100 dias para mudar minha vida – o mote

A questão é esta: estou há tempos precisando sair dos arredores de Dante, do que eu permiti que minha vida se transformasse.
Ensaiei, ensaiei, ensaiei, mas o fundo do poço era fundo e a mola estava gasta demais para me impulsionar para cima.
Creio que visitei tantos fundos de poço que realmente meu mantra é fênix, fênix, fênix.
* * *
Então no auge da desesperança e da apatia e da quase instalada depressão por que passei, experimentei reviravoltas várias que me levaram e trouxeram para longe/perto das profundezas de mim, de quem eu era e tinha deixado de ser.
*
Percebi após o primeiro projeto (projeto minha vida de volta) que não era tão fácil perseverar e que altos e baixos realmente fazem parte. E mais: que arrumar a vida é bem mais difícil que desarrumá-la.
* * *
Persevere. (mantra 2: recentemente descoberto)

* * *
Então me dei um tempo para nada fazer, que durou 4 dias, para não tomar atitudes e apenas deixar-me fruir o instante entre amigas e nossas filhas.
Foi bom.
Acabei descobrindo que precisava ser mais generosa comigo e me dar tempo. Então surgiu a ideia de cuidar bem de mim em 100 dias, sim, porque 100 dias é um período alcançável, não é um ano inteiro e não precisa de rapidez também para fazer tudo. Dá tempo. Ainda a favor do prazo, posso dizer que 100 dias são suficientes para formar novos hábitos – tipo dormir mais cedo – coisa que ainda não estou fazendo por mim.
* * *
E veio então a quarta-feira de cinzas. data simbólica , mas coincidência neste caso. Foi o dia de eu ver mesmo em que estado de alagamento a tsunami do tanto que eu me f#d! por abandonar-me tinha me deixado.
Dose. Para leoa. Para Alena.
Percebi que nem pé sobre minha papelada eu conseguia mais tomar. Que meu guarda-roupa era um depósito de coisas que eu nem sabia quais. Que minha casa era mesmo um mausoléu , mas que poderia dar uma residência kitsch – se eu me empenhasse com meu gostinho especial pelas artes e decoração. Que já fazia um ano (mais de um ano! Oh, meu deus!) que eu estava sozinha, sem namorar, sem abraçar, sem receber ou dar carinho!). E nem tinha percebido tanta solidão de tão imersa que nela eu estava.
Percebi que era São João quando me dei conta de tudo isso em 2010 e que de lá para cá só o efeito sanfona me mantinha acima do peso. A roda da Fortuna do estímulo/desestímulo/estímulo. Diversas vezes entrei e abandonei o Vigilantes do Peso.
O estado era de calamidade pessoal, uma calamidade silenciosa que nos afasta das pessoas e nos deixa sozinhas consigo mesmas. Nem na net eu vivia mais!

e o tempo tinha passado tanto… e eu praticamente nada havia feito. Por mim. Muito grave.
* * *
Então apareceram os 100 dias como uma nova proposta, uma proposta minha, um tempo meu. Passei um ano integralmente com a minha filha, foi imposto pela demissão (meio procurada), mas , ao mesmo tempo, foi um espaço de tempo conquistado. Nada ou pouco fiz para sair deste estado porque eu queria mesmo viver plenamente a maternidade. Dedicação exclusiva e inclusiva. Não havia a ajuda da minha mãe – já falecida – e nem da minha ex-sogra – também falecida – e minha filha , portanto, era um bebê que só tinha mãe. E um pai prestes a se separar e sair do seu convívio, morar em outra cidade. Me dei o luxo e o direito de me dedicar à maternidade porque eu queria assim. Eu PRECISAVA SER MÃE PLENAMENTE. Até mesmo para curar as minhas mágoas pela morte de minha mãe. Quando a gente tem um filho, aprende o gostinho da eternidade.
Bati o martelo e passei um ano exato em casa, com minha filha e só com ela. Torrei toda e qualquer economia com itens de subsistência básica e foi bem difícil sobreviver. O FGTS virou fralda, comida, leite e nenhum luxo ou investimento pessoal. Tudo gasto com a família. Uma parte valeu. A outra, deixo-a para lá neste instante.
Pois é.
* * *

Assim nasceu este projeto. Foi uma necessidade. Urgente. E um ato de amor próprio. E coragem. Para continuar. A viver. Bem. Como eu gosto.

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