Como cuidar sozinha de uma filha

Agora acho que esta será a minha próxima série. Eu fico realmente incomodada quando leio pessoas falando de como é bom e coisa e tal – como se fosse só a parte do paraíso esquecendo-se ou omitindo o padecer. Ah, tá. É bom, sim, mas as pessoas simplesmente se calam sobre as dificuldades? As dores nas costas? A exaustão ao fim do dia? A impossibilidade de fazer qualquer outra coisa? A dificuldade para cumprir tarefas simples? Para manter a casa arrumada? E dar atenção à filha?

O retorno de Alice

Hoje ela estava com a cara mais safadinha do mundo, um misto de maravilhamento e euforia. Parque, almoço fora e shopping (que me matou de cansaço). Chegamso em casa ambas quase mortas e dormimos juntas, abraçadinhas.

A dieta hoje ficou na cota, graças ao meu brócolis ninja, que me deu um surto de vontade de cozinhar e me fez surgir um caldinho delicioso, que eu chamei para Alice de sopa do amor. Tomamos juntas e ela, simplesmente, amou!

Depois me pediu o gagau e, lá pelas tantas, falou: mamãe, está delicioso esse gagau! Ao que eu lhe respondi: é o que mamãe faz, filha, é sempre com muito amor.

Tá. Ingressei definitivamente no clube das mães.

 

Três dias no VP pela milésima vez

Terceiro dia no VP e só consegui fazer as coisas mais ou menos direito no primeiro dia.

Análise do absurdo:

Dia 01

 

Dia 02

Dia 03

Conclusão: falta de rotina e desajuste emocional fazem tudo fugir ao controle. Ah, e necessidade ainda de me divertir muito. Creio que quando eu conseguir arrumar minha casa as coisas fiquem melhores na minha dieta.

Medida certa

Ganhei uma fita métrica. Achei-a hoje.

Não é que fui ver a medida errada (impublicável) para tentar chegar à medida certa? Anotei tudinho.

Agora é tomar coragem e ir dormir para malhar muito a partir de amanhã.

(Apesar de tudo extra, bem estar e beleza estão comigo #feliz)

Viver é afinar o instrumento

Tomei coragem, acordei tarde e resolvi ir à academia, ao VP… Por sorte, academia aberta, fui tirar dinheiro, mas resolvi ir logo no VP.  Tenho que decidir se vou fazer hidro, natação e musculação e spinning ou se vou fazer tudo ao mesmo tempo.  E isso implica custos.

No VP, decisão acertada(!?): paguei nova inscrição e agora tenho 16 semanas para reprogramar minha vida, emagrecer e adquirir de novo os hábitos saudáveis com prazer. Estou entusiasmada.

Depois , vi o mar lindo, lindo! Rumei para a Perini e comprei um brócolis japonês lindo, rúcula, alface americana e nozes, damasco, gorgonzola e pasta de alho, além do irresistível pão com ervas – que me mata e me faz lembrar um certo rapaz. ;D

Satisfeita, voltei para casa  e me brindei com este almoço delicioso:

foto

Coragem grande para emagrecer de vez, metas arrumadas e a certeza de que tudo vai dar certo.

* * * Up date: comprei roupinhas de malhar!!! Viva amiga que empresta cartão e divide em 4 x sem juros (risos)

 Com licença, vou ali, caminhar na praia…

* * *
1h 10 de exercício, exaustão quase!

* * * Fim de dia em companhia agradabilíssima de meus amigos Malu e André.  Bom papo no Mar na Boca.

 

Felicidade custa barato

Cá para nós, voltei à forma mesmo! Depois de um entediante dia, em que adio o trabalho absurdamente, de ligar para quatro amigas e não encontrar sequer uma disposta a sair …  arrumei mais e mais tralhas que estavam soltas por aqui e parti para o fogão. Não acredito e nem sei de onde tirei forças para fazer o que sempre fiz e o que sempre amei fazer: cozinhar! Entretanto, há muito perdera o gosto! É que família faz falta e eu levei muito tempo para me acostumar a ser não só eu, mas eu e Alice e uma babá. Acho que se fosse só eu e Alice, talvez fosse mais fácil na cozinha.

Preciso voltar à forma e aprender de novo a cozinhar para um, dois – acho que já encontrei a medida certa!

Pois não é que me brindei com um cálice de vinho do Porto, presente do reitor da Universidade de Portugal, e me deliciei com um maravilhoso parafuso tricilore ao sugo, com tomates italianos, três dentes de alho, sal e azeite português?  Comi como uma princesa. Como fazia falta o meu sabor!

De sobremesa, a prova de que felicidade é simples e custa barato: goiabada cascão e creme de leite nestlé.

 

 

100 dias em que eu mudei a minha vida!

16 de junho.

Hoje eu tenho muito o que comemorar. Já pensei até em publicar as 100 fotos destes dias, 100 fotos que representassem estas vitórias. Mas estou com vontade também de reescrever  post a post e ilustrá-los e também de revelar as entrelinhas e as linhas ocultas.

Estou a pensar. Up date: já pensei, vou reeditar os posts para deixá-los à posteridade.

