Projetos, projetos, projetos

 

Quando me separei, fui ao limbo estacionar um pouco: nem só de céu vive a humanidade e porque existem dores para serem curtidas, processadas, elaboradas, enfim.

Sumi do twitter, sumi do facebook, do orkut nem se fala e este blog foi pseudoalimentado para que não morresse de vez. Morimbundo, o A vida em palavras ficou sem elas, as palavras.

O que mais me incomodava era a censura inapropriada e perseguidora do équissi. Mas chega também um tempo em que os incômodos deixam de sê-lo.

Demorou.

Muitas coisas me feriram, muitos sonhos desfeitos e a incerteza como caminho.  O-que-fazer? Vontade de blogar nunca faltou, mas a agonia de estar sendo vigiada me sufocava. Autocensura foi a minha punição.

* * *

Depois do limbo, sempre vem a lucidez.

Ou a luz do fim do túnel, que não, não era um trem. Era a luz mesmo. Ainda que tênue.

* * *

O primeiro projeto, comecei em junho, quando descobri o lamaçal em que me encontrava: sem emprego, sem amor, sem namorido, sem expectativas, sem sonhos, sem dinheiro, sem projetos. E com uma filha.

* * *

Herdara com minhas irmãs uma casa de família – que é uma casa muito velha e que precisaria ser derrubada e reconstruída para valer a pena. Mas era um teto. Com chuva dentro vez ou outra, mas um teto. Ainda um teto. E próprio, sem aluguel.

* * *

Depressão total. Móveis e bens já desgastados pelos usos e por tantas mudanças, uma filha sorridente e inocente das coisas e dramas do mundo. Meu coração dilacerado.

* * *

Fênix, fênix, fênix. Quase meu mantra.

* * *

Então, pelas mãos da terapia da autoestima, que consiste em fazer um círculo concêntrico com dez outros e um gráfico pizza no qual cada fatia representa uma faceta de sua própria vida, pintei as notas para cada área relevante de minha vida. Descobri o quanto me dediquei às coisas (leia-se pessoas) erradas. Exceto à minha filha.

E parti para o segundo passo: metas. O que eu queria, como eu gostaria de estar e – o mais  importante – quem eu era, sempre fui e queria resgatar. Eis o mote.

* * *

O primeiro projeto nasceu então deste processo de conscientização de todas as coisas.  Foi o PROJETO MINHA VIDA DE VOLTA.

Monitorei por meses cada instância, fazendo auditorias mensais. Sem neuras. Sem pressa. Sem desespero. Eu sabia onde queria chegar.

Fiz um mural em casa, com uma simples lâmina de isopor e saí colocando papéis e palavras de incentivo.

* * *

Cada dia  mais creio na força do desejo, do projeto pessoal e do estabelecimento de metas. Dei-me o prazo de 3 meses para questões menores e outras cruciais. Em menos de um mês e meio estavam todas as metas iniciais cumpridas. Descobri, portanto, o real significado do batido termo FOCAR.

 * * *

Perseverei. Fênix.

* * *

Mais metas, mais sonhos, mais ‘limpezas’ a fazer.

Mangas arregaçadas, tímidos caminhos foram aparecendo.

Quando me dei conta, eu já estava empregada.

Quando me dei conta, a pessoa que eu sempre fui estava incorporada de novo.

* * *

Mas nenhuma tsunami passa sem devastar, sem derrubar, sem sequelas graves. E o estrago fora grande.

Passo-a-passo, um dia depois do outro, um pé de cada vez.

Calma, serenidade, lucidez.

Era a leve certeza de que eu  já estava indo tarde.

* * *

Limpeza. Faxina. E inventário dos prejuízos – enormes.

* * *

Missões desagradáveis a serem cumpridas: estratégias de sobrevivência.

* * *

Muitos quilos a emagrecer. Muitos. 20 é uma necessidade ou uma vontade?

Efeito sanfona instalado. E eu que nunca pensara passar por isso.

* * *

Demorou, mas o ano novo chegou. 2011. Março.

Enfim uma certeza: o PROJETO MINHA VIDA DE VOLTA  chegara ao fim.

* * *

Assim, nasceu, após longo período embrionário (dois meses), o novo projeto: 100 dias para mudar minha vida.

É a hora de consolidar as aprendizagens, superar os traumas e assumir novos espaços de atuação em meu palco-vida.

* * *

Enrolei , enrolei, enrolei. Acabei percebendo que não começaria com tudo arrumado, como festa de 15 anos de gente abastada. O risca-faca era o ponto de partida e cada conquista seria um degrau. Não, eu não estava em carruagem e nem em iate ou jato particular. Quiçá castelos. Os de areia foram desfeitos.

* * *

E o fato é que depois de passar a quarta de cinzas (significativo, não?) arrumando meu guarda-roupa inteirinho, percebi que o projeto havia começado. Data simbólica e fim mais simbólico ainda. Acasos.

* * *

Boa sorte para mim então. São 100 dias para me amar e cuidar de mim. Muito.

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