Abraço. Dia do abraço. E tem dia?

Eu amo o abraço, amo abraçar e gosto de abraço largo, abraço aberto, de peito e alma, abraço sem medo de encostar, sem medo de tocar, sem medo de revelar. E sou assim desde sempre – que eu me lembre. E acho que o meu pai e a minha avó paterna que me ensinaram o abraço. Minha mãe não era dada. Oferecia o abraço ao choro da filha, mas ela era uma fortaleza.  Eu , não. Sempre fui espontânea. Rio e choro com a mesma intensidade. E abraço. E beijo também. Sim, foi minha avó. Veio-me à mente o seu cabelo, veio o seu sorriso e vieram também os seus braços abertos sempre com amor. Sim, foi ela que me ensinou.

Tipo de gente que (tsc tsc tsc):

1. aquelas a quem você precisa explicar uma ironia
2. aquelas que só sabem fazer ironia acrescentando ‘só que não’
3. as que rezam tanto, louvam tanto, oram tanto… e por isso se consideram melhores que as demais
4. as incapazes de se colocar no lugar do outro ou de ao menos sacar que há diversidade no mundo
5. as que pensam que o seu ponto de vista é o único válido no universo
6. as que julgam tudo por este ponto de vista
7. as incapazes de ponderar

Agendas

Tenho guardadas agendas de meu pai e de minha mãe. São agendas comuns, de anotações cotidianas, tipo conta a pagar e valor. Nada poético ou lírico. Mas, todas as vezes em que eu as folheio, sou tragada com toda a força que a caligrafia parece ter para um tempo em que eles existiram de verdade. E eu nem sei se isso me faz melhor ou pior, só que assim eu me lembro de uma época em que a vida era mais doce porque sempre poderia haver a hipótese de um colo verdadeiro e humano.

Prêmios : aêêêê!

Recebi pelo face um comentário sobre o site de Lícia Fábio, a famosa promoter baiana, fazendo uma promoção cultural do Dia das Mães.  Resolvi mandar um parágrafo pequenino e… tchan, tchan, tchan, tchan!!! Ganhei! Fiquei mega feliz, pelo prêmio, que é simbólico, e também pelo reconhecimento – esse que não tem preço. Ah, e foi o quarto quinto prêmio do ano dos quatro cinco que participei 😉

A seguir, o textinho que mandei:

O maior presente da relação entre mãe e filho se resgata pelo olhar: aquele olhinho miúdo que lhe suga o peito e a olha com um misto de adoração e necessidade. Então nasce a cumplicidade, a certeza de poder contar com o amor maior de alguém que vai prover, enquanto existir, uma vida melhor para o outro, o seu filho. A mãe descobre então o que é alteridade de verdade, sente na pele o arrepio do que o outro sente; nos olhos, as lágrimas de dor e resignação e o misto de emoção sem precedentes. A mãe descobre que o sorriso do filho é o que a impulsiona nas horas de quase desistir, de morrer de cansaço e sono e dor… É a felicidade que procurava há tempos e ela cabe naqueles pequenos lábios sorrindo para si.  Alena Cairo

Dia das mães: pessoas integrais

Já está na hora de acabarmos com esta ideia machista e antiquada de que ser mãe é anular-se. Abrimos mão de muita coisa ao nascermos como mãe: do nosso tempo, de nós também em algumas ocasiões, mas anular-se significa viver SÓ em função do outro, para o outro e pelo outro.
Sinto muito, amo muito minha filha, teria uns 20 bebês se dinheiro tivesse e companheiro que quisesse, mas jamais seria feliz se me anulasse. E, na minha vida, sou prioridade. Tenho que ser, preciso ser. E não é este tipo de (falta de) amor que eu quero que ela conheça. Duvido muito da felicidade dos filhos cujos pais se anulam por eles. Geralmente, crescem mimados e egoístas, incapazes de perceber a alteridade. Olham para o próprio umbigo e sentem-se o centro do universo, batem os pés e assim alcançam o que todos os sacrifícios dos pais podem lhes oferecer. Até que a vida lhes mostra que a sociedade é maior que a sua própria família e os outros existem.
Eu tenho identidade, tenho quereres, desejos e gostos que precedem o nascimento de Alice e eu não abro mão de ser quem eu sou. Desde bebê, quando se formam os tiranos, ela implica com o meu gosto pelo pc e consequente significado de que eu não estou disponível para ela em tempo integral. Ao que eu lhe respondo: “filha, mamãe gostava do computador antes de você nascer, enquanto você estava na barriga e, depois que você nasceu, continua gostando”. E não pense aí, consolando-se, que eu fico sempre trabalhando, não. Às vezes, quero meu tempo para jogar uma partidinha (ou várias) do joguinho mais imbecil que existe ou ficar horas no facebook – mas aquele é meu tempo, meu momento de desopilar, de estar comigo e de limpar a minha cabeça das tensões diárias.
Se vou sair à noite, haja chorinho e dengo dela, minha filhinha, que eu aprendi a contornar com a frase: “mamãe precisa sair porque mamãe quer ser feliz e se divertir, ficar alegre com os amigos dela e, quem sabe, conhecer um ‘tio’ legal para namorar. E uma mãe, feliz, Alice, é sempre uma mãe melhor.” Repito todas as vezes, peço um beijo na bochecha com cuidado para não borrar a maquiagem e ela respira fundo, deixa de chorar e vai ser feliz também com a babá de plantão, brincando e se divertindo como lhe convém.
Sou mãe, mas sou antes menina, mulher, profissional, sou pessoa inteira e já era antes de ela nascer. Ela não me completa porque eu não estava precisando de complemento. Alice é um amor bonito, mas que também me frustra às vezes como é peculiar a todos os amores, porque ela também não é extensão de mim e tem vontade própria, age conforme os seus interesses.
Sim, fico cansada, acho que nunca mais vou dormir todo o sono que sinto, tive depressão pós-parto não diagnosticada na época, às vezes, ela faz malcriação, chora e esperneia e tenta impor suas vontades e me dominar ou ferir. Como todos os filhos. E educar me deixa exausta, não é fácil, embora também não seja impossível ou hercúleo. Faz parte do processo da maternidade.
E é por isso tudo que eu não posso pensar que os ecos de uma sociedade patriarcal ainda estejam a me gritar que eu devo/tenho que/só me resta anular-me. Propagandas bonitinhas, memes fofos com ‘fotinhas’ de bebês e frases cítricas de familiares travestindo imposições machistas? Tô fora. Raciocino. Raciocino e rejeito esta maternidade sinônimo de morte do eu, do abandono de mim mesma. E olhe que, por um período, entrei nesta vibe. Chega.
“Bola pra frente”, “arranja outra”, “você não pode ficar cuidando de criança”, “eu não tenho o que fazer com um filho pequeno”, “isso é papel da mãe”, “a culpa é da mãe” … é o que os pais solteiros ou separados ouvem e repetem por aí enquanto as mães têm (?!) que se contentar com a doutrina da conformidade: “quem mandou parir?”, “agora aguenta”, “não soube escolher…”
Rejeito este papel, não quero para mim e não admito que tentem me enquadrar neste espaço tão pequeno em que eu, mulher, mãe e profissional, não caibo. Alice está sendo educada para buscar esta integridade sua enquanto pessoa e a sua felicidade apesar de tantos tropeços que terá pela vida. Assim como eu fui.IMGP5079