Come back…

Adoro esta música, de melodia linda, mas, como dizia Antígona, morto meu pai, morta minha mãe, só me restam estes irmãos. E a música nos convida a refletir exatamente sobre o sempre ter casa para voltar.

“Oh my beautiful mother
She told me, son in life you’re gonna go far
If you do it right, you’ll love where you are
Just know, wherever you go
You can always come home
(…) oh my irrefutable father
He told me, son sometimes it may seem dark
But the absence of the light is a necessary part
Just know, you’re never alone, you can always come back home”

Quando os pais morrem, você passa realmente a pertencer ao mundo, pertencer ao mundo verdadeiramente. Se, por um lado, causa melancolia, por outro, o seu “caminho é cada manhã” . É uma liberdade gigante ter todas as estradas pela frente.

 

Sobre opinião alheia

Circulam os memes nas redes sociais com tanta frequência, que a maior parte das palavras passa tão rápido quanto aparecem aos montes. Muita curtição e pouca reflexão.

Ultimamente, tenho visto uma enxurrada de frases e netcartazes cuja mensagem consiste em dizer, de diversas formas diferentes, que ninguém tem nada a ver com a ‘minha vida’. Isso e mais a intromissão absurda de que fui vítima nos últimos tempos (ressalte-se porque estava fragilizada e permiti) me conduzem à constatação de que , quando a gente realmente está segura de si, as intromissões não somem, os palpites não acabam, as chatices alheias e as fiscalizações familiares não deixam de acontecer, entretanto  a gente liga aquele botãozinho do ‘foda-se’ e sai pela vida, linda, serelepe e faceira, ao menos muito leve, se não tudo isso, e vai cuidar realmente do que interessa.

Quando há esta necessidade de justificativa como vejo nos posts de amigos, percebemos claramente o grito de socorro implícito: por favor, vão cuidar da vida de vocês e parem de julgar, condenar e maldizer a vida alheia. São estas as súplicas que leio diariamente nas mensagens dos murais on line.

Por outro lado, podemos pensar que as pessoas controlam o que publicam nas redes sociais e dão aos outros os pratos cheios para falarem de si. Há quem diga que não publica nada por isso. Mas é esta a tônica? Nada partilhar? Guardar para si suas conquistas, suas mágoas e decepções, seus lampejos de alegria e arroubos românticos? Ué, eu não aprendi na vida, na escola, nos livros e na universidade que o ser humano é social? Eu vivo com o outro, por isso publico, divulgo, me engajo e compartilho; mas não para o outro.

As redes sociais hoje se descortinam melhores do que as limitadas janelas das maricotinhas de antigamente. Se as candinhas viviam atrás das cortinas tomando conta dos beijos roubados e dos encontros fortuitos e passavam, tal qual a brincadeira do telefone sem fio, as mensagens, deturpando-as, hoje não é lá muito diferente.

Há uma gama enorme de ‘amigos’ que aceitamos para fazer parte da nossa vida virtual que só faz fuxicar e futricar a partir do que publicamos. Uma tia, um tio e um conhecido me perguntaram se  eu era gay porque me vêem sempre defendendo os direitos humanos dos homossexuais. Na cabeça deles, é preciso ser homossexual para respeitá-los. Ãnh? É. É com estupefacção que eu recebo estas notícias.

Outra vez, como gosto muito de roupas estampadas e vestidos de algodão, me perguntaram se eu era hippie, se depilava as axilas, se fumava maconha e se era gay. Ãhn? É. É com estupefacção que recebo estes comentários.

E se fosse? Caberia a mim ser.

Uma titia uma vez me disse que ‘ah! ela sabia que eu não era, mas o que o mundo ia pensar, o que as pessoas iam falar?’  Gente, fala sério! Estou no terceiro milênio, vivemos numa sociedade pós-moderna, o capitalismo venceu, os direitos humanos estão em voga há décadas, as lutas por um mundo , uma vida e um planeta melhor são a pauta das aulas, das reuniões e campanhas. E ainda há gente que se assusta se você não é católico ou se não é evangélico, se defende casamentos para pessoas que queiram se casar do mesmo sexo ou não, se é a favor da adoção, se prega o sexo livre e a liberdade feminina, se não condena as mulheres que abortam, se amamentou sua filha até quando bem quis e pôde? É. Até palestras eu ouvi contra a amamentação de minha filha. Muita gente veio – na contramão da história – me dizer que eu amamentava demais.

Recentemente, cada amigo com quem tirei foto e postei virou para as candinhas um namorado, uma promiscuidade minha. E se fosse? A década de 70 era mais evoluída… Cada copo de cerveja postado em minhas mãos em eventos virou um conselho de um parente: olha, não beba, não, vão pensar que você é alcoólatra.

Ou outro conselho pós fotografias: ‘não viaje. Sua filha é desequilibrada e precisa de você SEMPRE ao lado dela’. Ser mãe é isso? Renunciar a si própria? E eu que briguei tanto para a minha mãe recuperar a sua vida pós morte de meu pai e apesar de ter 4 filhas… Renunciamos, sim, a sair todas as noites, a ficar mais fora de casa, a comprar com todo o nosso dinheiro para nós mesmas… mas renunciar `a própria vida, às próprias escolhas, às próprias bandeiras e abdicar da felicidade?  Não, sinto muito, aliás, não sinto nada, mas JAMAIS deixarei de ser quem eu sou porque isso me deixaria extremamente infeliz ( e já deixou no breve tempo em que permiti que os outros falassem mais a mim que eu mesma. Ademais, quem conhece Alice sabe o quanto ela é feliz e normal.

Aí você reflete sobre as suas publicações e as suas fotos e ratifica, tranquila, que , sim, vai continuar a fazê-las porque quer do seu lado gente de bem, gente bacana, gente que pense parecido ou que ao menos defenda o seu direito de pensar diferente. Candinhas, mariquinhas, futriquinhas? Ah, coitadas! São pessoas que nada têm de bom para partilhar e por isso ocupam tanto do seu tempo com maledicências sobre as felicidades alheias.

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Conselho ao grupeto? Signifiquem suas vidas, a dos outros vai incomodar menos.

Vigilantes X Dukan

Estou lendo o livro de Dukan. A cada página , tenho mais e mais certeza de que o programa dos Vigilantes do Peso é a melhor opção. Dukan corta carboidratos em geral, priva por um bom tempo de frutas e restringe a alimentação por muito tempo a depender de quantos quilos se tenha a perder. Sempre que me privo, sinto compulsão posterior e o segredo do VP é a moderação, a troca inteligente quando não estamos ‘desesperadas’ por tal alimento, a substituição diária que nos conduz à reeducação alimentar e ao emagrecimento duradouro e paulatino. Confesso que desejo muito mais perder rápido (talvez como todo mundo) e que é difícil perseverar nas primeiras semanas do segundo mês (sempre a minha dificuldade), mas até hoje o VP é o único método não agressivo nem psicologica nem fisicamente que eu conheço. A gente não se sente ferida fazendo o VP, não se sente excluída socialmente e aprende a lidar melhor com as emoções porque o programa possibilita que a gente coma todo tipo de alimento.

A mais, o Dukan promete 1 kg por semana e quem faz VP sabe que até mais que isso é possível nas primeiras semanas. E sem sofrer.