Parcerias para os projetos pessoais

Oba! Três Quatro parcerias já surgiram para os meus projetos. Bastou eu divulgar – que minha língua é grande e não sou de silêncios voluntários – e já encontrei gente fina, elegante, sincera e inteligente para estas viagens em busca de si mesmas.

Viver é afinar o instrumento

Além da nova amiga que hoje quer emagrecer também no V.P.,  duas engenheiras ambientalistas entraram na barca comigo. E com estas vale até competição: todas as três têm que emagrecer. Quem emagrecer mais tem a sua semana paga por quem emagreceu menos. Se alguém engordar ao invés de emagrecer, paga para as outras a semana. Valendo a partir de segunda.

Gestão de $onho$

Outra moça  jovem e disposta conversava comigo acerca das suas dificuldades financeiras e nos prometemos mudar o cenário de nossa vida pessoal quanto ao din din.  A partir de hoje, a cada semana, estudo de um livro e apostila sobre o tema finanças com direito a um encontro semanal para debater o tema e tomar posições, traçar metas.

O meu prazo pessoal é até dezembro.

Cirque du Soleil Quidam

Quidam é uma prova de superação do humano, é uma ode à beleza, uma história de revelação do magnífico que o corpo humano pode fazer.

Quidam me encantou ao ponto de eu passar duas horas feliz, sorrindo, batendo palmas entusiasticamente e, por vezes, até com lágrimas aos olhos de emoção.  Desde 1996 que está em cartaz. Ao pensar no tempo, 13 anos após a sua primeira exibição, quando um magnífico ESPETÁCULO como este vem ao Brasil, mais exatamente ainda na sua cidade, não há como conceber ficar de fora. A não ser quando não fazemos idéia do que seja. Só o desconhecimento faz passar ao largo um show como este.

Segundo a definição da wikipédia,

“Quidam: um transeunte sem nome, uma figura solitária numa esquina da rua, uma pessoa a passar apressadamente. Podia ser qualquer um. Alguém a chegar, a partir, a viver na nossa sociedade anónima. Um elemento na multidão, um entre a maioria silenciosa. Aquele dentro de nós que grita, canta e sonha. É este o “quidam” que o Cirque du Soleil celebra.”

Logo no primeiro ato, Shayne nos faz maravilhados ao vê-lo girar e girar e girar na roda alemã em desafio `a gravidade e à possibilidade, com uma leveza que nos transporta ao universo onírico. As voltas e piruetas e a dança na roda entontecem. Lindo!

As menininhas chinesas revelam a destreza ímpar com o ioiô chinês. Os diabolôs rodam, giram, sobem e descem na corda enquanto dançam e realizam malabarismos e trocas entre elas. Palmas e mais palmas…

Força física parece o de menos face à graça e à leveza de Anna, enroscada no tecido vermelho, a voar em nossa imaginação. Contorcionismos múltiplos criam um efeito de rara beleza. Esquecemo-nos de que temos limitação e tudo é feito com tanta propriedade que nos causa a sensação exata de que também somos capazes de tanta superação. Quem foi que disse que o corpo é o limite?

O sincrônico saltar de cordas ao som de uma música capaz de enlevar a mais pesada das almas faz os artistas parecerem crianças livres de um tempo que a nossa recordação custa a crer. Transporta-nos para o deslumbramento de sentir as primeiras vitórias ao conseguir pular corda ou talvez aos olhos maravilhados de quem assiste a quem o faz com perfeição. A coreografia envolve 20 acrobatas que saltam e dançam num ritmo coordenado enquanto a magia das cordas girando enfeitam o ar.

Imagem do site oficial Quidam Cirque du Soleil

Imagem do site oficial Quidam Cirque du Soleil

As garotas e os arcos no ar a girar, girar, girar… voam em nossa imaginação e trazem suspiros de beleza. Um figurino belíssimo e a graça de meninas que bailam e voam, voam, voam…

O vídeo vale :

Os artistas se enroscam em cordas e nos revelam o que o ser humano pode fazer… quem dera nos ares estar assim.

Há apenas um grandissíssimo problema: ver em vídeo, na net, na foto e até mesmo na lembrança… não, nada supera a beleza do espetáculo ao vivo.

Asa e Jerôme em sua performance conseguem mostrar tanta simbiose entre um homem e uma mulher, dois corpos que se entrelaçam em posições deveras impossíveis, que me fizeram crer ser esta talvez a metáfora mais perfeita do AMOR.

Não se perdem um do outro, andam devagar, movimentam-se pouco a pouco, palmo a palmo, toque a toque… entrelaçam-se com uma sintonia que nos leva à leitura de um casal amante.

Há apenas um grandissíssimo problema: ver em vídeo, na net, na foto e até mesmo na lembrança… não, nada supera a beleza do espetáculo ao vivo.

