Sinto muito

A vida é sempre assim: um dia a felicidade bate em tua porta; noutro, um fio de tristeza escorre do teu rosto. Ao menos são bálsamos para viver, estas batidas. É Pandora insistindo em não morrer para que o imperativo permaneça: a vida.

De todas as frustrações, a que me angustia de verdade é o sentimento de impotência e falência. É aquele baque que dá na gente, aperta horrorizado o peito, quando sabemos que , ainda que de mãos livres, não atadas, nada podemos fazer de real. É a hora em que se depende do outro, em que se tem que esperar o outro, em que os humores, as razões e os sentimentos do outro é que vão decidir o que a atinge. E não você. Não as suas razões. Não os seus quereres. Não a sua emoção, o seu arbítrio ou o seu desejo. O máximo que lhe cabe é comunicar com delicadeza, torcendo para surtir o efeito desejado e despertar no outro o desejo de mudar. Quimeras!

E eu que nunca pensei que fosse chorar por causa de uma dificuldade de minha filha na escola, que nunca pensei que fosse me atingir algo da sala de aula, posto que estou nela quase todos os dias e conheço bem as suas nuances… me vi toda frágil, embrulhada em mim mesma quando a professora, delicadamente, me disse que ela resistiu a fazer a atividade, demorou e ficou em dúvida, embora depois a completasse: era o cartão do dia dos pais.

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