* * *

Ao mesmo tempo, o fim do projeto foi uma espécie de espiral : voltei mais ou menos para  ponto de partida. (Acredito que  a vida seja assim mesmo: a gente vai e volta a pontos semelhantes da nossa história, só que em outro tempo e com outras possibilidades, inclusive de escolha). Depois que perdi mais uma babá (segundo ela, a mãe está doentíssima), o caos se instalou, unindo-se ao desespero do projeto estar nos últimos dias. Algumas coisas -parece que como num teste – me sufocaram e irritaram, mas sei hoje que talvez tenha sido para a lição final ficar bem sólida. Descobri pela milésima vez o preço de ser mãe sem marido e de ser órfã (leia-se: não ter avós para Alice). Difícil trabalhar, difícil viver, difícil namorar, difícil fazer qualquer coisa normal, até ligar e usar o computador quando se tem uma criança em casa.

As relações profissionais são tensas, parte do grupo não crê ou nunca trabalhou em equipe e isso é difícil para mim, que acredito tanto no trabalho em conjunto e que aposto em partilhar. Ainda assim , continuo com fé em mudanças, amo muitos colegas e percebo possibilidades bacanas de desenvolver projetos com alguns.

Não emagreci tudo que queria, mas emagreci muito. Ainda não reprogramei o  meu corpo como gostaria, mas estou no caminho, as férias chegaram e quero me dedicar a tudo que amo, inclusive muitas atividades físicas.

* * *
O grande detalhe é que, embora o peso ainda me incomode muito, o foco do projeto não foi apenas a aparência, mas algo muito mais interior, aquilo que, como dizia Saramago, está dentro de nós, aquela coisa que não tem nome e que é o que somos. O fato é que, nos últimso cinco anos, me perdi muito de mim mesma – coisas de quem se apaixona pela pessoa errada realmente e enxerga mal o que o outro tem a lhe oferecer e a compartilhar consigo.

Acredito piamente que há relacionamentos em que as pessoas progridem e outros capazes ou de estagnar ou de fazer a regressão de um ou ambos os cônjuges. O meu caso foi típico: incompatibilidade total. Minha vida inteira deu para trás. Virei outra, irreconhecível.

Coragem para mudar o rumo e aprumar a vida. Eu tenho. Sempre tive.

Foi por isso que este projeto nasceu. No dia 05 de março, eu acabei perdendo a última coisa que estava em consonância com a época passada, com a pessoa passada. Meu carro. Quando acordei no dia 09, senti definitivamente que precisava mudar tudo, tudinho mesmo. E foi assim que nasceu este projeto. Do desespero, da depressão. Em resposta a uma vida que eu quero melhor.

Então, 100 dias depois, em que foquei mais em mim que em qualquer outra coisa ou pessoa, posso dizer de novo que venci.

VENCI PORQUE ESTOU ALEGRE E RISONHA COMO SEMPRE FUI.

VENCI PORQUE REDESCOBRI O RISO E A LEVEZA.

VENCI PORQUE ENCONTREI PAZ COM A MINHA FILHA, COM A MATERNIDADE, COM OS VALORES EM QUE SEMPRE ACREDITEI E EM QUE CONTINUO ACREDITANDO.

VENCI PORQUE ESTOU ME SENTINDO BONITA, ATRAENTE, DESEJADA.

VENCI PORQUE ESTIVE EM CONVIVÊNCIA COM PESSOAS REALMENTE AMÁVEIS, REALMENTE ADORÁVEIS, REALMENTE AMIGAS.

VENCI PORQUE DESENVOLVI UM BOM TRABALHO, PORQUE CONQUISTEI MEUS ALUNOS E OS PAIS DELES, CRIANDO UMA EXCELENTE ATMOSFERA DE COOPERAÇÃO E CONFIANÇA.

VENCI PORQUE FIZ ESCOLHAS CERTAS.

VENCI PORQUE VOLTEI A VIAJAR, A SAIR, A PAQUERAR, A SORRIR E A RIR E A GARGALHAR.

VENCI PORQUE ESTOU TRABALHANDO, PORQUE TENHO PLANOS E PROJETOS PARA BREVE.

VENCI PORQUE SUPEREI DIVERSOS OBSTÁCULOS PASSO A PASSO, CONQUISTANDO MUITO DO QUE HOUVERA PERDIDO.

VENCI PORQUE MEU DESTINO É ESTE.

VENCI PORQUE ACREDITO NA VIDA, NO AMOR, NA AMIZADE, NAS PESSOAS E, SOBRETUDO, EM MIM.

100 dias para mudar minha vida – Dia 99

15 de junho

Penúltimo dia. Mando Alice para a escola em que a matriculei, sem ninguém para tomar conta dela em casa, agonia para ir buscá-la… Nervosão de manhã, malcriação dela, necessidade de minha irmã ir levá-la… pensei que ia ter um infarto.

* * *

Chego à casa cedo. Dia da Graduação dos meus alunos. Vontade de ir ao salão, me arrumar, de estar uns 10 quilos a menos… Encontro obrigações maternas e decido rápido: arrumo Alice e rumamos para a festa da escola, onde eu discursaria. No caminho, compro um saco gigante de guloseimas  para entretê-la e fazer com que ela não fale e não chore e nem faça nenhuma malcriação para atrapalhar a cerimônia.

Deu certo.

Venci. Fiquei feliz demais. os meninos e as meninas estavam lindíssimos, felizes.

Meu discurso agradou, foi muito sincero. Vi muitos pais chorando, muitos mesmo, e seus olhos brilhavam e o sorriso de confiança que depositavam em mim me deu a medida certa das coisas. Os alunos estavam emocionados, amei! Vi choro e reconhecimento do trabalho.

* * *

Fiquei – como gosto – até o fim da festa. Bate papo com mães e pais que eu adoro.