Tive vontade de ir umas cinco vezes.

Decoração e cia

Desde que fiquei grávida, meu maior passatempo é olhar por horas revistas de decoração. Decoração de quartos de bebê e de casa de ‘gente grande’. A grana ainda não deu para fazer muita coisa, mas aguçou-se a vontade e, digamos, ando com tendências atualizadas. O mais legal é a gente olhar aqui e ali e ir construindo um mosaico com o que a gente gosta. Creio que seja por aí a escolha da casa de cada um. Não gosto, particularmente, de ambientes 100% arquitetos ou loja de móveis. Daqueles prontinhos, que não revelam nada sobre a personalidade do casal ou do dono da casa.

E adoro a mistura do caro com o barato. Do novíssimo com o antiquíssimo. Da vanguarda com o vintage. É por aí.

Esta tal modernidade

Recebi ontem um e-mail da amiga maravilhosa que a vida me deu nestes últimos três anos. A fofa está em Lisboa em lua-de-mel e avisava-nos, a nós, pobres mortais, que seu álbum de casamento já estava disponível. Tudinho on-line. É que estes fotógrafos estão cada vez mais profissionais.  A  gente recebe o login e a senha para acessar o álbum e pronto! E euzinha aqui passei hooooras a ver tim-tim por tim-tim cada detalhezinho da festa que foi m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a.

Só pai e mãe

Há momentos na vida em que ser órfã é mais difícil. Mais difícil ainda do que é ser todo dia.

Não ter pai e mãe vivos significa um sucessão de vazios. Desde o vazio maior que é o afeto e o colo (im)possível diário ao vazio de rememorar o seu passado. Como rememorar?

Quem é que vai contar a meus filhos (que eu ainda nem tive) as travessuras e gracinhas que cometi na infância? Parece irrelevante, mas o conhecer-se, o autoconhecer e o construir de nossa identidade requerem, sim, a imagem que eles (nosso pai e nossa mãe) têm de nós. Freud explica.

O mais f*da ainda ocorre quando você precisa de um tipo de auxílio que só pai e mãe dão. Tipo arranjar um fiador. Pai e mãe são fiadores naturais de filhos honestos e desonestos. A paternidade e a maternidade (quase) sempre suplantam quaisquer obstáculos que o capitalismo impõe (leia-se DINHEIRO $$$).

Um dia você acorda toda feliz, dá um passo na sua vida, tem dinheiro sacrificadinho para pagar – fruto do seu suor… passou por seleção, tirou fotocópia de trezentos documentos, assinou cinqüenta papéis, carimbou todos eles, reconheceu firma, pegou n filas e… então se depara com a pedra no meio do caminho. Os contratos exigem fiador. Às vezes, mais de um.

E você é um pássaro livre sem ninho e as portas se fecham. Só negativas. Recusas. Nem adianta falar como deus da instituição. Nem com todos os chefes daqui e dali. Educação é um grande negócio. E negócio é negócio. E exige contrato. Com fiador.

Sua avozinha não ganha o suficiente. Salário federal vergonhoso. Sua irmã ainda é estudante com salário de brasileira: droga. A outra é professora. Já viu, né? O tio está complicado. O primo nem pensar. Aí seu dedo aflito busca todos os números do celular e você escolhe umas vítimas mais próximas e, para não acabar a amizade para sempre, começa logo com o discurso de que dá a ele ou a ela, amigo ou amiga, a oportunidade livre e sem zangas de lhe dizer não. E ouve um não. Outro não. Outro e mais outro. Uns não querem e outros não podem. Normal. Sem zangas mesmo. Sua melhor amiga que faria isso sem pestanejar está a mais de 1000 km.

Mas aí bate uma orfandade sem limites e você faz beicinho porque as coisas para você não são simples e você é uma guerreira mesmo e não vai desistir ainda que com lágrimas nos olhos.

Aí cata a agenda dos tempos arcaicos, aquela manuscrita que guarda em casa e recorre aos consanguíneos. Liga para um. Para dois. Para três. E respira aliviada porque uma prima de alma boa se solidariza sem problema algum. ufa, enxuga a lágrima. Passa as costas da mão na bochecha e ouve os dados preciosos de que precisa para dar este passo em sua vida. E vai ser grata até a morte.

É . Agora você já pode se matricular. Vai trabalhar, vai estudar, vai se virar. É honesta, paga com sufoco, não está inadimplente. Nem pretende ficar.

Não há incentivo para estudar neste país de particulares. 

E você se resigna, pega o material das aulas. Filou hoje a academia na maratona pelo fiador. Nem almoçou com tanto assunto indigesto. Vai trabalhar aqui e ali. E mais ali. Talvez acolá.

E não vai se esquecer nunca da carinha alegre dos calouros que conduziam seus pais à fila de matrículas. Os fiadores natos. Eles os têm. São ricos de verdade.