noite e não descansamos um minuto sequer.

Aberta a temporada de visitas

Sim, a partir de agora, quando eu já estou menos ‘traumatizada’, mais ajustada à nova vida e ciente das limitações que um bebê impõe, sim, agora sim: nós já podemos receber visitas.

Que venham os familiares cheios de amor,

que venham os amigos cheios de ternura e votos de felicidade,

que venham os que estão em nossos corações para partilhar da nossa alegria.

Sim, venham, mas avisem, confirmem, cumpram o horário. Mamãe, papai e filhinha precisam dormir e descansar; às vezes, precisam somente estar em casa em paz (leia-se sozinhos).

Não façam muito barulho (irrita os pais mais que os bebês), não tragam muitas crianças, não levem um dia inteiro visitando.

Bem- vindos aqueles que amamos, aqueles de quem gostamos, aqueles que se alegram conosco, aqueles que são nossos amigos. Bem-vindos.

Rapidinhas

1. O parto foi traumático.

2. Eu sofri demais. A neném também. Ambas estávamos estressadíssimas nos primeiros dias dela de vida.

3. Eu não quis receber visitas depois. Passei quatro dias atordoada no hospital.

4. Fiquei muito surpresa com a quantidade de cabelos que a bebê tem. Na hora, só acreditei que era minha filha porque só houve um parto na sala, porque eu confiava na equipe e porque o pai estava presente. É que a danada saiu a cara da minha mãe. E eu não me lembrava desta possibilidade genética. Não cogitei que pai+mãe=avó.

5. Não adianta: todos querem visitar os recém-nascidos. Mas só as mães sabem o que passam com 20 visitas familiares em casa no domingo com uma bebezinha de quatro dias, trauma pós-parto para ambas, pai e mãe sem dormir há seis dias, retenção monstruosa de líqüido, super inchaço pós-operatório, amamentação em adaptação, rotinas alteradas, sono… e almoço, sala e bate-papo a fazer no meio de tudo isso.

6. Por que há quem leve crianças doentes (com tosse, gripe e afins) a visitar recém-nascidos?

7. Por que as pessoas acham que podem pegar em recém-nascidos com as mãos que vêm da rua, do sanitário, da chave do carro, da bolsa, do elevador, do corrimão e etc?

8. Apesar de todos os cursos, do investimento em curso particular e tal, amamentar dói. E é difícil.

9. Todas as mães deveriam ir direto para o céu. Elas vão. E estão sentadas no trono de Deus Pai Todo Poderoso.

10. Ter filhos é maravilhoso.

11. Eu quero mais.

12. Ela vale tudo isso. E seu sorriso derrete qualquer um.

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Depois, eu vou atualizar com calma muitas coisas que precisam ser ditas: Curso CALMA de amamentação em Salvador, Curso para Gestantes do Hospital Aliança, Ocitocina, Dilatação, Parto Induzido , Normal e Cesáreo, Rompimento de bolsa, Amamentação – colostro – empedramento – massagem – bomba , Visitas, Atender telefone, Licença-Maternidade (bendito Getúlio!)…