Ensaio sobre a cegueira, o filme

Ensaio sobre a cegueira de José Saramago é um livro que para mim dispensa apresentações. Sem dúvida alguma, um dos melhores que li em minha vida – e olha que não foram poucos. Um clássico e um marco na literatura.

Desde 2001 que minhas turmas o lêem. E nunca faço avaliação, nunca cobro detalhes. É leitura por prazer, por auto conhecimento, por desafio. Tem dado certo.

Sempre temi livros maravilhosos virarem filme. Porque muitas vezes o cinema os estraga, outras vezes os reduz, banaliza, simplifica. Acontece também o inverso (mais raramente): livros medíocres virarem grandes filmes.

Ensaio sobre a cegueira por Fernando Meirelles não chega a decepcionar, mas também não é um grande filme.  Acompanhei a trama toda como uma leitora ávida da obra.  Houve um clímax no meio da história, houve as simbologias, as metáforas bem representadas… mas o cinema não conseguiu fazer o que a obra de Saramago faz: fazer-nos ser a protagonista, viver o drama como se conosco fosse. É uma história que se passa na tela e a possibilidade de interiorizarmos sua mensagem, pequena.

Agora, o problema: como solicitar a leitura aos alunos que são , sim, cada vez mais reducionistas? Verão o filme e pronto. Lembrarão uma história em que todos iam ficando cegos – que ficção!- e em cujo final a visão volta. É só.

Nada mais da metáfora de si mesmo.

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8 comentários sobre “Ensaio sobre a cegueira, o filme

  1. Alena,
    Acho que existe aí um bom tema pra se conversar com os alunos. Filmes e livros são artes diferentes. Graciliano teve sorte com os filmes que fizeram sobre livros dele. O Vidas Secas, do Nelson Pereira dos Santos, é uma obra prima, um dos marcos do chamado Cinema Novo. Só que literatura e cinema são coisas apartadas. Jorge Amado, por exemplo, não teve a mesma sorte, talvez apenas Dona Flor mereça algum destaque. Ler é uma coisa, ir ao cinema é outra. O cineasta quando trabalha dá a sua versão, diferente da nossa, dificilmente próxima da do escritor. Será que conseui me explicar?
    Feliz 2009!
    Beijo

  2. Ô, Lord! Eu sei… fomentar a discussão não causa problemas… o problema é a cultura da preguiça e do imediatismo dos alunos. Juro que a maioria não lerá… mas, paciência, a maioria aqui nunca lê mesmo. Mas não é por isso, óbvio, que creio que o filme não deva existir. Até gostei dele. Mas senti falta de entrar na trama, coisa que já esperava porque o cinema é a visão dele, o cineasta, não a minha.

    Beijo e feliz 2009!

  3. Alena,
    Quando ouvi falar do filme, lembrei logo de você!
    Foi você que me fez ler, ainda no curso de Jornalismo, esse livro maravilhoso. Na verdade faltam palavras pra descrevê-lo, ele é único. Foi um dos livros que mais me marcou e me fez repensar a vida… Mas confesso que me decepcionei muito com o filme. Geralmente me decepciono com filmagens de bons livros, porque acho que um livro pode te dar uma emoção que nada mais pode… você se vê protagonista, como você falou. O filme realmente reduziu o livro a uma cegueira generalizada, infelizmente.

  4. Monica,

    olá! E ainda há quem ache que isso não existe. Mas paciência.Continuarão a perder.

    O que me deixa sentida é que eu tinha umas estratégias de convencimento pelo amor à leitura que deixavam os alunos curiosos e eles em grande parte liam o livro (cerca de 70 a 90 por cento da sala, o que eu considero um sucesso). Com a filmagem, embora esteja boa e seja uma arte diferente, os alunos em grande parte cairão na preguiça mesmo: verão o filme e tapearão. Horas de mudar de livro, mas daí a achar outro ensaio sobre a cegueira e seu efeito redemoinho na nossa vida…

    Beijo e feliz 2009!

    Alena

  5. Esther,

    pois é…
    Agora estou em busca de outro livro que cause este rebuliço. Acho enlouquecedor também O Evangelho segundo Jesus Cristo, mas aí entra na seara religiosa – coisa difícil na faculdade, embora não inválida.
    Um beijo!

    Alena

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