Ensaio sobre a cegueira, o filme

Ensaio sobre a cegueira de José Saramago é um livro que para mim dispensa apresentações. Sem dúvida alguma, um dos melhores que li em minha vida – e olha que não foram poucos. Um clássico e um marco na literatura.

Desde 2001 que minhas turmas o lêem. E nunca faço avaliação, nunca cobro detalhes. É leitura por prazer, por auto conhecimento, por desafio. Tem dado certo.

Sempre temi livros maravilhosos virarem filme. Porque muitas vezes o cinema os estraga, outras vezes os reduz, banaliza, simplifica. Acontece também o inverso (mais raramente): livros medíocres virarem grandes filmes.

Ensaio sobre a cegueira por Fernando Meirelles não chega a decepcionar, mas também não é um grande filme.  Acompanhei a trama toda como uma leitora ávida da obra.  Houve um clímax no meio da história, houve as simbologias, as metáforas bem representadas… mas o cinema não conseguiu fazer o que a obra de Saramago faz: fazer-nos ser a protagonista, viver o drama como se conosco fosse. É uma história que se passa na tela e a possibilidade de interiorizarmos sua mensagem, pequena.

Agora, o problema: como solicitar a leitura aos alunos que são , sim, cada vez mais reducionistas? Verão o filme e pronto. Lembrarão uma história em que todos iam ficando cegos – que ficção!- e em cujo final a visão volta. É só.

Nada mais da metáfora de si mesmo.