Agendas

Tenho guardadas agendas de meu pai e de minha mãe. São agendas comuns, de anotações cotidianas, tipo conta a pagar e valor. Nada poético ou lírico. Mas, todas as vezes em que eu as folheio, sou tragada com toda a força que a caligrafia parece ter para um tempo em que eles existiram de verdade. E eu nem sei se isso me faz melhor ou pior, só que assim eu me lembro de uma época em que a vida era mais doce porque sempre poderia haver a hipótese de um colo verdadeiro e humano.