Ensaio sobre a cegueira, o filme

Ensaio sobre a cegueira de José Saramago é um livro que para mim dispensa apresentações. Sem dúvida alguma, um dos melhores que li em minha vida – e olha que não foram poucos. Um clássico e um marco na literatura.

Desde 2001 que minhas turmas o lêem. E nunca faço avaliação, nunca cobro detalhes. É leitura por prazer, por auto conhecimento, por desafio. Tem dado certo.

Sempre temi livros maravilhosos virarem filme. Porque muitas vezes o cinema os estraga, outras vezes os reduz, banaliza, simplifica. Acontece também o inverso (mais raramente): livros medíocres virarem grandes filmes.

Ensaio sobre a cegueira por Fernando Meirelles não chega a decepcionar, mas também não é um grande filme.  Acompanhei a trama toda como uma leitora ávida da obra.  Houve um clímax no meio da história, houve as simbologias, as metáforas bem representadas… mas o cinema não conseguiu fazer o que a obra de Saramago faz: fazer-nos ser a protagonista, viver o drama como se conosco fosse. É uma história que se passa na tela e a possibilidade de interiorizarmos sua mensagem, pequena.

Agora, o problema: como solicitar a leitura aos alunos que são , sim, cada vez mais reducionistas? Verão o filme e pronto. Lembrarão uma história em que todos iam ficando cegos – que ficção!- e em cujo final a visão volta. É só.

Nada mais da metáfora de si mesmo.

Piscinas

Houve um tempo em que todos íamos aos clubes sociais. A família toda, no sábado e no domingo, cedo, para disputar o lugar mais perto da piscina a fim de olhar os filhos sem perder o conforto. Depois os clubes sociais viraram algo brega, cafona… porque cada prédio tinha a sua piscina “particular”.

Quem ia a clubes era o “povão”.  Ficou out.

E assim foi morrendo um por um cada um dos clubes que há 30  ou 25 anos eram sucesso. A Associação Atlética da Bahia é um mausoléu hoje, o Bahiano de Tênis vendeu parte para uma confeitaria e armazém, o Clube Português da Bahia virou um terreno baldio e até invadido pelos sem-teto foi. Depois a sua dívida era tão grande que a prefeitura o demoliu e lá naquela bela enseada da Pituba jaz agora uma praça sem graça feita às pressas pela prefeitura em época de reeleição.

Agora jazem as piscinas dos prédios sub-utilizadas. Também é out ir à piscina do prédio. Discursa-se sobre isso.

Os novos megacondomínios vendem agora piscinões decorativos, clubes em casa. O conceito de clube chega a condomínios com não sei quantos apartamentos – espécie de cortiços de classe média no terceiro milênio – como aquela ‘vila Alpha’ em Salvador. Mas é claro que ninguém os vê assim. Estão na moda.

Emprego doméstico

No final do ano, fiquei às voltas com agências e conhecidos atrás de uma doméstica ou babá. Ninguém apareceu. O emprego mais difícil do mundo talvez.

Bastou dar o dia 5 para começar a chover ofertas.

Moral da história: festa e fim de ano na Bahia (ou Brasil?), ninguém trabalha.

* * *

Empregada doméstica no nosso país ainda é uma mão-de-obra sem especialização alguma.

O ano novo e as listinhas

Sou daquelas mulheres com ‘quase’ todas as mulherzices a que temos direito e uma delas é a capacidade de fazer listinhas ( e o enorme prazer que isso dá!).

Li, em alguns blogs amigos, as listas de cada um. Mas fiquei a pensar na expressão de alguns : “listas de fim de ano“. Sei lá, mas quando elas começam assim, parecem já estar programadas para não dar certo. O melhor mesmo  creio que seja “lista de ano novo”.

Todos os anos, eu cumpro (quase) tudo que listo. Gosto de confrontar os projetos com as realizações. Acabo me programando mesmo para realizar as coisas.

Neste ano, confesso que me senti perdida.Atônita.  É que a mudança de vida foi tão radical que fiquei meio à deriva, sem as rédeas da própria história. Agora é hora de retomar os caminhos. E as listinhas já começaram.

E eu tenho tanta coisa para colocar em dia que estou setorizando as listas:

1. Desejos e compromissos de beleza (cuidados comigo)

2. Economia necessária ( como ficar rica – risos)

3. Projetos profissionais a realizar

4. Livros a ler

5. Músicas a escutar (ouvir MUITO MAIS música do que nos últimos dois anos)

6. Fotografia : paixão em dia

7. Doações

8. Renovação na casa

9. Alice e tudo que ela exige ( ou que eu quero proporcionar a ela)

10. Contas a pagar

11. Compras a fazer

12. Realizações pessoais

Por enquanto, acho que contemplei os setores. Talvez ainda falte algum. A caderneta está empunhada e a caneta ( leia-se o arsenal de canetinhas coloridas) a postos.

Uh- lá-lá! Vamos lá.

Migrar para o sul

Desde que eu pari, pensei incontáveis vezes em partir para o sul. É que o calor nesta Bahia vem piorando a cada ano.

Nada animadora ainda a previsão dos meteorologistas que anunciam 2009 como o ano mais quente desde não sei quando…

Morro de compaixão pelas minhas duas amigas que vão parir agora em janeiro e fevereiro. Quando penso no calor que a amamentação dá, suo de tristeza por elas.

Morar aqui tem que ser meio que com projeto de ar condicionado central inquebrável e funcionando com uns cinco tipos de energia – para não dar problema nunca.

É por isso – que conclusão! – que os melhores passeios têm sido os do shopping ( vou me redimir, juro!).

Feliz 2009!!!

As palavras ainda não brotaram livremente.

As promessas são muitas, mas tímidas.

Os compromissos me assustam agora.

Vontade verdadeira de ser mãe e mulher.

Necessidade de organizar a casa, as gavetas e a vida inteira – se é que é possível.

Urgência com algumas coisas.

* * *

Meus votos são os melhores para 2009!

Muita alegria e disposição para viver desejo a todos os amigos.

Saúde, turma.