Ternura pela cria

Há quem creia que os filhos sejam extensão de si. Eu jamais me iludi. A gravidez foi um espanto para mim e me senti e sinto até hoje estupefacta pelo fato de uma outra pessoa ter estado dentro de mim. Esta é a maravilha da vida. Alguns chamam de milagre, mas eu prefiro não.

Cheguei da escola e resolvi mudar a rotina. Ao invés de subir  e me jogar no sofá, inerte pelo cansaço do dia de trabalho, optei por ir direto ao parquinho  e ver sem avisar como Alice se comporta e a babá também. O fato é que a babá estava sentada no maior bate-papo e, ao me ver chegar, levantou-se e ficou atrás de Alice o tempo todo (como se eu pensasse quando longe que ela faz isso… tsc tsc). Mas a graça foi ver um garotinho de três anos numa moto elétrica e a minha filha parando-o. De longe, eu já sabia o que ela estava tentando fazer. Todo mundo acudindo, pedindo a ele para sair e deixar ela ir. Intercedi e disse, deixem ela, ela sabe o que faz.

Resultado, ela tentando montar e o povo querendo tirá-lo. Eu disse: deixem. Ela segurou na cintura e partiram.  (todo o tempo Alice estava negociando com ele para montar na garupa!)

Então, toda faceira…

Depois ele parou a moto.  As babás acudiram. Desce e sobe, todas atrapalhadas e eu sabendo o que ia rolar. De novo, eu disse: deixem eles…

Resultado: ela o convenceu:

 

“A minha vagabunda”

“A babá de minha filha, brincando com ela, resolveu :

– Vem, Alice, venha colocar Shrekinha na sua cacunda* para fazer pocotó…

Neste ponto da conversa, ela voltou à sala e a babá, já distraída, conversava com a empregada. Ao que ela , do alto de seus 2 anos e 5 meses, disparou:

– Bó, rumbora logo, coloca Shrekinha na minha vagabunda.”

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*Saber que a babá de minha filha fala “cacunda” é motivo para outro post.