Náufraga (ou Tempo, tempo, tempo)

Mães, no primeiro mês de vida do bebê, ficam tão sem tempo

Quando finalmente a neném dorme, fico entre deitar e dormir, comer alguma coisa, beber água, blogar um pouquinho (uma vontade antecipadamente frustrada de ir ali rapidinho = sair de casa = praticamente impossível!) ou ficar exaurida num sofá qualquer da casa processando mentalmente as informações do dia. Muitas vezes, o sofá vence.

Mães, no primeiro mês de vida do bebê, ainda funcionam no tempo de outrora .

Todos os domingos, quando todos estão em casa e as filhas do maridão também vêm ver a irmã, me bate um desespero ao pensar que terei que trabalhar segunda-feira e o meu corpo dói e a coluna chia e as olheiras se salientam e o sono bate… aí então, no meio do desespero dominical pré-segunda, respiro aliviada (sem metáforas) ao perceber que estou no período de licença-maternidade. E (juro!) agradeço a Getúlio pela lei.

Mães, no primeiro mês de vida do bebê, descobrem a relatividade do tempo sem precisar estudar uma linhazinha de física.

É que todos os dias passam a ser segunda-feira. Com todas as implicações.

Mães, no primeiro mês de vida do bebê, ficam sem noção do tempo.

Já pensei em sair riscando com tracinhos os dias na parede para não perder a noção dos dias completamente.

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No limite ou algo pior

Quando você engravida, prepara-se para tudo, menos para o que acontece de verdade. É que nenhuma mãe de primeira viagem tem a mínima noção do que é ser mãe. E não venham me falar que tem. Não tem. Não adianta ter parentes próximos com filhos recém-nascidos, não adianta ter sido babá, não adianta ter mil sobrinhos, não adianta ter visto filmes e tais… Com o seu filho é diferente. Ser mãe é diferente de ser tia. É diferente de ser avó. De ser babá. De ser enfermeira. De ser pediatra. de ser médica. de ser esclarecida. De ter pós-graduação. Nada, mas nada mesmo, pode se comparar a ser mãe. E só sabe quem viveu a experiência.

A sensação que eu tive era a de que estava num programa reality show de mau gosto, do tipo “No limite”, “Alta tensão” ou coisa assim.

O tempo inteiro eu pensava em desistir, mas já estava no meio de um furacão sem volta. É. E não queria voltar. Gostava de ser mãe. Gostava de ter a filha nos braços. Gostava da nova fase. Mas foi um surto.

Primeiro, que nenhuma mãe de verdade dorme. Não adianta. A não ser que você seja chique ou famosa, tenha um séquito de babás hiper treinadas, mãe e avós disponíveis, muito dinheiro para pagar o séquito e um pouco menos de disposição para a abnegação.

Em segundo lugar, mãe nenhuma deveria receber alta hospitalar no terceiro dia, exatamente quando começa o terrível período da apojadura do leite. Esta é mais uma prova contra a nossa sanidade mental. Não é humana. É animal. Seu peito incha, endurece, racha, você tem calafrios, febre e… tem que passar ainda uns cinco dias neste estado, com um bebê se esgoelando de chorar, pensando onde é que você está errando e, simplesmente, não está errando, é assim com todo mundo. E ninguém nos avisou disso. Se avisou, nós não mensuramos corretamente, simplesmente, porque não tínhamos como ter a menor idéia do que é ser mãe. A não ser sendo.

Em terceiro lugar, a vida continua PARA TODA A HUMANIDADE e você vai passar a primeira semana sem saber se choveu ou se fez sol, se houve guerra atômica ou não, se a bolsa caiu, se o dólar aumentou, se há dinheiro em sua conta, se houve mais ou menos acidentes, se x, se y e se z. Não. Não é metáfora. eu não sei se choveu ou se fez sol. E mais nada além do xixi, do cocô, do peito, da madrugada emendada no dia e tal. Só.

Em quarto lugar, você tem uma saudade imensa do seu marido, vontade de dormir agarradinha com ele, abraçada, de fazer carinho e de se sentir amada… mas o bebê não deixará absolutamente nenhuma vírgula de espaço para você.

Em quinto lugar: você não toma banho direito e nem tantos quanto quer, você não escova os dentes todas as vezes que gostaria, você sente um calor insuportável ao amamentar, você não tem tempo para pentear os cabelos, os pêlos do corpo crescem todos e nada de depiladora, a unha vai vendo o esmalte ficar velho, velho, velho… e ela vai crescendo, crescendo e você tem que dar um jeito em casa mesmo… é. A coisa é braba.

Em sexto, sua casa se enche de pessoas queridas, mas numa hora totalmente inadequada, quando o que você mais queria era simplesmente ficar quietíssima em seu canto até entender o tsunami que a tirou de sua vidinha pacata de antes.

Isso tudo se passa quando o peito dói e o bebê chora sem parar muito alto. Ah, e quando os pontos ainda incomodam demais.

Mais sobre ser mãe

Ser mãe É uma delícia ( informação óbvia e desnecessária porque já é clichê no mundo).

Ser mãe é mesmo INCOMPATÍVEL com ser MULHER. Toda vez que consigo deitar “poucas horas” depois do meu marido, lembro-me do final do filme Shrek 3, quando Shrek e Fiona conseguem colocar os ogrinhos para dormir e … desmaiam na cama mortos!

“Ser mãe é padecer no paraíso” : há um problema sério com esta frase. Quem não é mãe ainda, lê e repete a máxima, mas , como a palavra “paraíso” aparece no final da frase, não capta bem o seu sentido. A questão é a seguinte: ser mãe é até no paraíso SOFRER, PADECER. Acreditem.

Ser mãe é muito cansativo. É. E é para sempre. Mas, tudo bem, eu não estou reclamando. Demorei para engravidar na vida porque tinha consciência de que eu nunca mais teria férias.

Ser mãe é nunca mais ter férias (vale repetir). Nunca mais.

Ser mãe é não saber o que é coluna.

Ser mãe é REALMENTE abdicar de si.

Ser mãe é estar f… , com vontade de sair correndo e nunca mais voltar, estropiada, cansada, sem dormir e… simplesmente, relaxar total e ter vontade de continuar porque o seu bebê SORRIU simplesmente.

Mais verdades

Mãe é suja. E eu lavei a alma lendo o post da Cam Seslaf :

(abaixo reproduzido e linkado acima)

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Verdades da Maternidade

Mãe é suja.
Leite, golfada, meleca, sopinha, frutinha, suquinho, bolacha, vômito, cuspe, xixi e cocô. Jamais consegui repetir uma roupa que usei no fim de semana. Lava, passa, usa e volta para a máquina.
Mãe é suja.”

posted by Cam Seslaf “

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É que não dá para aguentar aquelas propagandas bonitinhas sobre a maternidade… não, ao menos no primeiro mês.