Hoje é o novo dia

Acordar de novo com o sol, romper a madrugada às 4 da manhã e ver o dia se abrir inteiro para mim. Um bom banho, hidratante na pele e alma lavada. O projeto que renasce.  Saio cedo para o trabalho, desvio o caminho… e a praia tantas vezes companhia, sob o céu de chuva se descortina como o mesmo caminho, mas um novo. Ressignificação. Não paro em canto algum. É imperativo seguir em frente. Devagar. Eu já sei onde quero chegar. E não tenho pressa. Só deleite.

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Empréstimo Saramaguiano

No silêncio dos olhos

Em que língua se diz, em que nação,
Em que outra humanidade se aprendeu
A palavra que ordene a confusão
Que neste remoinho se teceu?
Que murmúrio de vento, que dourados
Cantos de ave pousada em altos ramos
Dirão, em som, as coisas que, calados,
No silêncio dos olhos confessamos?

José Saramago
Os Poemas Possíveis
Lisboa, Caminho, 1999

Bobeira total

Momento burrice absoluta: lendo estes ridículos, mas tão úteis (neste específico momento), textos sobre como paquerar (é verdade mesmo que eu esqueço como depois de uma longa monogamia), descubro que faço mesmo tudo errado. Ao invés de elogiar o fulano, faço o inverso: elogio todos os cicranos ao redor, todos. Tática da provocação. Pode até dar certo com alguns… tsc tsc, mas com pessoas tímidas o tiro pode sair pela culatra.E agora?

Banana!

Como paquerar de novo

Você vê todo mundo todo dia… mas só aquele fulano interessa de verdade. ok.

É uma questão de frio na barriga, de coração derretido, de desejo latente. É que, um dia, seu olhar cruzou  o dele e um algo mais se revelou. Sabe-se lá por que deixamos de ser ilustres anônimas para alguém!

E, de repente, você se pega cantando músicas quase infantis, investe em si mesma, sente-se puerilmente alegre apenas porque o encontrou rapidinho e ele falou consigo.

Ah, tá. Não tem idade para isso…

O  problema é que quando eu saio de um relacionamento sério (juro!), fico aparvalhada, tonta, sem saber o que fazer para paquerar e sem perceber claramente se estou sendo paquerada. Vale olhos nos olhos, olhar mais profundo, sorriso … mas fico tímida. Inacreditavelmente tímida.

E por isso faz uns dez dias que ando lendo matérias do tipo “como saber se ele está afim de você”. Momento adolescente total.

A parte boa? É esse coração batendo de novo.

Resposta aberta ao Lord

Caro Ricardo,

Engraçado para mim como a internet realmente fez laços importantes para a minha vida nos últimos anos. Senti falta dos amigos, de lê-los, pessoas inteiras, de dar-me à leitura, eu , livro humano também. É você, é a Meg, é a Cam, é a Soll, é o Zeca, é a Anna V., é a Helê e é a Monix, a Fal, a Meg M., a Denise… tanta gente boa! Percalços em meu caminho, desajustes afetivos. Normal. Acontece para todo mundo.

A lacuna que ficou em mim, blogpessoa censurada, temerosa de julgamentos reais, cruéis e incisivos de pessoas que me eram muito caras, me fez preferir tantas vezes o enigmático silêncio. Estúpido, sim, mas, mais uma vez me admiro: o silêncio meu sempre falou mais que todas as minhas palavras.

Ah, as minhas palavras. Que falta elas me fazem sempre! Que vontade de poema, que desejo de risadas, causos engraçados… que anseio de sonhos líricos em crônicas românticas, que ensejo de saudades sufocadas em palavras mudas que apenas davam voltas em minha cabeça e em meu coração. Desenhavam-se textos e morriam na boca ou na ponta dos dedos. Tempo de silêncio imperativo.

Tempo de não dar notícias. não despertar dragões, não incomodar os vaga-lumes. E o sol em meu peito morrendo chuva na alma.

É, meu caro Lord, meu caríssimo Lord, esta vida que se repete severina também virtualmente deságua por fim um dia em nascer de novo, em rir de novo, em ver o sol não mais deus nem mais diabo na minha terra de realidades e ilusões. É um estar fêniz, um ser fênix, um recomeçar com sabor de vida. De vida humana.

É uma hora de meu corpo saber-se de novo, de meus sonhos gritarem em mim, desdobrando-se em sorrisos, estes sorrisos que são tão meus.Tão a minha cara, tão a minha pessoa. Sou eu mulher romântica, devorando Drummond, Vinícius e Saramago a noite inteira, no meio da noite, em elétrica vontade de encher o peito de bons sentimentos. De constatações poéticas sobre os fins que permeiam a nossa história.

É hora de sentir pulsar o desejo, este que exala pelos poros após me invadir inteirinha e ultrapassa minhas vestes, que me faz caminhar segura, passo a passo, que me faz enxergar o outro, um outro que está porvir.

É hora, Lord, de sentir o efeito do arrumar uma casa interna. De entender claramente estes fractais de que nos fazemos pedaços a cada dia. E de concluir que mais outros e outros mais fragmentos ainda estão por vir; eu: ser em construção. Ser vivo. Estar viva.

Um beijo. Um abraço apertado. Destes que só os amigos sabem dar. E obrigada, amigo, pela sua fidelidade.

Alena

                                                                                                                                                                                                                                                                                                              .

Traduzo-me em outras palavras

“Se não tenho outra voz…

Se não tenho outra voz que me desdobre

em ecos doutros sons este silêncio,

é falar, ir falando, até que sobre

a palavra escondida do que penso.

(…)”

José Saramago

Calei-me por muito tempo.

Tempo necessário de luto.

Tempo necessário de escuridão.

Tempo imprescindível de silêncio particular.

Tempo cheio de medos e censuras alheias.

Tempo findo.

E o blog?

Agora vai indo.

Alena Cairo