Tudo novo sob o sol

É. A vida está toda diferente. Quando você tem filhos, existe uma pessoa antes deles nascerem e outra , depois que eles nascem.

Eu, que me arrumava sempre em 15 minutos, saía sozinha, resolvia nove coisas na rua, agora preciso de umas duas horas para ficar pronta, ando em trio ( mãe-bebê-e-babá) e, se consigo resolver duas pendências, me dou por satisfeita.

Segunda-feira, eu voltei a trabalhar. O ritmo mesmo começará na próxima semana, mas já estamos em andanças pedagógicas. Confesso que continuo acreditando que a licença-maternidade deveria durar pelo menos até o primeiro ano do bebê. São muito pequeninos para a gente deixá-los em casa aos cuidados de outra pessoa que não nós mesmas.

Algumas mudanças então já aconteceram na vida de Alice que a deixam muito mais independente de mim. E, se ela choraminga, juro que quem mais sentiu a mudança fui eu. Eu é que queria ficar com ela o tempo todo.

A carência de dar amor é das mães. É a gente que precisa do bebê para amar.

Providências

Sabe aquela lista de pendências enorme?  Um dia, a urgência chega.

E isso só me faz lembrar que “urgente é tudo que não foi providenciado a tempo’.

Bolos e bolos de listas de providências a  tomar , tudo emboladinho. É setorizar e começar um por um. Ticando a lista e vendo o emaranhado se desfazer – não sem aquela impressão de que você não vai dar conta.

Aquela novela

Desde a semana passada que eu queria comentar (pouco) a tal da favorita: o que foi aquilo de dupla ‘faísca e espoleta’? o que foi aquilo de ver a vilã inteligente e adulta jogando ‘stop’ com a ‘mocinha’? o que foi aquilo da última cena – duas crianças cantando ‘beijinho doce’? o que foi aquilo… ? o que foi aquilo…. o que foi aquilo? Incontáveis ‘o que foi aquilo’?

Há muito eu não via novelas exatamente por constatar que elas depreciam o cérebro dos telespectadores, a capacidade intelectiva. Mas em tempos de puerpério, acabei  acompanhando a trama das oito. De novo, constatei que se perde tempo.

Quem aguenta viver na linha do Equador?

Ontem à noite, o termômetro marcava 30 graus no meu quarto. Já era meia-noite, fazia muito o sol já fôra.

Então lembrei que no deserto à noite faz frio. Em Salvador, o calor continua. E o povo ainda se aglomera no festival de verão, no carnaval, na praia… Que nada! Só de pensar em muita gente junta já me dá mais calor e vontade de tomar banho.

Eu só penso em chuveiro, banheira, piscina, sombra e água fresca. Roupa leve de algodão (pouca) – bem aqueles vestidinhos ordinários.

Sucos e mais sucos e mais sucos.

Ainda bem que Alice não nasceu em janeiro.  Se eu tivesse que passar pelos calores da apojadura neste sol…

Acordo com as editoras

Sei não…mas já estou com maus olhos… Depois do acordo, meus livros (e os seus) estão caducos.

Passeando os olhos pelas listas de material escolar, já vejo a exigência de  gramáticas, dicionários e cia, atualizados pelo acordo ortográfico. Cada livrinho destes custa em média 90 reais. E o mini pai-dos-burros, a bagatela de 30 .

Gosto sempre de considerar o valor do salário mínimo como referência. E de pensar em toda a classe média sufocada com os custos, inclusive os da escola particular para os filhos – em Salvador, entre 700 e 950 reais a mensalidade do fundamental e  do médio.

Agora, todos os “livrinhos” não valem mais. Todo mundo troca tudo. Não dá nem para passar de um irmão ou primo para o outro. Nem para comprar no sebo.

Creio, sim, que educação seja investimento. Mas juro que não percebo como as pessoas pagam estas contas.