Terapia do amor próprio

Estou em fase de umbigocentrismo total, conhecendo cada pedaço de pele, cada cheiro esquecido, cada mecha encaracolada do meu cabelo.

Com tempo para me admirar, me olhar no espelho, gostar do que vejo, sentir o que há tempos não sentia.

Tempo para pensar em saúde, fazer dieta, olhar demoradamente as minhas unhas quadradas de que tanto sempre gostei.

Tempo para estar em paz com a balança, tempo para revisitar o chuveiro, para sentir o cheiro de minha cama, enrolar-me no edredom e abraçar-me com os travesseiros.

Tempo para os muitos casos de amor com a leitura, para devorar livros inteiros em paz, em meu cantinho, afim de mim.

Tempo para beber água sentindo o seu sabor  – oh, não, não tão insípido como se adjetiva!

Tempo para estar comigo, para estar em paz, para me sentir, para sentir bem.

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Terapia do amor próprio

Dois dias seguidos, presenteei-me com duas horas e meia inteiras ao meu dispor. Malhei, malhei, malhei, suei a camisa, caminhei, andei lentamente e apressadamente. Deitei e alonguei até sentir a preguiça no corpo. Li algumas revistas interessantes. Dois meios livros.

E hoje, banho de chuveiro demorado, com direito a escuro, silêncio e olhos fechados. Shampoo que eu amo e sabonete idem. Passados como se deve: massageando devagarinho, sentindo o corpo inteiro. Depois, hidratante cheiroso em cada pedacinho da pele, lambuzado como se fosse a corbetura extra do meu sorvete preferido. Um pente de madeira nas madeixas, uma havaiana no pé. Sem perfume.

Um ato de amor.

Sopa de aipo e nabo

Se algum ser humano achar que sopa de aipo e nabo é saborosa, por favor me conte. Eu nunca vi uma comida dos quintos como esta.

E olha que tem no meio uma cenoura, repolho e vagem para disfarçar. Mas a gororoba é tão ruim que dá cara feia antes de comê-la.

Fazer o quê? Dieta ora bolas.

Domingo bom

Domingo bom, dormindo bem.

Começa assim, embora eu ame ver o sol nascer e, nestes dias especiais, eu fique com um bom humor incrível. Parece que eu estava presa, sabe com aquela bolota de ferro dos desenhos animados que fica amarrada no tornozelo por correntes? Pois é. Teoricamente, a pessoa pode ir e vir, mas com a mobilidade plenamente comprometida. A pessoa carrega um fardo.

Fechar ciclos nos liberta. E é incrível a sensação de bem-estar que experimentamos. Não, não me pergunto por que eu não fiz isso antes. O tempo foi o necessário.

Sei que as conquistas chegaram, os sonhos voltaram. E coloridos.

Gullar, como dois e dois… sei que a vida vale a pena. De novo.