O choque do contracheque

Hoje à tarde, eu recebi algumas ligações estranhas. Mandei sms perguntando quem era. Era uma mãe de aluna. A secretária havia dado (com cacófato, sim!) o meu telefone à figura (oi?). Mas era uma ótima mãe. De uma ótima aluna. E ela queria saber se eu poderia adiar a entrega do trabalho da filha.
Você pode estar aí pensando que eu disse não. Mas eu perguntei por quê? É que minha mãe me ensinou que “nada tem que ser, mas tudo pode ser”…
E ela, a mãe da aluna, me respondeu que a filha tinha resolvido doar a (linda e vasta) cabeleira ao GACC (Grupo de Apoio à Criança com Câncer) depois de visitá-lo. E ela, a mãe, não tinha tido tempo ainda de levar a garota para cortá-lo.

É que eu passei um trabalho em que cada aluno , após ler sobre o profeta Gentileza, ouvir músicas e estudar uns textos sobre ele e sobre o tema, fizesse uma gentileza urbana.
A garotinha de 13 anos leu, estudou, foi a instituições de caridade, plantou árvore, distribuiu flor na praça e… resolveu doar cabelo para fazer peruca para crianças com câncer.

E eu às vezes não sabia que se poderia ser tão melhor assim como humanos. E esses meninos e meninas podem ser. E eu gosto disso.

É. É esse o salário indireto de idealistas como eu que entram na sala de aula todos os dias.

Sim, e isso ameniza o choque do contracheque.